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Posts na categoria "Contos"

O guardião da floresta e outras histórias que você já conhece

03 de julho de 2017 0
Divulgação

Divulgação, Brinque-Book

Olá, galerinha. Hoje, quero sugerir uma obra que, como o próprio título diz, tem história que você já conhece.

No belo livro “O Guardião da Floresta e Outras Histórias que Você já Conhece”, a autora Heloisa Prieto e a ilustradora Laurabeatriz propõem novas leituras de contos clássicos como “Chapeuzinho Vermelho”, “Os Três Porquinhos” e o “Gato de Botas”, entre outros. Leitores jovens, ou nem tanto, irão se surpreender com as versões aqui apresentadas, que mantêm o espírito das histórias tradicionais ao mesmo tempo em que atualizam seus contextos.

Para os professores, a sugestão é, junto aos alunos, se ater ao título do livro: “O Guardião da Floresta e Outras Histórias que Você já Conhece”. Que histórias são essas que os alunos “já conhecem”? Eles conseguem identificar as diferenças entre as versões tradicionais dos contos e aquelas apresentadas no livro? O que pensam sobre as alterações feitas pela autora? Conhecem também outras versões das mesmas histórias?

Na introdução, a autora afirma, em relação às histórias tradicionais, que “o que importa é o prazer de torná-las nossas ao modulá-las segundo a nossa voz a narrar”. Segundo essa lógica, peça aos alunos para, individualmente ou em grupo, escolherem um conto “clássico” que não está no livro para criarem sua própria versão.

“O Guardião da Floresta e Outras Histórias que Você já Conhece”, de Heloisa Prieto, com ilustrações de Laurabeatriz. Editora Brinque-Book, 72 páginas, R$ 39,90.

"O Escravo de Capela": um novo olhar sobre mitos nacionais

23 de junho de 2017 0
Divulgação, Faro

Divulgação, Faro

A história do Brasil na era colonial foi marcada a ferro e sangue. Sangue de homens e mulheres trazidos para essa terra estranha, de costumes e crenças alheios aos seus, povoada por seres rudes e mãos prontas para causar dor. Uma terra onde ser livre não era uma opção, nem mesmo na morte. E em meio a tantas histórias fortes, foi com a mistura de crenças africanas e ritos religiosos que diversas lendas nasceram. No entanto, com os passar das décadas, muito das cores originais e do terror nelas contidas foram amenizados. E é para resgatar esse terror original que “O Escravo de Capela”, de Marcos DeBrito, foi escrito. Aqui, nossas lendas não parecem fábulas para crianças. Aqui, elas são muito mais próximas do real.

O romance se passa no ano de 1792, auge da era colonial brasileira, quando a produção de açúcar nas fazendas de cana era controlada pelas mãos impiedosas dos senhores de engenho. Os homens acorrentados que não derramassem seu suor no canavial encontravam na dor de um lombo dilacerado o estímulo para o trabalho braçal. Não eram poucos os negros que recebiam no pelourinho a resposta truculenta para sua rebeldia. Pior ainda àqueles que, no desejo por liberdade, acabavam mutilados pelo gume de um terçado. No retorno de um morto que a terra deveria ter abraçado surge o pior dos pesadelos. E como se não bastasse o terror que assombra a casa-grande ao cair da noite, um conflito que parecia enterrado é reaceso, podendo destrancar um segredo capaz de levar todos à ruína.

“O Escravo de Capela” poderia muito bem ser um romance histórico, pois o drama principal são as relações entre os membros da família Cunha Vasconcelos e as consequências pelo longos anos de tratamento cruel dado aos escravos. Mas o autor é conhecido por entregar uma visão aterradora dos males reais que afetam o ser humano, trazendo terror às suas tramas como representação do pior que existe dentro de nós.

Esqueça as histórias de brincadeiras e estripulias de um moleque travesso. O assobio na floresta não é o aviso de traquinagem, mas o presságio de que o terror se aproxima. O caminhar errante, desequilibrado e mutilado é paciente. Porque a vingança vai chegar para todos de Capela.

“O Escravo de Capela”, de Marcos DeBrito. Faro Editorial, 228 páginas, R$ 44,90.

Cultura oral africana em "Contos do Baobá"

07 de junho de 2017 0
Divulgação, Global

Divulgação, Global

“No começo dos tempos, o céu ficava muito perto da Terra, tão pertinho que as mulheres deviam tomar cuidado para não encostar nele quando manejavam seus pilões. E à noite, quando o firmamento se iluminava, elas se armavam de longas varas e pescavam umas estrelas para suas crianças brincarem.” 

Assim começa a história chamada “Por que os Pescadores Gostam do Vento?”, uma das quatro narrativas que compõem os “Contos do Baobá — 4 Contos da África Ocidental”, um livro inspirado no repertório dos griots, os verdadeiros guardiões da cultura oral africana.

A obra reúne quatro contos da África Ocidental adaptados e ilustrados por Maté. Em “Contos do Baobá”, as histórias — “A Lebre, o Rinoceronte e o Hipopótamo”, “Anansi e o Presente de Deus”, “Por que os Pescadores Gostam do Vento?” e “O Camaleão e o Chimpanzé” — são protagonizadas por personagens marcantes das narrativas tradicionais africanas.

O livro apresenta ainda, antes das histórias, o griot, poeta, músico e guardião de histórias transmitidas oralmente geração após geração e explica por que todo griot precisa de um baobá, árvore gigante quase mágica.

Ao longo das páginas, surgem várias figuras de animais cujos traços de personalidade divertem e encantam grandes e pequenos. A lebre preguiçosa conseguirá pagar o que deve ao rinoceronte e ao hipopótamo? A inteligência de Anansi, a aranha, bastará para desvendar a charada de Deus? E o pacato camaleão, saberá se safar das artimanhas do chimpanzé? Quem quiser saber a resposta, que sente à sombra do baobá e ouça com atenção as palavras do griot.

“Contos do Baobá — 4 Contos da África Ocidental”, adaptação e ilustrações de Maté. Global Editora, 40 páginas, R$ 39,00.

Gilberto Freyre conta sobre algumas assombrações do Recife Velho

29 de maio de 2017 0
Divulgação, Global

Divulgação, Global

Para o livro Algumas assombrações do Recife Velho”, de Gilberto Freyre, foram selecionados sete contos do livro “Assombrações do Recife Velho” para serem adaptados para os quadrinhos. A HQ traz as seguintes histórias:  “O Boca-de-ouro”, “Um Lobisomem Doutor”, “O Papa-figo”, “Um Barão Perseguido pelo Diabo”, “O Visconde Encantado”, “Visita de Amigo Moribundo” e “O Sobrado da Rua de São José”. A adaptação foi conduzida por André Balaio e Roberto Beltrão, que possuem larga experiência na produção de histórias em quadrinhos e estão à frente do Projeto O Recife Assombrado (mais informações em http://www.orecifeassombrado.com/).

Gilberto Freyre sempre se interessou pelo universo das assombrações e do sobrenatural. Numa de suas incursões no campo da ficção, o sociólogo escreveu “Assombrações do Recife Velho”, uma reunião de histórias de assombração que tem como cenário sua cidade natal, Recife. O livro publicado por Freyre em 1955 foi o resultado de um longo trabalho iniciado por ele em 1929, quando esteve à frente do jornal recifense “A Província”. Para a concepção das histórias, Freyre beneficiou-se da pesquisa em arquivos e dos depoimentos de seus amigos e familiares, os quais lhe confidenciaram histórias de arrepiar sobre o passado assombrado da capital pernambucana.

Gilberto Freyre foi sempre um grande entusiasta das histórias em quadrinhos a ponto de, quando exercia o cargo de deputado federal (1946-50), propôs na Comissão de Educação e Cultura que fosse feita uma história em quadrinhos da Constituição de 1946. Para a felicidade do autor, sua obra-mestra “Casa-grande & Senzala” foi adaptada para os quadrinhos. Agora, suas deliciosas histórias de assombração ganham sua primeira adaptação para HQ.

Podemos antecipar que a experiência de leitura deste “Algumas Assombrações do Recife Velho” é, sem dúvida, espantosamente deliciosa e para ser vivida sem sustos!

“Algumas Assombrações do Recife Velho”, de Gilberto Freyre, com adaptação de André Balaio e Roberto Beltrão. Global Editora, 72 páginas,  R$ 49,00.

Viagem pelo mundo das águas encantadas

03 de maio de 2017 0
Divulgação, Gaia

Divulgação, Gaia

Vamos viajar? No livro “Águas Encantadas”, a autora e ilustradora Maté nos conta três lendas de terras muito longínquas. As águas, doces ou salgadas, escondem criaturas maravilhosas: uma menina-sereia, uma ilha-crocodilo e um dragão chinês.

A primeira história, ambientada no Ártico, é sobre Sedna, a menina-sereia do povo inuit, criadora de todos os seres marinhos. A segunda, uma lenda tradicional do Timor Leste, conta como a amizade pura e destemida entre um garoto e um crocodilo é recompensada. Na terceira narrativa, vinda da China, um menino-dragão salva seu povo da seca e de um imperador tirano.

Nesse livro, o leitor mergulha nessas águas, que o esperam ao fio das palavras, e nas imagens que vão simplesmente brotando do papel. Maté, além de narrar essas histórias maravilhosas, também nos presenteia com ilustrações coloridas e únicas, que aguçam a percepção visual dos pequenos leitores.

“Águas Encantadas”, texto e ilustrações de Maté. Editora Gaia, 40 páginas, R$ 42,00.

O Guardião da Floresta e Outras Histórias que Você já Conhece

22 de fevereiro de 2017 0
Divulgação, Brinque-Book

Divulgação, Brinque-Book

O Blog do Aldo sugere para hoje um livro que traz várias histórias que você já conhece… mas será que é assim mesmo que você se lembrava?

No belo livro “O Guardião da Floresta e Outras Histórias que Você já Conhece”, de  Heloisa Prieto, a autora e a ilustradora Laurabeatriz propõem novas leituras de contos clássicos como “Chapeuzinho Vermelho, “Os Três Porquinhos” e o “Gato de Botas”, entre outros. Leitores jovens, ou nem tanto, irão se surpreender com as versões aqui apresentadas, que mantêm o espírito das histórias tradicionais ao mesmo tempo em que atualizam seus contextos.

Na  sala de aula, estes contos permitem trabalhar temas como clássico recontado, imaginação e humor. Junto aos alunos, a sugestão é o professora (ou a professora) se ater ao título do livro. Que histórias são essas que os alunos “já conhecem”? Eles conseguem identificar as diferenças entre as versões tradicionais dos contos e aquelas apresentadas no livro? O que pensam sobre as alterações feitas pela autora? Conhecem também outras versões das mesmas histórias?

“O Guardião da Floresta e Outras Histórias que Você já Conhece”, de  Heloisa Prieto, com ilustrações de Laurabeatriz. Editora Brinque-Book, 72 páginas, R$ 39,90.

Contos africanos de Mandela para as crianças

25 de janeiro de 2017 0
Divulgação, Martins Fontes

Divulgação, Martins Fontes

Todos conhecem Nelson Mandela pela sua luta contra a segregação racial na África do Sul. Em 1962, ele chegou a ser preso por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Mandela foi solto somente em 1990 e três anos depois dividiu o Prêmio Nobel da Paz com o presidente Frederik de Klerk, que foi um dos responsáveis pela libertação de Mandela. Talvez o que poucos conheçam é o lado literário do líder sul-africano, mostrado no livro “Meus Contos Africanos”.

Do berço da humanidade surge o caleidoscópio de um livro que retrata a África em sua miríade de facetas e cores: o brilho ofuscante do quente sol africano, o tom azul das montanhas no horizonte, o repouso misericordioso oferecido pela água e pela mata, os estratagemas e a malícia das criaturas, tanto animais como humanas, que povoam esse vasto continente selvagem, e sua generosidade humana, seus grandes corações e seu riso sempre presente.

No livro, são encontrados contos tão antigos quanto a África, contados ao redor de fogueiras no final do dia desde tempos imemoráveis, contos herdados dos povos san e khoi, originalmente caçadores e criadores de animais pioneiros, deixados à imaginação daqueles que vieram do mar em grandes embarcações de velas ondeantes. A obra traz ainda ricas ilustrações que complementam cada um dos contos.

“Meus Contos Africanos”, de Nelson Mandela. Editora Martins Fontes, 156 páginas, R$ 65,00.

Contos do sertão das Arábias

10 de janeiro de 2017 0
Divulgação, Escarlate

Divulgação, Escarlate

Revisitando contos das “Mil e uma Noites”, o autor e ilustrador Fábio Sombra cria, no livro “Sertão das Arábias”, uma obra original e inusitada, na qual personagens tipicamente brasileiros revivem, à sua maneira e com muito humor, algumas das histórias narradas por Sherazade.

Divirta-se com as sete viagens do vaqueiro Sibá Romão, encante-se com o menino Raimundim e sua lamparina velha e conheça um gari chamado Vavá, que, sem querer, descobre um tesouro imenso guardado por um bando de cangaceiros.

O autor compõe sua obra num gênero literário conhecido como cordel ou literatura de cordel. Para os professores, a sugestão é, junto aos alunos, estudar as características e origens deste gênero. O autor usa o cordel para criar novas histórias baseado nos contos das “Mil e uma noites”: debata com os alunos o que esses dois elementos podem ter em comum, como a origem na tradição oral e se são essas semelhanças que permitem que eles se combinem com eficiência para criar uma nova obra.

“Sertão das Arábias”, texto e ilustrações de Fábio Sombra. Editora Escarlate, 120 páginas, R$29,00.

Somos todos bichos metropolitanos

05 de dezembro de 2016 0
Divulgação, Penalux

Divulgação, Penalux

Mostrar ao leitor o “bicho” que cada ser humano carrega dentro de si. Essa é a intenção do escritor Anchieta Mendes com o seu livro “Bicho Metropolitano”. A obra traz para literatura o cotidiano das pessoas mostrando o lado animal do ser humano de uma forma coloquial, de ângulos irônicos e, ao mesmo tempo, cômicos.

Ao todo, a obra reúne quatorze contos com narrativas simples. Segundo o autor, uma boa história não precisa ser apresentada por meio de vários caminhos tortuosos. “Por exemplo, o simples caminhar mostra como as pernas e os braços fazem parte do equilíbrio, e a cabeça focada no alvo, ou seja, a história”, comenta.

O conto que empresta o nome ao livro fala sobre um rapaz que há 18 anos hibernou e nunca mais saiu de casa com medo da vida e dos outros. A sua vida se resume ao quarto na companhia de duas tias, uma cega e outra surda e muda. Ele surpreende a todos quando resolve namorar sem sair de casa.

Entre os outros, o leitor encontrará histórias como “Uma visão”, que apresenta as vidas de três irmãs que têm como único elo um gato. De maneira cômica e ao mesmo tempo trágica, o “Velório doutro mundo” traz uma enfermeira que trabalha para uma funerária e precisa resgatar o corpo de um dos pacientes morto que foi levado pelas águas da chuva durante um dilúvio angustiante.

O “Amor em três dimensões” mostra a vida solitária de uma mãe/avó que recebe a visita do filho e da neta num quarto entregue à velhice. Já em “O zumbi”, a narrativa reflete como as aparências enganam, principalmente diante de um crime coletivo sem medidas.

Anchieta comenta que a intenção da obra era retratar a realidade do homem de maneira cômica e também irônica. “Quis revelar um pouco do que vivemos: os encontros e desencontros da vida, as mentiras, os erros que cometemos, os pecados aflorados e os medos do mundo”, finaliza.

“Bicho Metropolitano”, de Anchieta Mendes. Editora Penalux, 142 páginas, R$ 34,00.

Editora Positivo lança trilogia no centenário do escritor Murilo Rubião

29 de novembro de 2016 0
Divulgação, Positivo

Divulgação, Positivo

O centenário de nascimento do escritor mineiro Murilo Rubião − um dos principais representantes da literatura fantástica no Brasil − inspira o lançamento de uma trilogia ilustrada pela Editora Positivo. Os contos “Bárbara”, “O Edifício” e “Teleco, o Coelhinho” saem em edições especiais e com a participação de grandes ilustradores brasileiros, cujos trabalhos interagem com o texto.

Entre os diferenciais das publicações está justamente o formato, no qual, dentro de uma conceituação atual, ilustração e projeto gráfico contribuem para ampliar ainda mais o peso da obra. Dessa forma, a editora pretende aproximar as novas gerações da escrita de Rubião e estimular o interesse não só por este autor, mas também pelo gênero ficção fantástica, que costuma ter uma ótima aceitação entre o público jovem e adolescente.

O projeto partiu do mineiro Nelson Cruz. Um dos mais reconhecidos ilustradores do País, Cruz detém, entre outras premiações, a da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), a da Câmara Brasileira do Livro (Jabuti),  a da Biblioteca Nacional (Prêmio Glória Pondé), e a do Centre International d’Études en Littérature de Jeunesse (Cielj), da França (Octogones). Foi ele quem sugeriu a publicação de três livros ilustrados e também a participação dos outros artistas: a mineira Marilda Castanha e o paulista Odilon Moraes.

Os três tiveram a liberdade de escolher o conto conforme identificação pessoal, conteúdo que foi devidamente aprovado pela Editora Positivo, que avaliou a adequação de leitura das obras e também as recomendou para uso no ensino fundamental.  Vendidos separadamente ao preço de R$ 39,80, os livros destacam-se, ainda, pelo acabamento em costura e pela riqueza das ilustrações em técnicas que passam pelo trabalho manual com nanquim, giz, aquarela, tinta acrílica, gesso, entre outros.

Rubião, o precursor da literatura fantástica no Brasil

Divulgação, Positivo

Divulgação, Positivo

Como explica o escritor Nelson de Oliveira, que prefacia o livro “O Edifício”, “no Brasil, grandes autores fizeram ficção fantástica, mas esporadicamente. Pouquíssimos foram os que se dedicaram exclusivamente a esse gênero. Murilo Rubião foi um deles. Não só isso. Foi um dos maiores. Um precursor. Sua obra ficcional − apenas trinta e três contos curtos − iluminou o caminho para a sua geração e as seguintes.”

Nascido em Minas Gerais em 1916, Murilo Rubião formou-se em Direito e exerceu diversas atividades. Começou a carreira literária escrevendo poemas, mas logo acabou enveredando para o gênero que o consagrou: o conto fantástico. Mágico das palavras, o autor retira de sua cartola um cotidiano revestido de simbologia apetitosa. Personagens podem surgir e desaparecer sem maiores explicações. Situações aparentemente absurdas são moldadas por uma linguagem que harmoniza o natural com o sobrenatural. Nesse contexto, valores da sociedade são colocados frequentemente à prova.

O escritor Mário de Andrade afirmou, em 1943, que Rubião “possui o mesmo dom de um Kafka. A gente não se preocupa mais, é preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real, sem nenhuma reação mais”. Apesar do reconhecimento de sua obra (ainda em vida) por boa parte do meio literário, o autor nunca se mostrou satisfeito com o resultado de sua escrita. Em entrevistas, revelou que essa insatisfação o levava à reescrita constante dos contos, lapidando a linguagem até a exaustão, em busca de uma prosa límpida.

Seu primeiro livro, “O Ex-mágico”, foi publicado em 1947. Depois, vieram “A Estrela Vermelha” (1953), “Os Dragões e Outros Contos” (1965), “O Pirotécnico Zacarias e o Convidado” (1974), “A Casa do Girassol Vermelho” (1978) e “O Homem de Boné Cinzento e Outras Histórias” (1990). Teve parte da obra traduzida para outros idiomas. Após a sua morte, em 1991, diversas antologias de contos seus foram publicadas no País.

Os livros

Divulgação, Positivo

Divulgação, Positivo

“O Edifício” – trabalho que remete ao mito de Sísifo, é uma alegoria à condição humana e um conto extremamente angustiante no qual a vida parece suspensa. Segundo o escritor Nelson de Oliveira, que responde pelo prefácio da obra, a narrativa transparente, sem exageros retóricos, mostra que, para o autor, o enredo é tão importante quanto a linguagem. Ilustrado por Nelson Cruz em tinta acrílica e caneta nanquim, tem 48 páginas.

“Bárbara” – uma obra que relata, por meio do fantástico, a soberba e o vazio. É a história de uma mulher que não se sacia e tem desejos sem fim, e de seu companheiro que, com um amor descomunal, não se limita a satisfazer as vontades da esposa. Na visão de Mariana Ianelli, que prefacia o livro, também pode ser considerado “uma história de sombras ou A fábula de um amor louco”. Ilustrado por Marilda Castanha, em técnica mista, tem 48 páginas.

“Teleco, o Coelhinho” – este conto fala das questões da existência humana e da metamorfose, no sentido de tentativa de adaptação do mundo. Como explica Nilma Lacerda, que apresenta o livro, a obra mostra “as transformações contínuas de humor, de um corpo que em certas ocasiões parece não caber no eu que o abriga”. Com ilustrações de Odilon Moraes, em lápis, nanquim e Ecoline, tem 48 páginas.