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Posts de abril 2009

Simplicidade

30 de abril de 2009 2

Assim que chegamos ao hotel em Bauru, nos encontramos com outra delegação, não esportiva, mas sim de adeptos do budismo, com os monges e reverendos fazendo seu encontro anual. Impossível não perceber nessas pessoas, em sua maioria de descendência japonesa, uma postura e educação típicas de um povo evoluído em questões espirituais. Agora pela manhã, antes de escrever estas linhas, participei de uma cerimônia simples que os budistas realizaram, chamando-a de oração matinal, com velas, flores, leituras e cantos. Não preciso dizer que gostei muito do que senti e da forma respeitosa e supercarinhosa como fui recepcionado pelas pessoas da comunidade budista, que reunia grupos de Apucarana, São Paulo, Ribeirão Preto, um monge vindo do Japão e outras autoridades desta igreja ou religião.

O jogo de ontem à noite foi muito duro para todos nós, especialmente para mim, pois a possibilidade de vitória nos escapou nos últimos dois segundos. Mas não foi a derrota que tirou o meu sono e minha tranquilidade, mas os fatores que nos levaram a ela e a forma como eu a assimilei. Uma noite mal dormida, pensamentos ruins, muitas dúvidas e um desequilíbrio físico e emocional que só fui conseguir controlá-lo após muito esforço, com minhas preces e, principalmente, com a certeza de que não posso me desviar do caminho tão importante e tão bem desenvolvido por toda nossa equipe até o dia de hoje. 

Falo no desequilíbrio porque foi este o principal fator que nos levou a não praticar fundamentos tão importantes, como o próprio equilíbrio e a humildade necessária para que pudéssemos colocar em prática aqueles outros fundamentos do trabalho específico de nossa forma de jogar basquetebol. Agora, escrevendo, sinto meu ser mais calmo e a tranquilidade que atinge a todos que, de forma consciente e compassiva, trabalham em busca do melhor e procuram entender, em vez de justificar as circunstâncias do dia-a-dia. As circunstâncias nos levaram a desequilibrar totalmente nossas energias, tornando-nos uma equipe instável e volúvel durante os 40 minutos.

Deixamos nos levar por falhas gritantes da arbitragem, além de não colocarmos em prática aquilo que mais lutamos: a doação e a relação interpessoal sobrepujando qualquer desejo individual. Quando conseguimos nos manter como uma equipe equilibrada, aumentamos em muito nosso desempenho e o nosso forte poder pessoal e coletivo. E esta busca se fará incessante para o nosso novo compromisso amanhã, no jogo contra a equipe de Assis. Preciso recuperar o grande entusiasmo e a motivação que nos move. Já demonstramos capacidade, ao atingirmos o nível de estarmos entre as quatro melhores equipes nesta fase de classificação, o que pode se confirmar com duas vitórias nas três últimas partidas desta etapa.

O grau de sensibilidade estabelece em cada um de nós a qualidade de nossas vidas e a possibilidade de melhor interação entre nós. E esta sensibilidade foi muito apurada neste encontro matinal com a outra delegação que se encontrou com nossa equipe nesses dois dias em Bauru. Uma citação durante a leitura foi sobre as flores, que para os budistas simbolizam o ensinamento de transitoriedade, pois elas são lindas pela manhã, mas murcham com o calor do dia. Assim é a transitoriedade do mundo, as mudanças das coisas e da vida.

Precisamos entender esta situação humana em que vivemos, sabendo exatamente que nascemos, vivemos e morremos. E, muito mais que isso, queria manifestar hoje, neste belíssimo 30/4, a importância de vivermos de forma a não nos apegarmos exageradamente a desejos e não esperarmos como nossos deputados federais, para entender o que pode e o que não pode e o que cabe a cada um de nós, e sim percebermos a pureza da vida e a importância relativa que temos, realmente adotando a simplicidade e limitando nossos desejos. Assim vou exigir e trabalhar a minha equipe, com rotina e estratégias bem definidas e com nossos sistemas de ataque e defesa extremamente simples, porém executados com excelência e senso de harmonia entre todos os nossos componentes.

A simplicidade nada mais é do que a liberdade, que todos procuram nas mais variadas seitas e religiões. E nossa equipe certamente se concentrará e focalizará esta situação de harmonia interna e externa, para alcançarmos a realização, que está ao nosso alcance na mais pura simplicidade.


 

Postado por Alberto Bial

Mobilização coletiva

25 de abril de 2009 6

Foi o sentimento que se emanou do espírito de nossa equipe durante a partida de sexta à noite contra Araraquara. Lesionado, nosso principal jogador na competição, Shilton, não pôde participar do jogo. Jefferson Sobral, outro importante fator de desequilíbrio a nosso favor, contundido nas costas, participou apenas de alguns minutos. E o que se viu foi uma mobilização de todos os componentes do time para superarmos nossos problemas físicos com uma incrível doação individual para o coletivo de nossa equipe.

Aconteceu de forma tão forte esta manifestação de todos, que lutaram acima de suas forças, dando muito mais do que suas possibilidades, abrindo mão de situações favoráveis e confortáveis para um sentimento de doação e luta incansável no desenrolar do jogo. Por várias vezes, jogadores extenuados pediram substituições, trocando a vaidade e o egoísmo por um sentimento magnânimo de substancial consciência e entrega para o coletivo.

Esta luta representa, no meu entender, uma luta diferente de um objetivo simples como mais uma vitória. É uma manifestação de entendimento de que lutamos com todas as forças por um ideal maior, de encontrarmos no esporte a possibilidade de realizarmos mudanças em relação a nossa modalidade e, por que não dizer, mudanças no comportamento de uma comunidade que hoje nos tem como exemplo de convívio e relacionamento. Por meio do esporte bem realizado e como proposta de transformação social, poderemos avançar mais rápido na busca por justiça social.

A busca de sentido na vida nos incentiva sempre a mostrar a nossos comandados que não é apenas praticar esporte profissional que nos levará às vitórias da vida, mas sim uma contribuição muito maior ao assumirmos um papel de responsabilidade social, de iniciativa e disciplina nas nossas ações diárias, não só nos treinamentos e jogos, mas também  com coragem e autoconfiança na possibilidade de multiplicar toda energia direcionada para os mais jovens, que poderão viver e fazer o mundo melhor.

Neste sábado pela manhã, o basquetebol de Joinville realizou um evento com sua equipe de minibasquetebol, com participação de pais e jogadores profissionais. Foi colocada em prática esta tentativa de multiplicar os exemplos para uma nova geração. Em alguns instantes ficou tão clara a transferência de experiências, que é impossível não relatar alguns acontecimentos. Duas crianças faziam parte da mesma equipe e, a todo momento, acontecia uma divergência entre os dois meninos. Orientados, eles foram capazes de jogarem juntos e, ao término do festival, mais do que isso, deixaram de lado as divergências e estavam totalmente companheiros, dando certeza de um mundo mais tolerante através da diversidade tão rica entre os homens.

Outro acontecimento interessante foi quando um de nossos atletas, revestido do papel de técnico, aconselhou a um dos meninos uma melhor colocação no rebote e que, após o rebote, tivesse confiança no arremesso. Esta influência positiva para esta criança a transformou até na maneira de correr e em sua postura durante o final da manhã.

Ações como estas deveriam ser normais, quando todos sabemos que só com educação e esporte formamos uma sociedade mais justa e evoluída. Estas questões de multiplicação de valores de nossos atletas para com nossos jovens me fazem refletir que não posso permitir que alguém tire de mim esta vontade e entusiasmo em busca constante da prática do que acho correto. E não deixarei nunca que eu degrade minha alma odiando alguém. Muito pelo contrário, a história do basquete de Joinville mostra que a magnanimidade nos serviu como instrumento para superar a oposição, os adversários e as dificuldades.

Nesta manhã de domingo, se realiza mais um grande evento do basquetebol de Joinville, que é o basquete de rua, nosso basquete social, que abre a possibilidade para que todos se inscrevam e participem de jogos totalmente lúdicos e descompromissados com resultados. É a possibilidade de ligar desde o rendimento, passando pela Base, pela iniciação até o social.

Para nos fazermos respeitar, é preciso pôr fim às barreiras e mostrar que Joinville pode ser a cidade do basquetebol de Santa Catarina e, quem sabe um dia, a Capital do Basquete do Brasil. E será!

Postado por Alberto Bial

Projeto Vida e Basquetebol de Joinville

23 de abril de 2009 2

Liderança – liderar e ser liderado

Hoje é impossível dissociar a minha vida do projeto esportivo. A vida e o basquetebol de Joinville são dois projetos e, como tal, precisam de cuidados diários com seus preparativos e na condução de seus desenvolvimentos. Como exercer a liderança sobre os componentes do projeto de forma diferente da qual conduzo a minha condição de patriarca em minha família? Os dois projetos caminham juntos. O familiar e a empresa que rege o basquete são cuidados com extrema gentileza para com meus próximos, além da amizade, que gera em nós uma relação e um espírito de grande lealdade. Sim, porque líder e liderados assumem de forma espontânea sacrifícios para atingir todos os objetivos imaginados ou traçados como planos, e isso nos reveste em unidade e nos permite estarmos sempre muito protegidos.

O líder precisa agir com firmeza e ter extrema capacidade de realização, correção íntima e estar sempre encorajando aos outros. Mas o que realmente faz a diferença é a inspiração que vem dos princípios e valores que trago comigo. Liderar é a arte de conduzir de forma suave, de longe, enquanto se amplia e cresce a confiança entre nossos familiares e atletas, além do respeito entre todos desta equipe, que em seu dia-a-dia, assim como qualquer família, vive situações de altos e baixos, de alegrias e decepções. Mas não tenho a menor dúvida de que, com diretrizes pré-estabelecidas e se colocando sempre de forma discreta, abaixo de todos, os resultados aparecem no florescimento de novos integrantes dentro da família, assim como resultados de maior qualidade no projeto basquetebol.

No esporte, os membros de um time são muito mais produtivos quando seus treinadores e capitães os conduzem, em vez de ordenarem. Assim como as relações entre pais, filhos, primos e agregados se dão de forma harmoniosa quando todos são tratados com o afeto e seguindo o respeito, a posição do próximo, não rejeitando nunca suas vidas. Não sendo rejeitados, eles nunca rejeitarão. A conquista da honra não precisa acontecer necessariamente em ser honrado. A naturalidade dos relacionamentos mostra que o brilho é de todos, e não possivelmente do líder. E o não-desejo de brilhar e a atitude modesta fazem com que você não represente ameaça para aqueles que o rodeiam e, deste modo, todos lealmente aceitam sua autoridade.

Este grande esforço que nossa equipe do Basquetebol de Joinville vem realizando na busca pela excelência, na luta pelas vitórias e pelos ideais que formam nossa personalidade, só tem dado resultados como o da noite desta quarta-feira, quando a equipe venceu a fortíssima Franca, equipe tradicionalíssima e extremamente capacitada, pelos preparativos e por nossas convicções terem sido entendidas. Precisamos buscar a perfeição inatingível, mas sempre buscada nesta jornada de aperfeiçoamento constante que é a vida e o nosso campeonato NBB. A prática do basquetebol pode e deve ser considerada uma jornada espiritual, que engloba atividades físicas e mentais. Os valores e princípios universais sempre citados e demonstrados como exemplos são o início e o acabamento, das equipes, das famílias e, principalmente, de cada indivíduo, de cada pessoa comprometida com a vida.

Este projeto, mais denso e inexplicável que qualquer outro, necessita de integridade. Esta é a chave de tudo, que abre as portas, sempre através da voz de nossos corações. Em seguida, não posso deixar de minha crença na persistência daquilo que realmente é benéfico, sempre nos mantendo com determinação constante sobre aquilo que é bom, que vai indo bem. Tudo isso sempre com equilíbrio, valor tão essencial, como o ar que respiramos. Sabedores de que os excessos ou extravagâncias nos desviam do caminho de nossa jornada vital, precisamos nos manter equilibrados, sem exageros em nossas alegrias nem com nossos dissabores. Não poderia terminar sem a virtude que me dá sentido, coloca-me dentro da espiral humana, que é a simplicidade. Precisamos perceber a pureza da vida e adotar a simplicidade para limitar os nossos desejos. Como certa vez ouvi de meu amado pai, Pedro, nunca se leve tão a sério, pois somos células claras e limpas, apenas células deste belíssimo milagre da vida.

Postado por Alberto Bial

A busca pela paz e pela união entre as pessoas

20 de abril de 2009 5

Com minha neta Alice, que nasceu no dia 8
A vida é construída de pequenos afazeres cotidianos. As coisas mais simples são as que edificam e colocam nossos corações e almas todos num mesmo caminho. Não podemos ignorar a nossa própria essência, de criatividade e generosidade, que nos impulsiona como seres humanos. Temos que agir uns com os outros com um pouco mais de acolhimento, respeito e partilha. Essa crise social e ecológica que assola a humanidade tem início dentro da incapacidade de olharmos para nossos próximos como a um irmão. A violência inunda o dia-a-dia pelos jornais e TVs. A exclusão e a indiferença entre nós são terríveis, sem falar nos mais variados tipos de agressões à natureza, lixos radioativos, ilhas desertas repletas de garrafas PETs, animais em extinção e o desprezo pelo ar que respiramos. O meu desejo hoje é lutar por uma sociedade mais justa e igualitária. E aproveito este espaço para falar sobre valores universais, ética e propor o diálogo e habilidades que possam contribuir para a construção da paz nas nossas famílias, comunidades, cidades e em nosso País.

A aproximação dos entes de uma família, despertada pelo nascimento de uma criança, atrai a todos na direção do entendimento e da generosidade para com aquela mãe e filha, que nestes primeiros dias encontram-se em situação de aprendizado, não só por ser o primeiro filho, mas porque precisam aprender a conhecer, aprender a fazer e aprender a fazer juntos, algumas situações naturais e outras novas, em razão das limitações impostas por uma dificuldade física.
Esta união que se cria desenvolve relacionamentos até pouco tempo bem distantes. A solidariedade fará esta família mais unida, mais forte em seus laços afetivos e, por que não dizer, uma socialização benéfica para todos os seus componentes, tanto do lado paterno quanto do lado da mãe. Olha que bênção esta menina linda e cheia de paz traz para os adultos que compõem estas famílias. Todos juntos, num único espírito de fraternidade e num convívio em que o amor e a compreensão se desenvolvem, eliminando os sentimentos excessivamente individuais.

Numa comparação maior, de uma família para com toda nossa humanidade, os pontos de respeito à vida, de redescobrir a solidariedade, ser mais compassivo e preservar o planeta necessitam de reflexões sobre pontos de interesse coletivo, maiores que questões particulares. Os valores e suas consequências devem ser relacionados e exaustivamente valorizados por meio da educação, do esporte, fertilizando o terreno de convivência para a prática do diálogo e da cooperação, criando por todas as partes a cultura da paz, do amor e da unidade.

Falando em buscar a paz, a unidade entre as pessoas em busca cada qual de seus propósitos, nossa equipe se encontra na semana de dois grandes clássicos, como foi no de sexta-feira passada, quando tivemos uma atuação irrepreensível contra o Minas. Franca e Araraquara, duas potências do interior paulista, fazem desta uma semana especial. Ao encontrarmos o caminho de realizarmos uma proposta de jogo muito perto do que acreditamos, enraizando conceitos e filosofias, não podemos mais deixar nossa trajetória escapar deste caminho de luta e de certezas adquiridas na base dos treinamentos e jogos, nos quais todo nosso processo se baseia na riqueza de jogarmos o egoísmo no lixo. Nossas preocupações são muito maiores com o todo do que com nós mesmos. Só com persistência, em todos os sentidos, e busca da compreensão de todos nós, vamos ter êxito nesta eterna luta pela paz e unidade das famílias, comunidades, humanidade e, claro, do basquetebol de Joinville.

Postado por Alberto Bial

As pedras no caminho e vidas que se entrelaçam

16 de abril de 2009 6

Eu nunca defenderei a dor, nem aceitarei a derrota como destrutiva. A dor é o sinal de que algo não anda como deveria, e a derrota é uma situação passageira que deve e tem que ser enfrentada de frente. No momento que não sentirmos mais dor, perderemos a condição de vida humana, e ela tem que ser encarada como a própria vida da vida, que em seu breve transcurso encontramos a fonte do crescimento, o esplendor da criação e a glória de podermos estar sentindo a dor e o gozo pelo hoje bem vivido, fazendo do ontem um sonho e de cada amanhã uma visão de esperança. Falo sobre a derrota de terça, quando nossa equipe demonstrou muito mais dignidade do que, por exemplo, em algumas vitórias. Portanto, este insucesso não é uma pedra no caminho de nossa equipe, e sim um degrau que nos permitirá subir muito mais alto do que podemos imaginar.

Na manhã seguinte ao jogo, tivemos uma sessão de treinamento em que usei a perseverança como tema principal. Considero hoje o perseverar um amigo muito próximo. E as situações de jogo e nossos procedimentos em ações coletivas, tanto defensivas quanto ofensivas, foram ofertados ao grupo, ao mesmo tempo em que exigíamos uma participação na discussão de nossos erros na noite anterior. A experiência me foi uma sábia conselheira e consegui confortar e orientar meus comandados. De forma natural, conseguimos executar ações muito bem organizadas. Fui prudente tal qual um irmão mais velho para limpar e cuidar das feridas que acabávamos de curar, e mantivemos acesa a chama da esperança por meio da fé, que só com um anjo guardião poderia ser mantida nos corações de nossos guerreiros.

Durante o dia, em minhas visitas com meu fiel escudeiro Annibal, coordenador do projeto de iniciação esportiva, senti a necessidade de refletir sobre os encontros que a vida nos reserva. Caminhos que se cruzam a partir de um instante, para realizar algo que transcende nossas inteligências ou respostas óbvias do por que essas duas vidas se encontraram ali naquele momento. Abril de 2008, um encontro especial. Não sei por que entrei no grande shopping, por que cargas d’água resolvi fazer as unhas num salão que pouco frequentava. Fui encaminhado para uma sala no interior do salão, onde já se encontravam mais quatro pessoas, com suas respectivas manicures. Peguei minha revista, dei bom dia a todos e me entretive na leitura. Fui relaxando, cumprindo com minha higiene pessoal.

Em certo momento, fui interrompido por uma senhora superelegante e extremamente bonita e educada, se desculpando por interromper a minha leitura. Era Tania Faltin. O que nos levou a nos encontramos naquela sala, naquele instante, dentro daquele shopping? Não tenho a menor dúvida de que fomos apresentados pela providência. Pois daquele encontro foi possível criar em Joinville um projeto social com núcleos de iniciação esportiva e mais duas categorias de base (mini e o infantil), envolvendo hoje cerca de 800 crianças. Poderíamos dizer que possibilitando a formação esportiva e a educação integral, por meio daquele encontro casual.

Tania, mulher de Gunther Faltin, casal que hoje desfruto da amizade e que temos interesses e visão da vida muito próximos, como o cuidado com os princípios que estão tão fora de moda em nossa classe política, valores que norteiam os relacionamentos de Gunther na liderança da empresa na qual é presidente. A Brascola possibilita hoje uma qualidade de vida melhor para centenas de famílias, além de contribuir com o desenvolvimento de nossa equipe profissional, que representa a cidade.

Aprendi com esta família que é possível, sim, superar os enormes obstáculos através de valores essenciais, e que antes de conseguir o êxito, temos que recusar o caminho da corrupção, da inveja, do ganho fácil e jamais nos sentirmos desanimados nos reveses, pois somos muitos a pensar de maneira autêntica na busca da integridade, formando uma grande onda do bem. Falando como meu grande Gunther, as andorinhas se atraem e voam juntas. Elas não se permitem voar com outra espécie que não seja a sua em busca do bem.

Tantos encontros e vidas que se entrelaçam e criam infinitas possibilidades de sonhos. E como não lembrar nos anos 70, meu encontro com Leila, mulher que me deu sentido na vida, que me fez lutar e buscar de forma incessante meus objetivos. Juntos, tivemos duas filhas e formamos uma família com visão otimista da vida, que hoje aumenta com a chegada de mais um fruto consanguíneo que aterrissa aqui na Terra, sã e salva, pronta para lutar conosco por um mundo melhor, juntos a muitas outras famílias, voando e revoando através das auroras e anoiteceres do mundo.


 

Postado por Alberto Bial

Sempre aprendiz

13 de abril de 2009 16

Mais uma Páscoa, esta cheia de sinais e com seu significado que é o ritual de passagem, marcou com tal intensidade este domingo, 12/4/2009, que posso dizer que, mais do que um aprendizado constante, nossas vidas são pequenos milagres, que ao se juntarem vão nos fazendo entender que o tempo é o mais precioso e enigmático sentido. O temporal pode ser o referencial para sensações dentro de nossas vidas, como as lembranças dos ovos de Páscoa escondidos pelos meus pais em nosso apartamento, ou eu vendo minhas duas filhas procurando pelo jardim naquelas Páscoas em que observava o desenvolvimento delas. E esta Páscoa, junto à minha netinha Alice e toda minha família tão unida e amada, me deixou sem controle sobre meus sentidos.

Como o senhor tempo passa e nós homens não percebemos. E sabemos que o tempo perdido não se recupera nunca e que o tempo dura bastante para aqueles que sabem aproveitá-lo. Esta organização nos dá a possibilidade de termos uma vida produtiva e cheia de propósitos que vão sendo atingidos, ou não, de acordo com o destino de cada um de nós. Mas por que falar tanto sobre tempo, organização e recordações? Porque temos obrigação com nós mesmos em relação ao que fazemos de nossas vidas neste aprendizado constante. Ainda mais para com minha vida, pois tenho esta vocação para ensinar e tentar sempre encaminhar os próximos para situações de crescimento, entendimento e aprendizado, para ter gosto pelo novo, gostar de descobrir. Essas são algumas das situações que o técnico, o professor, o mestre deve estimular em qualquer idade, desde os recém-nascidos até os mais vividos. A cada dia temos a oportunidade de aprender. Como diz o ditado popular, “a vida é um eterno aprendizado”. E a cada dia que se passa nesta medida do tempo, temos a possibilidade de aprender, de abrir nossa mente e nossos conhecimentos, cognitivos ou não. Mas para isso sempre podemos ser ajudados pelos vocacionados na capacidade de ensinar. Na tarefa de um professor e dos bons mestres, vamos multiplicando tudo quase até o infinito.

Amanhã é um grande dia para o basquetebol de Joinville, um tremendo desafio neste jogo que traz a expectativa de todos, torcedores, jogadores, dirigentes, patrocinadores e, por que não dizer, comigo mesmo. Teremos a possibilidade de, pela primeira vez, contarmos com nossa equipe completa, com todos os componentes sabedores da força de nosso adversário, o Flamengo, hoje a melhor equipe do Brasil, campeã nacional e jogando um basquetebol comandado pelo “cracaço” Marcelinho. Este embate dentro do Ivan cria uma situação bem interessante para nosso grupo tão brioso e guerreiro, que após 20 jogos tem a chance de mostrar aquilo em que acreditamos. Com esforço conjunto e trabalho em equipe baseado na confiança de seus atletas, deixando de lado esta praga humana que é o egoísmo, temos em nossa equipe um processo não só esportivo, mas muito mais profundo na busca do desenvolvimento humano, que só o esporte e a educação podem mostrar com exemplos de superação de obstáculos tão difíceis como este que teremos pela frente. Nada é impossível nesta vida de tempo, de aprendizado e de renovação.

Postado por Alberto Bial

Radiosa

09 de abril de 2009 6

Foi esse o adjetivo que veio à minha boca ao ver pela primeira vez a minha neta Alice, no colo do orgulhoso pai, Felipe, formando um lindo conjunto de interação pai e filha, com apenas 12 minutos de vida. Sim, apenas 12 minutos e estávamos assistindo, separados apenas por um vidro, o paizão todo paramentado com a roupa hospitalar em que acompanhou o parto e sua filha envolta num pano branco, já abrindo os olhos e boca, chegando à vida de forma radiante e bela, com energia e luz, portanto, totalmente radiosa.

Alice veio com uma aura de paz, amor e felicidade e aflorou em mim esses sentimentos, que na verdade compõem a essência da vida e são acessíveis a todos que se deixam guiar pela voz do coração. Que sensação! Sentimentos que não podemos mensurar, qualificar ou muito menos quantificar. Eles vêm através de nossas mentes e independem de qualquer fator externo.

Paz, amor e felicidade. Esses sentimentos foram os propulsores de Melina na dura luta de horas e horas para trazer Alice à vida de forma natural. Lógico, com a preciosa ajuda de uma maravilhosa obstetra. Obrigado, doutora Isabela, e obrigado também ao doutor Marcelo. Obrigado, Senhor, que se fez presente neste momento tão importante em nossas vidas, por nos permitir sentir essas que são as forças que nos guiam: sensibilidade pura, instintos, sabedoria divina, inteligência cósmica, tudo para trazer a existência deste poder invisível que fez Alice estar agora junto a nós.

Como não ser grato? É preciso agradecer sem restrições e investir todo nosso ser no nosso melhor, sem esperar nada em troca. Vida radiosa, um milagre tão claro e na qual tantos e tantos sentimentos nos passam despercebidos. Mas hoje preciso reverenciar a vida por me permitir a oportunidade de exercer o ser que na verdade somos, e agradecer a todos por me fazerem sentir e perceber que, com simplicidade, todos juntos somos com inteireza e compartilhamos esta viagem existencial dentro desta nave radiosa rumo à eternidade.

Alice, com seu corpo lindo e perfeito, com essa mente humana que tão pouco é explorada, mas que eu já desejo a ela que use muito o hemisfério do pensar e possa se desenvolver nesta espiral que ela passa a fazer parte, mas desejo que utilize muito mais o hemisfério direito, o do sentir. São as sensações que nos permitem ouvir nossos corações e estabelecer relacionamentos puros. Que em seus primeiros dias de vida, Alice possa sentir a bênção Dele ao deixá-la junto à Melina e ao Felipe, o casal do amor, o casal que a recebeu com tamanho interesse e confiante de que o papel de criar, cuidar e educar é um compromisso com nosso aprendizado constante de viver. Sentindo nossas sensações e entendendo nossos sentimentos e emoções, reconheçamos nossos relacionamentos como a maior das bênçãos, sem arrogância e com muita humildade.

Obrigado, minha mãe, obrigado, minha Leila, obrigado, “mormão”, obrigado, Marcela! Obrigado, Senhor, por mais esse dia, mais essa possibilidade de retornar ao convívio de minha  equipe – ou meus irmãos mais novos – para enfrentar os desafios. Sigamos com coragem, desprendimento e iluminados por esses sentimentos que foram tão intensos, que mal consigo pensar. Mas não tem problema, pois posso sentir e estabelecer uma troca com meus bravos companheiros que formam nossa equipe radiosa. E que ao sermos menos egoístas e mais altruístas em nossos procedimentos diários de treinos e jogos, possamos todos juntos aprimorarmos nossos caminhos guiados pelo virtuosismo, que é a junção dos talentos de nossos queridos componentes do basquetebol de Joinville com esse esforço árduo e dedicado, e assim continuarmos a construir nossa história coletiva.

Que o contexto familiar do qual participo, agora acrescido de nossa querida Alice, entenda esta possibilidade de constatar o essencial. E que a busca pela esperança, pela paz e pela felicidade faça de todos nós mais compassivos e solidários para compartilhar esta grande aventura que é viver. Obrigado por existir, obrigado por existirem, obrigado eterno do amigo Bial!


 

Postado por Alberto Bial

Vaivém

06 de abril de 2009 3

Aeroporto de Confins, voo atrasado, movimento grande, o vaivém de pessoas elegantes e apressadas, e eu sentado vendo a vida passar, aguardando o momento de embarcar com pelo menos uma hora de atraso. Mas o que é o atraso num dia de folga? Nosso próximo compromisso é na quinta-feira. Nossa última semana foi tão intensa e dura, com dias repletos de treinamentos, jogos, palestras, estudo de adversários, viagens, troca de hotéis. É o cotidiano das equipes que participam do NBB, a competição nacional mais equilibrada e de nível técnico com crescimento contínuo, neste ano que marca o resgate do basquete brasileiro.

Belo Horizonte, as alterosas, o pão de queijo, o jeito cantado de falar mineiro, tudo se mistura nesta manhã de dor e alívio. Sim, os paradoxos de sentimentos tão distantes estão próximos. Olho para frente e vejo nosso esquadrão unido como sempre, conversando e aguardando o momento de novamente entrar em ação. Todos aproveitando esse momento de reflexão conjunta, no constante vaivém, mas buscando a centralização de nosso processo no desenrolar desta pequena turnê pelo Sudeste brasileiro. Como me orgulha o procedimento desses soldados, jogadores, discípulos, atletas, acima de tudo comprometidos com esta causa que nos move em direção à excelência, que não pode nunca ser alcançada, mas que é ininterruptamente nossa busca.

As vitórias vieram de forma natural e conquistadas com extrema consciência e nenhum deslumbre em solo capixaba. E a derrota ontem em Minas trouxe o gosto de fel em minha boca, gosto este já assimilado. E novamente escrevo meu compromisso matinal de todas as segundas e quintas-feiras, que tanto me ajuda nesse exercício vital de viver a vida e conduzi-la com responsabilidade sobre ela e suas manifestações de multiplicação de ideias, exemplos e experiências, para a nossa evolução diária.

Domingo, fui procurado por dois jovens basqueteiros, que manifestaram a importância de palavras ditas por mim em alguns programas de TV e frases ouvidas durante jogos, junto com outras tiradas de alguma escrita sobre a visão de vida esportiva. Essa manifestação e também carta recebida pelo meu bom novo amigo Edson Figueiredo – que se ausenta por alguns dias de suas funções de preparador físico de nossa equipe para representar o País junto à Seleção Brasileira de Futebol Feminino numa viagem a Europa – tocaram meu coração e me fizeram ver o quanto nós podemos ao proclamarmos nossas experiências no mundo esportivo.

O esporte é muito importante na nossa formação e em nosso crescimento mental, espiritual e, principalmente, de formação integral de nosso caráter. Lógico, manifestações recebidas por essas três pessoas me permitem reagir de forma positiva a um golpe duro sofrido e assimilar, graças a essa troca. E o que é a vida senão trocas contínuas de sentimentos, informações e conhecimentos, que possibilitam a todos a capacidade eterna de formarmos esta atmosfera? Atmosfera não de provocação, e sim de colaboração; não de mentiras, e sim de verdades; não de morte, e sim de vida. Vida que vai e vem por esses bilhões de anos da Terra e tantos milhares de anos com vida humana, que pulsa e renasce neste vaivém tão lindo quanto o nascimento e desenvolvimento deste milagre do vaivém mutante de nossas vidas!

 

Postado por Alberto Bial

Sorteio de camisa no próximo jogo

04 de abril de 2009 3

A Ciser/Araldite/Univille vai sortear uma camisa oficial do time no próximo jogo em casa, dia 14, contra o Flamengo. Para participar, é só deixar uma mensagem de incentivo no perfil do “Basquete de Joinville” no Orkut. Os recados estão sendo encaminhados para o grupo, que está viajando o Brasil numa maratona de cinco partidas fora – já foram dois jogos e duas vitórias e neste domingo a equipe enfrenta o Minas, às 17 horas. Não esqueça de colocar nome completo no final da mensagem!!!

Postado por Basquete de Joinville

Simplesmente feliz, focalizado e com muita fé

02 de abril de 2009 4

Esta feliz coincidência de um tripé de efes estimula ainda mais a prosseguir a caminhada junto à nossa equipe, que de forma surpreendente para muitos, segue desenvolvendo sua participação no NBB, conquistando esta 13ª vitória suada, conseguida numa reação espetacular. Por que cargas d’água não externar este momento de felicidade, por que esconder os nossos sentimentos? Esta pergunta e outras tantas dúvidas não me abalam, e sim estimulam a buscar a felicidade. Estou simplesmente feliz por estar trabalhando em conjunto com jovens talentos, buscando incessantemente mostrar o caminho do bem. É de muito importância uma equipe de competição ter entre seus componentes a noção exata de que o treinamento desportivo, na busca de um melhor condicionamento físico-técnico, tem que ser acompanhado de uma inter-relação intensa, baseada na confiança e responsabilidade com seus companheiros. Isso é o que faz a diferença em um time comprometido com as vitórias e, muito mais, com as questões sociais, que começam na possibilidade de formação e aperfeiçoamento do caráter de cada homem de nossa equipe. Não podemos ficar imobilizados neste momento. Pelo contrário, no nosso microcosmo de vida, de forma tenaz e valente, precisamos tentar sempre melhorar, fazendo de nosso trabalho a busca pelo melhor. Se cada um de nós, através de nossos atos e pensamentos positivos, juntarmos forças e ideais justos e coerentes, iremos, lógico, para um caminho com mais pessoas simplesmente felizes.

O segundo efe do título, a focalização ao redor daquilo que nos alimenta, passa pelo desapego da vaidade, para estarmos totalmente focalizados neste momento, jogando no lixo pequenos obstáculos, como o cansaço, a inveja – mal que assola os incompetentes e pobres de espírito – e tantas outras coisas que tendem a nos desanimar. Dar atenção total ao momento atual é energizante e nos permite controlar a realidade ao nosso redor. Apego-me com todas as forças a esta energia maior, a esta incrível força que movimenta e dá vida ao todo, e acredito com toda a minha fé que agindo assim, o poder pessoal e a paz interior me permitirão agir em harmonia com o tempo.

Foco, felicidade e agora o terceiro efe: a fé, a luz que nos dirige. Acredito em milagres, mas não fico esperando por eles. A fé não pode ser retirada de nossos corações, é um presente que nos permite agir e respirar. A fé nos leva à verdade, ilumina e clareia. Por que não proclamar e repetir “tenham fé, busquem a força daquela que aplana montanhas e enche os abismos e está dentro de cada um de nós”? E não precisa ser, nem pertencer a nenhuma doutrina ou religião. Pode ser até um cético, mas acredite, a fé é um presente que possuímos e ela deve ser sempre acreditada, utilizada para proporcionar a todos lembranças e resgate de algo tão importante que já foi dito há mais de dois mil anos. Beijos e gratidão eterna a vocês, inclusive a você Alice, minha neta tão esperada e tão bem-vinda.

Postado por Alberto Bial, Joinville