A Cosac Naify recebeu dois prêmios na Feira Internacional do Livro de Bolonha, o mais importante evento de literatura infantojuvenil do mundo. Trata-se da primeira vez que uma editora brasileira recebe dois prêmios na mesma edição do evento. Mais do que isso: é a editora brasileira com o maior número de prêmios na feira (em cinco anos de participação, foram quatro condecorações); o único registro de um outro prêmio brasileiro foi em 2001, para o livro "Nas Ruas do Brás", de Drauzio Varella, da Cia. das Letrinhas.
A conquista ganha mais significado porque a editora concorreu com toda a produção editorial de Ásia, África e América Latina na categoria novos horizontes e levou a melhor com o livro "Mil-folhas" (foto), de Lucrecia Zappi, que arrematou o prêmio máximo. Na mesma categoria, "A Janela de Esquina do meu Primo" (da linha mais juvenil), de E. T. A. Hoffmann, ilustrado por Daniel Bueno, recebeu menção honrosa. A editora já ganhou outras duas vezes a menção honrosa, pelos livros "Lampião & Lancelote" (2007), de Fernando Vilela, e "Tchibum!" (2010), de Gustavo Borges e Daniel Kondo.
UMA HISTÓRIA ILUSTRADA DO DOCE
Nos quatro cantos do mundo, a gastronomia influenciou diversas culturas. "Mil-folhas", sexto livro da coleção "Prismas", é um passeio geográfico, artístico e literário pela história do doce. A jornalista Lucrecia Zappi, com experiência no suplemento infantil do jornal "Folha de S. Paulo", faz aqui um recorte histórico do doce, valendo-se de uma vasta bibliografia. A edição tem patrocínio da doceria Dulca, uma das mais tradicionais do Brasil, que em 2011 completa 60 anos.
Com as navegações – motivadas pela procura do açúcar, uma das cobiçadas especiarias – desenvolveu-se uma verdadeira política econômica também no continente americano, pela exploração das ilhas açucareiras do Caribe e da costa brasileira. Mas o intercâmbio não era só comercial. E, neste vaivém do mar, o pão de ló produzido no Brasil, mas de origem portuguesa, foi parar no Japão. O livro também traça o caminho do xicltl consumido pelos maias e astecas ao chiclete da Adam’s, do al-fahua dos árabes ao tradicional alfajor argentino; lembra a invasão dos turcos no império otomano, sua derrota e a criação do croissant para comemorar a vitória; explica como os doces foram parar nos tabuleiros de rua no Brasil; passeia pela Idade Média, com suas docerias de conventos e os mata-frades e barrigas-de-freira; narra o famoso banquete no Castelo de Chantilly e a criação do famoso creme; entre outras histórias que contêm as “mil folhas” do livro.
O objetivo da coleção Prismas é trazer ao pequeno leitor temas como moda, balé, tatuagem e ioga, com uma análise sociológica e através das artes. Além de percorrer os séculos de história desses temas, os livros atualizam cada um deles, permitindo um novo significado no presente.
Assim, a iconografia de "Mil-folhas" foi inteiramente baseada em cartazes de época, além de imagens informativas que demonstram como a apreciação e feitura dos doces são elementos do comportamento cultural. Mais que apenas ilustrar o texto, o projeto gráfico do livro é uma narrativa à parte, que complementa e enriquece o texto escrito.
A chef Mari Hirata, que nasceu em São Paulo mas, em 2001 voltou ao Japão a convite da confeitaria oficial da família imperial japonesa para a abrir do Toraya Café, fala sobre o livro no texto de quarta capa: “Além dos fatos históricos, Lucrecia recheia o livro com as delícias do açúcar e com as cores e sabores que despertaram a criatividade de grandes chefes também inventores. Como Vatel que, numa noite, criou o chantilly”.
Um livro delicioso de ser lido.