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Posts na categoria "Crônica"

Professora de Joinville abre diário e lança livro de crônicas para jovens

09 de agosto de 2016 0
Divulgação, Areia

Divulgação, Areia

Enquanto crescia, Andreia Evaristo estava sempre portando um diário ou uma agenda para relatar ali os pensamentos e as experiências da infância e da adolescência. Era uma forma de expressão para a leitora voraz que, pelo amor às letras, tornou-se professora e agora lança seu primeiro livro. “Chiclete pra Guardar pra Depois” (Editora Areia, 117 páginas) reúne 37 crônicas nas quais a autora reflete sobre amadurecimento e sobre o mundo contemporâneo. Em tom quase de confissão, é como se Andreia abrisse seu diário para o leitor e dialogasse com ele sobre as agruras de crescer – principalmente para as meninas.

Em suas crônicas, Andreia diverte ao dividir neuroses e tormentos sobre o processo de tornar-se adulta e assistir às mudanças nas rotinas, responsabilidades e até mesmo nas datas especiais, além de contar experiências sobre a preocupação com o corpo diante da imagem de mulher perfeita exigida pela sociedade atual. Algumas delas foram produzidas ainda durante a faculdade de letras, enquanto outras foram desabafos nos blogs que substituíram os diários e agendas da adolescência.

À medida que as páginas avançam, transformam-se também os textos e as preocupações, como se acompanhasse o amadurecimento da escritora que, já no papel de educadora, assiste ao crescimento de outros adolescentes. É assim que ela expõe também um mundo onde a morte, o abuso sexual e o abandono fazem parte do dia a dia.

– Acho que todo mundo que escreve, escreve porque tem algo que incomoda. Mesmo quando faz textos mais leves, tem uma dor, que pode ser nossa ou pode ser do outro. Não há escrita sem dor – avalia Andreia.

“Chiclete pra Guardar pra Depois” foi contemplado pelo Edital de Apoio às Artes do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec) da Fundação Cultural de Joinville em 2015. Por isso, Andreia oferecerá oficinas de criação literária a alunos de quatro escolas da rede estadual com foco em discussão de gênero.

O evento de lançamento ocorrerá no sábado, 13 de agosto, a partir das 10 horas, na Livraria A Página. Além de bate-papo e sessão de autógrafos com a autora, também haverá apresentação musical com voz e violão no segundo piso da livraria.

Serviço:

O QUÊ: lançamento do livro “Chiclete pra Guardar pra Depois”, de Andreia Evaristo.
QUANDO: sábado, 13 de agosto, entre as 10h e as 13 horas.
ONDE: Livraria A Página (rua Dr. João Colin).
QUANTO: o evento de lançamento é gratuito. O livro estará à venda por R$ 15.
CONTATO DA AUTORA: (47) 9994-9508.

Novos olhares com a Janela Mágica

29 de julho de 2016 0
Divulgação, Global

Divulgação, Global

Em “Janela Mágica”, Cecília Meireles nos convida a olhar o cotidiano sob outra perspectiva. São 21 crônicas que trazem cenas urbanas, flagram mudanças de comportamento, recuperam memórias afetivas, tudo permeado pelo fascínio que a escritora cultiva por tudo aquilo que diz respeito ao humano.

Nesta seleção de crônicas direcionada aos jovens leitores, assistimos a nossa grande poeta concebendo coloridos retratos que mostram as diferenças entre o mundo que conhecemos e aquele que gostaríamos de conhecer.

Com ilustrações de Orlando Pedroso que dão vida às crônicas, a obra fala sobre a relação do homem com os animais, sobre o desmatamento urbano, o esvaziamento do sentido do Natal e muito mais.

“Janela Mágica”, de Cecília Meireles, com ilustrações de Orlando Pedroso. Global Editora,104 páginas, R$ 39,90.

 

"Espelho", por Roseana Murray

16 de abril de 2015 2
Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

O blog recebeu um texto mais do que especial: a crônica “Espelho”, escrita exclusivamente para o blog pela grande escritora Roseana Murray. A escritora vive em Saquarema-RJ. Publicou seu primeiro livro infantil em 1980 (“Fardo de Carinho”, Editora Murinho, R.J). Tem dois livros traduzidos no México (“Casas”, Editora Formato, e “Três Velhinhas tão Velhinhas, Editora Miguilim/ Ibeppe) . Seus poemas estão em antologias na Espanha. Tem poemas traduzidos em seis linguas ( in Um Deus para 2000, Juan Arias, Editora Desclée e Maria, Esta Grande Desconhecida, Juan Arias, Editora Maeva.).

Recebeu o Prêmio O Melhor de Poesia da FNLIJ nos anos 1986 (“Fruta no Ponto”, Editora FTD), 1994 (“Tantos Medos e Outras Coragens”, Editora FTD), 1997 (“Receitas de Olhar”, Editora FTD) e em 2013 “Diário da Montanha” (Editora Manati).

Recebeu o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1990 para o livro “Artes e Ofícios” (Editora FTD). Entrou para a Lista de Honra do I.B.B.Y em 1994 com o livro “Tantos Medos e Outras Coragens”, tendo recebido seu diploma em Sevilha, Espanha.

Recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras em 2002 para o livro “Jardins” (Editora Manati, RJ) como o melhor livro infantil do ano.

Participou, ao longo destes anos, de vários projetos de leitura. Implantou em Saquarema, em 2003, junto com a Secretaria Municipal de Educação, o Projeto Saquarema, uma Onda de Leitura (fonte: http://www.roseanamurray.com/biografia.asp).

Em Joinville, ela já foi homenageada dando nome a uma hemerocale. Dê uma conferida abaixo e se emocione.

 

ESPELHO

Busco no espelho, como no conto do Guimarães Rosa, a minha alma.
Quem sou verdadeiramente, retirando a pele e os ossos?
Tenho 64 anos e um corpo que atravessou vendavais e sobreviveu. Um corpo marcado pela vida com todas as suas idas e vindas.
O espelho me mostra a superfície: uma bela senhora de olhos acesos. Mas por dentro é outra coisa. Tantas idades coexistem dentro de mim!
Sou uma adolescente, sentada no chão, de pernas cruzadas, querendo adivinhar o tempo. Felizmente, descobri o dom da poesia e do olhar, o meu dom.
E já não preciso adivinhar o tempo, porque hoje sei que o tempo não passa, somos nós que passamos e vamos vivendo o que nos vai acontecendo, as surpresas. Então posso conversar com a adolescente inquieta e apaziguá-la.
Mas se o espelho pudesse mostrar a minha alma, mostraria a criança que fui, a jovem, a velha, todas juntas, bem amarradas, como um feixe de girassóis.
Hoje, nós, humanos, vivemos muito. Podemos até nos aposentar do trabalho obrigatório, mas não da vida, das paixões, dos sonhos, que é o que nos move. Não podemos aposentar os milagres, eles continuam existindo até o último segundo.
Descobrir os nossos dons é uma tarefa  obrigatória para que nossa usina interna de alegria possa funcionar. Então não importa se temos vinte, trinta, sessenta, oitenta anos, a vida será sempre uma aventura.

Roseana Murray, 16 de abril, Saquarema