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Posts de julho 2011

Presente de fé para o papai

29 de julho de 2011 1

Está em dúvida do que dar ao seu pai no dia dele? Se ele for do tipo espiritualista, a dica é a “Bíblia do Papai – Sabedoria do Pai para os Pais”, editada pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). A obra é indicada para presentear pais e futuros pais de todas as idades, especialmente em datas comemorativas. Os recursos contidos nesta publicação ajudam a levar os pais até a presença de Deus, onde encontrarão sabedoria e inspiração para desempenhar o seu papel no âmbito familiar, auxiliando e orientando seus filhos a partir dos sólidos princípios e valores bíblicos.

Com texto bíblico na tradução de Almeida Revista e Atualizada, 2ª edição, a “Bíblia do Papai” é uma tradução da “Dad’s Bible”, publicada em 2007, pela editora Thomas Nelson. Os estudos e notas foram escritos por Robert Wolgemuth. Marido, pai e avô, Wolgemuth é proprietário de uma agência de autores, sendo ele mesmo autor, editor e palestrante.

Única Bíblia com material voltado especificamente para os pais, a obra reúne notas de estudo divididas em sete temas, além de notas e referências cruzadas, introduções aos livros das Sagradas Escrituras e índice de assuntos, entre outros recursos.

Os recursos são:

√ Notas de estudo divididas em sete temas:

1. Crescendo em autoridade: ajuda para superar os desafios diários de ser pai.
2. Caráter divino: estudos baseados nos frutos do Espírito, mostrando o que Deus quer realizar na vida de quem é pai.
3. Passando adiante: conselhos sobre como um pai pode compartilhar sua experiência de fé com seus filhos.
4. Pais da Bíblia: bons e maus exemplos de homens da Bíblia no exercício da paternidade.
5. Edificando seus filhos: enfoque em sete áreas para a construção do caráter dos filhos: proteção, diálogo, afetividade, disciplina, alegria, fé e conduta.
6. Reflexões: breves reflexões para meditar tanto no trabalho como em casa.
7. Perguntas e respostas: uma seleção de conhecidos “por quês?”, que acompanham todo o desenvolvimento da criança até a fase adulta.

√ Índice de assuntos;
√ Leituras para dias especiais;
√ Textos famosos da Bíblia;
√ Como encontrar ajuda na Bíblia;
√ O que a Bíblia diz sobre o perdão de Deus;
√ Notas e referências cruzadas;
√ Introduções aos livros da Bíblia.

“Bíblia do Papai – Sabedoria do Pai para os Pais”, da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Duas opções de cor de capa: verde e azul, 1.742 páginas, R$ 49,90.

Macaco Chico no cerrado e na savana

27 de julho de 2011 0

Para viajar do Brasil à África, podemos ir de avião e de navio. E se os continentes ainda fossem unidos? No cerrado, em meio à mata, dona Isaura, a anta professora mais sábia da região, instiga a curiosidade de seus alunos. E não é que bem o mais arteiro deles, Chico, personagem do livro “Savanas”, de Marcelo Bizerril, resolve levar a aula de geografia a sério? Ele fica matutando: como seria possível chegar à África sem atravessar o oceano?

Chico, um sapeca macaco-prego habitante do cerrado brasileiro, fica intrigado com essa questão. Apesar de seus amigos o desencorajarem, ele está disposto a fazer de tudo para descobrir como chegar a outro continente – inclusive mexer com forças sobrenaturais. Mas viajar através de portais místicos não é simples e pode acabar em confusão…

Acompanhe Chico nesta divertida aventura e conheça o brasileiro e a savana africana. Entre eles há mais semelhanças do que você imagina.

“Savanas”, de Marcelo Bizerril, com ilustrações de Adriana Bento. Coleção “Jabuti”, Editora Saraiva, 80 páginas, R$ 27,50.

Você viu o Bebê Urso por aí?

26 de julho de 2011 0

A sugestão de hoje, “À Procura do Bebê Urso”, de A.J. Wood e Rachel Williams, é perfeito para a mamãe ler grudadinha no seu filhote. O livro mostra que até os bichinhos ficam com o coração apertado quando acontece algo com sua criança.

Na história, o Bebê Urso desapareceu e a Mamãe Ursa está muito preocupada. A obra convida o pequeno leitor e a mamãe a encontrar o fofo ursinho. As páginas pop-up tornam este livro divertido, auxiliando na interação mamãe-criança-livro.

Além disso, para facilitar a leitura e seguindo o que pedem as metodologias pedagógicas em relação aos pequenos, o texto é todo escrito com letras maiúsculas. Ideal também para as professoras que trabalham com os fofuchos.

E então, você viu o Bebê Urso por aí?

“À Procura do Bebê Urso”, de A.J. Wood e Rachel Williams, com ilustrações de Jacqueline East e tradução de Gilda de Aquino. Editora Brinque-Book, 14 páginas em material resistente e capa dura, R$ 34,00.

Uma família fofa e diferente

25 de julho de 2011 0

Para a criançada que gosta de personagens diferentes e fofos, a dica de hoje é “A Família Mumin”, de Tove Jansson e lançado no Brasil pela WMF Martins Fontes, com tradução do consagrado escritor brasileiro Carlos Heitor Cony.

É primavera no vale, e os Mumins estão prontos para viver aventuras! Mumin e seus amigos Snuss e Sniff acham o chapéu do Troll, novo e reluzente, só esperando para ser levado para casa. Logo eles percebem que não se trata de um chapéu comum: é capaz de transformar qualquer coisa – ou pessoa – em algo diferente. Enriquecida pelas ilustrações simples e alegres da própria autora, as histórias deliciosas sobre a vida no Vale dos Mumins têm encantado leitores do mundo todo há mais de sessenta anos.

Os Mumins são personagens criados pela escritora finlandesa Tove Jansson (1914 – 2001). Eles são uma família de trolls, seres antropomórficos da mitologia escandinava que podem assumir várias formas. Os membros da família Mumin são pequeninos, branquinhos, têm traços arredondados, focinhos enormes e sua fisionomia lembra um pouco a de pequenos hipopótamos.

A autora Tove Jansson nasceu na Finlândia em 1914. Começou sua carreira como cartunista ilustrando livros para adultos e crianças. Morreu em 2001. As aventuras da família Mumin foram traduzidas em 34 idiomas e suas histórias em quadrinhos, publicadas por 20 anos em 120 países. As peripécias dessa excêntrica família também foram adaptadas para desenhos animados no Japão e na Polônia e para filmes de animação na Finlândia.

“A Família Mumin”, texto e ilustrações de Tove Jansson, com tradução de Carlos Heitor Cony. Editora WMF Martins Fontes, 168 páginas, R$ 32,00.

Você está magra? Olhe o que a Bruna diz

21 de julho de 2011 0

Todo mundo já ouviu alguma mulher falar: “Nossa, como estou gorda, parecendo uma baleia”. Em “Enfim Magra, e Agora”, a autora Bruna Gasgon propõe uma reflexão sobre o “estar gorda”.

Bruna diz que, enquanto as mulheres se matam nas academias e passam fome só para usar roupas tamanho 38, os homens, cada vez mais, adoram mulheres que usam os tamanhos 42 e 44. Segundo pesquisas, as mulheres fazem todos os sacrifícios do mundo para serem magras, não para agradarem os homens, mas para competirem umas com as outras.

De acordo com a autora, uma mulher, quando vai a uma festa, por exemplo, não se arruma para o namorado ou marido, e sim para as outras mulheres que estarão presentes. Elas ficam magras e se arrumam inteiras para causar inveja às inimigas e para competir com as amigas, e não para agradar aos homens. As mulheres ainda não se deram conta de uma coisa: as amantes são sempre mais gordas que as esposas.

Este livro propõe uma reflexão realista e sem pudores sobre estar acima do peso, mas com saúde, e pretende estimular aquelas que acham que estão gordas a sentirem-se gostosas e desejadas, explorando todas as vantagens de ter muitos quilos a mais. Mostre ao seu marido uma foto da atriz Angelina Jolie de biquíni e outra da atriz Jennifer Lopez. Qual será que ele vai preferir?

A palestrante motivacional Bruna Gasgon ataca um problema de frente: as mulheres precisam mesmo ser tão magras quanto imaginam? Com bom humor e muito conhecimento de causa, já que parte de seus workshops se dirige a grupos exclusivos de mulheres, Bruna fala das ansiedades femininas, do modelo impossível de magreza que começou a ser espalhado pela mídia e pela cabeça das mulheres a partir da década de 80, e de como o sofrimento para se adequar a ele muitas vezes não traz benefícios – nem estéticos, nem de saúde, nem de relacionamentos. Com uma pitada de ironia, Bruna convida as leitoras a observarem como os homens preferem as mulheres mais “cheinhas”, que frequentemente se tornam as amantes pouco elegantes mas muito desejadas.

Protagonista de uma longa luta pelo peso ideal, ainda que oposto ao da maioria da população – Bruna sempre sentiu que era magra demais –, a autora fala com fluência e grande pertinência sobre uma das questões que mais movimentam a moda, a estética, o comportamento e a cultura da atualidade, oferecendo reflexões para convidar a leitora a uma vida mais ajustada consigo própria e mais baseada numa saudável autoestima.

“Enfim Magra, e Agora”, de Bruna Gasgon. Geração Editorial/Jardim dos Livros, 104 páginas, R$ 24,90.

Ruth e a barba do rabino

20 de julho de 2011 0

A dica de hoje, “A Barba do Rabino”, de Ilan Brenman, mostra até que ponto a imaginação e a curiosidade de uma criança podem voar. Bem, aconteceu assim: um dia, na sinagoga, Ruth se encantou com a barba do rabino, branquinha e fofa como se fosse neve ou algodão-doce.

A menina não se conteve e, zapt!, correu para perto do rabino e puxou a barba dele. Por mais que levasse bronca dos pais, sempre que ia à sinagoga, na hora da reza Ruth saía correndo e dava um puxão na barba do rabino.

Logicamente que isso deixava os pais Sara e Isaac vermelhos de vergonha, com vontade de se enterrar no primeiro buraco que encontrassem, até porque o falatório entre as pessoas que participavam das rezas era grande. Mas não tinha jeito: a barba do rabino parece que tinha ímã que puxava a menina. Porém, tudo tem um limite e os pais decidiram não mais levar Ruth à sinagoga. Então aconteceu uma coisa: o rabino ficou doente por um motivo surpreendente.

“A Barba do Rabino”, de Ilan Brenman, com ilustrações de Laura Michell. Editora WMF Martins Fontes, 40 páginas, R$ 32,00.

Perigos da obesidade tratados com humor

19 de julho de 2011 1

“Obesus Insanus”, de Rogério Romano Bonato, é, mais que estranho, surpreendente. De forma inédita e criativa, traz a abordagem da obesidade epidêmica no planeta de um modo que destoa dos habituais no mercado editorial – não se trata de um livro de autoajuda, embora relate os esforços de um obeso por perder peso e mudar seus hábitos nocivos; não é tampouco mais um guia de como perder peso, dos que lotam as prateleiras de livrarias e oferecem uma eficácia tão promissora quanto duvidosa. Sua leitura, contudo, pode oferecer ajuda a muita gente atormentada pela questão do peso acima do desejável e pode orientar para uma virada nos hábitos no sentido de estabelecer uma vida mais saudável e menos perigosamente exposta aos inúmeros apelos e riscos com os quais a vida contemporânea tenta os gulosos.

Em 160 páginas, ilustradas por desenhos de Leonardo Da Vinci (o que vem a propósito, já que Bonato faz uma especulação, baseada na história da alimentação, do que teriam sido os pratos oferecidos na “Santa Ceia” pintada pelo mestre), com prefácio e comentário de dois amigos de Bonato (o médico  Lyrio César Bertoli e o biólogo Sérgio Greif) e uma nota biográfica que mostra os múltiplos caminhos profissionais e estéticos da vida de Bonato, o livro é uma ótima mistura de erudição e humor.

O humor auxilia o autor a transmitir uma mensagem que é fundamentalmente séria e vai da boa quantidade de exemplos extraídos do cinema, da televisão, da literatura, citando atores, escritores, até relatos de uma vida pessoal de obeso em que uma das primeiras grandes descobertas feitas foi a utilidade dos suspensórios para manter as calças no lugar, por exemplo.

O livro evita dramatizar a condição do obeso de forma alarmante; antes, dá-lhe um tratamento humano, compreensivo e compassivo, e já no início seduz ao apresentar Belzebu como o demônio da gula, numa crônica em que o autor se imagina no inferno visitando o demônio, encarnado por ninguém menos que o cineasta e ator Orson Welles.

Bonato foi obeso por muito tempo, mas os inúmeros alarmes dados por seu organismo, pela irracionalidade de seu estilo de vida hiperativo, pela sua ansiedade, seus exageros no trabalho e na correria do dia a dia, acabaram por despertá-lo da letargia autocomplacente do gordo, traduzidos num problema bem concreto na vesícula, que o levou a uma cirurgia e a uma implantação de decidida mudança de hábitos em sua vida. Mas não permaneceu obeso, o que é a marca de sua trajetória.

O livro, aliás, acaba constituindo um exemplo e uma “lição de vida” sem azedume ou pretensões teóricas exageradas. A medida do volume é sua mistura sóbria de humor, elegância expositiva, cultura geral e bom senso. O título deriva das preocupações finais de Bonato, que soube universalizar o seu caso pessoal de obesidade, apontando o mal como uma doença social grave em que se implicam muitos dos problemas contemporâneos e indicam o descaso geral do homem com a vida no planeta, que está levando todos a riscos nada pequenos de uma catástrofe em escala nunca vista. A continuar a loucura generalizada, o “Homo sapiens” poderá dar lugar ao “Obesus insanus”.

“Obesus Insanus”, de Rogério Romano Bonato. Geração Editorial, 160 páginas, R$ 29,90.

José de Alencar em dose dupla

18 de julho de 2011 0

Para quem gosta dos escritores brasileiros clássicos, a dica de hoje vem em dose dupla. Na coleção “Grandes Leituras”, da FTD, você confere duas obras do romancista José de Alencar em um só volume, com comentários e uma biografia do autor.

A primeira obra apresentada no livro é “Cinco Minutos”, escrita em 1856. Nela, o escritor cearense de Fortaleza conta a história de um encontro fortuito do narrador com uma jovem em um ônibus. Depois de perder a moça de vista e encontrá-la casualmente algumas vezes, ele finalmente a conhece e descobre que ela já o amava a distância, mas uma doença incurável os impede de ficar juntos. Mesmo desiludido, o narrador parte em busca de sua amada e encontra, pelo caminho, bilhetes dela o esperando.

Em “A Viuvinha”, de 1860, o jovem Jorge leva uma vida de prazeres fugazes até perceber-se só. Para aliviar a alma, o jovem vai até uma igreja onde conhece e se paixona por Carolina, uma jovem pura e modesta de 15 anos. Um relacionamento se estabelece e o casamento é marcado. Um dia antes, no entanto, Jorge recebe a notícia de que sua fortuna não mais existia e de que tinha dívidas a pagar. A partir daí, suas decisões levam a uma tragédia e, por fim, sua redenção.

Principal escritor brasileiro do período do Romantismo, José de Alencar publicou 20 romances, nos quais procurou mapear o País em todas as suas dimensões, utilizando os recursos do romance urbano, regionalista, indianista e histórico.

“Cinco Minutos” e “A Viuvinha”, de José de Alencar. Coleção “Grandes Leituras”, Editora FTD, 168 páginas, R$ 25,70.

"A Diaba e sua Filha", uma história de afeto

14 de julho de 2011 0

A franco-senegalesa Marie NDiaye foi apresentada ao leitor brasileiro pela Cosac Naify em “Coração Apertado” (2010). Um dos maiores expoentes da literatura francesa contemporânea, coroada com o mais respeitado prêmio das letras francesas, o Goncourt, ela revela agora seu talento narrativo para outro público: o infantojuvenil.

Em “A Diaba e sua Filha”, NDiaye mantém sua escrita consistente e singular. Lançada em 2000, a edição francesa já está na décima reimpressão e vendeu mais de 500 mil exemplares. A versão brasileira teve o projeto revisto, formato ampliado e ganhou a cor azul no miolo, originalmente preto e branco. No livro, uma diaba sai todas as noites da floresta à procura de sua filha que desapareceu misteriosamente, junto com a casa onde moravam. É quando a diaba percebe também que seus delicados pés se transformaram em cascos de cabra – deformidade que causa repulsa nas pessoas. Convicta de que ninguém nunca lhe dirá onde está sua filha, a diaba decide pegar para si a primeira criança que encontrar. E se depara justamente com uma menina expulsa da aldeia por ter pés malformados, o que levou os vizinhos a concluir que ela só poderia ser a filha da diaba. Segue, então, para a floresta com a criança nos braços. Ao ver seus pés femininos ressurgirem, ela recupera sua humanidade.

A atmosfera noturna, reforçada pelo traço sombrio da prestigiada ilustradora Nadja, dá à história um caráter misterioso. O sincretismo de NDiaye ecoa em seu texto, mescla de metáforas dos contos de fada tradicionais e de elementos da literatura antilhana. A ambiguidade da personagem – alegoria da noite – , de face graciosa, olhos doces, mas com cascos no lugar dos pés, suscita no leitor alguma hesitação e muitos questionamentos. Se a figura da diaba equivale na cultura caribenha ao lobo mau das narrativas infantis ocidentais, a noite simboliza a fecundidade.

Nas palavras do escritor moçambicano Mia Couto, que assina o texto de orelha, NDiaye escreve sobre os nossos medos e o modo como eles são coletivamente construídos. Escreve sobre a necessidade de classificarmos os outros e os arrumarmos em bons e maus, em anjos e monstros.

Ideal para trabalhar temas como adoção, deficiência, discriminação, rejeição e tolerância, um livro que nos convida a refletir sobre como o afeto é capaz de humanizar até a aparentemente mais aterrorizante criatura e sobre a importância de se respeitar as diferenças, visíveis e invisíveis.

“A Diaba e sua Filha”, de Marie Ndiaye, com ilustrações de Nadja e tradução de Paulo Neves. Editora Cosac Naify, 40 páginas, R$ 25,00.

Hans Baur, o piloto de Hitler

13 de julho de 2011 0

O livro “O Piloto de Hitler – a Vida e a Época de Hans Baur”, do escritor norte-americano C. G. Sweeting, é a obra que faltava sobre o nazismo e as guerras mundiais, principalmente a segunda. “O século 20 assistiu a uma carnificina maior do que qualquer outra na história, e a Segunda Guerra Mundial foi o maior banho de sangue de todos”, diz o autor, um especialista em história militar alemã. O livro é o resultado de uma extensa e rigorosa pesquisa e resgata também o testemunho de um homem que era a sombra do ditador no céu. Hitler sentia-se mais seguro voando do que em terra. De 1932 até o fim, fez apenas um voo sem o piloto particular.

“Hans Baur viveu uma vida longa e extraordinária, tão excitante quanto a imaginação de um escritor de ficção poderia conceber”, afirma Sweeting. O piloto era “uma figura paradoxal”. Ele acreditava no nacional-aocialismo e foi fiel ao Führer mesmo depois de dez anos de sofrimento em prisões e campos de trabalho forçado na União Soviética. “Em sua vida pessoal, no entanto, era um homem corajoso, íntegro, confiável e patriótico. A lealdade de Baur a Hitler foi sua falha mais grave, mas indicava a paixão em servir seu país”, acrescenta o escritor. “Infelizmente, ele, como milhões de outros alemães, não compreendeu que a ascensão de Hitler ao poder seria desastrosa para a Alemanha e para o mundo.” Baur jurava não ter ouvido nada a respeito do genocídio.

O autor lembra que Baur, que chegou a general de brigada da SS, foi muito mais do que o piloto pessoal de Hitler. “Foi seu companheiro e confidente e era quase tão amigo do líder alemão quanto qualquer outra pessoa de seu círculo mais próximo.” Hitler foi padrinho do segundo casamento de Baur, que viveu 95 anos, ficou viúvo duas vezes e se casou três. Durante a guerra era proibido ouvir rádios estrangeiras na Alemanha. Uma ironia: com as comunicações internas precárias na Berlim sob ataque, Hitler recebia no bunker notícias da londrina BBC selecionadas por Hans Baur.

“O Piloto de Hitler” está dividido em 12 capítulos cronológicos e todos iniciados com a palavra Asas: Asas da Guerra: 1915-1921, Asas da Paz: 1922-1931, Asas do Destino: 1932-1933, Asas para o Führer: 1933-1934, Asas da Mudança: 1935-1937, Asas do Destino: 1938-1939, Asas da Vitória: 1939-1941, Asas do Desafio: 1941-1942, Asas da Derrota: 1942-1944, Asas do Desastre: 1944, Asas do Armagedom: 1945, e Asas Quebradas: 1945-1993, além do epílogo, e traz ainda fotos históricas, mapas e a planta do bunker sob a chancelaria em que o alto comando nazista se protegeu do bombardeio a Berlim.

C. G. Sweeting mostra a ascensão de Hitler desde sua participação na Primeira Guerra Mundial como soldado mensageiro que transportava relatórios e ordens sob o fogo inimigo, seus tempos de glória e ilusões megalomaníacas, até os últimos momentos, humilhado e derrotado, e o suicídio. O temor de Hitler era ser morto e exibido por Stalin no zoo de Moscou. O ditador trocava o dia pela noite, era vegetariano (considerava sopa de carne um “chá de cadáver”) e supersticioso, tinha hábitos bizarros, sofria de várias doenças e chegou a tomar 150 comprimidos por semana.

O autor relembra o medo de Hitler de ser morto e os atentados de que escapou – pelo menos um parece ter sido uma farsa para aumentar sua popularidade. No estudo psicanalítico secreto feito em 1943 para a OSS, precursora da CIA, e publicado em 1972 com o título “A mente de Adolf Hitler”, Walter C. Langer e colegas consideram o ditador alemão “um psicopata neurótico beirando a esquizofrenia”.

Quando invadiu a Polônia em 1939, Hitler já se sentia dono da Europa. Ele não acreditava que a Grã-Bretanha e a França fossem à guerra por causa da Polônia. Também menosprezava os Estados Unidos (“uma nação mestiça, decadente”). Os dois capítulos finais do livro são eletrizantes: as cruéis batalhas sob o rigoroso inverno russo, a queda da Alemanha, o desespero dos derrotados sem ter para onde fugir, os horrores do massacre, da pilhagem e de estupros pelos soviéticos, as prisões e o martírio de alemães em masmorras e em trabalhos forçados na União Soviética. Baur teve parte da perna esquerda amputada em consequência de tiros que levou durante a tentativa de fuga. Foi torturado nos longos e repetitivos interrogatórios em Moscou. Morreu quase cego em Munique, em 1993, ao lado da terceira mulher, Crescentia (Centa).

“O Piloto de Hitler – a Vida e a Época de Hans Baur”, de C. G. Sweeting, com tradução de Elvira Serapicos. Geração Editorial (Jardim dos Livros), 440 páginas, R$ 39,90.