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O chamado do monstro

20 de janeiro de 2017 0
Divulgação, Ática

Divulgação, Ática

A escuridão. O vento, os gritos. Os olhos estatelados, a respiração entrecortada.

É o pesadelo de novo, como em quase todas as noites depois que a mãe de Conor ficou doente. A escuridão, o vento, os gritos – e o despertar no mesmo ponto, antes de chegar ao fim. Tudo é tão aterrorizante que Conor não se mostra nem um pouco assombrado quando uma árvore próxima à sua casa – um imponente teixo – transforma-se num monstro.

Além disso, ele precisa lidar com coisas mais urgentes e graves: o reinício do tratamento contra o câncer ao qual sua mãe terá de se submeter, a vinda da avó para “ajudá-los”, a permanente ausência do pai desde que foi morar com a nova família e o pesado bullying na escola, do qual é vítima quase todos os dias. Tudo muito mais perturbador do que uma criatura feita de folhas e galhos (mesmo que pulsem e se contorçam).

Só que o monstro sabe que Conor esconde um segredo. E isso o torna realmente assustador. Por que Conor deveria dar ouvidos ao que parece imaginado? Por que o monstro parece ser a única criatura a estar ao seu lado diante de seus maiores medos: perder a mãe e contar a verdade sobre o que sente?

A narrativa de “O Chamado do Monstro”, de Patrick Ness, trata de temas universais sem ser artificial ou moralizante. Com texto simples, o autor parece tocar cada leitor individualmente, fazendo da narrativa uma experiência múltipla e única ao mesmo tempo.

A ideia central desta história é da escritora Siobhan Dowd. Morta pelo câncer em 2007, ela não teve, infelizmente, tempo de terminá-la. Então, Patrick Ness recebeu a proposta de desenvolver a trama. Mesmo hesitando no começo, a força da história o cativou. O resultado é uma narrativa comovente e verdadeira, escrita sob uma situação-limite e com uma força inesquecível.

O filme “Sete Minutos Depois da Meia-noite”, inspirado no livro e que estreou nos cinemas em janeiro, é dirigido por J.A. Bayona, diretor espanhol do terror “O Orfanato”. O próprio Patrick Ness assina o roteiro. O longa traz Sigourney Weaver e Felicity Jones, além de Liam Neeson, que faz a voz do monstro e narra a força e a imprevisível ferocidade das histórias, responsáveis pelo medo, pela angústia, pela solidão, lembrando que encarar com sinceridade segredos recolhidos dentro do peito é muito mais aterrorizante.

“O Chamado do Monstro”, de Patrick Ness (ideia original de Siobhan Dowd), com ilustrações de Jim Kay e tradução de Antônio Xerxenesky. Editora Ática, 216 páginas, R$ 35,90.

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