2010 foi um ano bom! Na 3por4 impressa de hoje, teço algumas impressões. Leia aqui. Lá no jornal e aqui, neste post, a ilustração é do Hauli, o Fábio Panone Lopes. Grafiteiro, ele fez muito por este tipo de arte no ano em Caxias e região. Organizou grafitagens coletivas, botou painéis na cidade, trabalhou com os funcionários da Tramontina. Deu mais chinfra a um tipo de manifestação artística que é vista meio de revés por muitos setores da cultura. Mas o movimento foi além, na batida dos Poetas Divilas, que procuram ensinar a pescar, como se diz. É melhor assim do que certas estruturas assistencialistas, muito comuns neste meio. O assunto, aliás, foi tema de duas entrevistas na 3por4 do fim de semana. Tanto o coreógrafo Ocávio Nassur, referência na área, quanto KL Jay, dos Racionais, condenam o uso do hip hop e da cultura de rua como estratégia de "acomodação social" (na 3por4 do Almanaque encartado na edição de amanhã, fiz uma seleção de declarações dos entrevistados da coluna em 2010, confira!).
Tem que ser ousado, pensar à frente. Isto, infelizmente, não se aplica a todas as esferas. Na iniciativa oficial, a Cultura em Caxias ainda é mais contabilizada do que efetivamente promovida. Busca-se números, eventos, quantidade. Muito disso feito na base da contrapartida dos recursos públicos, como o Financiarte. Ainda não temos uma proposta artística, um pensamento de fundo que organize uma agenda, um programa. Isto cria vácuos no setor e alguns revezes: o caso da doação de R$ 100 mil ao documentário sobre a cidade dexiou a comunidade cultural pasmada. Ironia do destino, o filme dito como um apotência fez 216 espectadores quando foi exibido em sala comercial. Pois é, pra que?!, diz aquela musica.
Neste panorama, salvam-se as iniciativas isoladas ou a força do coletivo, como no caso da Cia 2 e do Licantropia, aquele show muuuito legal que juntou uma moçada pra lé de competente para revisitar o repertório dos Secos e Molhados. Bom, cornetas e aplausos este colunista também recebe diuturnamente. Repito, como fiz outros anos, são impressões, zelando pela livre manifestação de outras ideias. Assim, dizem, podemos seguir em frente. Que venha 2011!











