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À sombra da figueira

07 de janeiro de 2016 0
Divulgação, Geração

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Para a menina Raami, de sete anos de idade, o fim abrupto e trágico da infância começa com os passos de seu pai voltando para casa na madrugada, trazendo detalhes da guerra civil que invadiu as ruas de Phnom Pehn, a capital do Camboja. Logo o mundo privilegiado da família real é misturado ao caos da revolução e ao êxodo forçado.

Nos quatro anos seguintes, enquanto o Khmer Vermelho tenta tirar da população qualquer traço de sua identidade individual, Raami se apega aos únicos vestígios de sua infância — lendas míticas e poemas contados a ela pelo seu pai. Em um clima de violência sistemática em que a lembrança é uma doença e a justificativa para execução sumária, Raami luta pela sua sobrevivência improvável. Apoiada no dom extraordinário da autora pela linguagem, o livro “À Sombra da Figueira”, de Vaddey Ratner, é uma história brilhantemente intricada sobre a resiliência humana.

Finalista do Prêmio PEN Hemingway, este livro vai levá-lo às profundezas do desespero e mostrar horrores abomináveis. Vai revelar uma cultura maravilhosamente rica, lutando para sobreviver por meio de pequenos gestos. Vai fazer com que jamais sejam esquecidas as atrocidades cometidas pelo regime Khmer Vermelho. Vai lhe encher de esperança e confirmar o poder que há ao se contar uma história de nos elevar e nos ajudar não somente a sobreviver, mas à transcendência do sofrimento, da crueldade e da perda.

“À Sombra da Figueira”, de Vaddey Ratner, com tradução de Sandra Martha Dolinsky. Geração Editorial, 360 páginas, R$ 49,90.

Bichos ensinam economia e consumo consciente

10 de dezembro de 2015 0
Divulgação, Geração

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Com 24 páginas, ilustrações de Cláudio Martins e autoria de Ana Paula Hornos, o livro infantil “Crise Financeira na Floresta”, lançamento da Geração Editorial, propõe uma nova versão da fábula “A Cigarra e a Formiga” que acaba por se revelar uma preciosa, lógica e eficaz lição de economia para as crianças.

Desta feita, há uma variação sobre o tema da cigarra e a formiga, universalmente conhecido e amado pelas crianças. A cigarra, que sabemos ser uma artista sem preocupação com o lado material da vida, fica devendo folhas à formiga por tomar emprestadas e não pagar, oferecendo como garantia sua viola, tida como muito valiosa por todos os bichos da floresta. Mas isso prejudica a formiga, que cai sempre na sua lábia e vive emprestando a ela, sem receber.

Porém, nesta versão, a cigarra extrapola a relação e, além de abusar do fiado com a formiga,pede emprestado também à borboleta, à minhoca e até ao bicho-preguiça, incluindo também o tatu, e sempre com seu argumento de não pagar, mas de oferecer como penhor sua preciosa viola. No entanto o macaco, que é esperto, previdente e até fundou um banco de folhas (são folhas as moedas da floresta), revela que não se deve emprestar a mau pagador. Ele empresta a juros e só a quem, como se diz regularmente, “tem bom nome na praça”.

O problema de consumir demais afeta a borboleta, que é vaidosa e não resiste a comprar roupas da moda e se endividar mais ainda. A todo momento, ela toma novos empréstimos ao banco do macaco. O macaco tem como cliente exemplar o joão-de-barro, que é um pássaro construtor muito trabalhador e muito consciente de suas transações econômicas, sendo generoso sem deixar de ser inteligente. Ele ensina lições práticas de economia ao seu filho — poupança (deixar uma parte sempre guardada) e nada de fazer fiado. Por sua boa índole, ele ajuda o periquito, que está passando aflições, tem poucas folhas, mas quer construir sua casa.

O penhor eterno da cigarra — sua viola famosa — gera, na verdade, uma onda de fiados na floresta, tendo como pressuposto que o valor do instrumento cobrirá todos os empréstimos que ela fez. Mas um dia os bichos decidem, em peso, ir apanhá-la da cigarra, em pagamento, pois o instrumento, a esta altura, já gerou uma polêmica “bolha da viola”. Ao fim, isso gera tumulto, e o caso é levado até o leão, rei da bicharada. Em conjunto, surge a proposta de organizar uma escola que transmitirá ensinamentos sobre economia e, para a cigarra não se sair mal na história, ela comporá uma melodia em pagamento e dará suas aulas de poupança, economia consciente e distribuição inteligente dos lucros cantando, que é, afinal o que melhor sabe fazer.

Desta maneira, este belo livro, cheio de ilustrações vivamente coloridas, dá uma aula prática e objetiva de economia para as crianças, colocando em cena os bichos que elas tanto amam e conhecem por meio das fábulas e mesmo conceitos mais complicados, como o da “bolha” — relacionada a dívidas acumuladas que não há como pagar — ficam explicados para os pequeninos. Lições práticas de poupança, de como evitar gastos desnecessários com o consumo de bens supérfluos (retratado pelo caso da borboleta), de como distribuir lucros com justiça, ficam sendo de fácil assimilação. Nenhum personagem surge como capitalista antipático, que guarda apenas para si e explora o trabalho alheio, já que nessa floresta de Ana Paula Hornos reina a solidariedade, ainda que os bichos cometam alguns enganos ao lidar com as questões econômicas, como, aliás, todos os seres humanos cometem.

Um lançamento que junta ao encanto da fábula eterna uma didática lição proveitosa para todos.

“Crise Financeira na Floresta”, de Ana Paula Hornos e ilustrações de Cláudio Martins. Geração Editorial (selo Geraçãozinha), 24 páginas, 29,90.

O Ratinho do Violão

03 de março de 2015 0
Divulgação, Geração Editorial

Divulgação, Geração Editorial

A história de Chiquinho, personagem de “O Ratinho do Violão”, livro da escritora mineira Marta Reis, é uma história que se repete com milhares de crianças e adolescentes pelo mundo: os traumas e sofrimentos causados pelo bullying.

De origem inglesa, bully, o termo bullying significa valentão ou brigão. Ainda sem uma denominação equivalente em português, a palavra é usada para falar de opressão, tirania e humilhação contra o outro, principalmente na infância e na adolescência, mas há também casos de bullying na fase adulta.

“Leciono há mais de vinte anos, para adolescentes entre 11 e 15 anos. Como se sabe, esta é a idade mais difícil, já que são muitas as mudanças pelas quais estes meninos e meninas estão passando. A prática do bullying costuma ser muito acentuada nesta idade”, afirma Marta.

A autora conta que, ao escrever o livro, não se baseou em um caso específico, mas em várias situações que presencia todos os dias em escolas: as questões do bullying e da inclusão. “Chiquinho tem dificuldade de locomoção e, para ir para a sala de aula, tinha que subir uma escada. Pense bem: se fosse uma escola mais bem adaptada, teria uma rampa para alunos iguais a ele, ou, então, uma sala no andar de baixo”, diz a autora.

Chiquinho é um menino muito bacana, do bem, que toca violão, mas que tem dificuldade de locomoção e, por este motivo, acaba sofrendo uma série de assédios por parte dos colegas. Após um episódio em que ele cai na escada e fica muito envergonhado e com medo pela zombaria dos colegas, ele começa a se isolar até se transformar em um ratinho e passa a viver dentro de seu violão.

“O Ratinho do Violão” é um texto sensível, lúdico, que envolve o leitor na trama psicológica vivida pelo personagem. O livro, ilustrado por Thais Linhares, tem leitores de um público diverso e vem emocionando crianças e adultos. Marta afirma que o livro pode ajudar na formação de pessoas mais conscientes que saibam tratar o outro com mais respeito e generosidade. “Afinal de contas respeito e generosidade são pilares fundamentais para a construção de uma sociedade melhor e mais justa para todos”, finaliza.

“O Ratinho do Violão”, de Marta Reis, com ilustrações de Thais Linhares. Geração Editorial, 32 páginas, R$ 29,90.

Antes que o sonho acabe

20 de janeiro de 2015 0
Divulgação, Geração

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Baseado em fatos reais, “Antes que o Sonho Acabe”, de Hermes Leal, é uma aula sobre o episódio de caça aos comunistas na selva amazônica, mas, sobretudo, a história de um adolescente sonhador, que vira herói sem querer. Os acontecimentos se desenrolam nos anos 60 e 70 do século 20. O personagem Daniel relata a sua visão sobre aspectos da guerrilha e da ditadura militar brasileira (1964-1971), período em que passou a infância e a adolescência em lugares remotos do Norte do Brasil, às margens do rio Tocantins, não muito distante do rio Araguaia. Para lá se embrenharam parte dos guerrilheiros brasileiros que sonhavam com uma sociedade igualitária, influenciados pelos ideais socialistas e comunistas soprados pela ex-União Soviética e Cuba. Eram estudantes de São Paulo e Rio de Janeiro, em sua maioria. Chamados de terroristas, eles se instalaram inicialmente às margens do Tocantins e depois migraram para áreas de combate na selva, próximo às cidades de Marabá (PA) e Xambioá (TO).

Se o povo das grandes cidades apenas ouvia falar “dos tais comunistas que comiam criancinhas”, o personagem Daniel viveu bem pertinho deles e percebeu que a história está mal contada. Os absurdos que presenciou logo o levaram a ajudar um casal de guerrilheiros (Diana e Osvaldo) a fugir pela floresta amazônica, escapando, os três, sob o fogo cruzado do Exército. O envolvimento deu-se por acaso, mas, de qualquer modo, Daniel acabou tomando partido, colocando a própria vida em risco. E percebeu que a ditadura espalhava boatos mentirosos acerca dos “terroristas”, para que eles fossem caçados como bichos pelos mateiros e pistoleiros da região, os quais recebiam pelo “serviço”. A ordem era prender, torturar, arrancar o máximo de informações e matar. Antes de se envolver com a guerrilha acidentalmente, o maior sonho de Daniel, um rapaz até então ingênuo, sem nenhuma formação política, era, simplesmente, fugir daquele fim de mundo e procurar uma vida melhor. Ele tentou fazer isso várias vezes, mas as circunstâncias começaram a enredá-lo como uma caça presa na armadilha. Embora criado de maneira selvagem, nadando em rios caudalosos ao lado de filhotes de sucuris, o seu maior desejo era, mesmo, ir morar no Rio de Janeiro ou em outra cidade de que tanto o rádio falava.

A televisão ainda estava chegando aos lares brasileiros das grandes cidades e o mundo vivia as ameaças da Guerra Fria, de um possível confronto entre russos e norte-americanos. O País estava sob o Ato Institucional nº 5, instrumento que a ditadura usava para censurar músicas, filmes, livros e até mesmo o ato de pensar. Também transcorria a Guerra do Vietnã. Os Beatles e o rock conquistavam o mundo. O pai de Daniel, um ferreiro matuto que batia no filho para “educá-lo”, construía obsessivamente um abrigo antiaéreo para proteger a família, composta por outras três filhas (a mulher havia morrido com malária). Russos e americanos prometiam destruir o mundo caso entrassem em guerra. A Terceira Guerra Mundial poderia eclodir a qualquer momento. É neste clima que Daniel, apaixonado por Heloísa, uma garota da região, ficou dividido após conhecer a guerrilheira Diana, que ajudara a fugir pela selva. Daniel jamais seria o mesmo, saindo ou não daquele sertão profundo. A história foi ao encontro dele e o abraçou bem forte.

“Antes que o Sonho Acabe”, de Hermes Leal. Geração Editorial, 280 páginas, R$ 29,90.

Flora Hen, uma heroína

21 de novembro de 2014 0
Divulgação, Geração

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Prepare-se, leitor, para se comover, chorar e, fechada a última página, voltar à primeira, cheio de vontade de ler de novo e pensar no quão bela e difícil é a vida nessa terra. Mas também como é enriquecedor tirar lições valiosas das coisas que acontecem e poder seguir em frente, confortado pela esperança. Ainda que com lágrimas no rosto.

Alguns livros marcam seu tempo e seguem vida afora emocionando gerações inteiras. É o caso de “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, escrito há 71 anos, o terceiro livro mais traduzido depois da Bíblia. Ou de “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach, de 1970. O primeiro, escrito originalmente para crianças, encanta também adultos por seu conteúdo filosófico e poético. O segundo, ao tratar da liberdade, tocou com delicadeza em tema central de nossa existência.

“Leafie” (derivado de Leaf, “folha”), “A Galinha que Sonhava que Podia Voar”, título do original coreano, ou “Sprout” (broto), na versão inglesa, ganhou entre nós o título de “Flora Hen”. Flora é uma galinha poedeira, condenada a apenas botar ovos que jamais chocará e que sonha, na verdade, não só com a liberdade (voar), mas também em chocar um ovo, ser mãe.

De seu posto no galinheiro, ela olha com inveja todos os demais bichos da granja, até que, enfraquecida, ela é retirada de sua gaiola para ser descartada — para morrer. Mas não é isso o que acontece: ela cai no mundo, enfrenta a indiferença ou a hostilidade dos outros bichos,torna-se mãe do ovo de outra e, de peripécia em peripécia, corajosa como só ela, nos encanta com sua coragem e suas fantásticas lições de vida.

Talvez não exista um livro em que uma personagem tão doce e carismática fosse um animal tão prosaico quanto uma galinha. Daí que o mistério deste livro reside no fato de que sua autora, Hwang Sun-mi, conseguiu colocar na personagem tanta doçura e grandeza que o resultado não poderia ser outro: 2 milhões de exemplares vendidos só na Coreia!

Ali, Flora se tornou heroína nacional. Conquistou crianças e adultos, confortou deprimidos, levantou o ânimo de fracassados, reaproximou enamorados e animou empreendedores que o consideraram tão estimulante quanto “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. A vida pode ser dura e cruel e há sempre uma doninha — ou um leão ou a máquina urbana neurótica — prontos para nos engolir. No entanto…

Mas sempre há um “no entanto”. Flora se rebela contra a tradição, a indiferença pelo sofrimento alheio, o egoísmo, a violência dos predadores, o medo, os preconceitos e condicionamentos da vida em sociedade. Ela enfrenta o mundo cruel, luta por sua liberdade, briga para superar-se, defende seu bebezinho das durezas da vida. E vence? Bom, para isso você precisa ler o livro. Ele tem ressonância universal e uma personagem inesquecível, capaz de lhe ensinar muitas coisas em poucas palavras, tocando sua mente e seu coração. Se chorar muito ao final, não se envergonhe. É por meio da catarse, já pregavam os gregos, que purgamos nossos defeitos e podemos seguir em frente, transformados, pelos insuspeitos e perigosos caminhos da vida.

“Flora Hen”, de Hwang Sun-mi, com ilustrações de Yasmin Mundaca e tradução de Lidia Luther. Geração Editorial, 148 páginas, R$ 29,90.

A história dos adeptos da tática Black Bloc

13 de novembro de 2014 0
Divulgação, Geração

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Uma invasão inusitada surpreendeu São Paulo em junho de 2013: misturados aos ingênuos manifestantes que reclamavam de tarifas de transportes, mascarados quebravam portas de bancos e enfrentavam com violência a própria polícia. Quem eram eles?

“Mascarados — a Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc” leva o leitor para dentro das manifestações que tiraram o sono das autoridades do Brasil. Com entrevistas de ativistas, realizadas no calor das manifestações, a pesquisadora, socióloga e professora da Unifesp Esther Solano Gallego entrou no mundo, na cabeça e no cotidiano dos jovens protagonistas das cenas de selvageria que assustaram a cidade.

Desse contato, emerge a visão que os adeptos do Black Bloc têm de nosso país, da sociedade, das autoridades e de si mesmos. A pesquisa é reforçada pela narrativa do jornalista Bruno Paes Manso, que relata como passou a entender o raciocínio desse grupo ao longo da cobertura jornalística feita para o jornal “O Estado de S. Paulo”.

Na terceira e quarta partes, por meio de diferentes relatos dados ao jornalista Willian Novaes, o livro dá a palavra a adeptos da tática que mostram as origens distintas dos membros do Black Bloc e, também, o discurso convergente contra o sistema político-social vigente no País e a versão do coronel da PM que foi agredido pelos mascarados.

“Mascarados — a Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc”, de Esther Solano, Bruno Paes Manso e Willian Novaes. Coleção História Agora, Geração Editorial, 336 páginas, R$ 34,90.

A volta por cima da geração de 1964

16 de outubro de 2014 0
Divulgação, Geração

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Chumbo, sangue e lágrimas. Quem ganhou, perdeu. Quem perdeu, ganhou. Cinquenta anos após o advento da ditadura de 1964, é assim que se resume a ópera daqueles anos de chumbo, sangue e lágrimas.

Por ironia, os vitoriosos de ontem habitam os subúrbios da história, enquanto os derrotados de então são os vencedores de agora. Exilados, presos, torturados e proibidos no passado tornaram-se presidentes, ministros, governadores, parlamentares, escritores, artistas, cineastas, músicos. Quando o AI-5 arreganhou suas mandíbulas, parte deles empunhou as armas, enquanto outra fração usou palavras, sons e imagens contra o regime.

A obra “Os Vencedores – a Volta por Cima da Geração Esmagada pela Ditadura de 1964″ conta a jornada destes vencedores tardios – na imensa maioria jovens ou adolescentes em 1964 – que o autor Ayrton Centeno persegue, resgata e narra neste livro. Sob a forma de uma grande reportagem, sem abrir mão do rigor jornalístico, mas com a pegada de um thriller arrebatador.

“Os Vencedores – a Volta por Cima da Geração Esmagada pela Ditadura de 1964″, de Ayrton Centeno. Geração Editorial, 856 páginas, R$ 69,90.

Deuses do Olimpo para gente pequena e gente grande também

14 de outubro de 2014 0

Deuses do Olimpo

Mitos, heróis e personagens divinos refletem, com a mesma força dos tempos antigos, os anseios do homem moderno, que em nada mudou no íntimo das inquietações existenciais. As fantásticas histórias da mitologia grega, carregadas de emoções, significados e ensinamentos universais, mobilizam em nós o reconhecimento dos dramas como se as narrativas fossem nossas, sintonizadas com apelos mais profundos. Daí nosso fascínio por elas em qualquer  idade.

Dad Squarisi, com sensibilidade, traz o encantamento poético dos mitos helênicos em “Deuses do Olimpo – Pra Gente Pequena e Gente Grande Também”. Os mitos, escritos em linguagem simples e divertida, permitem às crianças transitar entre os limites do real e do imaginário em busca de si mesmas. No continente lúdico e simbólico, elas podem se aventurar. Identificam e desafiam medos, desejos e impulsos sem os riscos da vida real.

As peripécias de Zeus, Hera, Afrodite, Hermes, Dionísio e tantos deuses e heróis que habitam o Olimpo dão respostas para dúvidas que nem sempre meninas e meninos conseguem verbalizar. Não somente. Ensinam valores como a coragem, a ética e a bondade que lhes desenvolvem a sabedoria e a capacidade de se colocar no lugar do outro.

Este livro — nas mãos de pais, educadores e psicólogos como mediadores de leitura — abre as portas da criatividade, estimula a expressão emocional e aperfeiçoa a língua falada e escrita. Num passeio mágico no carro de Apolo, acende o sol do mundo dos símbolos guardados no inconsciente. A viagem ilumina o caminho do autoconhecimento. Estimula o bem viver e conviver.

“Deuses do Olimpo – Pra Gente Pequena e Gente Grande Também”, de Dad Squarisi, com ilustrações de Carolina Kaastrup. Geração Editorial, selo Geração Jovem, 52 páginas, R$ 39,90.

A Cilada - Cidade das Sombras 2

22 de agosto de 2014 0
Divulgação, Geração

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A distopia, marca registrada de livros de ficção científica nos anos recentes, é a antiutopia por excelência, mostrando um futuro em que os valores humanos estão destruídos e as metrópoles gigantescas são autênticos infernos multirraciais e multiétnicos, povoados por multidões sujeitas a rígidas divisões de classe, corrupção, policiais tão indignos de fé quanto os bandidos, drogas, marginalidade descontrolada e desespero. É num cenário assim que se situa a cidade de Rigus, suntuosa, gigantesca e rica, onde a Cidade Baixa é a parte sombria, escura, por onde vagam os dejetos sociais mais imprevisíveis e perigosos.

É na Cidade Baixa que circula o Guardião, ex-combatente de guerra, ex-agente secreto e policial da Casa Negra, negociante de drogas e também dependente delas para atenuar o tédio e o desgosto, morando num quarto acima de um bar imundo. Nesse mundo do Guardião, tal como nos melhores livros de detetives noir ao estilo de Raymond  Chandler, Dashiel Hammett e James M. Cain, ninguém é digno de confiança, nem mesmo o próprio detetive, um compêndio ambulante dos mesmos defeitos que encontra nos outros, mas com uma vantagem: a lucidez. É devido à lucidez com que enxerga o mundo que ele se torna capaz de narrá-lo com precisão e também um humor negro desesperado.

“A Cilada – Cidade das Sombras – Livro 2″, de Daniel Polansky, é assim, um livro escrito na primeira pessoa, na tradição dos melhores de Chandler & Cia. Mas é também um romance fantástico, uma fantasia noir, em que o Guardião surge como uma variação do J.J. Gittes, de “Chinatown” ou do Dick Deckard, de “Blade Runner — Caçador de Androides” num futuro sem esperanças. Convocado pelo general Edwin Montgomery, que, tal como ele, esteve numa guerra inglória em que muitos morreram à toa a serviço de uma monarquia indiferente ao destino dos cidadãos das Treze Terras, o Guardião terá a missão de reaver para o veterano herói de guerra a filha adolescente, Rhaine, que desapareceu. A garota quer saber a verdade sobre a morte de seu irmão, Roland, presidente da Associação dos Veteranos da Grande Guerra, assassinado num bordel da Cidade Baixa, e se envolverá num mundo perigoso, onde nem mesmo o Guardião poderia protegê-la, até porque, teimosa, ela decide enfrentar os perigos, traficantes, prostitutas, negociantes de  comércio indefinido, e procurar o irmão sozinha.

Ela sobreviverá? Um monte de pessoas diferentes, nenhuma delas confiável, está de olho na garota, e o Guardião, mesmo sem querer e sem acreditar em nada que não seja duvidoso, aceitou a missão e se pôs a caminho, deparando-se com inúmeros tipos esquisitos num mundo onde raças novas surgiram, e gangues urbanas proliferam. Cadáveres e lances imprevisíveis, tramados por figurões no escuro da Cidade Baixa, que tem confluências com a Cidade Velha e seus nobres decadentes, esperam por ele, porque cidadãos do mundo “limpo” costumam fazer uso da Cidade Baixa para finalidades sexuais ou outras menos previsíveis, usando pessoas que se prestam a expedientes mais sórdidos por alguns ocres — moeda de Rigus — a mais, e o Guardião conhece bem os meandros do mundo em que se move, mas sua experiência não garante que ele não poderá ser escaldado de novo a qualquer momento.

Não é uma missão assim tão diferente daquelas que Philip Marlowe, de Chandler, teve que enfrentar, exceto que se passa num futuro em que o cinismo é total e tudo — principalmente o pior — pode acontecer para os incautos, inocentes ou confiantes demais em si mesmos. Sem dispensar meia ampola de Sopro de Fada, ou fumar um pouco de vinonífera, o Guardião precisará de todas as suas forças, habilidades e dúvidas para resolver este caso.

“A Cilada (Cidade das Sombras – Livro 2)”, de Daniel Polansky, com tradução de Mariana Mesquita. Geração Editorial, 416 páginas, R$ 39,90. Disponível também na versão eletrônica por R$ 14,90.

Um país sem excelências e mordomias

18 de junho de 2014 1

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Você sabia que existe um país em que os políticos não têm qualquer daqueles superprivilégios que são dados aos políticos brasileiros? Sim, existe e se chama Suécia.

Segundo a autora Claudia Wallin, ler o livro “UM PAÍS SEM EXCELÊNCIAS E MORDOMIAS” é algo obrigatório para todo deputado, senador, ministro, juiz, desembargador, governador, presidente, secretário, prefeito, vereador. E, sobretudo, para o eleitor. Para este último grupo, é quase um guia de sobrevivência na selva da política brasileira. Claudia Wallin trata da Suécia, mas é impossível não pensar no Brasil a cada parágrafo. Com cinismo, cólera, amargura. Ou com esperança. Porque não? Afinal, prova que existem políticos que desconhecem o tratamento de “Excelência”. Que não têm mordomias, não aumentam seu próprio salário, não tem gabinete próprio. Que usam transporte público e não estão na vida pública para fazer fortuna. E que respeitam – e muito — o eleitor.

Na Suécia, funciona um sistema apoiado em três pilares: transparência, escolaridade e igualdade. Um dia, quem sabe, chegaremos lá. Ler e se envergonhar com estas páginas pode ser o começo.

“Um País sem Excelências e Mordomias”, de Claudia Wallin. Geração Editorial, 336 páginas, R$ 39,90.