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Os novos 15: um casamento sem noivo

30 de março de 2017 0

Sabe aquela festa de garagem, família reunida, tios, primaiada, avós, vizinhos, cachorro embaixo das mesas, uma tia solteirona comendo os docinhos antes dos parabéns, refrigerante, churrasco e umas musiquinhas abafadas no toca discos? Esquece tudo. Isso é coisa do nosso tempo. As festas de 15 anos agora são um acontecimento. E tem toda uma indústria por trás, sustentando um negócio mega profissional. O troço é profissa mesmo.

© Freepik

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Nada de brotar um anel do bolso do pai, assim de surpresa, e tascar no dedo da aniversariante sem que ela tenha escolhido a joia antes. Nã na ni na não. Torta simples, feita pela confeitaria da esquina, nem pensar. Som, só com DJ, pista de dança, globo giratório, luz estroboscópica, projeção no piso e muita fumaça. Parece pouco? Ainda nem falamos da cabine de fotos — por que se não tiver cabine de fotos, não tem festa —, mesa de doces, dois vestidos, um para a entrada e outro pra balada (não me deixem esquecer de explicar isso tintim por tintim), do book, do vídeo do making of do book, das fotos, da filmagem, do buffet.

E a aniversariante? Essa mocinha frágil, doce e angelical é a criatura que mantém em ebulição toda essa cadeia de fornecedores. E de frágil, doce e angelical ela se transforma e vira um ser de ‘querências’. Sim, porque tudo o que ela quer tem que acontecer. E haja braço, disposição e grana pra tudo. E você, se torna a pessoa do não tem ‘precisão’. Será que precisa mesmo disso? E daquilo? E daquilo outro? Ah, e tem a decoração, a cerimonialista, animadores, segurança, salão de festas, bolo fake, drinks, sapato para a parte dois, cabeleireiro, maquiagem, roupa para toda a família. Resumindo, os novos 15 anos são um casamento sem noivo.

© Freepik

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E, reportando à balada… As festas de hoje são divididas em dois momentos. O primeiro é família, com a valsa com o pai e mais dois tios e o padrinho, e olhe lá que já tá demais! E você teve que dançar com todos os tios, padrinhos e primos, não foi? E na nossa época o que não faltavam eram tios e primos! Então, nessa parte inicial, a aniversariante convida também os amigos mais chegados. E aí, depois das 23h, quando a gente já está quase virando abóbora, chega a galera pra valer. O time do bota pra quebrar. É a hora da balada! A menina troca de roupa, bota um vestido curto, desce do salto e corre pro abraço. Levei uns três meses para entender essa função. E perguntava: filha, quem vem para o jantar e quem vem para o baile? E ela: baile, que baile?

E eu, que tive aquela festa lá de cima, na garagem, não tenho coragem de dizer não à realização do sonho dela. Porque todo detalhe tem uma carga enorme de carinho, de dedicação. A escolha das flores, dos guardanapos da mesa, dos doces, os vestidos, a iluminação. Tudo é cumplicidade. O stress, o corre-corre. Nada tem mais valor que poder fazer feliz quem se ama. Os tempos mudaram. A festa tímida, na minha própria casa, me bastava. E agora, um milênio depois, também me satisfaço podendo dar a minha filha a comemoração que não tive. Só acho que a balada poderia continuar sendo chamada de baile!

Pagando mico: você é do tempo do microcomputador?

29 de março de 2017 2

Gente! Tem coisa mais indicadora de idade que falar uma palavra num grupo e as pessoas ficaram te olhando com aquela cara de “Oi”? Esta semana, às voltas com os preparativos finais dos 15 anos da minha filha solicitei a ela a lista dos convidados da balada*. E a resposta: “Está aqui no pen drive”. E eu, descendo do carro, atucanada, pega sacola, abre porta-malas, desce saia de armação, pega agenda, separa sapato, faz espaço entre caixas de espumante, solto a pérola: “Tá, liga o micro e vai baixando que já copio o arquivo”!

© Freepík

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Bendita a hora da piada pronta! Ela me olha com um enorme ponto de interrogação na face e já rindo. “Micro”? Aí, tive de explicar que o PC, ou personal computer, um dia também já foi conhecido por microcomputador, o melhor em sua categoria, o minúsculo equipamento que passou  a armazenar zilhões de informações antes guardadas numa gigantesca geringonça que ocupava uma sala inteira. Mas o cara era, sim, o microcomputador! O rei do pedaço, a máquina que revolucionou o mundo no final da década de 1970 e deu início a uma nova era.

Claro que hoje, para quem nasceu com um iPhone e um tablet na mão, chega a ser ridículo achar que o PC possa ter sido algo micro. Pois então. Me senti o Tutancâmon de saia. Só faltou afastar as teias de aranha do cabelo. A mesma situação que passei em sala de aula quando chamei os slides do PowerPoint de lâminas. Minhas colegas deitaram e rolaram! O fato é que, antes da palavra bonitinha, charmosinha em inglês, esse negócio atendia por lâmina! E aí a gente se pega nessas situações engraçadas. Mas o bom de tudo é que podemos vivenciar estas experiências, conhecer o microcomputador e a lâmina de projeção e tantas outras coisas que, assim como nós, passaram de nível!

* No post de amanhã falo sobre os novos 15 anos e as peripécias para botar uma festa em pé!

Pronto para rodar o lado B da sua vida?

28 de março de 2017 0
© Freepik

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A crise dos 40 começa aos 39. Porque os 39 representam, inegavelmente, uma quebra de paradigma. É o aviso de que se está a um ano de virar o disco, rodar o lado B — que comentário denunciante! E o pior: desconhecemos as faixas que vão tocar neste lado. Por isso, os 12 meses que se apresentam vão se prestar a uma ampla reflexão, também conhecida por crise da meia-idade. Não sofra. Aproveite este momento e tire só o melhor dele. Vai valer muito a pena!

Ninguém tem paciência com os fracos

27 de março de 2017 0
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A vida é um eterno colegial: precisamos tirar notas boas o tempo todo. E a cobrança é animal. A gente tem obrigação de estar sempre bonita, magra, ser inteligente, boa profissional e bem-humorada. Nada de surtar, nada de crise. Ninguém tem paciência com os fracos. Ninguém quer saber dos seus problemas. Só da sua contribuição. Seja uma eterna fortaleza que tudo estará resolvido.

Mas é o seguinte: meu cartão já está cheio de estrelinhas por bom comportamento. E chega uma hora em que é preciso transgredir, tirar nota vermelha. Porque nada melhor que poder apertar o foda-se de vez em quando, pôr os fones de ouvido e sair sem rumo ouvindo uma canção de Tim Maia. “Não sei porque você se foi, quantas saudades em senti…”

Corre que o trem está passando

24 de março de 2017 0

O stress vai enterrando nossas aspirações gradativamente. Horas no trânsito, dias lotados, pouco sono, exigência animal no trabalho. Trocar o nome das pessoas, esquecer o nome das pessoas, voltar para ver se chaveou a porta ou desligou a torradeira se incorporam à rotina. Tudo acontece no automático, sem reflexão, sem prestar atenção. E quando foi mesmo que surgiu aquele prédio gigantesco naquela rua ali?

© Unsplash

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É uma correria tão intensa que não prestamos mais atenção em nada. Depois que se entra no corredor, não há mais volta. É só olhar pra frente, sem questionar. Mas por que não puxamos o freio de mão? Porque seguimos nessa sangria louca, gastando o horário nobre do nosso dia no trabalho? E depois, em casa, ainda seguimos preparando uma reunião, lendo um relatório. É tudo para ontem. Mas a vida não é para ontem. Ela está acontecendo hoje. Vai chegar o dia em que não receberemos mais convites dos amigos, de tantos ‘nãos’ que já dissemos. Qual o sentido de excluir o prazer da nossa rotina? Do que vale ter inteligência, conhecimento e ganhar dinheiro se não tivermos sanidade para aproveitar? Não precisamos esperar os dias melhores ou a aposentadoria para sermos felizes. Os dias melhores estão acontecendo agora. Não dá para chegar aos 70 e ver que o trem simplesmente passou e não embarcamos. Que não dá mais para pedir desculpas, amar, abraçar, beijar e dizer eu te amo a muitas pessoas.

Loba em pele de cordeiro

23 de março de 2017 0

Depois dos 40 descobrimos nossa força, já não nos importamos mais com a opinião dos outros. Aos 40, somos independentes e conhecemos bem nosso dois lados: tanto o melhor, quanto o pior. Estamos no auge e sabemos tirar vantagem como nenhuma outra do nosso charme, desta nova condição. Também não fazemos questão nenhuma de agradar apenas para ter alguém ao nosso lado. Não temos mais a necessidade desenfreada de encontrar o príncipe encantado, porque sabemos exatamente como lidar com a expectativa e a decepção.  É a fase em que entra em cena a mulher plena e madura, deixando para trás a insegura e que tem pressa. É a loba assumindo o comando…

© Fotolia

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“A crise dos 40 é uma ótima oportunidade para a mulher viver de forma mais significativa. Como sabemos, ela passa a vida inteira vivendo para a família, o trabalho, a sociedade. Muitas vezes se esquece dela mesma, até que algo surpreendente acontece — a chegada da crise. Quando a idade da loba chega, a mulher geralmente não declina no seu papel de mãe, esposa e profissional, mas acrescenta ela mesma em suas prioridades. As pessoas a sua volta estranharão porque irá se importar mais consigo mesma. Nada mais justo para quem passou a vida toda cuidando dos outros, não é verdade? Então, a nova mulher, agora uma loba, se surpreende com seu novo comportamento.

A crise é um momento de descoberta onde ela se torna mais exigente e quer seu tempo reservado para gastar apenas consigo. A mulher tem a sensação de que ainda não fez muito do que desejava ter feito. O que dói é a frustração e a falta de sentido na vida. No momento da crise ela se dá conta que muito do que fez foi porque recebeu influências dos outros. E, quando a loba se livra da culpa de ter vivido conforme o desejo dos outros, começa a pensar em sua verdadeira felicidade. Ela aprende que muito importa a intensidade dos sentimentos e prefere um dia feliz a centenas sem sentido”.

[Maria Cristina Santos Araújo, psicoterapeuta]

Recortes da crise: a culpa

22 de março de 2017 0

 

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Os dias vão sumindo do calendário e não consigo visitar meus pais, que já chegaram aos 70. Queria tanto dar-lhes atenção, estar mais presente. Muitas vezes, vencida pelo cansaço, esqueço-me de checar a agenda escolar das crianças. Sou a mãe padrão de filme norte-americano: o filho chorando sozinho, sentado na arquibancada do ginásio, esperando a mãe ou o pai, que, mais uma vez, se atrasou para a apresentação da escola. Quero ler. Tenho uma pilha de livros juntando pó no criado-mudo, ainda na embalagem, esperando o momento em que eu vá conseguir ler mais de uma página sem cair no sono. Assustadoramente a culpa começa a fazer parte da vida. É uma sensação de estar devendo para todos e, especialmente, para mim mesma. [Trecho do livro 40 na Cabeça]

Nossos heróis morreram de overdose

21 de março de 2017 0

Aos 40 já fizemos um bocado de coisas. Mas queremos e podemos fazer muito mais. É difícil não se comparar e não ser comparado. Os colegas de trabalho agora se dividem em dois grupos: o time dos 20 aos 30 e os que sobraram. E você, antes o mais novo da turma, o caçula, o primeiro da fila, a mente brilhante, raciocínio rápido, agora está no grupo B, a equipe dos ‘outros’. Jogando no time dos excluídos. Os tios e tias cujos heróis morreram de overdose.

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E a gente é diariamente atropelado pelos novos jovens. Eles se acham mais espertos, rápidos, inteligentes. Nós também já fomos assim. E não faz muito tempo. A diferença é que — mesmo que eles nem imaginem ou não se deem conta — ainda estamos no páreo.

Mas a concorrência é desleal, meu amigo. Só que temos um trunfo: sabemos como vai ser o caminho deles nas próximas duas décadas! Conhecemos bem esta estrada onde já pisamos fundo no acelerador. Nós também fomos impetuosos, bebemos, ficamos, aprontamos. Não? Você deveria ter aprontado! Bora lá!

Faço 40 em julho

21 de março de 2017 0

Dos 39 aos 40 revelar a idade é algo complicado. Com quantos anos você está? — quer saber meu ginecologista. Faço 40 em julho — disparo, já entregando o serviço. Ele para, me contempla e pergunta: por que as mulheres sempre respondem que vão fazer 40 e não dizem simplesmente que têm 39?

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Então, me pus a pensar no ridículo e na profundidade da situação. Por que não disse 39? Por que precisei frisar que ia completar 40 em breve, com toda a implicação que esse comentário suscita? Ficou claro, cristalino, que eu estava em plena crise. Afinal, quando tinha 36, 37, 38, não lembro de ter respondido dessa forma. Me limitava apenas a dizer a idade que tinha. No cavaco. Nada de aproximadamente ou vou fazer 35 ano que vem.

© Unsplash

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Inconscientemente, por mais que se tente disfarçar, a crise sempre dá um jeitinho de se mostrar, contar para todo mundo que a idade está incomodando, pesando, mexendo com a gente. Tanto que muitas pessoas zeram o contador aos 40. Ficam anos a fio fazendo 40 anos. Porque, a essas alturas, a gente se dá conta que 40 é lucro. É o limiar, a flor da idade. É 40 e pronto. Assumidamente 40!

BFF: amizade depois dos 40

20 de março de 2017 0

Dezesseis anos após me formar resolvi voltar à sala de aula para uma especialização. Duplo desafio para dar um up grade no currículo. Primeiro, porque estava há bastante tempo longe de universidade, já meio enferrujada. Segundo porque a gente tem medo do desconhecido, do novo. Especialmente se o novo são os outros e a gente está na casa dos 40!

Na foto, do arquivo pessoal, uma de nós está faltando.

Na foto, do arquivo pessoal, uma de nós está faltando.

É incrível como esse estigma nos acompanha. Mas matrícula feita, lá fui eu para o mundo acadêmico viver as benesses do conhecimento. Toda empolgada com a nova jornada, cheia de vontade de aprender e com um olhar mais maduro sobre o processo. E o susto inicial: era a aluna mais velha, de longe. Inclusive mais velha que a maioria dos professores! Passado o susto inicial, com desconfiança de ambos os lados, a coisa começou a engrenar. Eles devem ter pensado: “o que essa tia faz aqui?”. E eu: “como sobreviverei a esse time que vive na velocidade da luz?” Mas a nossa capacidade de adaptação é incrível. Logo já estava enturmada e encontramos o ponto de equilíbrio.

A turma era de 14 alunos. Formamos um grupo de seis mulheres e fomos do início ao final do MBA sempre juntas, uma segurando a barra da outra quando necessário. Cada uma contribuindo dentro da sua expertise. Sem cobranças, só amizade e profissionalismo. Seis mulheres extraordinárias, de 20 a 40 anos. Todas diferentes, lindas, principalmente por dentro, e tão iguais: buscando seu espaço.

O MBA acabou e seguimos juntas, unidas por uma identificação maior que o tempo não vai conseguir separar. Eu venci. Superei o medo de encarar uma sala de aula depois dos 40 e ganhei amigas queridas, verdadeiras e muito jovens — algumas poderiam até ser minhas filhas! Aprendemos a nos admirar e a respeitar nossas dificuldades individuais. Cresci muito com elas e espero continuar aprendendo com minhas coleguinhas de classe! Porque as amizades se tornam cada vez mais sinceras e profundas depois que enxergamos o mundo sob a lente dos 40!