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Planejamento Estratégico das Escolas

01 de novembro de 2013 0

Divulgação, Atlas

Um dos quesitos mais importantes para qualquer atividade dar certo se chama planejamento, que sempre anda de mãos dadas com a estratégia para alcançar os resultados pretendidos. E na educação isso não é diferente. Em que pesem as condições da maioria das escolas, principalmente as públicas, é necessário ter um instrumento que norteie as ações. É isso que mostram Diego Calegari e Maurício Fernandes Pereira no livro “Planejamento e Estratégias das Escolas: o que leva as escolas a ter alto desempenho”.

De acordo com os padrões estabelecidos por organizações internacionais, como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a educação básica brasileira está entre as mais fracas do mundo. Essa é uma constatação para além de contestação: avaliações como a do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês) – que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em nível mundial e realizada a cada três anos pela OCDE – demonstram claramente que o Brasil ainda precisa avançar muito e a passos largos se quiser se posicionar entre o seleto grupo de países enquadrados no que se convencionou chamar de “Primeiro Mundo”.

É com vistas a mudar essa realidade que as políticas públicas brasileiras começam a se voltar cada vez mais para a qualidade da educação. Com a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2007, pela primeira vez pôde-se ter uma avaliação de larga escala sobre a qualidade da educação de nível básico em todas as escolas brasileiras, permitindo estudos mais avançados sobre os fatores que levam uma escola a ser bem-sucedida no seu papel de ensinar.

É considerando essas perspectivas e recomendações que Calegari e Pereira empreenderam uma pesquisa com o objetivo de mensurar e descobrir o que faz escolas com boas avaliações no Ideb atingirem tais resultados, pesquisa cujos resultados estão materializados no presente livro.

Após a pesquisa, identificaram-se algumas características que levam essas escolas a atingirem alto desempenho, que os autores chamam de práticas básicas de gestão das escolas de alto desempenho (PBGEAD):

  • Sistema de gestão pedagógica estruturado com foco nos resultados (entregas mensuráveis) do trabalho pedagógico;
  • Professores comprometidos genuinamente com sua missão profissional (o propósito de educar);
  • Cultura organizacional voltada para os resultados, com forte preocupação com a aprendizagem de todos os alunos;
  • Supervisoras que atuam como lideranças facilitadoras do fazer pedagógico, apoiando com competência os professores nas suas necessidades diárias;
  • Institucionalização da aprendizagem organizacional, na forma de práticas, valores e formas de atuar capazes de levar ao alto desempenho.

É evidente que cada escola vive um contexto social e organizacional próprio, contexto esse que deve ser levado em consideração quando da busca de meios para promover melhoria no seu desempenho frente à avaliação do Ideb ou qualquer outra referência de performance que for adotada. Algumas características comuns das escolas estudadas devem ser levadas em consideração na eventual aplicação dos métodos ou resultados obtidos para outros contextos, que Calegari e Pereira chamam de práticas secundárias de gestão das escolas de alto desempenho (PSGEAD):

  • Contexto socioeconômico favorável, tanto no que se refere às condições materiais dos alunos, quanto ao ambiente cultural e familiar ao qual estão expostos;
  • Escolas com condições materiais e estruturais adequadas ao ensino, incluindo biblioteca, auditório, equipamento audiovisual, salas de informática e afins;
  • Forte alinhamento das escolas, seus gestores e seus professores com as diretrizes emanadas do órgão gestor – Secretaria Municipal de Educação;
  • Continuidade nas políticas públicas para a educação no município de Joinville, com progressos incrementais acumulados ao longo de mais de vinte anos;

A pesquisa mostrou que, apesar de as condições sociais e econômicas das escolas influenciarem muito os resultados da aprendizagem dos alunos, a atuação da equipe pedagógica se faz igualmente importante para se chegar a uma escola de alto desempenho. Isso sinaliza para uma responsabilidade ainda maior sobre os gestores públicos, que podem, sim, fazer a diferença dentro das instituições que trabalham.

“PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA DAS ESCOLAS: o que Leva as Escolas a Ter Alto Desempenho”, de Maurício Fernandes Pereira e Diego Calegari. Editora Atlas, 168 páginas, R$ 45,00.

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