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[TEDxPortoAlegre] "Talvez o caminho da publicidade seja ser menos criativo", aposta Tiago Mattos

10 de novembro de 2010 0

Pela primeira vez nervoso com uma palestra, Tiago Mattos, Director of Whatever da Perestroika, diz que já mudou o rumo de sua apresentação no TEDxPortoAlegre trilhões de vezes. Até subir no palco do Theatro São Pedro no próximo sábado, 13/11, ele admite que ainda pode ser arrebatado por outras ideias, uma mudança de última hora. Outro desafio - principalmente para alguém acostumado a dar aulas que duram de 2 a 4 horas, como Tiago - é o limite de tempo: cerca de 15 minutos, conforme o padrão TED. "Tá superdifícil", resume. Mas, otimista, tem esperanças em fazer de suas ideias uma injeção de ânimo para melhorar o mundo. "Quem sabe a partir de sábado?". Os principais trechos da entrevista concedida no início da semana ao Admirável Mundo Virtual você confere abaixo.


AMV - Pode ser que cinco minutos antes da palestra tê dê um insight e tu mudes completamente de ideia outra vez?

Tiago Mattos - É possível, é possível. Eu me prometi que na quinta-feira de noite eu vou ter pronto, para sexta-feira, quando tem o ensaio geral, já ter tudo montadinho. Mas sabe como é, tudo pode acontecer...

AMV - E deve ser algo muito objetivo, porque em 15 minutos tu tens que ser muito conciso naquilo que tu falas, certo?

TM - Muito conciso, muito. E mais do que isso. Eu acho que tem que ser conciso e ser desafiador. Porque falar qualquer coisa em 15 minutos para encher linguiça é fácil. Agora, trazer um ponto de vista que inspire, chame a atenção das pessoas, é complicado. Espero conseguir.

AMV - Espera conseguir instigar as pessoas a querer mudar pelo menos alguma coisa do mundo, se não o mundo inteiro?

TM - Tem uns caras que conseguem, né? Brincadeira! Eu queria ser um desses caras. Talvez só um pedacinho já esteja bom. Quem sabe a partir de sábado?

Juro, eu fico com frio na barriga de lembrar. Faz quatro anos que eu dou aula toda semana, e pra essa eu tô nervoso. Nunca fiquei nervoso.

AMV - Então essa é a palestra que pode tirar um pouquinho o teu sono?

TM - Já tirou bastante do meu sono, mas acho que no bom sentido. Porque o TED tem uma finalidade muito maior. O conceito é “ideias que merecem ser espalhadas”. Eu acho que muitas das coisas que eu falo são ideias interessantes. Mas uma ideia a ponto de ser disseminada na plataforma digital do TED, existe uma responsabilidade maior. Dá um frio na barriga. E o frio na barriga, pra mim, não é uma coisa ruim. É uma coisa boa até... inclusive talvez eu fale disso. Ó, viu? Já tá mudando. Talvez eu possa usar esse exemplo lá. Sentir frio na barriga é tu sair da tua zona de conforto. Porque tu só cresce, te desafia, te transforma numa pessoa melhor quando tu sai da tua zona de conforto. Espero que essa oportunidade de eu sair da minha zona de conforto (risos) tire outras pessoas da zona de conforto.

AMV - O tema do TEDxPortoAlegre é "Paixão que inspira". O que guia o teu trabalho como Director of Whatever na Perestroika?

TM - (Risos) Vou explicar a história de por que eu escolhi esse nome, depois eu chego na resposta. A Perestroika é uma empresa que tem uma natureza um pouco subversiva. Meu dia a dia é muito pouco ortodoxo perto do que meu cargo, diretor-geral ou diretor da escola, seria. Terminando essa entrevista, eu vou começar uma palestra. Então, eu posso dizer que, além de diretor da escola, eu sou palestrante. Finalizando isso, eu tenho que terminar uma aula pra sábado – daí eu posso dizer que, além disso, eu sou professor. Quinta-feira de noite eu vou ter uma reunião com o meu sócio, com o Piangers (Marcos Piangers, radialista e apresentador) e com outro pessoal para escrever uma peça de teatro – sou roteirista de teatro. Uns seis meses atrás, eu produzi um filme – sou produtor de cinema. Há um ano, eu escrevia textos para os outros comediantes da Balalaika se apresentarem – sou comediante. No início do ano, eu lancei um livro – sou escritor. E por aí vai. Eu acho meio chato quando tu fica dizendo “ah, eu sou blogueiro tuiteiro, escritor, produtor, não sei o quê”. Uma maneira muito mais Perestroika é dizer “cara, eu sou Director of Whatever”. Mas o que é isso? Cara, eu sou blogueiro, tuiteiro... (risos) Entendeu? É uma maneira mais sacana de contar a mesma coisa. E, na verdade, tem uma ironia, um posicionamento. É dizer “cara, eu faço qualquer coisa”. Não porque eu sou bom, mas se eu tiver que tirar o lixo do banheiro eu vou tirar, e se eu tiver que falar no TED eu vou falar. Acho que tem um pouco desse desprendimento. Ser Director of Whatever não é um posto acima dos demais. É pertencer a um grupo em que todo mundo faz um pouco de tudo.

Clique aqui para conferir outras entrevistas da série

AMV - Tu achas que falta criatividade na publicidade do Rio Grande do Sul?

TM - Depende do que a gente acha que é criatividade na publicidade. Dentro da realidade do mercado no Rio Grande do Sul, que tem contas menores, clientes com uma cultura de criatividade, inovação e propaganda menor do que no centro do país ou no exterior, agências com um time de profissionais muito júnior, um mercado onde o consumidor é superbairrista, xiita, provinciano. Dentro de todo esse cenário, a gente faz muita coisa boa. Muita coisa boa mesmo.

O que eu acho, na verdade, é que a propaganda como um todo, como uma instituição, anda pouco criativa. E aí não é um problema do Rio Grande do Sul. Os profissionais de propagada em geral têm um defeito, e eu posso falar isso porque mesmo quando era de agência eu tinha já esse ponto de vista: se confunde muito ser do mercado versus ser da academia. Quem é do mercado não pode estudar nunca. Se estudar, vira um teórico. Isso é uma fantasia, tu pode ser um profissional do dia a dia e estudar, aprender lendo, estudando, conversando com profissionais mais capacitados. No Rio Grande do Sul, tem um palestrante fodástico, internacional, e ninguém vai.

Quando o profissional acha que fazendo ele mesmo, aprendendo com ele mesmo, se autoreferenciando, ele vai ser mais criativo, isso é meio falacioso, porque no fundo ele vai estar, em algum momento, repetindo o que alguém já fez. Se ele quiser achar soluções verdadeiramente inusitadas, ele vai ter que usar outro substrato, cruzar informações que tenham fundamentação teórica em cima da propaganda, da comunicação, das relações públicas. E mais uma coisa: talvez o caminho da nova publicidade seja ser menos criativo. Acredito que a publicidade vai migrar para plataformas de relacionamento, uma coisa mais próxima das relações públicas do que da própria publicidade. Esses apelos “inusitados” vão ter menos valor do que um apelo “comum”, desde que feio com excelência. Acredito muito mais hoje numa marca que tenha um Twitter e fica se relacionando com sua audiência de maneira ordinária do que uma marca que tem um Twitter, faz uma entrada extraordinária e depois não tem relacionamento nenhum. Acho que é menos o “olha como eu sou foda” e depois some, e muito mais “E aí, tudo bom? Como você tá hoje? Beleza?”.

AMV - É possível ensinar alguém a ser criativo?

TM - Essa pergunta é tão engraçada. Tanta gente me faz essa pergunta, é curioso isso. Eu acho duas coisas sobre esse assunto – primeira vez que vou responder desse jeito, pra tu ver como o TED tá me mudando (risos). Uma: tenho certeza, convicção total de que sim, é possível ensinar uma pessoa a ser criativa. Por outro lado, eu também penso o seguinte, e que pode ser meio contraditório: não precisa ensinar ninguém a ser mais criativo, porque todo mundo é criativo. Tu precisa estimular a pessoa a usar essa criatividade, expressá-la. Talvez mais do que ensinar, seja fazê-la se sentir tão segura de que ela é criativa que ela vai deslanchar. O sistema educacional e profissional em que a gente está inserido hoje é que nos poda muito. Mas não existe esse papo de “eu não sou criativo”. É que ser criativo não é ter o cabelo rosa e fazer grafite na Mauá. Uma pergunta inteligente vai ser supercriativa.

AMV - Sobre o formato de publicidade atual na internet, as pessoas realmente prestam atenção nos banners ou acontece mais de elas clicarem ali sem querer?

TM - Eu não vi essa aula, então não quero ser leviano no meu comentário, mas sei que existem estudos superfundamentados, superprofundos, sobre o sucesso de banner. Tem bastante mídia display na internet que funciona, e funciona muito bem. A informação que eu tenho, que é fragmentada, me diz que sim, existe gente fazendo muito bem feito isso.

Mas isso não é excludente àquela outra coisa que eu tava falando. Quando a Internet surgiu, ela era uma mídia interativa. Aí as pessoas achavam que o interativo era uma coisa meio você decide. Vai ter um banner aqui com uma vela, eu passo o mouse e apago a velinha. Isso é interatividade, mas também tem outro eixo. Num banner existe o eixo X, o Y e o eixo Z, que é de profundidade. É tu conversar com a pessoa, tu te relacionar, ela interagir contigo. Internet é relacionamento.

Foto: Divulgação.

Cibercrimes, revolução no jornalismo e OLPC - vídeos do TEDxBuenosAires disponíveis na web

02 de junho de 2010 0

As gravações das 19 palestras do TEDxBuenosAires, conferência do estilo TED realizada no dia 8 de abril deste ano na capital argentina (confira a cobertura), já estão disponíveis no YouTube. Abaixo, selecionamos as que mais se relacionam com internet e suas consequências no "mundo real".

Vale a pena conferir (em espanhol):

Miguel Brechner Frey: "Revolucionando a inclusão social no Uruguai com laptops para todas as crianças (OLPC)". O engenheiro responsável pela implantação do projeto no seu país fala sobre o processo e os resultados da iniciativa. Mais informações sobre o palestrante aqui.

Marcos Salt: "Ciberespaço e delito". Advogado e professor de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA), Salt destaca as dificuldades e os desafios de estabelecer uma legislação adequada para crimes virtuais. Veja aqui mais dados sobre o palestrante.

Roberto Guareschi: "Fim e reinvenção do jornalismo". Jornalista com mais de 40 anos de carreira, Guareschi analisa as mudanças causadas pelo o que considera o fim dos meios massivos e pela produção de conteúdo por parte do leitor (jornalismo colaborativo). Mais informações aqui.

* As demais palestras do TEDxBuenosAires estão disponíveis aqui.

Dia de "matação" nacional de aula reúne poucos uruguaios

15 de maio de 2010 0

Catorze de maio, a data que pretendia mobilizar via Facebook todos os estudantes do Uruguai a uma grande "rateada" - como se diz em espanhol o ato de "matar" aula -, acabou sem a adesão que se previa. Até a noite anterior, eram mais de 24 mil os simpatizantes da página de convocação na rede social. O número levou até as autoridades uruguaias a colocarem em alerta a polícia de Montevidéu. No entanto, durante o dia de ontem, apenas aproximadamente 50 estudantes compareceram ao Parque Battle, ponto de encontro da capital acertado via Facebook, conforme informa o jornal El País.

A ação uruguaia, que se baseou na "matação" massiva de aula ocorrida na cidade argentina de Mendoza no final de abril (veja o post), propôs que os estudantes levassem alimentos não-perecíveis ao encontro. As doações arrecadadas ontem pelos poucos que compareceram serão encaminhadas a uma ONG.

Al otro lado del río

Na Argentina, segue a preocupação das autoridades quanto à "rateada" nacional marcada para o dia 28 de maio (na verdade, há também grupos organizando a mesma atividade para o dia 26, mas há maior adesão nas páginas para o 28).

Esta semana, o ministro da Educação, Alberto Sileoni, declarou que não haverá sanção às "rateadas" por parte do governo argentino. "Temos que entender que estes garotos estão querendo comunicar algo, temos que escutá-los e, como adultos responsáveis e professores, temos que ver quais são as motivações, como podemos fazer para que isso seja evitado", refletiu durante reunião com secretários de Educação de todas as províncias.

Justiça x Facebook

Em Mendoza, província onde houve a primeira e mais exitosa "matação", o juiz Alfredo Dantiacq Sánchez ordenou, na última terça-feira, o fechamento de grupos criados no Facebook por menores de idade para combinar "rateadas". É primeira vez que a Justiça argentina impõe limites ao funcionamento da rede social. Segundo o texto da sentença, a decisão vale também "a possíveis outros objetos onde os menores de idade promovam objetivos que possam causar dano a eles ou a terceiros com seu agir".

Como era de se esperar, a decisão inédita gerou polêmica entre advogados especializados em informática. De um lado os que consideram uma censura ao direito de expressão na internet, de outro os que veem as "rateadas" como atentados à educação que, portanto, justificariam a limitação imposta.

Convocações via Facebook para "matar" aula mobilizam jovens argentinos e uruguaios

08 de maio de 2010 1

Uma série de grupos criados no Facebook para convidar a "matadas" massivas de aula em cidades argentinas e uruguaias tem chamado a atenção de autoridades escolares e pais nos últimos dias. A primeira "rateada" - como se diz em espanhol - foi organizada através da rede social por um adolescente da cidade de Mendoza, capital da província de mesmo nome, e reuniu cerca de 3 mil estudantes em uma praça durante a sexta-feira 30 de abril.

Reprodução

Com o sucesso da iniciativa, surgiram (e seguem surgindo) dezenas de grupos que querem imitar a atitude em outras cidades do país e, inclusive, realizar uma "matada" a nível nacional no dia 26 de maio (data que "se emenda" ao feriado prolongado de comemoração ao bicentenário da independência argentina). A ideia também já atravessou o Rio da Prata: quase 18 mil uruguaios aparecem como apoiadores de um boicote a todas as escolas do país no dia 14 de maio, próxima sexta-feira.

Diante da reação negativa da maioria dos pais e autoridades educacionais, os estudantes agora convocam para que nas próximas "rateadas" sejam levados alimentos não-perecíveis para doação a instituições públicas, o que seria uma forma de mostrar uma outra face da atividade. "Temos que calar a boca de todos" (tradução livre), convida o organizador na página uruguaia.

Na província de Mendoza, onde começou a tendência, já se propõe a criação de uma lei que sancione "ações irresponsáveis nas redes sociais". O projeto é do deputado provincial Daniel Cassia (PJ Federal). A ideia seria responsabilizar, em casos deste tipo, por exemplo, pais de alunos e administradores da rede social onde se hospeda a ação. Também em Mendoza, pais de estudantes que participaram da "rateada" denunciaram ontem na Justiça, através do órgão de proteção ao consumidor, a empresa Facebook Inc. As acusações são de que o site manipularia e não controlaria o conteúdo publicado pelos usuários.

Será que a ideia se espalha até o Brasil? Deixa tua opinião nos comentários.