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Posts de maio 2009

Transformar e viver

29 de maio de 2009 7

Torcedores no último jogo: exemplo de respeito e civilidade

Respeitar a vida e a dignidade de toda e qualquer pessoa, não prejudicar ninguém e muito menos discriminar o próximo, por qualquer tipo de diferença na cor ou nas suas ideias. Poderíamos dizer que esta seria uma das leis que norteiam os caminhos de nosso projeto no basquetebol de Joinville. E enxergamos isso na última terça-feira, no comportamento de respeito de nossos torcedores e na honra com que nossos atletas manifestam suas potencialidades, conseguindo atrair e criar esta realidade no cotidiano de nossa convivência com a comunidade e com nossa fiel torcida.
Transformar em realidade uma praça de esporte com quase 3 mil pessoas torcendo e convivendo na mais perfeita ordem, com paz e entendimento para com o adversário, além de não haver nenhum sinal de violência, repelindo-a de todas as formas, física, moral ou psicológica, deixa-me tranquilo, com a certeza de que uma pequena transformação está acontecendo no basquetebol brasileiro.
Mesmo que a recíproca não seja verdadeira nas nossas saídas, principalmente em centros maiores, que se revestem de símbolos não-reais para praticarem violências, na tentativa de humilhar o oponente, precisamos nos manter fiéis a nossos valores, inserindo-nos em um marco de respeito e construindo num terreno fértil, que é a nossa cidade, valores fundamentais na igualdade e justiça social.
Sim, só dentro de uma cultura esportiva, podemos exigir a participação de todos os envolvidos, jogadores, dirigentes e torcedores, para formarmos um mundo mais digno e harmonioso, com justiça, paz e prosperidade. A missão de construir uma sociedade dentro de princípios esportivos e trabalhando na educação integral, onde o respeito seja constante, é a semente lançada pelo basquetebol de Joinville. E isso me possibilita acreditar num processo de construção de um mundo mais igual e justo, mais ou menos da forma como todos sonhamos.
Estou vivendo e praticando minha profissão numa competição que tem o novo no nome, e nosso projeto também é inovador. É hora de tentar mudanças significativas, através de rejeição completa à violência e buscando cada vez mais dar e contribuir com a parcela que lhe for possível para colocar um menino no caminho do esporte, dando-lhe a auto-estima necessária para viver melhor a vida.
Nosso ginásio foi e sempre será um exemplo de civilidade e um espaço de alegria e confraternização de nossa sociedade. Por isso mesmo, espero nesta segunda-feira, no jogo 4, mais uma festa de educação e paz. E que possamos retribuir com um resultado melhor ainda, com a possibilidade de brindarmos todos, mais do que uma grande participação, também uma grandiosa vitória.
Os meus agradecimentos a todos, principalmente a nossos valorosos atletas, que carregam esta bandeira da luta limpa e digna, com os milhares de aficionados que entenderam esta oportunidade de se estabelecer uma nova relação com os outros e alimentar-nos juntos, como em comunhão, pelas vitórias nas quadras e na vida.

Postado por Alberto Bial

Dia especial

26 de maio de 2009 22

Hoje é um dia especial para Joinville e para o Brasil. Começam as semifinais do Novo Basquete Brasil (NBB). Temos um jogo duríssimo esta noite, quando iniciamos uma série decisiva contra o Flamengo, atual campeão brasileiro. Será uma partida muito difícil, a exemplo da outra semifinal, entre Minas X Brasília. Serão dois confrontos que prometem muita emoção. Quem ganha com isso é a modalidade, são os profissionais do basquetebol brasileiro.

 

Postado por Alberto Bial

50 anos de basquetebol:do Mundial 1959 ao NBB 2009

25 de maio de 2009 5

Cheguei ao Fluminense em 1959 e fui apresentado ao esporte. Em minha memória, foi este o ano de meu nascimento, pois os registros estão em minha mente com muita clareza: o lotação que me levava de Ipanema até Laranjeiras, bairros da zona sul do Rio de Janeiro, o incrível amor que se estabeleceu com o Fluminense Futebol Clube, os treinos diários naquela piscina no coração do clube, o despertar para o futebol e o esporte em geral, os primeiros amigos feitos neste meio (Quadros e Lago) e o despertar da consciência de uma vida que passou a ser dedicada totalmente para o esporte.

As lembranças da família naquele longínquo 1959 são de pai e mãe se desdobrando no amor para com os filhos. A partir da minha inclusão na equipe de natação do Fluminense, meu pai encontrou no Tricolor seu segundo lar, passando a acompanhar todos os jogos de futebol e as minhas braçadas nas piscinas do Rio, nas competições oficiais de petizes e infantis. Minha mãe me conduzia naquele trajeto de aproximadamente uma hora no translado de casa ao clube e acompanhava todo o treinamento, que consistia em nadar 1.500 metros diários, metade só na batida de perna, com aquela pranchinha de madeira inesquecível para mim. Meus irmãos são a lembrança de complemento de uma família que me dava total segurança e um sentimento que só depois fui descobrir, que era o do profundo amor existente naquele núcleo familiar. Pedro, com um ano de idade, e Irene, já adolescente e fazendo o papel de uma segunda mãe.

O Fluminense passou a ser minha segunda casa. Na época de férias, treinava duas vezes por dia e ficava na casa de algum amigo, pois todos moravam nos arredores do Flu. Assim, passava a almoçar e brincar entre os dois momentos de treinamento. A volta para casa, na maioria das vezes, era com pai e mãe na Kombi, primeiro veículo motor da família. Na convivência diária no clube da infância e adolescência, passei a conviver com os meus ídolos, como Zezé Moreira, técnico de futebol, Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Altair, Telê Santana, campeões do primeiro Estadual que acompanhei, em 1959, e que jogaram por muitos anos juntos, defendendo o Tricolor. Um de meus amigos, Sérgio Roberto, tinha uma madrinha, dona Babei, que nos levava algumas vezes para a casa dela, em Copacabana, onde ficávamos em contato direto com os craques do futebol, que eram íntimos da família.

Hoje eu identifico que, quando fui levado ao esporte, foi algo maior do que apenas uma prática esportiva ou formação de um atleta da natação ao basquetebol. Foi a minha vida transformada na condição de esportista. A jornada de minha vida era uma jornada esportiva. Por isso, neste meio século, com idas e vindas, com as mais diversas condições de desenvolvimento pessoal e as dificuldades pelas quais todos passamos nessa trajetória tão linda, tenho a certeza que tudo o que aconteceu, a possibilidade de amar a vida como eu amo, decorre de ter sido incluído no meio esportivo. O esporte foi o meu sinalizador dos caminhos livres e iluminados e, nos piores momentos, me resgatou e me deu forças para prosseguir nesse que é o maior bem que podemos ter como pessoas, que é o de estarmos vivos como seres humanos.

No ano de 1963, o Brasil jogou o Campeonato Mundial de Basquete no Rio de Janeiro. No ano de 1959, havia se sagrado campeão mundial no Chile, a primeira conquista de nossa seleção masculina adulta, que realizava muitos de seus treinamentos no Fluminense. Foi o bastante para eu largar a natação e me dedicar exclusivamente ao basquetebol. Amaury, Rosa Branca, Mosquito, Wlamir e Ubiratan do meu lado, conversando comigo. Eu pegando a mesma bola que o Rosa iria converter em arremesso de chuá, o malabarismo de Mosquito e Wlamir bem na minha frente e a elegância daquele careca espetacular, Amaury, que parecia jogar de fraque e cartola tal qual sua postura de embaixador do basquetebol, me enfeitiçaram definitivamente.

Brasil, bicampeão no Maracanãzinho lotado de pessoas cantando as músicas da época, marchinhas, sambas, alegria total, e o esporte da cesta invadindo o meu coração numa contaminação saudável, que me move até hoje na luta pela modalidade em si e em toda a sua potencialidade, que durante os jogos é quase uma imitação de nossas vidas.

Década de 60, senti o gosto pelas vitórias. Fui campeão inúmeras vezes na cidade, no Estado, campeão brasileiro juvenil, experiências que marcaram definitivamente meu processo de amadurecimento e escolha vocacionada para a educação por meio do esporte, com o ingresso na faculdade de educação física no começo dos anos 70. Em 1970, o Brasil foi vice-campeão mundial na Iugoslávia. Eu de radinho de pilha ouvindo meus amigos Sérgio Macarrão e Marquinhos, numa conquista inesquecível para mim, pois já estava totalmente inserido na comunidade do basquetebol. Em 1976, Brasil foi terceiro melhor do mundo, com cesta de Marcel contra a Itália do meio da quadra. Eu ainda acompanhando pelo radinho e com possibilidade de ver na TV o videotape do jogo. Ano de 1987, na TV, ao vivo e a cores, o extraordinário Pan-americano de Indianápolis, quando Oscar e Marcel arrebentaram com os americanos capitaneados pelo Almirante David Robinson, que depois brilhou intensamente na NBA.

Recordações, lembranças e observação atenta aos caminhos do basquetebol. Se olharmos atentamente, percebemos que, neste 2009, o NBB é um fato novo e muito rico para o basquetebol, pois desperta mais atenção e principalmente resgata a responsabilidade e consciência daqueles que realmente fazem o basquete brasileiro. Amanhã, começam as semifinais do campeonato brasileiro mais empolgante da história. Em seguida, o Brasil busca em agosto classificação para o Mundial da Turquia, na Copa América. Cinquenta anos depois do seu primeiro título, onde estamos, para onde caminhamos? Dúvidas, mas também certezas, como a de que temos em nosso País condições totais de entrarmos num caminho de desenvolvimento expressivo a partir do NBB, unidos e de forma organizada. Passando por uma adequação de metodologia no aprendizado e no treinamento de nossas equipes, da iniciação ao alto nível, após 50 anos temos a certeza de que o basquetebol faz parte de nossa cultura esportiva. Todos devemos acreditar e trabalhar de forma conjunta, sem preconceitos, com tolerância e abertos para linhas de comunicação com o mundo, para fazermos o melhor do basquetebol brasileiro.

 

Postado por Alberto Bial

Desafio igual a oportunidade

23 de maio de 2009 9

O que passa a ser determinante neste momento pelo qual passa a nossa equipe de basquetebol de Joinville? Resignar-se, dar-se por satisfeito por ter avançado até um de seus objetivos, laurear-se e festejar a vitória na série de quartas-de-final, ou olhar para o horizonte e caminhar em direção ao próximo desafio com destemor e compreensão de que a caminhada não pode ser interrompida jamais? A inércia imobiliza, e nós somos energia, que precisa de renovação constante.

Estamos felizes por avançarmos à semi e conquistarmos a possibilidade de jogarmos, por enquanto, duas competições internacionais (Sul-americano de Clubes e Liga Sul-americana). Muito bom estarmos percebendo esta alegria e sentindo as emoções da conquista de quinta-feira, quando este pequeno grupo de pessoas engajadas mudou alguns paradigmas estabelecidos. Mas esse processo tão bonito de certa forma já é passado. Agora temos de fazer algo diferente, descomplicar, olhar para dentro e se preparar, ajudando-nos uns aos outros a ponto de termos serenidade, coragem e, através de nossos relacionamentos, garimparmos mais este desafio que se inicia na terça-feira (26).

A partir de hoje, vou mostrar com clareza absoluta o que queremos alcançar e mostrar que a nossa motivação é pura e sincera. Por isso mesmo, as nossas ações vão ser os foguetes propulsores de todo o resto que vem por aí.
Minha experiência me diz que neste momento temos de ser movidos por algo maior do que algum tipo de necessidade simples, como rendimento, assegurar nossa sobrevivência ou realizar a série apenas como algo que se apresentou no nosso trajeto. Dentro daquilo que acredito, do que já experimentei, este momento deve ser vivido com intensa alegria, e não realizarmos as coisas como na série semifinal do ano passado. Devemos alterar pequenos pensamentos, com ações novas que estimulam o dar e receber nesse que é o maior tesouro de nossa equipe: o relacionamento.

Não dá para conquistar resultados diferentes contra esta grande equipe que enfrentaremos, se não houver uma mudança dentro de cada um de nossos componentes. Com mudanças pequenas, num estado de consciência tranquilo e dando um mergulho no silêncio, a verdade nos levará ao caminho desejado. Com os guerreiros Espiga, Shilton, Douglas e Fábio entrelaçados juntos aos nossos mágicos Manteiguinha, André, Adriano e Williams e unidos como fios de uma mesma teia no lado místico de Jefferson, Augusto, Tiagão e Jimmy, queremos deixar a nossa marca no basquetebol brasileiro e registrarmos a nossa competência num sentido positivo, utilizando nossos potenciais e superando nossas limitações. Sempre entendendo-nos uns com os outros, conhecendo as nossas diferenças e procurando mudar a si mesmo, para aí sim apoiar e ajudar a transformar os nossos destinos.

Todos nós temos agora este profundo desejo que nos impulsiona, tal qual quando começamos em nossos primeiros sonhos, que passaram a ser planejados e executados com imensa vontade de acertar e com dedicação máxima de todos, durante nossas realizações e atos que nos possilitaram as 24 vitórias em 31 jogos até agora. E com essa forma de acreditar no que é correto, na busca da verdade, sairemos juntos em busca de três vitórias que nos levarão à finalíssima. Sim, três vitórias que estão estabelecidas, mas precisam ser registradas em nossos destinos uma a uma, caminhando, crescendo e amadurecendo de forma inabalável e determinada.

A esperança e a fé são nossas, ninguém pode tirar de nós. Não gosto de ilusões. Conheço nossos limites e sei das imensas dificuldades que temos pela frente, mas, convicto e cheio de gratidão a todos e ao Todo, prosseguiremos em nossa viagem de descobrimento e na busca de algo tão grandioso, que me deixa com o coração transbordando de alegria e satisfação.

Postado por Alberto Bial

Da alma para a quadra

17 de maio de 2009 14

Estar sob pressão, com a necessidade de conduzir um grupo de pessoas rumo a excelência e entender a mecânica do jogo de ontem, tanto as situações positivas quanto reconhecer alguns erros. Tudo isso se mistura a uma sensação de compreensão sobre relações humanas, o colocar-me na pele de meus atletas para tentar entendê-los e ter a percepção exata deste momento. Tudo isso é motivo de atenção e possibilidade de crescimento pessoal para superar aquela sensação de solidão, que acomete a mim sempre que precisamos reverter os reveses em vitórias.

Acabo esta introdução e toca o telefone. Que delícia ouvir a voz de meu irmão, poder desejar a ele um ótimo domingo, ouvir palavras de incentivo, saber que somos queridos por muitos e ainda acreditar nos sinais de que as manifestações entre as pessoas são aquilo que realmente importam e dão valor a nossas vidas.

Aeroporto fechado em Curitiba e a necessidade de aguardarmos três horas no moderno aeroporto de Viracopos, em Campinas. Nada melhor do que pegar um bom livro e ocupar a mente praticando o exercício da leitura. Mas preferi rabiscar estas linhas, quem sabe antecipando o post de todas as segundas-feiras. Otimizar o tempo, buscar preencher o coração com algo que possibilite compreender um pouco mais o que sou, definir o que investir nas relações com meus atletas e também processar com mais rapidez esta sensação de vazio e tristeza, que não é o que desejo neste momento e em nenhum outro.

Minha mente só consegue expressar e comunicar a direção das ações para o jogo de amanhã e a continuidade da série, por meio de conteúdos vindos da alma, de forma espontânea, natural e afetiva. E esta escrita, volto a dizer, está possibilitando um reencontro com a luz e com os sinais tão evidentes da pureza d’alma no contato com o divino. Por isso mesmo, neste tempo de espera, consigo já agora visualizar o melhor para nossa equipe, para trazer à tona novamente, no treinamento do fim da tarde, nossa posição conquistada durante toda a fase de classificação, que é de praticar um basquetebol dinâmico, simples e moderno.

O incômodo da derrota não vai mudar em nada minhas convicções. Mais do que isso, fortalece nos meus sentidos a certeza de que a chave de tudo está na proposta de buscarmos agir de forma íntegra, independentemente de fatores ou circunstâncias às vezes sórdidas, sempre com honestidade, vontade de atingir os resultados com o esforço constante de realizarmos situações treinadas e com a busca de entendimento irrestrito.

Mais um telefonema interrompe meus pensamentos rabiscados. Que telefonema gostoso! Cheguei às lágrimas tal o grau de emoção sentido ao ouvir minha querida filha Melina, mãe recente de Alice, num passeio matinal com sua mãe Leila, amor da minha vida. Que bênção ouvi-la dizer que Alice está me mandando beijos. Vejo e percebo mais uma vez que é isso que nos conforta e dá motivação para exercer nosso trabalho ainda com mais satisfação e empenho.

Jogo 2, amanhã, segunda-feira, às 20 horas. O que é o tempo, como entender a velocidade e a passagem deste, quando num piscar de olhos estamos no centro de uma série de playoff extraordinária? Sim, espetacular. Jogando em menos de dois anos de projeto com o campeão paulista, em um confronto muito bem jogado. E agora faremos valer aquilo conquistado no desenrolar da competição, a vantagem de realizar maior número de partidas como o nosso mando de quadra. Amanhã, na volta do Espiga, a motivação de todos nós é grande. Além de superar esta barreira chamada Limeira, outro motivo que a mim estimula de forma incisiva é mostrar para aqueles homens mórbidos que o retiraram da primeira batalha, que são eles nossos mestres na virada que se inicia amanhã.

Aproxima-se do meio-dia, a espera será agora um encontro familiar. Luisão achou um restaurante no segundo piso e iremos todos juntos almoçar aqui no aeroporto. Não era o previsto, mas é assim que eu gosto, as interferências do clima, as circunstâncias fazendo com que nos adequemos a uma nova realidade. Estamos unidos, comungando juntos de mais uma refeição para, em seguida, eu ler para estes brilhantes atletas que embarcaram comigo nesta viagem, acreditando e lutando juntos por um ideal.

Batalha, revolução, idealismo, inconformidade, luta e entendimento entre todos. Palavras que resumem a semana que começa neste domingo. A cada passo dado, nos transportaremos para a evolução, para concretizar uma de nossas metas de forma que possamos dizer juntos que lutamos e aprendemos uns com os outros os ensinamentos deste milagre simples e sutil que é estarmos – eu, Luisão, Espiga, Edson, Shilton, Jefferson, Olívia, Andrés, Augusto, Fábio, Douglas, Fabiano, Adriano, Antwine, Tiagão, Jimmy, Rômulo, Romário, Barrueco, Lélo, Sandro, Silvério e Válter – todos juntos e unidos!

Postado por Alberto Bial

Momentos decisivos

14 de maio de 2009 4

Quinta-feira cinzenta em Porto Alegre. Manhã fria de outono. Sete e quinze, acordo e olho pela janela: chuva fina, os prédios e a igreja com arquitetura que poderia dizer que amanheci em Buenos Aires. Porto Alegre, Brasília, Assis, Rio de Janeiro e tantas cidades percorridas nesses três meses de fase de classificação do Novo Basquete Brasil (NBB), concluída ontem à noite, com uma vitória sobre Lajeado. Foram 21 vitórias, sete derrotas, quase 80% de aproveitamento nos resultados. Somos a equipe que menos pontos levou e, por mais um ano, temos a melhor defesa da competição nacional.

Reflito e posso afirmar que construímos uma equipe sólida, consistente, leal para com as propostas estabelecidas e, acima de tudo, coerente com nossas estratégias definidas em nosso processo de preparação, incluindo durante a competição. Uma equipe centralizada e focalizada, dentro de um padrão de pensamento que nos fez agir – e, quando necessário, não agir – de forma simples e objetiva. Deste modo, acertamos mais do que erramos e conquistamos a quarta colocação no geral, dando um ânimo muito grande para os momentos decisivos que se iniciam sábado.

Os noveleiros adoram quando chegam os capítulos finais, a conclusão de uma história. E assim acontece quando começam as séries de playoff. Uma equipe segue célere para próxima fase e a outra se despede. Mata-mata, viver ou morrer. A equipe que consegue três vitórias credencia-se para avançar e continuar na luta pelo final feliz, pelo happy end.

Como não lembrar do calor insuportável do mês de janeiro. Treinamentos que exigiram esforço máximo, coordenação de nossas forças para que pudéssemos, nesses 28 jogos, manter um convívio com o mínimo de conflito e o máximo de efeito. Pudemos usar toda nossa capacidade de execução do planejamento em viagens, hotéis, treinos e jogos nos mais diferentes locais, usando aquela que é a alavanca, a propulsão exata dos ciclos da vida. Tudo ao seu tempo, sem podermos acelerar, já que somos como um rio, que em alguns momentos vira um oceano e em outros, em suas guinadas de curvas, subidas e descidas, chega a virar um filete de água e depois prossegue caudaloso, flexível e generoso como a água, até desaguar no seu destino, sem precisar de defesa, pois somos flexíveis.

Maio, ciclo novo. Avançamos para duas séries decisivas, quartas e semifinais – ou ficamos nas quartas. Pelos preparativos desta jornada, quando maio estiver no final, acredito que estaremos nos dirigindo para a finalíssima. Sim, penso positivamente. E estamos muito perto de concretizar alguns sonhos que se tornaram realidade durante as primeiras etapas.

Precisamos atuar nos próximos confrontos atentos e perseverantes a cada jogo, vislumbrando sempre nossa atuação partida a partida e, em nenhuma hipótese, maquinar a série num todo. A vida, sábia conselheira, nos mostrou que nos confrontos entre duas equipes não devemos ir depressa demais, mas sim saborear a possibilidade de cada jogo. E assim estamos nos preparando para o jogo número 1 dos playoffs, neste sábado, 21h30, em Limeira.

O calor passou, sentimos a passagem do verão para o outono, o inverno se aproxima e continuamos caminhando passo a passo, através da luz do sol, do piso escorregadio da chuva, da tempestade que despenca agora sobre a cidade. Mas sabemos que o sol voltará a brilhar nessa nossa trajetória. Felizes, estamos avançando e acreditando num futuro cheio de esperança. Sabemos dos riscos e dificuldade que irão ser apresentados à nossa equipe, mas preferimos continuar lutando e sonhando com o que tanto amamos: jogar basquetebol.

Continuaremos acordando cedo e trabalhando até tarde para encontramos o nosso tesouro, que está nos esperando. Portanto, seguiremos colocando em prática nossas convicções, nossa fé e voando sempre juntos como os gansos selvagens na migração para aquele solo fértil e puro que saímos em busca no começo de nossa viagem.

Aproveito o último parágrafo deste post para agradecer a todos que acompanham essas publicações, aos comentários tão motivadores, que me fazem acreditar que foi uma iniciativa pródiga escrever as coisas de nossa vida durante a competição. Fico feliz em estar comunicando, transmitido vivências e, principalmente, tendo a oportunidade de aprender e experimentar coisas novas.

Postado por Alberto Bial

O primeiro passeio

11 de maio de 2009 5

Sábado, Alice completou um mês de vida. Este despertar para uma nova jornada concretiza o que já foi um sonho. Sonhei muito com a possibilidade de ter uma neta, que dará continuidade à minha família. Sonhei muito em ver minha filha feliz e construindo aquilo em que eu mais acredito. Concretizar um sonho é a melhor e mais doce parte de nossas vidas. É aquele momento em que cada um de nós é mais si mesmo. O tempo pulsando e eu caminhando com Alice em seu carrinho pelo bairro que tanto amo. Acima de mim, um céu azul, uma brisa mansa me envolvendo e meus olhos se deleitando com aquela manhã perfeita. Minha neta e eu formamos um conjunto ao iniciarmos nosso trajeto em direção à praia de São Conrado.

Reverenciei a vida a cada passo, olhando com gratidão incondicional para cada pequeno arbusto e para o oceano deslumbrante. Cumprimentava cada ser humano que cruzava olhando o bebê, interagindo de forma tão gentil. Alguns exclamando “que bonitinha!”, ou “tão pequenininha!”, ou enaltecendo sua beleza e sua calma. A comunicação entre avô e neta é feita pela linguagem cósmica, a linguagem dos sentimentos, que torna possível comunicarmo-nos na sensibilidade, que tem em nossos instintos seu primeiro estágio. A relação de uma vida humana de apenas um mês com a minha vida de 56 anos percorridos é sustentada por esse fio que nos mantém atados à corrente poderosa da vida.

Caminhamos, paramos na sombra daquela amendoeira e continuamos a caminhar, percebendo a luminosidade do dia e também a estrutura física da cidade do Rio de Janeiro, com falta de acessibilidade em alguns pontos e falta de cuidado com o lixo, muitas vezes jogado sem preocupação ecológica, como aquele riacho que corta o bairro. Encontramos esse contraste de edificações muito modernas junto ao verde tão espetacular da mata atlântica beijando o Oceano Atlântico, junto com o desprezo dos homens quanto ao lixo e à preservação de nosso planeta.

Três horas depois, já chegando a hora da amamentação, mamadas estas que alimentam quase 50 gramas por dia o bebê e lhe dão o afeto necessário para o crescimento físico e espiritual, percebido nestes primeiros meses de forma muito clara: o olhar, o pequeno sorriso, o peso corporal, o desenvolvimento total do corpo, mente e seu espírito.

A grandeza daquela manhã de sábado, os tesouros tão claros à minha volta e a possibilidade de, após aquelas poucas horas, me encher de motivação para fazer da minha vida o melhor que eu puder dela. E nisso se inclui o momento tão denso que é o mês de maio, que dá início à primeira e à segunda séries, ou seja, as quartas e semifinais do Novo Basquete Brasil (NBB), para definir nosso caminho rumo aos nossos objetivos tão claros desde o começo de nossa trajetória na temporada 2008-2009. Caminho que sempre acreditamos que poderíamos completar até o pódio. Pensando sempre que podemos alcançar. Pensando e agindo positivamente para alcançar a final, que assim como o primeiro passeio de Alice, foi sonhado.  Esse sonho se aproxima de forma clara e estou convicto de que teremos a primeira final de Brasileiro para o basquetebol de Joinville. Lembro a todos que se nós pensarmos que podemos, ou que não podemos, de qualquer maneira estaremos certos. Por isso mesmo, meu pensamento é de que estaremos na final do campeonato.

Como no passeio de carrinho com o bebê, o campeonato também me mostrou crescimento, vida plena e relacionamentos em jogos e reuniões muito dignos, promovendo de forma responsável o basquetebol de Joinville, assim como o basquetebol brasileiro. Mas também como no passeio, há alguns problemas que precisamos equacionar, como o lixo e barreiras no caminhar, no sentido de contribuirmos cada vez mais com o desenvolvimento humano, com princípios democráticos, para criarmos realmente um basquetebol moderno. Por isso mesmo, minha indignação tem que se transformar em alguma solução. Não quero combater nosso agressor com agressão, e sim estabelecer uma nova relação com o outro e alimentar a discussão aberta, seguindo uma tendência ao respeito mútuo, caminhando todos juntos para um amanhã melhor.

Nesta manhã de segunda-feira, quero deixar meu manifesto de busca de maior generosidade entre todos, do basquetebol ou não. A generosidade não é um dever, tampouco é regida por leis, mas sim fruto da nobreza de caráter. Uma virtude que nos faz sentir parte de algo maior do que nós mesmos, do que nossa família ou do que nosso basquetebol. Ela nos humaniza e nos mostra que somos todos iguais no essencial, na busca pela felicidade, pela paz e pela justiça. E como hoje, dia 11/5/2009, nossa santa Abigail recebe o título de cidadã honorária de Joinville, fique aí o exemplo de desprendimento e bondade desta santa. Sim, santa Abigail, que não está canonizada pelo papa, mas nós, do basquete de Joinville, não temos a menor dúvida de que ela modificou nossas vidas de maneira contundente e santificada. E seremos sempre gratos e buscaremos seguir seus exemplos para sempre, em busca do sentido mais claro do que é o viver.

Postado por Alberto Bial

Liderança

08 de maio de 2009 2

Eu tinha dificuldade de confiar nos homens. Até os meus 20 e poucos anos, a relação com as pessoas era de total desconfiança. Achava que os homens, principalmente os adultos, eram ruins. Tinha até alguma fobia quando me via envolvido com equipes. Meu entendimento de gente era de que todos eram mais ruins do que bons. Hoje, meu apreço pelas pessoas é total. Minha visão da humanidade é de que formamos um conjunto no caminho rumo ao eterno. Refiro-me ao significado rumo à sabedoria, a inspiração para o bem. Esta viagem do início ao fim se refere à forma como procuramos pela verdade, como nos conduzimos observando as leis da natureza e a harmonia com os nossos próximos. Temos de fazer uma separação do que é importante e o que são apenas acessórios.

Faço esta reflexão, pois hoje estou consciente de que a vida tem um significado maior do que supunha no final de minha adolescência. Quando decidi pela possibilidade de ser um técnico de basquetebol, as lições que me foram oferecidas, como a de liderar pessoas, me fizeram confiar nos meus sentimentos, percepções e intuição, que não é nada mais, nada menos, do que “ouvir o nosso coração”. Liderar pessoas é um exercício contínuo de cultivar o respeito e a confiança diariamente, com ações e atos dando maior importância às pessoas do que aos resultados que as equipes e associações possam vir a trazer.

Sim, as pessoas têm de ser a maior prioridade. Ao fazê-las descobrirem seus verdadeiros talentos e levá-las a perceberem seus dons e a olharem ao seu redor, todos sairão ganhando. Ao mostrar para um de nossos atletas a aptidão e como ele pode influenciar no desenvolvimento da equipe, diretamente lhe damos responsabilidade, o que seria o melhor dos presentes para um indivíduo. Responsabilidade de estar em crescimento por meio do esforço individual, conjuntamente com a confiabilidade e o respeito com todos da equipe.

Para o líder ser um exemplo para os demais integrantes, deve ser sempre pontual nos seus compromissos e solidário, estando sempre disponível para cooperar. Além de ter franqueza e sinceridade em todos os momentos, fáceis ou difíceis, na doença ou na saúde, na vitória ou na derrota. É preciso ter capacidade de ouvir e se colocar sempre na posição do outro. E na necessidade de tomar decisões, não se pode hesitar, sem esquecer-se de delegar esse poder à equipe também.

Neste momento que vemos uma cidade respirando basquetebol, com a maioria dos colégios, clubes e fundações investindo e dando a possibilidade de os mais jovens praticarem esporte, fico ainda mais convicto de que, dando oportunidade a todos e tendo condições de igualdade, na educação e na busca de suas vocações, os homens são realmente bons.

O Basquetebol de Joinville chega num momento decisivo na competição. Temos mais uma partida na fase de classificação e já no sábado, dia 16, nossa primeira participação nos playoffs. E não tenho a menor dúvida de que a diferença se dará pelo coletivo, pelo nosso trabalho em equipe, junto com a energia de uma grande parte da cidade, de famílias e comunidades inteiras torcendo e impulsionando-nos rumo às vitórias, ao sucesso. E numa troca clara e evidente, nossos atletas hoje como ídolos, exemplos de uma sociedade, todos juntos faremos a multiplicação de ideias, por meio da força, do bem, do que é bom para passarmos da dúvida para a certeza, da desconfiança pelos homens para a confiança de que somos todos um só, algo totalmente divino.

Assim termino, procurando não exigir nada do próximo, e sim lhe dar crédito. Para podermos continuar avançando, não devemos ficar nos gabando, nem nos vangloriando. E não devemos nos levar tão a sério, para que juntos, de maneira humilde, possamos ser iluminados em nosso caminho.

Postado por Alberto Bial

Unidade, o caminho de todos

04 de maio de 2009 4

Gesto repetido em cada jogo representa união da equipe
A união entre os componentes de nossa equipe ficou muito clara no último jogo, contra Assis, sexta-feira, 1º de maio. Observamos nossos jogadores com metas sustentadas pela mobilização de todos. Foi possível identificar uma sinergia própria de equipes que colocam suas ambições pessoais de lado para o bem coletivo, dizendo não ao egoísmo e sim ao próximo. Esse “não” no sentido mais claro de fazer o bem e em nenhum momento ter ações ou pensamentos negativos, assim como promover um ambiente de paz recíproco entre todos nós.

No aquecimento, tivemos a contusão do Espiga. Com dez minutos, a luxação do dedo do “Dr. Williams”. E no segundo tempo, a torção de joelho de nosso Olívia. A reação de todos aos ferimentos de nossos fiéis companheiros foi de afeto e generosidade para com eles. Foi exigida uma representação mais contundente e aguerrida de seus substitutos, e foi assim manifestado por André, Fábio, Adriano e Tiagão.

A atuação de Manteiguinha e Jefferson foi um capítulo à parte. Eles conseguiram realizar atuações individuais em um nível muito alto, sem comprometer a principal característica de nossa equipe: o trabalho coletivo. Muito pelo contrário, foram essenciais neste que foi nosso melhor jogo, no meu entendimento, pois se criou a unidade em torno da excelência da prática do basquetebol. Como não lutar por aquilo que entendemos como o melhor para todos nós? A humanidade não pode deixar de ser vista por nós do esporte como a maior de nossas equipes, e as famílias como células de nossas comunidades, que formam em seu conjunto a sociedade humana.

Agora, façamos a comparação de nossa equipe com uma família consaguínea. Nosso time teve as contusões de alguns atletas tratadas com extrema preocupação dos outros, como se tivesse sido consigo mesmo, assim como acontece na fábula do passarinho que nasceu com a asa deslocada e fez com que todos, pais, irmãos, tios, avós, ajudassem na recuperação, até ele sair voando, livre e recuperado. Como aconteceu com a família de pássaros e com nossa equipe, devemos ter consciência de que só amando uns aos outros como se fosse a nós mesmos é que criaremos o fundamento primeiro de qualquer tipo de relacionamento, sempre com a certeza de que, acima de todos nós, existe um só Deus e Pai de todos. Que assim possamos compreender que este é o fundamento que abre espaço para você e para o outro, não importando em que momento ou em que lugar.

Hoje, olho para nossa equipe e vejo que fui muito feliz ao dar oportunidade a jovens com extrema potencialidade. E os frutos já são colhidos. Dentro deste modelo totalmente novo de gestão realizado pelo basquetebol de Joinville, podemos perceber o Rômulo jogando como um futuro grande jogador, o Espiga dividindo responsabilidades, mas mostrando seus dotes de treinador extraordinário, sem falar em Luisão, começando uma carreira de gerência tão necessária no esporte da bola laranja.

Assim seguiremos em busca do bem do mundo em nossas atuações, peneirando o que há de bom e descartando as coisas ruins, nesse eterno aprendizado, sabedores de que tudo que é verdadeiro, tudo que é digno de respeito, tudo que é justo, tudo que é puro, toda a virtude será buscada com afinco e pureza d’alma. Vamos estar sempre em busca da unidade entre nossos atletas e comissão técnica, para dar um pouco de sentido ao nosso trabalho. E que perdure em nós a sabedoria e a consciência e criemos um modelo de entendimento entre nós, que possa nos levar aos resultados esperados e, muito mais do que isso, que cresçamos e deixemos algo de bom para nossa comunidade. Isso em uma única alma, a da unidade, pois esta é a alma do homem. A alma da inclusão de todos através do bem e do sentido da união e da não-separação.

Postado por Alberto Bial