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A volta do poderoso Overman

23 de fevereiro de 2009 0

Num país como o nosso, onde ter um livro publicado é um feito heroico, chegar a uma segunda impressão exige os poderes de um super-herói. Como o mundo enfrenta hoje uma crise econômica das mais, foi decidido que Overman, o super-herói criado pelo cartunista Laerte, deveria voltar às ruas, pois ele é a última esperança de sair dessa enrascada.

É possível que Overman tenha a força do Super-homem, mas com certeza ele não tem a sagacidade nem a capacidade de dedução do Batman.

A exemplo do colega americano, Overman tem o poder de voar, além de uma força física que lhe permite erguer toneladas com os próprios braços. Seu uniforme, tal como o do Super-homem, é composto de roupas colantes e uma capa, mas tem também uma máscara que ele nunca tira, pelo fato de não ter uma identidade secreta.

Overman também é moralmente orientado de acordo com a mesma fórmula bipolar do Super-homem, ou seja, ele compreende o mundo através da ótica do bem e do mal. Daí advém a maior parte da comicidade de suas histórias: sua noção moral simplista torna-o inepto a viver dentro da sociedade brasileira, onde com muita frequência as noções de ordem e moral precisam ser “cordialmente” burladas em favor da mera sobrevivência do indivíduo. Overman, travestido de super-herói, privado de uma identidade secreta, é incapaz de entender isso.

Como todo super-herói, Overman também tem um “ajudante” chamado Ésquilo, com quem ele divide uma vaga em uma pensão decadente, que fica ao lado de um estacionamento. Overman recebe os pedidos de socorro através de um telefone público e de um mural de recados. Apesar de combater supervilões, Overman passa a maior parte de suas aventuras resolvendo problemas cotidianos. O contraste entre a função principal do personagem — a de herói, divulgador do bom exemplo, realizador de proezas — e as pressões da vida cotidiana brasileira – desemprego, contas a pagar, inflação, etc. – dão argumento à maior parte das piadas. Apesar dos problemas conjunturais, Overman ainda consegue um tempinho para combater inimigos como:

Maníaco Flatulento: foi uma criança de intelecto superior desprezada pelos amigos. Buscando vingança, ingeriu um agente químico flatulínico, desenvolvido por ele mesmo; desde então, passou a praticar atos de terrorismo em locais com grande concentração de pessoas. Depois de capturá-lo em um estádio lotado, Overman conclui que não havia como realmente detê-lo, decidindo assim “largá-lo sem querer” na boca de um vulcão.

Space Ghost: este não é exatamente um vilão: Overman apenas insiste em dizer que teve o design de seu uniforme roubado por este personagem da Hanna-Barberas. Space Ghost surge muitas vezes nas tiras de Overman.

Pane: uma garota desejada por todos, mas que foi abandonada pelo noivo, o que desencadeou nela um “choque elétrico”, responsável por dotar o olhar dela de um “estranho poder”. Desde então, Pane tornou-se capaz de causar panes em aparelhos e motores, a distância e incógnita.

“Overman, o Álbum, o Mito”, de Laerte. Devir Livraria, 48 páginas, R$ 24,00.

Postado por Aldo Brasil, Joinville, SC

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