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O esporte na lista de prioridades

19 de agosto de 2010 3

O texto abaixo, escrito por Alberto Bial, atendeu a pedido do jornal A Notícia, que organizou o “Agenda Joinville”, série de artigos que falará sobre as prioridades dos próximos governantes estaduais. Bial foi o escolhido para tratar de esporte.

 

Nossa sociedade contemporânea, seja no Brasil ou em todo o resto do Planeta, viu cair por terra ou por água baixo muitos valores – como a solidariedade, o respeito e a tolerância. Mesmo que de maneira não generalizada, estamos marcados por essa onda de violência e por questões de pouca educação em nosso dia-a-dia.

O propósito desse texto é criar um programa modelar na educação por meio do esporte, direcionando a todos aqueles nascidos ou residentes em Santa Catarina ao caminho da paz e da amizade. Acredito que a banalização da vida e a ociosidade, que dão origem aos vícios e abrem as portas para rumos controversos, podem ser combatidas por meio de atividades esportivas, desde a mais tenra idade até o final da vida de cada indivíduo, diminuindo, desta forma, a injustiça e a desigualdade em nosso País.

A prática do esporte e as atividades físicas devem contemplar a todos, sem distinção de classe social ou qualquer espécie de discriminação, tendo em mente o entendimento de que, com essa linha de pensamento, tornaremos nossos futuros cidadãos e nossas futuras gerações muito mais civilizados, dentro de um ambiente social que permita um reinado de paz e harmonia.

Ao nos tornarmos atletas, esportistas e alunos esportivos, enfim, quando passamos a fazer parte do mundo do esporte, desenvolvemos e exercitamos a força interior, a integridade, a independência e a interdependência entre todos. Além de estimular a coragem, conhecemos a disciplina e deixamos o egoísmo de lado. O esporte e a prática de atividade física agregam prazer e respeito pela vida e nos tornam mais bondosos.

Os valores e princípios básicos e universais passam a fazer parte de toda a nossa comunidade, e não podemos deixá-los esquecidos ou colocá-los em segundo plano. Assim, a importância do esporte terá a relevância que hoje só tem espaço na área comercial e nos eventos de maior magnitude.

 

 

Transformar estes valores em realidade (colocá-los em prática) por meio da educação e do esporte é o desafio que proponho para todos que desejam uma vida com mais respeito entre as pessoas, sem violência em qualquer forma, defendendo a diversidade e o diálogo, que durante as práticas esportivas se tornam comuns.

A ideia constitui-se em oferecer a toda criança ou jovem o acesso ao esporte utilizando um modelo que é aproveitado em muitas partes do mundo, que é o de abrir as escolas em horários alternativos, que fujam da grade curricular padrão e abranjam o período ocioso de garotos e garotas. Estes horários podem se enquadrar nos fins de semana ou em pequenas brechas possíveis durante os dias úteis.  A escola é o local onde todos devem ter acesso ao conhecimento, à saúde e ao convívio social com os seus próximos. Não se trata de uma estratégia inovadora ou inédita, mas de um mecanismo que já se mostrou eficaz, desde que bem aplicado, em inúmeros lugares. O segredo não está somente no esporte ou somente na educação. O primordial é que esporte e educação caminhem conjuntamente, alinhados. O esporte, como fator educacional, deve encontrar as portas das escolas abertas.

Esse é o primeiro passo. No entanto, devemos olhar com real interesse para o envolvimento de professores, monitores e voluntários, que necessitam de capacitação junto à estrutura física da escola e dos espaços públicos, tais como parques, praças e ruas de lazer. Abrir as escolas e os espaços públicos adequados para a prática do esporte não é suficiente. É preciso colocar à disposição das crianças um grupo de pessoas preparadas que trabalhem dentro de uma metodologia coerente de trabalho, que preze pelos mesmos valores. A estrutura humana deve estar pronta para propiciar a salvação, a inclusão ou simplesmente apresentar o esporte a todos, seja ele aquático, coletivo, individual ou radical. Em todos os casos, porém, o esporte sempre ocupará a função de instrumento único em busca da educação das pessoas de nossa cidade, estado e País.

 

Junto ao esporte, devemos oferecer clínicas e oficinas aos pais e parentes, mostrando que apesar de a maioria deles não ter tido a mesma oportunidade de experimentar a prática esportiva de qualidade, nunca é tarde demais para começar algo voltado para o bem maior. Por sinal, a possibilidade de inserir os pais e a família no processo de aprendizagem, dentro da escola, é uma das vantagens da união que proponho entre esporte e educação.

Pensar uma política pública que coloque o esporte no seu grau de importância devido dentro da educação e a educação como a maior preocupação de uma comunidade já pode ser considerado um avanço substancial. É claro que o âmbito prático é fundamental. Não há como imaginarmos que um mesmo método de trabalho possa ser apropriado em crianças de diferentes idades. As faixas etárias precisam ser respeitadas, especificando as atividades para cada idade: 0 a 2 anos; 3 a 6 anos; 7 a 10 anos; 10 a 14 anos; e 15 aos 20. Independentemente dos objetivos a serem alcançados (formar um atleta profissional ou garantir a inclusão social), as etapas não podem ser atropeladas.

O esporte tem várias formas e métodos que devem ser construídos. A discussão de nível prático é fundamental, pois o atraso já é grande. Mas, no meu entender, antes de optarmos por determinado sistema de trabalho ou de aplicarmos certa metodologia empírica, é preciso que os próximos governantes determinem o esporte como prioridade máxima e como ferramenta indispensável de educação e transformação social. Não que colocar em prática alguns pressupostos seja secundário, mas nada sairá do papel se antes não elegermos o esporte como prioridade. O esporte não pode mais ser subvalorizado como fator transformador.

Exagerando um pouco, o esporte é o único e principal agente de transformação da nossa sociedade. Espero a compreensão e o entendimento do que expresso. Sei da importância da ciência, da tecnologia, da cultura, das artes e de tantas atividades fundamentais na formação do indivíduo e da coletividade, mas o esporte socializa, une, aceita, transforma e traz a paz tão necessária aos homens.