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A última do português... e não é piada

17 de maio de 2011 2

Até agora, eu estava relutante em falar sobre a polêmica em torno do livro de português (por favor, me reservo o direito de não citar o nome da obra) autorizado a circular entre os alunos com frases contendo erros toscos na gramática. Até porque acreditava que o fato pudesse ser revertido. Mas não dá para ficar calado diante da descabida obra e da intempestiva decisão do Ministério da Educação, que diz que é assim e assim vai ficar. Parece piada, mas é a dura, nua e crua realidade.

Meus caros doutos do ministério, podem me esclarecer como vão ficar os professores de língua portuguesa (como eu) diante de provas e trabalhos com palavras e expressões escritas de forma equivocada (o ministério e a autora não querem que se use a palavra “erro”)? Como vamos pedir aos alunos que corrijam, diante da possibilidade de eles nos esfregarem na cara essa obra?

Essa questão, infelizmente, começa me dar um medo de que de pouco valeram horas de sono “perdidas”, fins de semana com o computador e os livros grudados na cara para terminar um trabalho da faculdade. De nada adiantaram as idas a sebos e livrarias em busca de obras para embasar os argumentos. Recebemos um verdadeiro tapa na cara. É angustiante olhar o diploma cuidadosa e orgulhosamente colocado numa moldura e pensar: é, tanto esforço não valeu para nada!

O argumento da autora e do MEC, de que não devemos alimentar o preconceito linguístico, é de uma consistência igual à de uma bolha de sabão. Como diz a Opinião do Grupo RBS em “A Notícia”, “o que não pode prosperar, e que de alguma forma está subentendido na exaltação do ‘inadequado’, é a tentativa de perceber contingentes de estudantes como incapazes de um dia se apropriarem do saber representado pela denominada linguagem culta”.

Logicamente que não se deve discriminar o modo de falar das pessoas. Aliás, todo preconceito deve ser contestado. Até porque o Brasil padece de males que vão da evasão escolar à deficiência na estrutura dos estabelecimentos de ensino, para ficar só na área da educação. Mas usar isso como base para adotar uma prática pedagógica é de uma irresponsabilidade gritante, que afronta até mesmo a “autoridade” do professor de língua portuguesa em sala de aula.

Outra pergunta: como vão ficar as provas organizadas pelo governo, como o Enem? Haverá cobrança de redação? E se os alunos contestarem notas usando como argumento o que o governo e a autora pregam? O feitiço pode virar contra o feiticeiro.

Infelizmente, estamos diante de uma inversão de valores na educação formal. O efeito Tiririca parece que bate à nossa porta.

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