A alta do dólar fez a Geral Investimentos revisar a carteira sugerida. Para a corretora gaúcha, o cenário, apesar de não ser exclusivo do Brasil, é agravado pela inflação.
Segundo o economista Denilson Alencastro, o efeito de um quadro de dificuldades econômicas mundiais tem reduzido as importações de países importantes para a balança comercial brasileira, especialmente China e Estados Unidos. Isso tem se somado à redução de expectativa de crescimento de países emergentes, como o Brasil. Os investidores estrangeiros têm migrado recursos para ativos em outros países.
Já o analista-chefe Carlos Müller define o novo cenário como desafiador e volátil. A Carteira Multiestratégia da Geral passou então a incluir ações da Itausa, aumentando participação do setor de bancos, e da BRFoods, uma das líderes brasileiras e mundiais em alimentos processados.
- A BRFoods entra na carteira considerando a mudança de foco do crescimento chinês, voltado mais a consumo interno, e para aumentarmos a exposição da carteira à atual variação cambial.
Outra empresa de alimentos incluída na carteira é MDias Branco. Saíram do portfolio Duratex e BrMalls. Nos primeiros cinco meses de 2013, a Carteira Multiestrategia variou -5,49% e o Ibovespa -8,3%.
Veja a composição da carteira da Geral Investimentos e uma análise de cada ação escolhida pela corretora:
ABRIL EDUCAÇÃO (ABRE11): A Abril Educação tem foco no ensino básico e pré-universitário no Brasil. Seus segmentos de atuação são editoras, escolas e sistemas de ensino básico e técnico, cursos preparatórios para concursos, ensino a distância e de idiomas. As fontes de receita são diversificadas e complementares e sua estratégia se baseia em atender escolas públicas e privadas com uma plataforma completa de produtos.
AMBEV (AMBV4): Apesar de um cenário mais desafiador para a indústria de bebidas no Brasil, acreditamos que o mercado já tenha isso precificado nas ações da Ambev. Acreditamos na habilidade e na qualidade do management em atuar com efetividade diante deste cenário. As iniciativas de inovação, embalagens e foco no segmento premium de cervejas são fatores importantes para uma performance de sucesso da companhia em tempos de indústria fraca. Vemos também como catalisador positivo de curto prazo a unificação da estrutura societária em ações ordinárias.
BRF (BRFS3): Estamos incluindo a BRF em nossa carteira visando tirar proveito do atual cenário de câmbio mais elevado. É um das poucas empresas em nosso universo de cobertura que alinha fundamentos e se beneficia com o dólar em elevação. O processo de internacionalização da companhia está em etapa inicial mas acreditamos que deve gerar valor para a companhia ao longo do tempo. A recente mudança no conselho de administração da companhia, a estratégia de focar em produtos de maior valor agregado e diversificação geográfica são pontos positivos que devem ajudar no crescimento da lucratividade.
CEMIG (CMIG4): Após o 3º ciclo de revisão tarifária ter impacto dentro do esperado pela companhia, acreditamos que os fundamentos da Cemig retomam sua solidez, com boas perspectivas de crescimento e efeitos sobre a MP 579 dissipados. Acreditamos na estratégia de longo prazo da companhia que procura valorizar o tripé entre clientes, funcionários e acionistas. A companhia possui também uma projeção fluxo de dividendos atrativos.
GRENDENE (GRND3): A Grendene é uma das maiores produtoras mundiais de calçados, com tecnologia exclusiva na confecção de calçados para os públicos feminino, masculino e infantil. Entre as marcas que possui, podemos destacar Melissa, Grendha, Rider, Ipanema e Grendene Kids. A companhia é totalmente integrada com seis unidades industriais, compostas por 12 fábricas de calçados, matizaria e fábrica de PVC para consumo próprio na produção dos seus calçados, além de uma logística de distribuição que atinge desde distribuidores a varejistas em todo território nacional e no exterior. Como principais pilares para a tese de investimento, destacamos a força das marcas, seu marketing agressivo, a verticalização e a escala de produção, e a solidez financeira da companhia.
ITAUSA (ITSA4): O setor de bancos traz boas perspectivas para o ano, com melhora na renda e no perfil de crédito dos clientes. Itaúsa é a holding controladora do Itaú Unibanco, banco com os melhores índices de eficiência do setor, além de Duratex, empresa que fornece painéis de madeira e captura muito bem a boa dinâmica do setor de construção civil do Brasil.
M. DIAS BRANCO (MDIA3): A empresa possui liderança no mercado nacional na fabricação de massas e biscoitos. Baseia suas operações principalmente nas regiões norte e nordeste que possuem um potencial de crescimento econômico muito forte. Por ter um ticket médio relativamente baixo, a empresa permite maior repasse de preços ao consumidor para compensar elevações no preço do trigo e apreciação do dólar. A empresa procura crescer através do desenvolvimento orgânico de suas operações e aquisições. Destacamos também o processo de verticalização da companhia em andamento visando ganhos de eficiência e diminuição do impacto do preço das matérias primas na matriz de custo.
ULTRAPAR (UGPA3): A Ultrapar possui uma sólida execução de sua estratégia (crescimento orgânico e M&A) sem perder o foco nos retornos. A companhia tem um nível elevado de governança corporativa o que permite maior transparência e precisão nas informações dadas pelo management. O modelo de negócio da companhia tem uma característica de baixo risco e resiliência ao cenário macroeconômico.
TELEFONICA (VIVT4): A Telefônica, resultado da junção de Telesp com Vivo, tem um bom histórico de dividendos e taxas de crescimento constantes ao longo dos anos, vindo da característica defensiva do segmento de telefonia fixa. Já no segmento de telefonia móvel, relativo a parte da Vivo (empresa com maior market share do mercado), a companhia ganha um viés de maior crescimento, com perspectivas bastante positivas. Assim, temos Telefônica como uma empresa cuja receita é composta tanto por receitas estáveis, com fluxo de caixa facilmente previsível, como também com um viés de crescimento interessante, decorrente do segmento de telefonia móvel.
VALID (VLID3): A Valid presta serviço nos segmentos de meios de pagamento, sistemas de identificação e telecomunicação. Sua atuação se dá principalmente através da emissão de cartões de crédito, carteiras de habilitação e cartões SIM. Os principais clientes da companhia são instituições financeiras, governos e empresas de telefonia. Consideramos que dados os seus produtos, a Valid oferece uma boa previsibilidade de resultados e um crescimento orgânico consistente. Além disso, a empresa apresenta um ótimo histórico de aquisições e desenvolvimento de novos negócios. Assim, a segurança oferecida pela solidez dos seus resultados, aliada a um potencial de crescimento vindo de novos negócios e aquisições, torna o investimento na empresa bastante atrativo.
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