Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Editora Positivo lança trilogia no centenário do escritor Murilo Rubião

29 de novembro de 2016 0
Divulgação, Positivo

Divulgação, Positivo

O centenário de nascimento do escritor mineiro Murilo Rubião − um dos principais representantes da literatura fantástica no Brasil − inspira o lançamento de uma trilogia ilustrada pela Editora Positivo. Os contos “Bárbara”, “O Edifício” e “Teleco, o Coelhinho” saem em edições especiais e com a participação de grandes ilustradores brasileiros, cujos trabalhos interagem com o texto.

Entre os diferenciais das publicações está justamente o formato, no qual, dentro de uma conceituação atual, ilustração e projeto gráfico contribuem para ampliar ainda mais o peso da obra. Dessa forma, a editora pretende aproximar as novas gerações da escrita de Rubião e estimular o interesse não só por este autor, mas também pelo gênero ficção fantástica, que costuma ter uma ótima aceitação entre o público jovem e adolescente.

O projeto partiu do mineiro Nelson Cruz. Um dos mais reconhecidos ilustradores do País, Cruz detém, entre outras premiações, a da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), a da Câmara Brasileira do Livro (Jabuti),  a da Biblioteca Nacional (Prêmio Glória Pondé), e a do Centre International d’Études en Littérature de Jeunesse (Cielj), da França (Octogones). Foi ele quem sugeriu a publicação de três livros ilustrados e também a participação dos outros artistas: a mineira Marilda Castanha e o paulista Odilon Moraes.

Os três tiveram a liberdade de escolher o conto conforme identificação pessoal, conteúdo que foi devidamente aprovado pela Editora Positivo, que avaliou a adequação de leitura das obras e também as recomendou para uso no ensino fundamental.  Vendidos separadamente ao preço de R$ 39,80, os livros destacam-se, ainda, pelo acabamento em costura e pela riqueza das ilustrações em técnicas que passam pelo trabalho manual com nanquim, giz, aquarela, tinta acrílica, gesso, entre outros.

Rubião, o precursor da literatura fantástica no Brasil

Divulgação, Positivo

Divulgação, Positivo

Como explica o escritor Nelson de Oliveira, que prefacia o livro “O Edifício”, “no Brasil, grandes autores fizeram ficção fantástica, mas esporadicamente. Pouquíssimos foram os que se dedicaram exclusivamente a esse gênero. Murilo Rubião foi um deles. Não só isso. Foi um dos maiores. Um precursor. Sua obra ficcional − apenas trinta e três contos curtos − iluminou o caminho para a sua geração e as seguintes.”

Nascido em Minas Gerais em 1916, Murilo Rubião formou-se em Direito e exerceu diversas atividades. Começou a carreira literária escrevendo poemas, mas logo acabou enveredando para o gênero que o consagrou: o conto fantástico. Mágico das palavras, o autor retira de sua cartola um cotidiano revestido de simbologia apetitosa. Personagens podem surgir e desaparecer sem maiores explicações. Situações aparentemente absurdas são moldadas por uma linguagem que harmoniza o natural com o sobrenatural. Nesse contexto, valores da sociedade são colocados frequentemente à prova.

O escritor Mário de Andrade afirmou, em 1943, que Rubião “possui o mesmo dom de um Kafka. A gente não se preocupa mais, é preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real, sem nenhuma reação mais”. Apesar do reconhecimento de sua obra (ainda em vida) por boa parte do meio literário, o autor nunca se mostrou satisfeito com o resultado de sua escrita. Em entrevistas, revelou que essa insatisfação o levava à reescrita constante dos contos, lapidando a linguagem até a exaustão, em busca de uma prosa límpida.

Seu primeiro livro, “O Ex-mágico”, foi publicado em 1947. Depois, vieram “A Estrela Vermelha” (1953), “Os Dragões e Outros Contos” (1965), “O Pirotécnico Zacarias e o Convidado” (1974), “A Casa do Girassol Vermelho” (1978) e “O Homem de Boné Cinzento e Outras Histórias” (1990). Teve parte da obra traduzida para outros idiomas. Após a sua morte, em 1991, diversas antologias de contos seus foram publicadas no País.

Os livros

Divulgação, Positivo

Divulgação, Positivo

“O Edifício” – trabalho que remete ao mito de Sísifo, é uma alegoria à condição humana e um conto extremamente angustiante no qual a vida parece suspensa. Segundo o escritor Nelson de Oliveira, que responde pelo prefácio da obra, a narrativa transparente, sem exageros retóricos, mostra que, para o autor, o enredo é tão importante quanto a linguagem. Ilustrado por Nelson Cruz em tinta acrílica e caneta nanquim, tem 48 páginas.

“Bárbara” – uma obra que relata, por meio do fantástico, a soberba e o vazio. É a história de uma mulher que não se sacia e tem desejos sem fim, e de seu companheiro que, com um amor descomunal, não se limita a satisfazer as vontades da esposa. Na visão de Mariana Ianelli, que prefacia o livro, também pode ser considerado “uma história de sombras ou A fábula de um amor louco”. Ilustrado por Marilda Castanha, em técnica mista, tem 48 páginas.

“Teleco, o Coelhinho” – este conto fala das questões da existência humana e da metamorfose, no sentido de tentativa de adaptação do mundo. Como explica Nilma Lacerda, que apresenta o livro, a obra mostra “as transformações contínuas de humor, de um corpo que em certas ocasiões parece não caber no eu que o abriga”. Com ilustrações de Odilon Moraes, em lápis, nanquim e Ecoline, tem 48 páginas.

Envie seu Comentário