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Posts com a tag "editora cosac naify"

Uma menina e as relações familiares

13 de setembro de 2011 0

Primeiro livro da autora belga Kitty Crowther, conhecida por abordar em suas histórias temas raros na literatura infantil, "Meu Reino" usa uma bonita metáfora para falar sobre as relações familiares e os conflitos paternos.

A menina-protagonista vive no alto de uma colina. De cada lado de sua casa há um reino, onde moram um rei e uma rainha. Os dois brigam incansavelmente, noite e dia, sem parar. Quando decidem ir à casa dela para se desculpar pelo barulho, o encontro inusitado não termina bem. Cabe à garotinha tomar a frente da situação e impor seus limites. É então que nos damos conta de que o rei e a rainha são, na verdade, seus pais. Indicado para todos os tipos de família.

Outra particularidade interessante do livro editado pela Cosac Naify é a quarta capa, escrita pela atriz Malu Mader e o músico Tony Belotto, que são marido e mulher. "“No nosso reino, gostamos de trocar de personagens, pois às vezes só assim as coisas se resolvem. Mas nossos filhos se divertem mesmo quando as coroas caem de nossas cabeças”, dizem em um dos trechos.

"Meu Reino", texto e ilustrações de Kitty Crowther, com tradução de Flávia Varella. Editora Cosac Naify, 40 páginas, R$ 29,90.

"A Diaba e sua Filha", uma história de afeto

14 de julho de 2011 0

A franco-senegalesa Marie NDiaye foi apresentada ao leitor brasileiro pela Cosac Naify em “Coração Apertado” (2010). Um dos maiores expoentes da literatura francesa contemporânea, coroada com o mais respeitado prêmio das letras francesas, o Goncourt, ela revela agora seu talento narrativo para outro público: o infantojuvenil.

Em "A Diaba e sua Filha", NDiaye mantém sua escrita consistente e singular. Lançada em 2000, a edição francesa já está na décima reimpressão e vendeu mais de 500 mil exemplares. A versão brasileira teve o projeto revisto, formato ampliado e ganhou a cor azul no miolo, originalmente preto e branco. No livro, uma diaba sai todas as noites da floresta à procura de sua filha que desapareceu misteriosamente, junto com a casa onde moravam. É quando a diaba percebe também que seus delicados pés se transformaram em cascos de cabra – deformidade que causa repulsa nas pessoas. Convicta de que ninguém nunca lhe dirá onde está sua filha, a diaba decide pegar para si a primeira criança que encontrar. E se depara justamente com uma menina expulsa da aldeia por ter pés malformados, o que levou os vizinhos a concluir que ela só poderia ser a filha da diaba. Segue, então, para a floresta com a criança nos braços. Ao ver seus pés femininos ressurgirem, ela recupera sua humanidade.

A atmosfera noturna, reforçada pelo traço sombrio da prestigiada ilustradora Nadja, dá à história um caráter misterioso. O sincretismo de NDiaye ecoa em seu texto, mescla de metáforas dos contos de fada tradicionais e de elementos da literatura antilhana. A ambiguidade da personagem – alegoria da noite – , de face graciosa, olhos doces, mas com cascos no lugar dos pés, suscita no leitor alguma hesitação e muitos questionamentos. Se a figura da diaba equivale na cultura caribenha ao lobo mau das narrativas infantis ocidentais, a noite simboliza a fecundidade.

Nas palavras do escritor moçambicano Mia Couto, que assina o texto de orelha, NDiaye escreve sobre os nossos medos e o modo como eles são coletivamente construídos. Escreve sobre a necessidade de classificarmos os outros e os arrumarmos em bons e maus, em anjos e monstros.

Ideal para trabalhar temas como adoção, deficiência, discriminação, rejeição e tolerância, um livro que nos convida a refletir sobre como o afeto é capaz de humanizar até a aparentemente mais aterrorizante criatura e sobre a importância de se respeitar as diferenças, visíveis e invisíveis.

“A Diaba e sua Filha”, de Marie Ndiaye, com ilustrações de Nadja e tradução de Paulo Neves. Editora Cosac Naify, 40 páginas, R$ 25,00.

As aventuras de Ook e Gluk

05 de julho de 2011 0

A Editora Cosac Naify traz às livrarias "As Aventuras de Ook e Gluk: Mestres do Kung Fu Primitivos do Futuro", a segunda obra inteiramente escrita e ilustrada por jorge e Haroldo - que parecem inesgotáveis em sua criatividade.

Os garotos, criados por Dav Pilkey em "As Aventuras do Capitão Cueca" - cuja coleção vendeu, só no Brasil, 360 mil exemplares - saíram do papel e trocaram a função de protagonistas pela de autores infantis.

Todo em formato de história em quadrinhos, "As Aventuras de Ook e Gluk" conta a história dos dois amigos pré-históricos que, na luta contra o cruel Motopoto, acabam viajando no tempo e aprendendo kung fu com o mestre Wong. Aliando a técnica e a filosofia dessa arte marcial milenar à ajuda do bebê dinossauro Lily, Ook e Gluk embarcam numa jornada cheia de emoções fortes. Entre idas e vindas pelo portal do tempo - criado pelo outro chefe Motopoto, o do futuro - a dupla descobre o perverso esquema das Empresas Motopoto de roubar água e outros recursos naturais do passado e seus planos de escravizar o povo da Cavernolândia. Ou seja, além de falar da arte do kung fu, do amor e da paz mundial, o livro tematiza de forma muito perspicaz a devastação na natureza causada pelo homem.

O livro também traz o recurso "Vire-O-Game" em todos os capítulos, um mincurso de cavernês e mais de 570 erros gramaticais. Aliás, este tópico poderia ser criticado, mas ele pode servir como ferramenta nas aulas de português: enquanto a galerinha lê, o professor (ou a professora) e os pais podem e devem estimular as crianças e adolescentes a identificarem onde estão os erros e reescrever a frase com a forma correta. Fazendo isso, os alunos estarão se divertindo com a leitura e, ao mesmo tempo, aprendendo (ou pelo menos tentando aprender) a língua pátria. Portanto, não se trata de aceitar passivamente os erros contidos em frases do livro.

"As Aventuras de Ook e Gluk: Mestres do Kung Fu Primitivos do Futuro", de Dav Pilkey, com tradução de Vanessa Barbara. Editora Cosac Naify, 176 páginas, R$ 29,90.

História de amor em dia de chuva

14 de março de 2011 0

Muita gente já ouviu falar do escritor português Eça de Queiroz, principalmente por causa da obra "O Primo Basílio", que já virou até minissérie na televisão. Mas a dica de hoje do Blog do Aldo é de uma obra pouco conhecida, inclusive dos fãs do escritor, mas vale a pena.

"Um Dia de Chuva" é um dos últimos contos escritos pelo autor, tendo sido publicado após a sua morte e cujo texto ficou “inacabado”, um traço de modernidade que só enriquece a leitura. O professor e intelectual Antonio Candido – que colaborou com esta edição da Cosac Naify – registrou seu apreço pelo conto no artigo “Eça de Queiroz, passado e presente”, saudando também o estabelecimento do texto feito por Beatriz Berrini: “Embora mais irregular, o texto estabelecido por Beatriz Berrini continua encantando pela graça e originalidade, a ponto de podermos dizer que, se é inacabado como redação, é completo como composição, sendo uma pequena obra-prima sem polimento final”.

O enredo é simples e aponta para uma singela história de amor, encoberta por uma chuva incessante. José Ernesto, um solteirão de Lisboa, vai até o Norte de Portugal com o intuito de comprar uma quinta, para fugir da cidade grande. Ao chegar, sucedem-se vários dias de chuva sem trégua. Impossibilitado de visitar a propriedade, ocupa o tempo conversando com o padre da paróquia local, que também é procurador dos donos da casa, e o caseiro. Impossibilitado de conhecer a quinta, José Ernesto ouve ao redor de uma boa mesa, ao sabor das iguarias rurais e do vinho, o padre contar as vantagens do terreno e a história da família que habitava a casa. É então que ouve falar de D. Joana, filha do proprietário, por quem se apaixona mesmo antes de conhecê-la.

Este conto raro – publicado no Brasil apenas nas obras completas do autor –, em que Eça estabelece, mais uma vez, o paralelo entre os males da cidade e as excelências da vida próxima à natureza, traz à memória do leitor queiroziano romances como "A Ilustre Casa de Ramires (1900) e "A Cidade e as Serras" (1901). “O que não se entende é que esta narrativa admirável tenha ficado à margem da caudal poderosa que foi a voga de Eça de Queiroz no Brasil nesses cento e poucos anos”, conclui Antonio Candido.

"Um Dia de Chuva", de Eça de Queiroz, texto estabelecido e notas de Beatriz Berrini e ilustrações de Eloar Guazzelli. Editora Cosac Naify, 56 páginas, R$ 39,00.

Dois clássicos dos anos 1970

10 de março de 2011 0

A Cosac Naify lança seus dois livros mais revolucionários, ambos da década de 1970: "Fique Longe da Água, Shirley!" (1977) e "Hora de Sair da Banheira, Shirley!" (1978). Juntos, já venderam mais de 200 mil exemplares apenas na Inglaterra e foram traduzidos para cinco idiomas.

Com cerca de 60 obras publicadas e tendo vendido mais de 4 milhões pelo mundo, o autor John Burningham é mestre em contar histórias a partir do ponto de vista das crianças – talvez seja essa a razão de seu sucesso e originalidade. Foi uma das maiores influências da artista Suzy Lee, autora do best-seller "Onda" (Cosac Naify, 2008), e do próprio Maurice Sendak, autor de "Onde Vivem os Monstros" (Cosac Naify, 2009), que escreveu o prefácio de sua biografia – onde se declara, apesar de contemporâneo, um fã incondicional.

Nestes lançamentos, Burningham se utiliza do espaço da página dupla para contar duas narrativas simultâneas. Do lado esquerdo, se ocupa das trivialidades do mundo dos adultos (os pais de Shirley), com ilustrações tradicionais de poucos traços e falas soltas. No direito, retrata as fantasias do universo infantil (a imaginação da menina), em imagens coloridas e oníricas, com lápis de cor, carvão e tinta.

Um dia na praia é o tema de "Fique longe da água, Shirley!". Os pais preparam o “acampamento”, bebem  água e leem o jornal, enquanto dão diversas recomendações à menina. Ela, longe dali, enfrenta piratas e até descobre um tesouro escondido.

Em "Hora de Sair da Banheira, Shirley!", enquanto a mãe dá broncas pelos maus hábitos da filha, ela parte, pelo ralo da banheira, para um reino encantado onde anda com cavaleiros, conhece o castelo e ainda tem tempo para uma divertida batalha com o rei e a rainha, montada em seu pato de borracha.

"Fique Longe da Água, Shirley!", de John Burningham, com  tradução de Cláudio Marcondes, Editora Cosac Naify, 32 páginas, R$ 30,00.

"Hora de Sair da Banheira, Shirley!", de John Burningham, com  tradução de Cláudio Marcondes, Editora Cosac Naify, 26 páginas, R$ 30,00.

Cosac Naify ganha prêmios internacionais

22 de fevereiro de 2011 0

A Cosac Naify recebeu dois prêmios na Feira Internacional do Livro de Bolonha, o mais importante evento de literatura infantojuvenil do mundo. Trata-se da primeira vez que uma editora brasileira recebe dois prêmios na mesma edição do evento. Mais do que isso: é a editora brasileira com o maior número de prêmios na feira (em cinco anos de participação, foram quatro condecorações); o único registro de um outro prêmio brasileiro foi em 2001, para o livro "Nas Ruas do Brás", de Drauzio Varella, da Cia. das Letrinhas.

A conquista ganha mais significado porque a editora concorreu com toda a produção editorial de Ásia, África e América Latina na categoria novos horizontes e levou a melhor com o livro "Mil-folhas" (foto), de Lucrecia Zappi, que arrematou o prêmio máximo. Na mesma categoria, "A Janela de Esquina do meu Primo" (da linha mais juvenil), de E. T. A. Hoffmann, ilustrado por Daniel Bueno, recebeu menção honrosa. A editora já ganhou outras duas vezes a menção honrosa, pelos livros "Lampião & Lancelote" (2007), de Fernando Vilela, e "Tchibum!" (2010), de Gustavo Borges e Daniel Kondo.

UMA HISTÓRIA ILUSTRADA DO DOCE

Nos quatro cantos do mundo, a gastronomia influenciou diversas culturas. "Mil-folhas", sexto livro da coleção "Prismas", é um passeio geográfico, artístico e literário pela história do doce. A jornalista Lucrecia Zappi, com experiência no suplemento infantil do jornal "Folha de S. Paulo", faz aqui um recorte histórico do doce, valendo-se de uma vasta bibliografia. A edição tem patrocínio da doceria Dulca, uma das mais tradicionais do Brasil, que em 2011 completa 60 anos.

Com as navegações – motivadas pela procura do açúcar, uma das cobiçadas especiarias – desenvolveu-se uma verdadeira política econômica também no continente americano, pela exploração das ilhas açucareiras do Caribe e da costa brasileira. Mas o intercâmbio não era só comercial. E, neste vaivém do mar, o pão de ló produzido no Brasil, mas de origem portuguesa, foi parar no Japão. O livro também traça o caminho do xicltl consumido pelos maias e astecas ao chiclete da Adam’s, do al-fahua dos árabes ao tradicional alfajor argentino; lembra a invasão dos turcos no império otomano, sua derrota e a criação do croissant para comemorar a vitória; explica como os doces foram parar nos tabuleiros de rua no Brasil; passeia pela Idade Média, com suas docerias de conventos e os mata-frades e barrigas-de-freira; narra o famoso banquete no Castelo de Chantilly e a criação do famoso creme; entre outras histórias que contêm as “mil folhas” do livro.

O objetivo da coleção Prismas é trazer ao pequeno leitor temas como moda, balé, tatuagem e ioga, com uma análise sociológica e através das artes. Além de percorrer os séculos de história desses temas, os livros atualizam cada um deles, permitindo um novo significado no presente.

Assim, a iconografia de "Mil-folhas" foi inteiramente baseada em cartazes de época, além de imagens informativas que demonstram como a apreciação e feitura dos doces são elementos do comportamento cultural. Mais que apenas ilustrar o texto, o projeto gráfico do livro é uma narrativa à parte, que complementa e enriquece o texto escrito.

A chef Mari Hirata, que nasceu em São Paulo mas, em 2001 voltou ao Japão a convite da confeitaria oficial da família imperial japonesa para a abrir do Toraya Café, fala sobre o livro no texto de quarta capa: “Além dos fatos históricos, Lucrecia recheia o livro com as delícias do açúcar e com as cores e sabores que despertaram a criatividade de grandes chefes também inventores. Como Vatel que, numa noite, criou o chantilly”.

Um livro delicioso de ser lido.

Snoopy sopra 60 velinhas

04 de outubro de 2010 1

Após o sucesso de "Snoopy Extraordinário", a Cosac Naify celebra o aniversário de 60 anos, ocorrido dia 2, do beagle escritor com o lançamento de "Snoopy – Primeiro de Abril". O livro reúne 112 tiras e 18 páginas dominicais criadas por Schulz na década de 1970, em generosa edição de capa dura, colorida.

O leitor poderá se deliciar com as dezenas de recusas recebidas pelo cão em resposta a seus incríveis contos (a não ser no Dia da Mentira), assistir a uma encenação de guerra e paz em fantoches e compartilhar das angústias do cachorro escoteiro perdido na mata. Há ainda tiras protagonizadas por Charlie Brown, Lucy e Schoeder, Marcie e Patty Pimentinha, Sally e toda a turma.

Sessenta anos após a primeira tira, a série permanece atual e encantando leitores de todas as idades. Schulz serviu de exemplo para muitos cartunistas, entre eles Bill Watterson, criador de "Calvin & Haroldo": "Na minha infância, eu colecionava os livros Peanuts e os usava como meu curso pessoal de cartum, copiando os desenhos com a ideia de algum dia tornar-me o próximo Charles Schulz". No final do ano, chega às livrarias "O Natal do Snoopy".

"Snoopy – Primeiro de Abril", de Charles Schulz. Editora Cosac Naify, 56 páginas, R$ 45,00.

É um pato ou um coelho?

03 de setembro de 2010 0

Olhe bem para a capa do livro aí do lado esquerdo: você acha que é um pato ou um coelho? Eu acho que é um... um... Que coisa! Dependendo do ângulo que se vê, pode tanto ser um pato quanto um coelho.

Este livro nasceu quando a escritora Amy Krouse Rosenthal viu seu amigo, o autor e ilustrador Tom Lichtenheld, desenhar a famosa figura do "PatoCoelho" – em que nossa percepção visual alterna entre os dois animais – durante uma palestra que davam juntos numa escola. Com humor e um jogo de diálogos informais entre duas pessoas, os autores nos lembram que, na verdade, tudo depende do nosso ponto de vista: pode ser o pato bebendo água ou “o coelho acalorado refrescando as orelhas”. O pato se enfiou no brejo ou era o coelho se escondendo no mato?

Quando a questão está quase resolvida, aparece um tamanduá. Ou seria um brontossauro? O livro "Pato! Coelho!" estimula a troca e o debate, deixando claro que, numa discussão, é importante o respeito pela opinião do outro, por mais divergente que seja.

"Pato! Coelho!", de Amy Krouse Rosenthal, com ilustrações de Tom Lichtenheld e tradução de Cassiano Elek Machado. Editora Cosac Naify, 32 páginas, R$ 37,00.

Editora Cosac Naify lança livro com as melhores histórias do Snoopy

24 de agosto de 2010 1

Fãs do Snoopy, alegrem-se: um dos cachorros mais queridos ganha edição com as melhores histórias. Protagonista da série de quadrinhos mais famosa do mundo, Snoopy está de casa nova. O cachorro beagle, Charlie Brown e toda a turma estreiam na Cosac Naify com "Snoopy Extraordinário", uma seleção inédita das melhores páginas dominicais de Schulz das décadas de 1960 e 70. A edição, em capa dura e formato generoso, traz ilustrações em cores e comentários do historiador e escritor Umberto Eco e do quadrinista Chris Ware na quarta capa.

Neste lançamento, o cão-filósofo e seu dono tímido e desajeitado protagonizam situações de amizade, desentendimento e reflexão sobre questões existenciais, sempre de forma bem-humorada. Há tiras dos alter egos do Snoopy – o ás voador da Primeira Guerra Mundial, que usa a casinha como avião de combate ao Barão Vermelho; o ás literário, em que, concentrado sobre o telhado, Snoopy datilografa o início de sua novela –, além de divertidas partidas de beisebol, patinação no gelo e noites de insônia.

Com um traço minimalista – suas crianças caracterizam-se por cabeças grandes e arredondadas sobre corpos diminutos –, o criador do personagem, Charles M. Schulz, conseguiu retratar emoções universais, como a ansiedade, a depressão, a desilusão e o sentido da vida, revelando-se um pioneiro na arte de introduzir temas da psicologia nos quadrinhos. Não à toa, o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan enviou uma mensagem a Schulz contando que se identificava com Charlie Brown, e os astronautas da Apollo 10 deram o nome de Charlie e Snoopy a seus veículos de órbita e pouso.

De caráter autobiográfico, a série Peanuts foi inspirada na vida e nas pessoas próximas a Schulz. Assim como seu criador, Charlie Brown é um garoto tímido, filho de um barbeiro, sem muita habilidade para os esportes e o menor da sua turma no colégio. A mandona Lucy se assemelha à primeira mulher de Schulz. Patty Pimentinha nasceu da observação de uma prima do autor, que preferia as brincadeiras de menino e não gostava de receber ordens. E houve até uma garota ruiva por quem ele nutriu uma paixão não-correspondida. O passarinho Woodstock, Linus e seu inseparável cobertor azul, Sally, a irmã mais nova de Charlie Brown, Rerun, o músico Schroeder, Marcie, Franklin e Pigpen completam a turma.

Publicada pela primeira vez nos Estados Unidos em 1950, a série, que permanece atual e encanta leitores de todas as idades, faz em outubro 60 anos. A edição da Cosac Naify chega ao Brasil para celebrar o aniversário e abre uma série de livros do personagem na editora.

"Snoopy Extraordinário", de Charles M. Schuz. Editora CosacNaify. 56 páginas, R$ 45,00.

Curta um sábado na livraria

15 de abril de 2010 0

O livro "Sábado na Livraria" é uma homenagem da Editora Cosac Naify a este lugar tão familiar a nós e aos amantes da literatura. O lançamento convida os leitores a uma prática muito prazerosa: visitar a loja sem pressa, descobrir tesouros escondidos nas prateleiras, mergulhar na leitura de um título, mesmo sem comprá-lo. Na quarta capa, Bernardo Ajzenberg, escritor e dono do Sebo Avalovara, em São Paulo, define: “Livraria é como parque de diversões: encanta e gera encontros. Ou como cinema: incrível variedade de temas, magia das surpresas”.
 
Tematizando a livraria como local de convívio e transformação, Sylvie Neeman conta a história de uma menina que cultiva o hábito de ir à livraria e se perder em meio aos livros. Assim como ela, um senhor é frequentador assíduo do lugar. Mas, enquanto a garota devora e dá risada com os quadrinhos, o velho se debruça, emocionado, sobre um enorme livro de guerra.
 
As ilustrações a óleo do premiado Olivier Tallec revelam essa atmosfera onírica da livraria, misturando às prateleiras cenas dos livros lidos pelos personagens. Juntos, escritora e ilustrador nos conduzem por um percurso misterioso e inesperado ao longo desses sábados na livraria.
 
"Sábado na Livraria", de Sylvie Neeman, com ilustrações de Olivier Tallec. Tradução de Cássia Silveira. Editora Cosac Naify, 32 páginas (capa dura), R$ 42,00.