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Posts de outubro 2011

O Navi e as ousadias estéticas em diálogo

25 de outubro de 2011 0

Logo na entrada da exposição Continentes, no Navi, a gente vê um carrinho de supermercado carregado de terra. Só que a terra se derrama pelos buracos do carrinho. Num vídeo, o artista escreve a(s) palavra(s)(s) nação, noção, com milho, para registrar a movimentação de pombos para comer a semente. Para sufoco do próprio criador, não foram os bichos que cataram os grãos de milho, mas humanos! Noutro trabalho, uma carreira de terra repousa sobre um espelho, ao lado de uma nota de dinheiro enrolada. São três pequenos exemplos das muitas e instigantes obras assinadas por artistas bolivianos. As criações foram feitas a partir de trabalhos dos artistas caxienses ligados ao Navi. Liberdade de apropriação, mais liberdade e inventividade ainda na construção desta conversa estética.

Como escrevi na 3por4 impressa de hoje, a exposição é muito bacana e precisa ser vista por muitos. Isso é fundamental por vários motivos. Um deles é o fato de mostrar como é produtiva a aposta dos Ensaios de Geopoética da 8ª Bienal do Mercosul, que amplia os horizontes e territórios de sua ação. Outro é o fato de mostrar a competência de organização, planejamento e execução de propostas do Navi.

Talvez o termo já seja meio dejavú, mas espaço é vanguarda na construção de um pensamento artístico coerente e atento às nuances e transformações do sistema de produção artística na contemporaneidade. E mais: estes diálogos feitos com o Kiosko, da Bolívia, que rende esta exposição a ser conferida terças e quintas à tarde, e o Lugar a Dudas, da Colômbia, que esteve por aqui no começo do mês, ampliam horizontes e possibilidades de arejar, dinamizar e surpreender o ambiente das artes de Caxias do Sul e de todo o Estado.

Lenine, a delicadeza e a potência na MPB

22 de outubro de 2011 0

Num dado momento de Todo o Sentimento, que abre com "Preciso não dormir..." Chico Buarque escreve: "Te encontro, com certeza,/ Talvez num tempo da delicadeza...,". As duas imagens me ocorrem desde que ouvi o novo disco de Lenine, Chão. Na entrevista que publico neste fim de semana na 3por4 impressa, ele explica que toda a sua música brota da necessidade e da elegia ao amor. Na capa, reproduzida acima, o neto dorme sobre o colo do artista. Uma imagem pra lá de significativa.

Ouvindo o CD, em cada faixa, Lenine descreve com sons algumas situações do cotidiano. Há um caminhar, uma batida de coração, uma chaleira que chia sob o fogo, uma árvore que tomba depois do ressoar da serra elétrica. Há ainda um canário belga assoviando, cigarras ressoando na Urca, bairro em que vive no Rio. Tudo numa imbricada fusão de letras, tensões musicais, e contextos de significados. Artesania musical de pura poesia. Com isso, Lenine reinventa a delicadeza perdida na MPB de funks atoladinhos. E o faz atento ao contexto da música brasileira, reforçando a potência musical da cena pernambucana.

Falando nisso, eis o que ele falou por telefone, na segunda-feira, durante a entrevista:

_ Neste momento, enquanto estou falando com você, estão lançando discos novos Lula Queiroga, China, Junio Barreto, Lirinha, Otto e Mombojó (risos). A música é como uma barragem. E Pernambuco não para de viver isso.

De fato, os pernambucanos fazem desaguar a inventividade plena na MPB. Nesse aspecto, quanto mais, melhor!

O pique roqueiro de Karina Buhr

22 de outubro de 2011 0

Karina Bhur foi chamada por Felipe Catto de "a PJ Harvey brasileira." Ex-Comadre Fulozinha, projeto que só está parado por uns tempos, segundo afirmou há um ano em entrevista à coluna, a cantora recifense é nome de referência na nova cena roqueira brasileira. E é boa mesmo! Conforme nota nos Spots da 3por4 impressa desse fim de semana, ela está de CD novo, Longe de Onde, e um single de trabalho, Cara Palavra. O clipe foi dirigido pelo fotógrafo carioca Jorge Bispo e todo rodado no Marrocos. Confira aí!

Firmeza do movimento rap nacional

21 de outubro de 2011 0

Duas figuras absolutamente fundamentais na renovação do rap nacional, Criolo e Emicida, foram os grandes vencedores do Video Music Brasil (VMB), premiação do canal MTV para os destaques da música no ano, realizada ontem à noite, em São Paulo.  Criolo ganhou em três categorias do VMB: artista revelação; melhor disco, por Nó na Orelha, e melhor música, para Não Existe Amor em SP, carro-chefe do mesmo álbum.

Já Emicida venceu em duas categorias: melhor clipe, para Então Toma, e Artista do Ano, considerada a principal da premiação.

Corta para a cena caxiense, destacando que Emicida já esteve por aqui duas vezes. A última delas foi numa das festas Luv Mansion. Agora resta aos produtores trazer Criolo para cá. O que a gente sabe que eles estão tentanto. Para botar imagem na palavra, eis aí o po-de-ro-so clipe de Emicida. É nóis!

Trilogia das cores no Sesc de Caxias

21 de outubro de 2011 0

Hoje, às 20h, no Teatro do Sesc, Caxias, será exibido o longa A Liberdade é Azul, o primeiro título da Trilogia das Cores, polonês Krzysztof Kieslowski. Estrelado por Juliette Binoche (foto) é um doloroso relato sobre perdas e dores numa Europa algo melancólica, solitária e individualista.

Amanhã, no mesmo horário, tem A Igualdade é Branca e, domingo, A Fraternidade é Vermelha. A trilogia foi inspirada nas cores da bandeira francesa. A ideia de promover a exibição dos filmes, que são seguidos de debates, é dos blogueiros do The Tramps, Conrado Heoli, Marcelo Müller e Rafa Müller, por causa dos cinco anos de atividades do blog. A entrada é franca.

Novo Almodóvar semana que vem em Caxias

20 de outubro de 2011 0

Cinéfilos, atenção! Tem sessão de pré-estreia de A Pele Que Habito, de Pedro Almodóvar, dia 28, no GNC Caxias. A exibição especial integra a programação alusiva aos 20 anos da rede de cinemas. O horário da sessão ainda não foi anunciado. A exibição se antecipa à estreia nacional do longa, prevista para 4 de novembro.

A Pele Que Habito é, de acordo com a crítica, o trabalho mais subversivo do diretor Almodóvar desde meados dos anos 1980. A história se passa no ano de 2012 e apresenta o bem-sucedido cirurgião plástico Richard Ledgard (Antonio Banderas), que sai em busca, após a trágica morte de sua esposa, de uma pele perfeita, a qual poderia tê-la salvado.

Aliás, semana que vem tem também a estreia do ótimo A Árvore da Vida, na Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Ordovás.

O brega nas telas do cinema

20 de outubro de 2011 0

 

O universo do brega tem um público fiel. Alguns até são experts no gênero que, confessem, sempre pega todo mundo de algum jeito. Esse é o tema que explora o filme Vou rifar meu coração, nome de uma música de Lindomar Castilhos, que está rodando por festivais brasileiros e, hoje, abre a Semana dos Realizadores, no Rio. Dirigido por Ana Rieper, tem na tela e na trilha Wando, Amado Batista, Agnaldo Timóteo e Nelson Ned. Além deles, os personagens da diretora são de prostitutas a um ex-prefeito que mantém duas mulheres e assume isso publicamente. O longa foi rodado entre 15 cidades do nordeste brasileiro. Nas cenas, Wando fala sobre virgindade e canta Moça enquanto Agnaldo Timóteo afirma que sua canção Aventureiros trata de homossexuais. Daí ele diz que é um grande aventureiro.

Foto de Rafael Borges, Divulgação


Rede de Olhares na UCS TV

18 de outubro de 2011 0

Bacana a atualização de programação que segue em curso na UCS TV. Desde ontem, está no ar a Rede de Olhares, que entra no ar às 18h30min e ocupa a faixa do Estúdio Aberto e UCSTV Notícias. Cada programa terá um tema central, com convidados, plateia, performance e conteúdo jornalístico. Tudo na perspectiva do diálogo. Hoje, a atração está batizada de Pra Que Árvores, conduzida pela jornalista Adriana Antunes. Amanhã, o tema é Sou de Bento, relembrando até aquela história dos anões. Na quinta e sexta, as questões são trânsito e profissões. Para divulgar o tema de hoje, tem uma animação bem bacana. Confere aí!

Madrugadão da Feira e o filme do Zé

15 de outubro de 2011 0

 

Então, estamos combinados: neste sábado, às 21h, tem Cabaré Literário, Madrugadão da Feira, festa burlesco-dionisíaca. A muvuca artística terá música, dança, teatro, exposição de fotografias e por aí vai. Uma das atrações é a exibição do até agora inédito Deixa o Zé Falar, focando o pra lá de irrequieto Zé o Rio. A direção é de Lissandro Stallivieri e a produção é da Spaghetti Filmes.

A imagem aí do post é um frame do filme, que deverá ser exibido lá pela meia-noite. Mas a balada segue até, sei lá, 5 e tantas da manhã lá no Aristos London House. O Cabaré Literário foi uma convocação do patrono da Feira do Livro, Marco de Menezes, com produção de Fábio Borges e apoio da editora Modelo de Nuvem e da Do Arco da Velha Livraria e Café.

Imagem Spaghetti Filmes, Divulgação


O eletrobrega da Banda Uó

14 de outubro de 2011 0

Alô, dial! Apresentamos aqui, pros que ainda não conhecem, a Banda Uó. Quem é do meio GLS sabe o que a expressão significa. Algo assim, uó... o fim da picada, caidaço. O trio de Goiânia é formado por Mateus Carillho, Davi Sabbag e Mel Gonçalves, que é transexual. Eles têm várias músicas e vídeos no YouTube e fazem uma mistura de de tecnobrega com um quê de anos 80, batizada de eletrobrega. Confere aí Rosa, a versão especial da Banda Uó para o clássico Last Nite, dos Strokes. Mas não grita!!!