Pela primeira vez no Brasil, a internet e as redes sociais vêm sendo fortemente utilizadas em campanhas eleitorais. São candidatos aos cargos de Presidente, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual que se esbaldam em tweets, postagens em blogs e vídeos publicados em sites como o YouTube. Mas as ferramentas online não beneficiam somente os políticos, pelo contrário. Duas iniciativas na web vêm cumprindo o papel de aliadas da população para fiscalizar as eleições deste ano. Confira abaixo:
- EuLembro: dos mesmos idealizadores do Vote na Web (já comentado aqui no blog), o EuLembro funciona como um mecanismo de busca pelo nome dos candidatos em sites como Wikipédia, YouTube, Busk e Twitter. A reprodução do conteúdo é automática - por isso, os criadores advertem para a possibilidade de falhas ou de apresentação de resultados que não tenham a ver com o desejado. A vantagem é que se pode ter uma visão ampla daquilo que o candidato vem proporcionando aos eleitores na web, além de ler notícias publicadas pelos sites jornalísticos. Também é possível tirar dúvidas sobre papel que desempenha cada cargo à frente do país.
O site também funciona como a memória do próprio eleitor. Cada usuário pode cadastrar-se e escolher o candidato em que vai votar, e os dados ficam disponíveis para futuras consultas. Assim, ninguém terá a desculpa de não saber em quem votou nas eleições passadas. É possível ainda seguir candidatos de quem se deseja obter informações, comentar nos fóruns e acompanhar os resultados da votação no site. O curioso é que, ao contrário das pesquisas de intenção de voto divulgadas na imprensa, a candidata à Presidência Marina Silva (PV) desponta com 52% dos votos dos usuários (até o momento da publicação desse post), enquanto Dilma Roussef (PT) aparece com 17%. José Serra (PSDB) fica em segundo lugar, com 24% (importante ressaltar que os dados não têm valor de pesquisa oficial).
- Eleitor 2010: utilizando a plataforma do Google Maps, o site propõe que os usuários sejam cidadãos-repórteres e compartilhem online denúncias de irregularidade no processo eleitoral, como distribuição de brindes ou envio de spam com propaganda política (são mais de 40 categorias). As informações ficam disponíveis para o público em geral, inclusive para as autoridades e para a imprensa.
Os relatos são distribuídos no mapa conforme a localidade, e é possível filtrar por cidade, região, categoria e período em que aconteceu (pré-campanha, campanha ou dia da eleição). Pode-se verificar também os chamados candidatos "ficha-suja", que possuem contra eles algum tipo de processo correndo na Justiça brasileira. O site, um instrumento de fiscalização inédito no país, é inspirado no Ushahidi (testemunha, em Swahili), destaque de cobertura colaborativa durante a onda de violência que sucedeu às eleições do Quênia em 2008.
Não é necessário se cadastrar para enviar um relato. Basta preencher o formulário com os dados da ocorrência, atentando para a clareza dos fatos. Também é possível enviar denúncias por e-mail ou pelo Twitter, usando a hashtag #eleitor2010. Todas as mensagens são avaliadas pelos idealizadores do projeto, a fim de evitar discussões, opiniões preconceituosas, palavrões e divulgação de fatos inverídicos. São eles também que definem o grau de credibilidade da fonte (indicando se foi testemunha ou vítima, por exemplo). Saiba mais sobre os critérios de publicação do site.
Quem estiver interessado nas informações do Eleitor 2010 pode inscrever-se para receber alertas, via e-mail ou SMS, conforme a região desejada. O perfil no Twitter @Eleitor_2010 também traz atualizações das denúncias enviadas ao site.
Confira aqui a entrevista com os criadores do Eleitor 2010, realizada pelo blog Jornalismo nas Américas.