
Presidente do Bacen, Alexandre Tombini (Agencia Brasil)
O Banco Central entende que a inflação está mostrando resistência. Para isso, o Comitê de Política Monetária considera o nível elevado do indicador e a dispersão do aumento de preços.
"A inflação de serviços segue em níveis elevados, e observam-se pressões no segmento de alimentos e bebidas."
A análise está na ata da última reunião do Copom divulgada hoje. No encontro, a taxa básica de juros Selic foi elevada acima do esperado. Por unanimidade, o aumento foi de 0,5 ponto percentual, passando para 8% ao ano.
O Banco Central reforçou que, apesar de outras políticas influenciarem a trajetória dos preços, "cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos."
Mostrou preocupação com os reajustes salariais acima da inflação que acabam por pressionar ainda mais os índices. Avalia também que a demanda doméstica tende a ficar robusta, especialmente o consumo das famílias.
Há um trecho da ata do Copom que parece uma "resposta" às críticas imediatas de entidades empresariais e de trabalhadores quando a decisão é por elevar os juros. O Banco Central relembra os danos que a inflação geram para a economia:
"O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda."
Encerra a análise, dizendo que, no curto prazo, a inflação ainda apresenta tendência de elevação e que "o balanço de riscos para o cenário prospectivo se apresenta desfavorável."
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