Agnolino Capobanda é um bravo, um lutador. O personagem que é tema do documentário Non Parlo Italiano, dirigido por Robinson Cabral e produzido por Luciano Balen, conforme nota da 3por4 impressa de hoje, sofreu uma tragédia pessoal devido ao envolvimento familiar na indústria caxiense. Mesmo perdendo o dedo e uma namorada num acidente dentro de uma fábrica, ele não desistiu de se dedicar ao progresso da nossa Caxias. Veja o que ele conta:
"Depois que eu perdi o dedo trabalhando, virei idealista. Hoje eu não sou mais. Já estou curado. Na época fiz até amizade com aquele medalhista, o Bruno Segalla. Ele tinha trabalhado junto comigo lá no Eberle. E depois, por um tempo, trabalhei até de músico de rua, mesmo uns dizendo que aquilo nem era trabalho. Bom mesmo era naquele tempo em que a vida ia mais devagar. Mas tarde, pra garantir a aposentadoria de um salário mínimo, tive que trabalhar de empregado até os 65 anos. E desse negócio de progresso. Sei, sei! Ele arrancou os dedos de muitos que trabalharam durante a guerra. Eu não quero nem saber de progresso... eu vi o que fizeram lá com o Apollo, que depois virou Cine Ópera. Os guris me levaram lá. Se aquilo é progresso, eu não quero participar. Porco Can, Sacramenha Anca! E sobre minha namorada, nem quero falar mais sobre isso que fico triste. Eu já me emocionei muito no documentário."
A foto é de Marcelo Casagrande, que é diretor de fotografia do documentário.