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Reforma ortográfica vai atrasar um mês

30 de outubro de 2008 2

Reforma ortográfica vai atrasar em um mês Quem já estava preparado (ou se preparando) para adotar a nova ortografia, vai ter de esperar um pouco mais para escrever “diferente”. A grande culpada é a avalanche de interpretações sobre algumas regras. Especialistas não chegaram a um consenso a respeito da forma de escrever algumas palavras. O detalhe é que a reforma, com previsão de entrar em vigor a partir de janeiro, mexeria em “apenas” 0,5% das palavras do idioma português. Se fosse uma reforma mais profunda… Mesmo assim, com a confusão instalada, a data final para a padronização está mantida para 31 de dezembro de 2012.
Nas últimas semanas, surgiram dicionários e guias práticos sobre a nova ortografia, mas eles apresentam divergências pontuais. Por exemplo: a palavra que hoje é grafada como “pára-raios” virou “para-raios” e “pararraios”, de acordo com as diferentes publicações. Caberá à Academia Brasileira de Letras (ABL) padronizar tudo e acabar com a babel, o que deve acontecer em fevereiro, com a aprovação do novo “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (Volp). Ontem, a assessoria da ABL informou que “as novas normas obrigaram a um compreensível retardamento”, em função da complexidade do tema.
O prazo de fevereiro deixa na incerteza quem já pretendia aderir à reforma a partir de janeiro. Que dicionário seguir? Qual o corretor ortográfico adequado para usar no computador? Escolas, universidades, repartições públicas, cartórios, empresas de comunicação, editoras podem ser afetados pelo atraso na padronização das mudanças.
O Ministério da Educação (MEC) também aguarda a posição da ABL para abastecer as escolas públicas com novos dicionários. A expectativa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do MEC, é lançar o edital de concorrência pública no início de 2009. A meta é comprar de 8 milhões a 10 milhões de exemplares, que deverão contemplar 37 milhões de alunos. O investimento será entre R$ 70 milhões e R$ 90 milhões.
A distribuição dos livros didáticos adaptados será menos apertada. Pelo cronograma do MEC, eles deverão estar prontos a partir de 2010, para os estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. Os outros receberão o material até o fim de 2012.
Gramáticos como José Carlos de Azeredo, colaborador do Instituto Antônio Houaiss, avaliam que o Brasil poderá lucrar com a unificação da língua portuguesa. O principal benefício será a difusão mundial do idioma, que hoje abrange pouco mais de 210 milhões de pessoas em oito países.
Organizador do recém-lançado “Escrevendo pela Nova Ortografia”, numa parceria entre o Houaiss e a Publifolha, Azeredo lembra que línguas com problemas de unidade ainda maiores estão padronizadas. Exemplifica com o árabe, idioma oficial em 21 países. O mesmo ocorre com o francês, o espanhol, o chinês e outros. “Por que a língua portuguesa, cujas variantes européia e sul-americana são tão próximas, teria duas formas oficiais de ser grafada? Esse é um dos pontos positivos do acordo”, ressalta Azeredo, doutor em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O especialista pondera que as vantagens não serão percebidas em curto prazo. Observa que o acordo é uma medida de ordem política com fins diplomáticos, culturais e comerciais. No entanto, se a unificação ortográfica promover a língua portuguesa no cenário internacional, facilitando sua aprendizagem para estrangeiros, o Brasil colherá dividendos.
Azeredo ressalva, porém, que o país precisa ousar na difusão do português pelo mundo. Ele sugere a criação de um órgão análogo ao Instituto Camões, de Portugal, e ao Instituto Cervantes, da Espanha.

Veja alguns exemplos das mudanças

ACENTUAÇÃO
Ditongos abertos
As palavras paroxítonas deixarão de ter acentos nos ditongos abertos (ei, oi).

Como é: colméia, heróico, idéia.
Como ficará: colmeia, heroico, ideia.
A regra não muda para os ditongos abertos “eu”. Ex.: chapéu, véu.

Hiatos
O encontro das vogais “oo” e “ee” não serão mais acentuados.
Como é: vôo, abençôo, lêem, vêem.
Como ficará: voo, abençoo, leem, veem.
Algumas editoras brasileiras se adiantaram e já começam a lançar livros e dicionários atualizados com a nova ortografia.

O QUE MUDA
Acento diferencial
Palavras com a mesma grafia, mas sentidos diferentes, não serão mais acentuadas.
Como é: pára (verbo), pêlo (substantivo).
Como ficará: para, pelo.

A regra não muda no caso de pôde (verbo) e pôr (diferente da preposição por).

HÍFEN
Não terá hífen diante de vogal diferente.
Como é: auto-escola, contra-indicação, infra-estrutura.
Como ficará: autoescola, contraindicação, infraestrutura Não se usará diante de consoante. No caso de “r” e “s”, dobra-se as letras.
Como é: ante-sala, ultra-som.
Como ficará: antessala, ultrassom.

Será usado hífen diante da mesma vogal.

Como é: antiinflamatório, microondas.
Como ficará: anti-inflamatório, micro-ondas.

Não se usará mais em palavras que perderam a noção de composição.

Como é: manda-chuva, pára-quedas.
Como ficará: mandachuva, paraquedas.

O QUE ESTÁ CAUSANDO A DISCÓRDIA
Dicionários e guias práticos que se anteciparam ao início da reforma ortográfica apresentam diferenças em certas palavras atingidas pelas mudanças. Confira alguns exemplos:

Hoje                                  Versão 1                              Versão 2
pára-raios                          para-raios                             pararraios
sub-reptício                        sub-reptício                          subreptício 
pára-lama                           para-lama                             paralama
subumano                           sub-humano                          subumano

A TRANSIÇÃO
Como será implantada a reforma ortográfica no Brasil:

Vigora a partir de 1º de janeiro de 2009, mas não de forma obrigatória. Haverá um período de transição até 31 de dezembro de 2012, quando as duas normas poderão coexistir.
Até 2012, o modo como se escreve hoje será considerado correto e admitido em vestibulares, concursos públicos, provas escolares, livros e órgãos de imprensa.
Não haverá uma escala de prioridades para implantação da reforma. O prazo de transição é geral. Ninguém será penalizado por escrever pela norma antiga até 2012.
As mudanças deverão atingir cerca de 0,5% das palavras adotadas no Brasil. Nos demais países, as alterações podem alcançar 1,6%.
Acertado em 1990, em Lisboa, o acordo ortográfico abrange Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Postado por Aldo Brasil

Comentários (2)

  • mané diz: 1 de janeiro de 2009

    parabéns pelo blog me ajudou a fazer o trabalho de português

  • João B. L. Ghizoni diz: 3 de novembro de 2008

    Prezado Professor Aldo, Gostaria de parabenizá-lo pela análise e pelo resumo da Reforma Ortográfica. Estou tentando manter-me informado da mesma e sua análise em muito vem a contribuir para meu aprendizado das alterações.

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