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Posts de julho 2010

Prêmio caxiense em Joinville

31 de julho de 2010 1

Foto Alceu Bettm, Divulgação

Apresentando a coreografia Gaudéria, a bailarina Julia Poletto ficou em segundo lugar na categoria dança contemporânea avançada, solo feminino, sênior, do Festival de Joinville. O anúncio foi feito ontem, após a apresentação no festival catarinense. O trabalho tem direção coreográfica de Matheus Brusa, do Ballet Margô Brusa, de Caxias. Na categoria, ela competiu com uma obra de São Paulo, que ficou em terceiro lugar. A não concessão de primeiros lugares é recorrente em várias competições do festival por causa dos diferentes critérios e pontuações estabelecidos pelo júri.  

A genética da contemporaneidade

30 de julho de 2010 0

 

A Mostra Contemporânea de Dança do Festival de Joinville terminou com dois trabalhos significativos, que levaram ao palco do Teatro Juarez Machado questões em torno da construção do movimento na contemporaneidade. “Pedaço de Uma Lembrança”, de Dudude Hermann, e “Linhagens”, do Grupo Pró-Posição, dançam em torno da memória.

Na sua apresentação, Dudude tateia caminhos percorridos pelo Grupo Transforma, a partir de coreografia de Graciela Figueroa. É como se ela reinventasse, agora, um tanto daquela movimentação ora densa, ora humorada, emprestando aos acordes de Haydn ainda mais leveza. Trabalhando com o conceito de improviso e dando a ele a dimensão de organização de movimentos a partir de informações corporais já estabelecidas, o trabalho evoca pertinência e pertencimento. Dudude está ali, dançando com muitos outros, a sua dança regida pelas imagens do tempo. Apoiada pelo seu pensamento corporal, ela rege a performance com maestria e autoria. Uma lembrança vigorosa, que ecoa e mobiliza. Um arrebatamento.

Em “Linhagens” a genética da dança é ainda mais explicitada. No corpo estandarte da filha, Andreia Nhur, projeta-se a memória da performance da mãe, Janice Vieira. O encontro de gerações diferentes, especula onde está o DNA daquilo que se dança na contemporaneidade. O trabalho negocia engenhosamente com as duas memórias, trocando e traçando uma escrita em torno das reproduções, contaminações e evoluções da dança. É particularmente brilhante a sequência em que Andreia narra a evolução do jeito de dançar do Lago dos Cines. De Anna Pavlowa para Maria Olenewa, chegando à mãe Janice, e demonstrado por ela com recursos de pooping, descobre-se que o corpo que dança está trocando informações com seu ambiente o tempo todo, reinventando suas heranças, abrindo outros caminhos.

Heranças, trocas, reprodução e reinvenção são questões preciosas para a contemporaneidade no linóleo. As escolhas feitas por um ou outro intérprete, pelas curadorias, pelas companhias e pelos festivais, dão a dimensão do que se quer e daquilo que se projeta para uma determinada cena. E é de linhagens, lembranças e pertinências que a dança contemporânea brasileira se revigora nos corpos de quem a faz.

 

Dança e teatro no

29 de julho de 2010 0

Basho um santo em mim, diria o polaco Paulo Leminski. E ele exige reverência, silêncio, prédica, bula, modo de fazer e modo de assistir. Baixou um teatro no na Mostra Contemporânea de de Dança. E ele veio apresentar aos iniciados e não-iniciados o trabalho do Núcleo de Pesquisas em Linguagens Híbridas, de São Paulo.

 Uma das informações que “Hagoromo, o Manto de Plumas” trouxe para o público do Festival de Joinville é a da mistura de linguagens, o tal hibridismo, conceito recorrente na produção contemporânea. Nesta montagem, junta-se teatro e dança, inovando estratégias de produção de movimento, imagens, cenas, na perspectiva de um novo com características dos dois primeiros, mas carregado de outras metáforas corporaos, outras falas estéticas.

A dança circunspecta, normatiza, é saudada como um ritual, tal qual é considerado pela cultura oriental. Do lado de cá do planeta, tanta cerimônia pode soar tediosa ou recurso de hermetismo. Mas, é fato, o programa ensinava ao público alguma das coisas que ali se veria: a fábula sobre o encontro da dureza e da leveza, das trocas, do respeito aos pactos de generosidade e respeito à ancestralidade.

Cruzando esta fronteira do “modo de fazer/modo de ver”, o trabalho sugere outro estado de contemplação e de fruição do que ali se consegue ver entre brumas e claridade ínfima. A luz que ilumina Hagoromo, o Manto de Plumas tem a delicadeza do farfalhar das asas do beija-flor, o brilho tênue de uma chama ínfima, a leveza do suspiro de uma libélula. Adentrando a este universo do que por muitos é considerado sagrado, há espasmos da carne, soam os sinos zen, brotam acordes pungentes de trombetas e flautas, aquieta-se o espírito. E por que o divino foi ali representado, dança-se!

 

 

 

 

Muitos festivais

27 de julho de 2010 0

Jonville é muitos festivais num só. Tem as sapatilhas, o jazz, as danças folclóricas, a contemporânea. Um mundão de danças! A gente vê um sobe e desce de bailarinas, uma correria de b.boys, trupes de gentes de academias, com seus uniformes multicoloridos. E tem muita tietagem também. A foto aí é uma prova disso. Reúne a coreógrafa Fernanda Chamma, que é do conselho artístico do festival e integra o corpo de jurados da Dança dos Famosos, no Faustão, com as integrantes de uma companhia que está por aqui para as competições. Fernanda é a mais tietada pelas meninas. A cena rolou ontem à noite, depois da meia noite, quando Fernanda voltava para o hotel e as bailarinas estavam no maior auê no hall, todas já de pijama. Bastou elas verem a coreógrafa para armar o maior tititi pedindo foto e autógrafo. O clic foi feito pelo João Wlamir, que é bailarino, ensaiador do Municipal do Rio, e também integrante do conselho artístico. Tem cenas como esta e outras: uma hora antes, a carnavalesca Rosa Magalhães, que está aqui para uma oficina sobre figurino e adereços, rumava sozinha para o restaurante ao lado do hotel, disposta a comer uma pizza. Como eu havia entrevistado ela à tarde para a 3por4 do Almanaque (a íntegra do papo deve ser publicada na semana que vem), dispus-me a acompanhá-la numa fatia de rúcula com tomate seco. Foi uma noite pra lá de agradável. Rosa é pura simpatia, inteligente e bem humorada. Adora uma cozinha, como eu. Não deu outra: trocamos muitas ideias sobre temperos, restaurantes cariocas, panelas ideais para este ou aquele prato. Esquinas deste festival de muitos encontros.

Tango da memória

26 de julho de 2010 0

Por uma cabeça que pensava na dança como missão de vida, por corpos vigorosos que seguraram no linóleo a desconstrução do tango e pela emoção da reverência a uma trajetória ímpar, a noite de domingo da Monstra Contemporânea de Dança do Festival de Joinville carregou-se de pura emoção. A apresentação de Tango Sob Dois Olhares, da Raça Cia de Dança, de São Paulo, foi um tributo à inventividade da coreógrafa Roseli Rodrigues, morta em março deste ano. A penúltima coreografia assinada por Roseli, foi aplaudida quatro vezes em cena aberta, num Teatro Juarez Machado lotado. O espetáculo insere-se num novo recorte que a mostra começa a configurar, mostrando também as transformações que a dança contemporânea brasileira vem construindo.

A coreografia segue a linhagem de Lecuona, que o Grupo Corpo montou em 2004. As duas criações apostam na passionalidade dos ritmos latinos para, além de reverenciar as danças de salão, remontar este gênero sob o prisma da contemporaneidade. O trabalho da Raça Cia de Dança dança tango de muitos jeitos: no chão, nas laterais, em duos femininos, trios masculinos, em movimentações coletivas do grupo, pondo seus bailarinos em cima, dentro e ao lado de cubos e retângulos cenográficos.

Ajustando pernas entre pernas, colando os corpos em posições nada convencionais, aproximando olhares dos que dançam mesmo afastados, armando inversões e reversões dos passos, a coreografia surpreende a todo momento.Nesta montagem em particular, as mulheres são presenças fortes na cena. Em muitos momentos, dão o ritmo das sequências, fazendo os pares masculinos dançar sob seu comando. Subtexto da coreógrafa? Talvez sim, pois Roseli Rodrigues construiu uma obra vigorosa, carregada de nuances, que segue dançando na memória brasileira.  

1, 2, 3 danças

25 de julho de 2010 0

1 - No encontro apontado como o maior do mundo, com um universo de 6.500 participantes, 2.550 vagas para cursos, 618 coreografias apresentadas, 265 grupos inscritos a Dança Contemporânea em Domicílio, entregue pela bailarina e coreógrafa carioca Cláudia Müller durante a Mostra Contemporânea do Festival de Joinville, abriu uma outra perspectiva de mostrar e falar sobre esta tal dança. Usando o recurso da telentrega, enquanto se movimenta num gabinete oficial, numa fábrica, ou numa casa particular, ela fala sobre como a arte pode ocupar espaços de outros jeitos. Não fqz seu trabalho de graça, embora as entregas não fossem pagas na hora. Há uma engrenagem toda que sustenta a produção, distribuição e consumo de dança e arte no país. Cláudia Müller entrega uma poética da indagação sobre esta e muitas outras efusivas profusão de números e gentes reunidos em torno da dança.

 

2 – É um labirinto de movimentações, algumas sem saída, as coreografias Villa e Entre o Corpo e o Azul (foto acima), que a Cia Sociedade Masculina  mostrou sexta-feira à noite, no Teatro Juarez Machado, dentro do festival de Joinville. Na primeira coreografia, quando Villa-Lobos há uma tentativa de falar de amor que se perde nos desencontros coreográficos do linóleo. Já na segunda parte, com vozeirão de Alcione ao fundo, podemos fluir mais da perspectiva de uma dança que ainda se procura seu par nesta dança de paixões pela virtuose estética.

 

3 - Um vídeo de uma grande metrópole, Asier Zabatela cruza a rua, sobe a calçada e, no vão das duas telas, adentra à cena para dançar suas indagações sobre a contemporaneidade. O criador espanhol que se apresentou sábado na Mostra Contemporânea do festival expõe, questiona e tensiona ideias em torno do medo e de suas repercussões no mundo.  Por que teme, ele canta, faz musical fake. Para afastar-se da solidão, dança com seus muitos eus, virtuais, numa apropriação vigorosa de recursos de videoarte (primeira foto, acima).  Quando que entender o DNA de suas angústias urgentes, bombardeia o público com imagens de guerra. Então, o medo ali da esquina pode, por alguns momentos, ser também um mote de emoção ao coração que pulsa em vermelho na cena final de El Agujero Del Avestruz.

Dança escava memória

23 de julho de 2010 0

Foto de Jessé Viotti

Qual a raiz do contemporâneo brasileiro? Qual é a dança que dá conta desta questão? A resposta do Grupo Grial, de Pernambuco, tem matizes armoriais, que narra uma gênese de povos distintos, índios, negros e mouros. Estas cruzas foram um povo Castanha Sua Cor.  O nome do espetáculo que abriu a Mostra Contemporânea do Festival de Joinville, ontem à noite, tenta dar a tonalidade do sertão brasileiro à nossa raça. Na tentativa de falar disso com dança, a bailairna Maria Paula Costa Rêgo trabalha com o brincante Sebastião Pereira de Lima, Martelo. Ela reelabora passos do cavalo marinho, jogo/dança da tradição nordestina. Ele não interpreta, faz o que sempre fez desde 1956. Na dança das duas identidades, ilustra-se a arqueologia da busca, a potência da dança que se questiona e se pensa. A bailarina pisa com mãos de pata num linóleo autoral, referencial. O brincante desliza pelo palco carregando seu cajado, espécie de totem da pedra do reino perdido. É preciosa e elucidativa a sequência em que a saia de couros da bailarina vira manto, vestido pelo brincante. A pele dos seres imolados no decorrer do tempo imanta o corpo vigoroso de memória, motriz desta e tantas outras danças.

Jamanta dá beijinho

22 de julho de 2010 0

Cacá Carvalho, conhecido e respeitado pela cena teatral de vanguarda, experimental, estava no palco do Festival de Joinville quarta-feira, noite de abertura. Ele é o diretor de Pernas Pro Ar, que Cláudia apresentou por aqui. No fim da apresentação, ela rasgou elogios ao veterano, dizendo-se honrada dele ter topado a empreitada de se aventurar, pela primeira vez, no gênero musical. Depois, foi a vez dele, que ganhou popularidade nacional pelo personagem Jamanta, das novelas Torre de Babel e Belíssima, revidar os elogios, dizendo que a amiga é a bondade e a generesodidade em forma humana. Noite de superlativos, não?!

Briquelândia

21 de julho de 2010 0

Tem discos velhos, livros e revistas sobre música, trecos e tarecos afins? Está decidido a esvaziar as prateleiras e caixas, trocando por algo diferente? Seus problemas acabaram....

 

 

Musical na cena

21 de julho de 2010 0

Cláudia Raia é a grande estrela da noite de abertura do 28º Festival de Dança de Joinville, hoje. O musical Pernas Pro Ar segue a cartilha da Broadway, que ela adora, valendo-se de inovações tecnológicas inéditas em um espetáculo brasileiro, como a projeção volumétrica, recurso que já foi utilizado por Madonna e pelo Cirque du Soleil e que, por meio de imagens 3D, dá a impressão que o ator está dentro de um cenário. São projeções, softwares, sensores e câmeras entre outros itens.

A tecnologia ajuda, mas o corpoão de 1m80cm da estrela de Ti Ti Ti também. Como me contou em entrevista concedida por e-mail (um trechinho utilizado na 3por4 impressa de hoje), ela está toda feliz de inovar, apresentando o primeiro musical numa noite de abertura deste que é tido como o maior festival de dança do mundo. Sobre o resultado, a gente escreve depois.