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Crise econômica - Como explicar para as crianças

01 de agosto de 2016 0

SuperRepórter no programa Supersábado, da Rádio Gaúcha

Por Giane Guerra e Mariana Ceccon

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Brinquedos, material escolar, roupas, jogos e aparelhos eletrônicos. São muitas as tentações de consumo para crianças. Se para muitos adultos lidar com as finanças é um desafio, fazer com que as crianças entendam os limites das compras pode ser ainda mais difícil.

Ou não.

A aluna do 4º ano do Ensino Fundamental Justine Rigon Godoi, de nove anos, é um exemplo de consciência financeira.

- Eu aprendi como usar o dinheiro, o que a gente usa nas coisas necessárias, importantes e supérfluas.

Coisas supérfluas? Explica pra gente o que é isso, Justine.

- Ah! Coisas que a gente não usa, tipo o refri. O celular que eu não uso muito, mas tem pessoas que usam. Os brinquedos…. A gente tem que economizar porque o dinheiro da mãe não dura muito. É bastante, mas tem que dar para tudo né? Tem que dar para os teus irmãos, para a conta da luz, para conta da água, para nossa comida, esses gastos importantes.

A Justine aprendeu esses conceitos durante a Semana Nacional de Educação Financeira, realizada em maio na Escola Estadual de Ensino Fundamental Matias de Albuquerque. Foi daí que a família de Justine criou um jogo com o objetivo de os gastos individuais.

- A gente fez um mural aqui em casa, mostrando o que a gente pode economizar. A gente mostrou ontem para o meu irmão que a gente poderia economizar R$ 5,9 mil só em coisas dele. Os materiais que a gente pode usar os antigos, os brinquedos que ele pede muito, as roupas dele que ele pode cuidar mais. No lanche da escola porque a gente tem uma conta, pra ele ficar levando e não comprando o lanche da escola.

Daniela Rigon Godoi, a mãe de Justine, explica que o jogo consiste em elencar os gastos individuais e o quanto cada um pode economizar. O objetivo? Fazer uma viagem no final do ano.

- Como ela trouxe essa consciência da educação financeira depois de participar dessa semana, a gente resolveu fazer alguma atividade para que o mano pudesse entender um pouco mais. A gente fez um mural dos gastos individuais de cada um. Quanto cada um custava na família e o quanto eles poderiam economizar, montando um projeto para o final do ano. Aí surgiu a ideia de um viagem que eles gostariam de fazer.

 

Imagem: Arquivo pessoal.

Imagem: Arquivo pessoal.

 

Também foi através de um jogo sobre educação financeira que a aluna do 8º ano do Colégio Farroupilha, Juliana Fasolo Oliveira Sobierayski, adquiriu os primeiros conhecimentos sobre finanças. A atividade foi realizada na disciplina de Matemática e proporcionou várias descobertas a estudante de 13 anos.

- Eu não imaginava que a gente gastava tanto com conta de água, escola e alimentação. Eu vi direitinho como uma pessoa gasta, como é difícil se organizar, que tem que ter um plano. Tudo que a gente faz pode gastar dinheiro. Desde o jogo, eu sei que eu tenho gastado menos luz, tomado banho com menos tempo para não gastar água. Tudo gera uma reação em cadeia. Então, a gente tem que tomar muito cuidado. Organização, organização é a chave…

Crise econômica é assunto de criança

Tem quem diga que a criança tem coisa muito mais importante para aprender do que sobre dinheiro. Mas aí, quando adulto, lidar com dinheiro é essencial e o pessoal chega sem saber nem que tem que gastar menos do que ganha.

Educador financeiro Mauro Calil diz para os pais falarem sempre a verdade sobre a situação financeira da casa:

- Fale abertamente de dinheiro. Temos um tabu muito grande para falar de dinheiro na família e isso tem que ser quebrado. Dinheiro tem limite. E temos que falar desde moedinhas de cofre colocadas no porquinho até a mesada.

Falando assim, por exemplo:

- Papai perdeu o emprego e agora dependemos da mamãe. Então, sua mesada caiu pela metade. Tem que pegar junto. As crianças entendem, trarão soluções criativas e leveza para esse assunto. Dizer, por exemplo, que o churrasco será menor e não teremos tanta gente em casa.

Sócia-diretora da Intus Forma Educação Financeira e pesquisadora sobre tema formação de hábitos de educação financeira em crianças, Ana Pregardier dá dicas para as escolas. É preciso mostrar que a crise econômica é uma ruptura, que as coisas precisam ser mudadas a partir dali:

- Com os bem pequenos, para que entendam a mudança, podemos fazer um caminho em linha reta. Coloca um obstáculo, que é o momento de crise, e a linha ondulada a partir dali. É a ruptura.

Um bom exercício é mostrar onde estão os gastos, que podem ser cortados e – o muito importante – o combate ao desperdício.

- Para termos aula aqui, é preciso ter luz na sala de aula, giz, merenda… Ir quantificando e mostrando o que se consome. E o desperdício: acompanhar o que vai fora na merenda escolar. Pesar o que ia fora e depois calcular o quanto isso custava em arroz, feijão… E ver quanto de dinheiro foi fora.

Ouça a reportagem que foi ao ar:

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