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Porto Alegre está encolhendo

23 de fevereiro de 2010 16

O Segundo Caderno de hoje publica uma reportagem sobre o fechamento da Sala Norberto Lubisco, da Casa de Cultura Mario Quintana. Na mesma edição, a colunista Rosane Oliveira dá o furo do dia na área de Cultura: a secretária Monica Leal pediu a exoneração do historiador Voltaire Schilling, que até então dirigia o Memorial do Rio Grande do Sul. Por que a Sala Norberto Lubisco fechou? Por que a administração do Memorial estava desagradando a secretária? Essas deveriam ser as questões em pauta, mas não são, porque, na verdade, pouca gente vai à Sala Norberto Lubisco ou ao Memorial. Esses como outros centros culturais ligados à administração pública estadual já estavam em marcha lenta quase parando há muito tempo: a sala de cinema sem uma programação realmente alternativa, e o Memorial porque até hoje ninguém soube bem o que fazer com ele (ou dentro dele). Podemos colocar a culpa na Sedac, no fato de a secretária Monica Leal não ter intimidade com a Cultura ou na constatação óbvia de que o atual governo do Estado não considera a área cultural um assunto realmente relevante, mas é preciso levar em conta que boa parte da culpa desse marasmo é de todos nós que vamos ao cinema e frequentamos (ou gostaríamos de frequentar) centros culturais. Minha sensação é de que Porto Alegre está “se apequenando”, se conformando com o marasmo da cena cultural como um todo, com poucos cinemas com programação fora do mainstream, com poucos centros culturais atuantes, com pouca ou nenhuma política cultural pública. A cidade está encolhendo, e nós com ela. E a área cultural é o melhor indicador desse fenômeno.

Comentários (16)

  • Rick diz: 23 de fevereiro de 2010

    Estive, recentemente, em Curitiba e assisti excelentes músicos tocando, de graça, nos shoppings.
    Em Sampa, músicos de jazz internacional tocam por preço popular na estrutura do SESC paulista ou até no Parque do Ibirapuera
    Aqui, nem a área pública nem a privada, possibilitam ao público a fruição cultural.
    Inclusive um equipamento como o Araújo Vianna está fechado e em péssimas condições.
    É brabo assistir, também, o sucateamento da TVE e FM Cultura.
    Porto Alegre está ficando atrás de muitas cidades como polo cultural e, isto, me entristece, pois não vejo muitas saídas neste momento.

    Rick poeta e publicitário

  • Hermes Vargas dos Santos diz: 23 de fevereiro de 2010

    As razões da demissão do historiador Voltaire Schilling do Memorial do RS, e do fechamento da Sala Norberto Lubisco, não estão na pauta de discussão por motivos políticos óbvios – quando o governo entregou a área da cultura a uma pessoa cuja pauta eleitoral foi centrada na “segurança pública”, desde um enfoque de extrema-direita (onde tudo é uma questão de polícia), ficou muito claro que o objetivo era a desmontagem de um setor avesso à prepotência e ao autoritarismo. Eles não gostam de registros históricos, de memórias … Também não gostam de salas de cinema que promovam o desenvolvimento de visão crítica. Mas gostam de fazer gauchadas, montar a cavalo em dias festivos do tradicionalismo gaúcho, de cultuar o que há de mais reacionário em nossa cultura guasca! O historiador Voltaire Schilling é um intelectual respeitável, mas não usa bombacgas …

  • Jessica Couto diz: 23 de fevereiro de 2010

    Obrigada Claudia, por reproduzir em parte meu sentimento, meu trabalho também envolve o resgate de uma valorização dos nossos espaços culturais sempre e sempre.
    Outra instituição que tem história para contar e está na corda bamba é o desconhecido CDE- Centro de Desenvolvimento e Expressão do Estado http://www.cdepoa.blogspot.com/. Trabalhei lá como arte educadora nesse espaço que esbanja criatividade e possui um visual inesquecível para qualquer infancia que tiver a possibilidade de criar ali. Esse espaço cultural CDE no ano passado não tinha nem o aluguel do prédio garantido, em meio a pedidos e oficios ainda vive. Relembrar essa situação que não deveria ser esquecida me faz questionar como esse tramite de instituições públicas falha logo no principal que é na ação, no retorno aos seus usuários.

    Outro espaço que existe e não se desenvolve é a pinacoteca que está prometida para o casarão nº937 na rua Duque de Caxias , guardo uma reportagem na porta da minha geladeira que data do dia 1º/08/2005, ano que entrei na faculdade, já estou formada, e as placas que avisam que ali será uma pinacoteca municipal já foram trocadas umas três vezes. Só sei que contribuo com todos meus impostos sem atraso. Esse é meu cometário!

  • Igor Freiberger diz: 23 de fevereiro de 2010

    Faço minhas as palavras do Hermes. E da Cláudia. PoA está se apequenando há vários anos, e nós vamos junto. Claro que aquela parcela da população culturalmente interessada e ativa tem alguma culpa na medida em que não se movimenta. Mas o fator Estado é determinante. Mesmo em países desenvolvidos culturalmente, o poder público está permanentemente promovendo a cultura. Se eles, que possuem tradição e base educacional sólida, agem assim, parece óbvio que nós não podemos esperar uma grande movimentaçãao cultural sem que o poder público aja. E com os governos que temos tido, tanto no Piratini quanto na rua Uruguai, o setor cultural tende ao nanismo.

  • luiz diz: 23 de fevereiro de 2010

    ora, Cláudia, que pergunta!!! Lembra quando Porto Alegre era sempre lembrada com cidade que consumia cultura? É de chorar: nem Hitler colocou uma pessoa tão insuportável para dirigir – ora vejam!!! – a cultura… querem o quê???!!!

  • Rodrigo Piva diz: 23 de fevereiro de 2010

    Olá, Cláudia,
    Muito apropriado e oportuno o tema deste post. Aproveito para lembrar que o Teatro de Câmara Túlio Piva, rebatizado em 2001 em homenagem ao meu avô, renomado compositor e sambista gaúcho, também está em petição de miséria. Segundo informações que obtive – pois resido em Florianópolis há muitos anos -, não existe banheiro disponível para o público (apenas no camarim) e a única referência a Túlio – um retrato pintado a mão pendurado na entrada do teatro – está com a moldura destruída pelos cupins. Realmente, me entristece saber que a cultura de Porto Alegre está entregue aos insetos!

  • Anti-pelego diz: 23 de fevereiro de 2010

    Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra? Que terra? Que modelo? O de hoje nem de longe lembra o que já se produziu de Cultura neste Estado! E de todas a s formas: nas artes plásticas, na dança, no teatro, na música, no cinema, na literatura… temos até um representante na Academia Brasileira de Letras!!!! Temos CTGs que se espalham pelo Brasil e o mundo! E temos uma porqueira de Secretária Leal ao lema de quanto menor, menos incomodação! Menos tudo. O rio Grande do Sul vai perde a grandeza, vai virar o Rio do
    Sul e quando secar o Rio, vai ser apenas o sul onde se despejam os dejetos…

  • marcio diz: 23 de fevereiro de 2010

    POA realmente está se “apequenando”. E de quem é a culpa, nesse caso do fechamento da Norberto Lubisco?? E no abandono do Araújo Vianna??? Dos gestores, incompetentes, ruins, sem iniciativa. Mas que contam com muito boa vontade por parte de setores de nossa mídia nativa. Ninguém os critica.

  • Manoel diz: 23 de fevereiro de 2010

    Cláudia, parabéns pelo excelente post!
    O setor de cultura e as pessoas interessadas precisam se unir e forçar mudanças urgentemente!
    A “administração” da Mônica Leal é uma piada! O Memorial precisa ter mostras itinerantes… seu belo espaço e a história do estado merecem muito mais!
    Governadora Yeda, precisa-se de novo secretári@ de cultura porque já é tarde!

  • Fabiana Pizetta diz: 23 de fevereiro de 2010

    Faço minhas as palavras de todos aqui. É de fato lamentável que a cidade esteja se “apequenando” e também tenho essa sensação. Pra quem, como eu, já teve tantas possibilidades de escolha, que cresceu circulando entre esses espaços, que chegou a ter até uma familiaridade e assim perceber a singularidade da expressão cultural em Porto Alegre.
    Talvez não tenhamos ocupado esses espaços como poderíamos ocupar, mas também acho que eles já não estavam disponíveis há algum tempo.

  • Marcelo Soares diz: 24 de fevereiro de 2010

    Único reparo a fazer: faltou incluir no final a frase “E faz tempo.”

  • Marcelo Soares diz: 24 de fevereiro de 2010

    Reparando meu reparo: faltou incluir em algum ponto do texto, talvez no título, a frase “E faz tempo.”

  • Nossa cidade é muito grande e tão apequenada « the stupid things diz: 25 de fevereiro de 2010

    [...] que o leitor voraz vai ler todo, como manda o figurino: A Cláudia Laitano acha que Porto Alegre está se apequenando. Ela vai direto na jugular do problema: “Podemos colocar a culpa na Sedac, no fato de a [...]

  • Marcelo Ulguim diz: 28 de fevereiro de 2010

    Com sepre né gente! Além de não existirem grandes investimentos e empenho na área da cultura, ainda nos tiram o pouco que temos. É lastimável.

  • Mundo Livro » Blog Archive » Vamos trocar umas ideias? diz: 4 de março de 2010

    [...] fechamento rendeu diversas manifestações na internet – um e-mail assinado pelo poeta e radialista Marcelo Noah foi amplamente [...]

  • leonardo oliveira diz: 18 de outubro de 2010

    legal mt interesante

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