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Posts do dia 3 março 2008

Avaí x Figueira: a visão de um observador neutro

03 de março de 2008 14

Antes de mais nada, ressalto que moro no Rio Grande do Sul e acompanho à distância o futebol catarinense. Posso afirmar, com isenção total, que não tenho nenhum pré-conceito com relação a nada no futebol catarinense. Há anos observo a organização e o bom futebol do Figueirense com relação à decadência técnica e organizacional do Avaí, os dois maiores e vencedores clubes do estado.

Avaí: o caos absoluto

Atualmente o Figueirense tem 14 títulos, contra 13 do Avaí (Editado: corrigi os dados, estavam errados no RSSSF). A diferença é a distribuição das conquistas ao longos dos últimos 20 anos. Desde o último título estadual do Avaí em 1997 no time que tinha o centroavante André Jacaré, o time da Ressacada só afundou. Só foi vice-campeão em 1999, e amarga apenas três títulos estaduais em 25 anos: 1975, 1988 e 1997.

Na Série B, o Avaí  bateu na trave da ascensão à Série A duas vezes, ambas de forma dramática: em 2001 e 2004. Em 2001, um empate em 2×2 com o arquirrival Figueirense na penúltima rodada do quadrangular final deixou a situação difícil. No jogo derradeiro, o time não suportou a pressão do alçapão da Curuzu e levou 4×0 do Paysandu em Belém.

Já em 2004 a vaga foi perdida no saldo de gols ao levar um gol do Fortaleza (lembro bem, cabeçada do zagueiro tricolor Ronaldo Angelim quase no final da partida), perdendo por dois gols de diferença e dando adeus ao sonho da Primeira Divisão.

Em sérias dificuldades financeiras, o time foi mal nas últimas duas Série B e escapou por pouco do rebaixamento para a inglória Terceirona. Este ano no estadual, ficou muito perto de garantir o título do Primeiro Turno, mas um jogo desastrado em casa contra a Chapecoense na quarta retrasada, e outro contra o rival Criciúma no domingo deixou como resultado o título para o… Figueirense! Apenas a repetição do que tem acontecido nos últimos anos, para desespero da torcida do Avaí.

Figueirense: do ocaso à redenção

O Figueirense não mudou muito entre 1974 e 2001, período no qual conquistou somente dois títulos e passou por sérias crises financeiras. Sem opções, no início desta década a diretoria alvinegra terceirizou o futebol e entregou a decisão do negócio a uma empresa terceira, comandada por empresários de futebol. Seu primeiro gestor foi o ex-jornalista Oswaldo Paschoal, que fez carreira na Rede Bandeirantes.

O que diferenciou esta iniciativa das outras que foram executadas em todo o Brasil foram dois aspectos, no meu ponto de vista. O primeiro que o Figueirense é o clube de maior torcida dentre todos que implantaram este modelo (o segundo é o Paraná Clube). E o segundo: o clube passou a investir fortemente em infra-estrutura, criando campos de treinamento e investindo nas categorias de base.

Aos poucos o time do continente foi revelando e negociando jogadores jovens para o futebol europeu. Com forte ascendência italiana e alemã, o futebol catarinense tem muitos jogadores com duplo passaporte, o que facilitou as negociações para o exterior. Em especial o lateral-esquerdo Filipe, hoje no Deportivo La Coruña, foi vendido ao Real Madrid B. As médias de público são muito boas no Orlando Scarpelli, que foi aos poucos sendo reformado.

Dentro de campo, o clube seguiu uma linha contínua de trabalho e obteve bons resultados. Em 2001, retornou à Primeira Divisão do Brasileiro e passou a empilhar títulos estaduais (foram quatro em seis anos e o time já está na final do Catarinense 2008(EDITADO:

Postado por Alexandre Perin