Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "geração"

Muito além da morte

19 de março de 2013 0

Sam vai morrer e decide escrever um livro a respeito de sua situação. Sam tem uma lista de desejos com oito tópicos:

1. Quer ser um cientista famoso. Descobrir coisas e escrever livros sobre suas descobertas.
2. Bater um recorde mundial. Não um recorde de algum esporte. Um recorde bobo.
3.  Assistir a filmes de terror que ninguém permite.
4. Subir a escada rolante de descer ou descer a escada rolante de subir.
5. Ver um fantasma.
6. Ser um adolescente. Fazer coisas que adolescentes fazem, como beber, fumar ou ter namoradas.
7. Passear em um dirigível.
8.  Subir em uma nave espacial e ver a Terra do espaço.

Esta não é sua única lista. Sam cria também listas de como viver eternamente, listas sobre sua aparência, coisas favoritas, o que fazer quando alguém morre, fatos fantásticos sobre dirigíveis, para onde vamos após a morte, coisas que quer que aconteça após sua morte, dentre outras listas e questões que os adultos não sabem ou não querem responder.

“Como Viver Eternamente”, de Sally Nicholls, lançado em 19 países, apresenta-se em um formato que o destina não só para crianças e jovens, mas igualmente para adultos. A Geração Editorial, escolhida pela Scholastic para lançar o livro no Brasil – não fez diferente. O editor Luiz Fernando Emediato – também autor de um livro infantil sobre a morte, “Eu Vi Mamãe Nascer”, também se apaixonou imediatamene pelo texto de Sally Nicholls: “A gente não larga a história, que a gente vai lendo com um sorriso leve nos lábios e de vez em quando um aperto no coração e lágrimas nos olhos. É o livro de autor iniciante que todo editor sonha descobrir”.

A autora tinha 23 anos quando escreveu essa história, depois de fazer um curso de literatura numa universidade inglesa. Seu prêmio no final do curso foi ter os originais encaminhados para um agente literário, que se apaixonou pelo texto. Cinco editoras quiseram lançar a autora. Venceu a Scholastic – a maior do mundo para livros destinados a crianças e adolescentes.

O que é que o livro de Sally tem que outros sobre o mesmo tema não teriam? Os editores que se encantaram com o livro concordam com um fato: o livro não fala da morte, mas da vida. Não fala do fim, mas da eternidade. Fala sobre a alegria de viver e do sentido da vida enquanto ela dura. A leitura vai fluindo, delicadamente, com pequenas surpresas ao longo das descobertas do menino curioso que tenta tirar de sua rotina tudo o que ela pode oferecer de bom.

“Como Viver Eternamente”, de Sally Nicholls. Geração Editorial, 232 páginas, R$ 34,90.

Cuidado! O bicho vai pegar!

30 de outubro de 2012 0

Você costuma chamar o seu irmão de burro? Diz que a sua prima é uma cobra? Então, fique ligado porque a coisa pode ficar complicada!

Aproveite também para avisar aquele pessoal que adora xingar os outros usando o nome dos bichos. Eu conheço um que vive dizendo: "O irmão da fulana é um porco!!". Tenho uma vizinha que sempre cochicha para as amigas: "Aquela vaca da mulher do açougueiro é uma anta!". "Aquele cara é um burro!"; "Como vai a besta do seu primo? E a cascavel da sua sogra?

Pois é, por causa desses "elogios" todos, em "O Berro da Bicharada", de Cláudio Martins, os animais ficaram revoltados e resolveram dar um fim a isso! Sei não, mas acho que o bicho vai pegar!

"O Berro da Bicharada", texto e ilustrações de Cláudio Martins. Coleção "Meu Livro", Geração Editorial, 32 páginas, R$ 24,00.

O mundo sem a mamãe

05 de outubro de 2012 0

Todo mundo passa por momentos muito difíceis. Infelizmente, as crianças também não estão livres de carregar suas cruzinhas, que, devido à falta de maturidade para lidar com certos problemas, tornam-se um peso extremamente insustentável. E um desses momentos é a morte de alguém querido. Como lidar com o sentimento de vazio que brota nos pequenos corações? Se para um adulto já é difícil suportar a dor que a morte causa, imagine para uma criança.

O livro infantil "Eu Vi Mamãe Nascer", de Luiz Fernando Emediato, publicado em repetidas edições desde 1977, já encantou duas gerações que nele buscaram conforto quando se trata não só de enfrentar o tema da morte, mas também o de responder à eterna pergunta: para que serve a vida?

Uma criança de oito anos narra suas reações diante da morte da mãe. O livro foi recomendado pela Fundação de Assistência ao Estudante (FAE) e como tal tem sido adotado em numerosas escolas de primeiro grau, como leitura suplementar, em todo o País.

"Eu Vi Mamãe Nascer", de Luiz Fernando Emediato, com ilustrações de Thais Linhares. Geração Editorial, 32 páginas, R$ 34,00.

Batalha entre os corações de pedra

21 de agosto de 2012 0

O romance "Coração de Pedra – livro 1", do inglês Charlie Fletcher, publicado pela Geração-Ediouro, conta a fascinante história de uma guerra entre estátuas mitológicas e estátuas de seres humanos em Londres. O início de tudo foi um soco de um adolescente, George Chapman, decepando a cabeça de um dragão de pedra do pórtico do Museu de História Natural.

Ele é perseguido por um pterodáctilo, réptil de dentes afiados e pontudos, que se soltou da fachada do museu e o olhava fixamente com ódio e fome. George é salvo pela estátua do Artilheiro do Memorial de Guerra.

Somente o jovem enxerga as estátuas em movimento. Para reparar o estrago que aprontou, ele tem de colocar a cabeça do dragão no Coração de Pedra, mas George não sabe onde encontrá-la. Na busca, conta com a ajuda de Edie, uma menina bem decidida. Com linguagem ágil e fácil, a história tem ritmo eletrizante, mas ao mesmo tempo diverte.

"Coração de Pedra – livro 1", de Charlie Fletcher. Geração Editorial/Ediouro, 464 páginas, R$ 39,90.

Retrato de um Brasil renascido

19 de julho de 2012 0

Escrito com a bagagem cultural de quem estuda o Brasil há cerca de 40 anos, mas também com a imparcialidade e isenção de que só um estrangeiro é capaz, o livro "Brasil em Alta – a História de um País Transformado", do conceituado jornalista norte-americano Larry Rohter, pode ser considerado uma enciclopédia em um volume sobre o Brasil moderno.

Conhecedor do Brasil como poucos brasileiros, demonstrando uma notável familiaridade com a psique da sua sociedade e com o funcionamento de suas instituições, Larry Rohter trata da história, os costumes, a economia, o povo, a terra, os recursos naturais, a cultura e a política do Brasil, com especial destaque para as mudanças que, nos últimos 20 anos, transformaram um atrasado país agrícola, arruinado pela hiperinflação e pela ditadura militar, numa emergente potência industrial e uma das maiores economia do mundo, escolhida para sediar a Copa e os Jogos Olímpicos, em 2014 e 2016, respectivamente.

Com incomparável profundidade de análise, o jornalista também explica por que, apesar de todos esses avanços, esta terra de grandes contrastes e contradições ainda permanece enfraquecida por mazelas sociais que remontam aos tempos da colonização, como clientelismo, fisiologismo e corrupção, forças retrógradas de diversos aspectos da vida brasileira que não só não morreram, como continuam dirigindo os rumos da Nação.

Uma dessas contradições foi sentida pelo autor na própria pele ao protagonizar, em 2004, um episódio que demonstrou como, apesar da consolidação da democracia no Brasil, ainda existem políticos brasileiros que atentam contra a liberdade de imprensa. Correspondente do "New York Times" no Brasil durante muitos anos, Larry Rohter, em um artigo para o seu jornal, criticou o então presidente Lula pelo seu consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ao que este, em represália, ordenou que o jornalista fosse expulso do País, utilizando a mesma lei da época da ditadura outrora usada para silenciar o próprio Lula.

O presidente acabou tendo de suspender essa ordem, depois que o Superior Tribunal de Justiça emitiu uma liminar, criticando-o severamente por se exceder em sua autoridade. “No Estado democrático de direito não se pode submeter a liberdade às razões de conveniência ou oportunidade da administração”, estabelecia a liminar. “E aos estrangeiros residentes no País, como aos brasileiros, são assegurados direitos e garantias fundamentais pela Constituição Federal.”

"Brasil em Alta – a História de um País Transformado", de Larry Rohter, com tradução de Paulo Schmidt e Wladir Dupont. Geração Editorial, 392 páginas, R$ 39,90.

Mais forte que o sobrenatural

03 de julho de 2012 1

"Sombras da Noite – a Vingança de Angelique", é o primeiro de dois romances baseados na série "Dark Shadows", exibida nos EUA pela ABC TV entre 1966 e 1971, e depois  retomada em 1991. Considerado hoje um seriado cult, "Dark Shadows" inspirou também  o filme de Tim Burton que traz Johnny Depp no papel de Barnabas e Eva Green no de Angelique.

A história começa na segunda metade do século 18, na ilha de Martinica, no Caribe, e se estende até os anos 70, nos Estados Unidos. Angelique e Barnabas são os personagens principais. O destino dela começa a mudar drasticamente depois que o pretenso pai a tira da casa, uma humilde choupana, sob a promessa de proporcionar-lhe uma vida melhor. Pelo menos era isso o que a mãe, descendente de escravos, pensava, liberando a filha para seguir o seu caminho aos dez anos de idade.

A partir daí, inicia-se uma completa revolução na vida da menina, a começar pela sua vivência entre os escravos que trabalham no engenho de açúcar do pai, onde é forçada a se passar por uma deusa e assistir aos flagelos dos escravos, ao mesmo tempo em que, prisioneira num pequeno quarto, gasta o tempo lendo a obra completa de Shakespeare, além de aprender a arte da feitiçaria, do sobrenatural.

Ela também terá que se libertar da escravidão branca. Logo depois, cairá numa segunda escravidão, a do amor impossível, quando cruza com Barnabas Collins, um jovem burguês conquistador. Angelique é uma das suas presas. Ele a ilude de tal forma que acaba vítima da própria sedução. No desespero de agarrar o seu amado, Angelique lança mão de todos os seus poderes sobrenaturais, aprendidos na senzala, até o ponto em que tudo foge ao controle. Amor se transforma em ódio, vida se transforma em morte, sonhos viram pesadelos.

Um livro de mais de 500 páginas, numa linguagem enxuta, concisa, rico em situações, diálogos e fatos históricos. O vampirismo aparece, mas não é o cerne do romance. O aspecto central é a luta por um amor fugidio, tão forte que leva à loucura.

Este é um livro de arrepiar, mas não tanto de medo. A autora norte-americana Lara Parker — que interpretou a sensual e vingativa Angelique no seriado — trata das paixões que movimentam a vida, tornando-a mais pulsante, pungente e impetuosa. Mesmo que, para isso, alguns personagens se transformem em vampiros, feiticeiros, assassinos. No fundo, todos querem mesmo é ser felizes, apesar dos rumos inesperados que a vida toma.

Assista ao trailer do filme:

"Sombras da Noite – a Vingança de Angelique", de Lara Parker, com tradução de William Lagos. Geração Editorial, 552 páginas, R$ 49,90.

Getúlio, um presidente de muitas faces

25 de maio de 2012 0

Antes dele, o Brasil era um país em estágio pré-industrial; em poucos anos, a era Vargas construiu uma indústria siderúrgica imensa, revolucionou a infraestrutura de transportes e energia, lançou as bases da indústria petrolífera e incorporou o proletariado na vida nacional. Houve, no entanto, um preço a pagar por isso, e os efeitos dessa dívida são sentidos até hoje.

Pela pouca clareza das suas convicções ideológicas e caráter reservado da sua vida pessoal, Getúlio Vargas, a figura dominante da política brasileira no século 20, vinha sendo considerado uma esfinge que ainda não encontrara o seu Édipo. Com este livro, isso mudou.

"Getúlio Vargas: a Esfinge dos Pampas", de Richard Bourne, pode ser considerada a biografia mais imparcial, bem escrita e profunda, tanto na análise política quanto na psicológica, do homem que governou o Brasil por mais tempo e mais o influenciou, para o bem e para o mal, o conceituado brasilianista inglês Richard Bourne decifrou o sorriso enigmático do presidente que chegou ao poder por meio de uma revolução, mas esmagou várias revoluções; que fortaleceu a classe trabalhadora, mas enfraqueceu a democracia; que lutou pelo bem–estar social, mas atentou contra liberdades individuais; industrializou o país e defendeu os direitos dos cidadãos, mas também dotou de poder quase ilimitado as Forças Armadas, assim criando, inadvertidamente, um monstro que acabou por devorá-lo em 1954, e ao Brasil, em 1964.

Sopesando a contribuição de Getúlio Vargas à nação brasileira, o professor Bourne conclui que o fiel da balança pende a favor desse gigante de 1,60 m de altura. “Fisicamente diminuto”, escreveu o jornal inglês "Manchester Guardian" sobre Getúlio, “a sua estatura moral o habilitou a governar um país tão grande quanto a Europa durante tantos anos. Suas reformas sociais e econômicas foram sem precedentes no Brasil. Até 1930, o Brasil tinha sido um país; Vargas transformou-o numa nação.”

"Getúlio Vargas: a Esfinge dos Pampas", de Richard Bourne, com tradução de Paulo Schmidt e Sonia Augusto. Geração Editorial, 320 páginas mais caderno de fotos com 24 páginas, R$ 39,90.

O drama da guerra sob um olhar infantil

24 de janeiro de 2012 0

"Sombra", do inglês Michael Morpurgo, o mesmo autor de "Cavalo de Guerra", filmado por Steven Spielberg, começa quase como um conto de fadas inglês e vai nos surpreendendo a cada página, a cada capítulo, levando ao aprofundamento dos dramas humanos. Em meio à guerra no Afeganistão, uma cachorra perdida, ferida e esfomeada, da raça springer spaniel, aparece diante de uma caverna, onde uma família tenta se proteger das ameaças dos soldados do Talibã. Um garoto afegão procura protegê-la e ela não o larga mais, apesar de enxotada e apedrejada por outras pessoas. Ele, então, a apelida de Sombra. Uma sombra que vai protegê-lo, guiá-lo e ajudá-lo a fugir do inferno.

O enredo está acontecendo agora, neste exato momento, permeado pela fome, frio, dor e morte. É o drama atualíssimo dos refugiados, uma tragédia que vem afligindo grande parte da humanidade, sobretudo nas últimas décadas. Milhões de pessoas estão sendo obrigadas a abandonar as suas raízes em busca de um pouco de paz. É a diáspora moderna dos que fogem da guerra, da fome, da perseguição.

Um jornalista inglês aposentado, seu neto e um garoto afegão estruturam esta história sensível e comovente, que começa em Cambridge e faz um tour forçado pelo Afeganistão, passando por vários países, até retornar à Inglaterra, exatamente ao Yarl’s Wood, um centro de remoção de imigrantes em Bedfordshire. É lá que os refugiados ficam e de onde muitos são mandados de volta.

Apesar do tema dramático, o autor consegue banhá-lo com um humanismo sem fronteira. O livro pode ser lido por uma criança, um adolescente, um adulto, um idoso. E todos vão se identificar, entender exatamente o que está se passando. E tomar partido, inclusive aqueles que acham que cada um deve ficar em seu país de origem, como se o planeta não fosse a morada de todos os homens, indistintamente.

Embora seja uma obra de ficção, "Sombra" mostra um ângulo feio da humanidade, que muitos pretendem esconder. É um enfoque sobre um caso isolado, mas que chama a atenção para milhões de outros. Para amenizar esta tragédia universal, o poeta e escritor Morpurgo banha cada página com muito humanismo, deixando a crueldade como pano de fundo.

Se perguntarem se dói, esta história dói. Mas não é o drama pelo drama, um comércio de emoções baratas. Ao contrário, leva-nos a entender que a vida é uma só em qualquer lugar, frágil e bonita, encantadora e misteriosa. Sombra é uma obra de luz, um farol que pode nos guiar a um mundo melhor. E os cachorros têm um bom faro para isso.

"Sombra", de Michael Morpurgo, com ilustrações de Christian Birminghan. Geração Editorial, 232 páginas, R$ 29,90.

Qual o segredo de Grace?

16 de dezembro de 2011 0

O que pode fazer um adolescente que esconde uma garota desaparecida em sua casa na américa dos anos 1960?

É tempo da “crise dos mísseis de Cuba”. Os Beatles já estão nas paradas de sucesso. Os jornais falam de Kennedy, Marilyn Monroe, Krushev. São os nostálgicos anos 1960. Em Salt Lake City, o adolescente Eric Welch conhece a garota Grace Madeline Webb procurando comida no lixo. Ela fugiu de casa e ele decide escondê-la nos fundos de sua casa. A decisão terá grandes consequências em sua vida, até chegar à velhice, quando a fábula "A Vendedora de Fósforos, de Hans Christian Andersen, fará com que sua memória se desate numa torrente de lembranças. "Grace", de Richard Paul Evans, é uma comovente história de amor e redenção, com muito suspense e ternura.

No romance de Evans, a história é lembrada num Natal quando o personagem de Eric Welch, já avô, narra para um de seus netos a história da pequenina de Andersen que, em pleno Natal, no frio, vende fósforos pelas ruas, mas para se aquecer acaba gastando todos de que dispunha, e no dia seguinte é encontrada morta sob a neve. Não há quem não se comova profundamente com a fábula, retrato “dickensiano” da infância desamparada em face da crueldade do mundo. Assim acontece com Eric Welch, mas há mais: ele se lembra de que houve também uma “vendedora de fósforos” em sua vida.

A história de que ele se lembra ocorre em outubro de 1962, quando o planeta se vê muito perto de uma guerra nuclear, e um pânico com a iminência do “fim do mundo” se disseminou pela América do Norte. Em Salt Lake, Utah, para onde se mudou com sua família, o adolescente Eric, morando com os pais e o irmão Joel, vive o cotidiano normal de um garoto que vai à escola, tem suas predileções por estas ou aquelas comidas, brinca com o irmão, e, morando em condições difíceis e melancólicas num bairro pobre, acaba criando com o irmão um clubinho tipicamente adolescente nos fundos de sua casa, o “Nosso Clube”. É para lá que ele levará a garota misteriosa que conheceu remexendo numa lata de lixo à procura da comida. Ela diz chamar-se Grace e confessa que fugiu de casa e não quer voltar para lá. Então, ele toma a decisão de hospedá-la no “Nosso Clube”, escondido dos pais, deixando apenas o irmão Joel saber de seu segredo.

Assim transcorrerá a narrativa, sempre na primeira pessoa, e mergulhando no relacionamento de Eric com Grace, que será marcado pelo mistério da menina, que diz ter fugido de casa depois que sua mãe se casou com outro homem, um padrasto cruel que ela nunca mais quer rever. O mistério não acabará aí, e na verdade, um caso de amor muito delicado nascerá entre os dois adolescentes. À medida que o tempo passa, Eric vai gostando cada vez mais de sua hóspede e sempre a presenteará, além de conseguir para ela comida, remédios e tudo o que ela necessita em sua determinação de não voltar para casa, decididaa permanecer no “Nosso Clube”, na dependência de Eric e de seus pais, que tudo ignoram. Porém, o desaparecimento de Grace se torna público.Notificado pela escola e os professores, o assuntotransforma-se em  manchetes em Salt Lake. A ameaça de que ela venha a ser descoberta nos fundos de sua casa faz com que Eric padeça grandes apreensões. Até porque ela tem o pressentimento de que, se for descoberta, será o seu fim, já que seu padrasto é um homem cruel e violento e ela sabe o que a espera.

Com suspense e ternura, a narrativa vai se alternando entre as cautelas, sobressaltos e ansiedades de Eric para ocultar Grace, e o amor que os une, desesperado, mas com uma grande força em sua inocência.

“Grace”, de Richard Paul Evans, com tradução de Jairo Arco e Flexa. Geração Editorial, 340 páginas, R$ 39,90.

Autora brasileira estreia com "Sobrevida"

06 de outubro de 2011 0

“Sobrevida – a História de um Médico que não Sabia Nada de Medicina”, cujo título original era “Vou Escrever esta História para Provar que Sou Sublime”, aproveita-se da frase do célebre poema “Tabacaria”, de Fernando Pessoa, para contar, em tom de intertextualidade, com abundância de citações, paródias e ironias, a vida de um médico, Daniel Schwartz, que, residente em Ann Arbor, Michigan, trabalha em projetos de investigação do código genético e registra em diário seu dia a dia cheio de conquistas amorosas, amizade, rivalidades profissionais, trabalho, dúvidas e doenças.

Narrado em primeira pessoa, como Milan Kundera em “A Insustentável Leveza do Ser”,  o livro, escrito pela brasileira J. Motta e Motta, contém 15 capítulos em que a vida de Schwartz se desdobra em acontecimentos relacionados à sua vaidade profissional e à sua capacidade de seduzir certo número de mulheres ao seu redor, embora tenha se casado com Karen, uma viciada em drogas que acaba morrendo de overdose.

A morte de Karen é que faz Schwartz se questionar sobre o sentido de sua vida, visto que, como no filme “Reverso da Fortuna”, o médico é acusado de ter provocado a morte da esposa por induzi-la ao uso abusivo de drogas, já que ela era depressiva. O filme, estrelado por Glenn Close e Jeremy Irons, é, aliás, citado no próprio livro, que estabelece com suas próprias fontes de inspiração um diálogo irônico.

Josiane Motta se vale de um recurso intertextual que aproxima o personagem do também médico Thomas de “A Insustentável Leveza do Ser”, romance de Milan Kundera, que é dividido entre mulheres, hesitante, obrigado a tomar decisões que gostaria de não tomar. Daniel tem um forte lastro edipiano, tendo sempre preferido a mãe ao pai e, dividido entre reflexões sobre frases de escritores que lê (além de Kundera, Ian McEwan, entre outros) e as miudezas de seu cotidiano exterior, só será forçado pelos fatos à seriedade de viver quando cair doente e se aproximar da morte.

“Sobrevida – a História de um Médico que não Sabia Nada de Medicina”, de J. Motta e Motta. Geração Editorial, 212 páginas, R$ 21,90.