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"Faço birra, ajoelho, deito" - Crianças contam como fazem para ganhar o que querem

25 de abril de 2016 3
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS.

Foto: Lauro Alves / Agencia RBS.

 

 

O Ministério da Justiça divulgou um estudo sobre publicidade infantil. Foram entrevistadas 81 crianças de todo o País, que contaram como fazem para convencer os pais a comprarem os produtos.

Os relatos mais, digamos, impressionantes: 

Pra conseguir, eu fico pedindo, fico pedindo, fico pedindo, choro, fico pedindo, fico pedindo, fico pedindo. No Dia das Crianças, eu não ia ganhar, porque… Eu não lembro o porquê. Mas eu acho que foi porque eu recebi alguma coisa antes. Aí, eu não ia ganhar o meu presente de dia das crianças, aí eu chorei e falei: “Não, mãe, me dá, me dá. E, aí, no dia eu ganhei”. (menino, escola pública, Brasília)

[...] a gente desenvolve a mente deles pedindo, pedindo… (menina, escola pública, São Paulo)

Eu insisto eternamente, eternamente. Eu insisto, insisto, insisto até perceber, chegar num ponto que eu vejo que ou minha mãe não vai me dar… (menina, escola particular, Brasília)

Eu choro. (gênero não identificado, escola pública, Rio Branco)
Faço birra. (menina, escola pública, Brasília)
Eu ajoelho, deito… (menino, escola particular, São Paulo)

“Mãe, compra chocolate”, aí ela: “Não”. Aí ela, de pirraça, fala: “Não vou comprar”. Aí eu também falo: “Então, não vou levar a sacola”. Aí ela vai e compra. (menina, escola pública, Brasília)

Eu digo pra minha mãe comprar porque senão eu vou embora. Aí ela pega e compra. (menino, escola particular, Fortaleza)

E o que fazem se os pais não atendem aos pedidos:

Dá vontade de quebrar o meu cofre. [...] Pra mim comprar. (menina, escola pública, Fortaleza)
Às vezes dá vontade de ficar um mês sem falar com a minha mãe. (menina, escola pública, Fortaleza)
Às vezes eu tenho até vontade de ir embora e nunca mais voltar para a casa. (menino, escola pública, Fortaleza)
Eu… Eu fico com uma ira. (menino, escola particular, Fortaleza)
Às vezes dá vontade de esganar os pais. (menino, escola particular, São Paulo)

Ou uma história que chamou a atenção dos pesquisadores:

Menino: Eu peguei o cartão de crédito dele e saí… (escola particular, São Paulo).
Moderador (a): Você queria comprar o quê?
Menino: Um jogo aí.
Moderador (a): E ele tinha falado que não ia comprar pra você?
Menino: É.
Moderador (a): Qual jogo?
Menino: Call of Duty.
Moderador (a): E você pegou escondido o cartão de crédito dele…
Menino: E saí de casa (risos).
Moderador (a): E foi ao shopping comprar?
Menino: É, mas na metade do caminho ele foi me pegar.
Moderador (a): Ele descobriu?
Menino: É.
Moderador (a): E aí, o que ele falou pra você?
Menino: Ele me trouxe pra minha casa, fechou a porta e fiquei do lado de fora.
Moderador (a): Um tempo de castigo?
Menino: É, umas cinco horas.

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E como lidar?

Diretora da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Catherine Carchedi sugere:

“Primeiro, a criança tem que entender que não é fácil ganhar dinheiro. Então, também não é fácil gastar dinheiro.
Os pais precisam fazer as crianças ter noção do que representa o dinheiro. O dinheiro representa suor, trabalho, preocupação, insônia. Não é um papelzinho, uma senha fácil.
O dinheiro representa de fazer a unha a uma viagem, um carro. É necessário para comer morar.
A criança – e os pais – tem que saber que é preciso ser inteligente para lidar com o dinheiro. A vida é cíclica, com altos e baixos. Há épocas de bonança e de aperto.
Essas criancinhas precisam entender isso para serem um consumidor responsável.”

Ou, então, fazer como esta mãe:

Crédito do vídeo: Youtube

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Comentários (3)

  • Maria Helena Oliveira diz: 25 de abril de 2016

    e, se fosse meu filho, eu daria uns bons tapas, colocaria de castigo, tiraria celular, internet, etc. se bem que eu acho que daria educação suficiente para jamais um pirralho me manipular.

  • coxinha diz: 25 de abril de 2016

    Na grande maioria filhos da classe média alta que não tem limites imposto pelos pais .
    São pais fracassados na educação de seus filhos e que certamente estão criando monstros que num futuro não distante estarão contribuindo para as estatísticas de violência .
    A culpa é do PT !

  • Anderson diz: 25 de abril de 2016

    Muita conversa desde cedo, mostrando os limites das coisas. A gurizada é cheia de artimanha para convencer, e os pais, por não “querer” ver os filhos “sofrerem” com suas caras de bonzinhos safados(rsss), compram e compram, dão o que pedem. E hoje é tudo tecnológico, entao as coisas ficam mais fáceis para eles se esbaldarem em tudo que tenha uma tela e seja tocável. Saudades da infância onde se brincava de se esconder, jogava bola e não se pedia nada em troca, apenas um abraço quando se chegava em casa… Que geração alienada essa atual…

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