
Um ônibus sem motor a combustão foi uma das atrações da Rio+20. O veículo foi desenvolvido pela Coppe/UFRJ e o coordenador do projeto, professor Paulo Emílio de Miranda, conversou no Rio de Janeiro com o Destaque Econômico. Confira a entrevista:
Como funciona o ônibus híbrido?
Miranda - É o segundo protótipo de ônibus híbrido que desenvolvemos. Não tem motor a combustão interna. A tração dele é feita com motor elétrico e tudo mais que tem a bordo funciona com eletricidade: portas, limpador de parabrisa e até ar condicionado. E ele tem três fontes de energia: pré-conexão à energia elétrica, geração de energia elétrica a bordo que usa hidrogênio em cilindros e oxigênio no ar e a regeneração de energia cinética em elétrica. O único rejeito que ele solta na atmosfera é vapor de água.
Para que este ônibus chegue nas ruas e forme a frota das cidades, há um previsão?
Miranda - Toda tecnologia muito nova tem dificuldade de entrar no mercado. Não só pelo custo, mas pelo modo de funcionamento que precisa de pessoas que que saibam operar e infraestrutura. Mas acredito que, no Rio de Janeiro, teremos pequenas frotas em 2014, para demonstração durante a Copa do Mundo.
É um veículo muito mais caro do que o convencional?
Miranda - Veja, hoje o produz 150 mil ônibus por ano. Nós produzimos um. Então, tudo nele é artesanal. É preciso que os
equipamentos entrem em produção em escala para que o custo caia. Mas, mesmo assim, o custo é 2,5 vezes o de um veículo convencional. Entrando em escala industrial, este valor cairia rapidamente. Só que o ônibus a diesel hoje é dito barato porque ele não paga pelo mal que causa, que não é só ao planeta e ao meio ambiente. É aos seres vivos todos, pelo material poluente. Há estudos que mostram que, se a frota de ônibus do Rio de Janeiro fosse substituída por veículos não poluentes, o poder público economizaria R$ 600 milhões por ano que são gastos com a saúde da população por causa da poluição urbana.
Bacana que do lado dos bancos há tomadas para os passageiros usarem...
Miranda - É. Nós resolvemos oferecer aos passageiros energia elétrica para carregarem seus dispositivos e também internet
gratuita a bordo.
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Giane Guerra viajou para a Rio+20 a convite da Thomson Reuters.
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