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LARA: O TEU CRAQUE IMORTAL

02 de maio de 2008 15

Eurico Lara existe no dualismo típico do povo gaúcho: entre a lenda e a história. O que é mito sobre este goleiro, nascido em Uruguaiana no distante ano de 1897 e falecido precocemente em Porto Alegre no ano de 1935, se mistura com fatos reais que rechearam o cotidiano do Rio Grande do Sul no início do século passado. E acabaram por construir uma das mais dramáticas histórias do futebol brasileiro em seu início de existência.

Eurico Lara, goleiro do Grêmio no início do século XX

Defendendo o Tricolor Gaúcho por 16 temporadas, Lara se tornou o primeiro (e até hoje, único), jogador citado no Hino Oficial de um time de Primeira Divisão (homenagem feita por Lupicínio Rodrigues, um dos grandes compositores da MPB).

Tímido, era reservado mas dotado de talentos incomuns, sobretudo entre goleiros da época. Sua resilência era notável, talvez originado da vida militar que seguiu por toda a vida. Porém, o mais provável é que isto era fruto de um sentimento interno, superior, inquebrantável, nato dos grandes ídolos do povo.

Eurico Lara começou a carreira jogando no time do Exército quando completou 18 anos. Rapidamente, sua fama se alastrou por Uruguaiana e cercanias, e um de seus jogos foi visto por um conselheiro gremista, que indicou ao clube.

Ele não queria sair de Uruguaiana e fingiu doença para ficar em Porto Alegre, mas o Grêmio ‘mexeu os pauzinhos‘ e conseguiu uma transferência militar.Se apresentou no Fortim da Baixada no ano de 1920, aos 23 anos, para se tornar o maior goleiro tricolor em todos os tempos. E já começou ganhando um título, o citadino de 1920.

Em 1922, defendendo a Seleção Gaúcha contra a Seleção Paulista, Lara pegou 20 chutes de Arthur Friedenreich e saiu ovacionado pela torcida paulista no Pacaembu. Recheado de convites, não aceitou jogar em São Paulo. O goleiro só atuou por um outro clube, o Porto Alegre por um jogo em 1928. Levou uma sova e voltou chorando para a Baixada, naqueles tempos a sede do Grêmio, de onde nunca mais saiu.

Ele fazia defesas impressionantes, especialmente para os goleiros da época. Nos primórdios do futebol profissional, se tornou o primeiro dos ídolos populares do futebol gaúcho. Uma antológica defesa em Gre-Nal, contada pelo então colega Lacy (que disse: ‘o atacante colorado chutou, a bola entraria no ângulo, Lara se levantou, deu um tapa na bola de costas, a bola bateu no travessão e saiu‘), e quatro míticas defesas consecutivas contra o Botafogo, são exemplos deste talento. Rapidamente, se tornou uma unanimidade entre admiradores, rivais e imprensa.

Entretanto, aos poucos começou a mostrar sintomas de uma crônica tuberculose, doença que matava naqueles tempos. Outro problema: tinha insuficiência cardíaca, agravada pela tuberculose.

Chegamos ao ano de 1935, repleto de comemorações no estado pelo Centenário da Revolução Farroupilha. Debilitado, Lara foi vetado pelos médicos e ficaria de fora dos jogos finais. Porém, em um supremo esforço, ele bate pé e afirma: ‘vou jogar a decisão‘.

Lara se referia ao ‘Gre-Nal Farroupilha’, disputado em 22 de setembro daquele ano. Na decisão contra o Internacional, Lara atuou só por 40 minutos (na época os jogos duravam 80 minutos). Fechou o gol e garantiu o 0×0.

Eurico Lara, o primeiro goleiro histórico do GrêmioNo intervalo, deixou o time com fortes dores no peito. Com o empate, o Inter era campeão mas no segundo tempo, Oswaldo Rolla (o célebre Foguinho) fez 1×0. Na saída de bola, Lacy amplia, o Grêmio vence por 2×0 e se torna o Campeão Farroupilha, no maior clássico de todos os tempos até então. Este jogo se tornou tão emblemático que o Grêmio adotou o compromisso de comemorar por 100 anos em um jantar sua vitória mais importante desde a fundação, 32 anos antes.

Depois do jogo, Eurico Lara ainda participa da comemoração dos jogadores, mas depois vai para o Hospital Beneficência Portuguesa, na capital gaúcha.

Com a tuberculose avançada, não sai mais de lá e morre em 6 de novembro de 1935. Seu enterro causa comoção popular, reunindo a multidão de 30 mil pessoas. Gremistas e colorados, em homenagem à uma pessoa comum, de hábitos simples e caráter férreo.

Porém que, naquele dia, deixava o terreno dos homens e subiu para o panteão dos mitos, das lendas, da imortalidade...

LENDAS SOBRE LARA:
- Morreu defendendo um pênalti no Gre-Nal do Centenário Farroupilha (citadino de 1935)
- Que este pênalti tinha sido batido pelo irmão, que jogava no arquirrival e tinha um forte chute. E que Lara morreu gritando ‘Imortal’
- Não era goleiro quando jovem, jogava na posição em Uruguaiana porque ninguém mais era goleiro.
- Quebrou um braço em um dos jogos, e continuou em campo.

FATOS VERÍDICOS SOBRE LARA
- ‘Em Uruguaiana há um goleiro tão bom que, quando joga, seu time não perde’ – Frase de Máximo Laviaguerre, dirigente do Grêmio, sobre o goleiro da cidade fronteiriça.
- Fingiu doença para não se transferir para Porto Alegre.
- O Grêmio fez uma manobra política para ele ser transferido de quartel e ir para Porto Alegre.
- Saiu ovacionado pelos paulistas em uma vitória de 4×2 da Seleção Paulista contra a Seleção Gaúcha
- 16 títulos em 16 anos no Grêmio
- Seu último jogo antes de morrer foi conquistando o título do Centenário Farroupilha.
- Foi um dos Tenentes do movimento Tenentista que comandou a ‘Revolução de 1930′ e colocou Getúlio Vargas no poder, dando fim à República Velha.

TÍTULOS
Campeão da Cidade: 1920, 1921, 1922, 1923, 1925, 1926, 1930, 1931, 1932, 1933 e 1935 (Centenário Farroupilha, seu último jogo).
Campeão Gaúcho: 1921, 1922, 1926, 1931 e 1932

Hino Oficial do Grêmio

Lara, o Craque Imortal,
Soube o seu nome elevar,
Hoje, com o mesmo ideal,
Nós saberemos te honrar.’

IMAGENS RECUPERADAS PELA RBSTV DO ARQUIVO DA LEOPOLDI SOM – CLIC ESPORTES MEDIACENTER

Lara, o goleiro que virou lenda – imagens exclusivas


Comentários (15)

  • Katherine Bridi diz: 21 de novembro de 2008

    Oiii,Meu bisavô trabalhava com repórter desportivo e desenhista do grêmio na mesma época em que o Lara jogou! Meu biso fez mais de 10 volumes de uma espécie de enciclopédia sobre a própria vida, muito bem elaborados com fotos, recortes, registros sobre tudo. Há 2 vol. que falam mais do grêmio, o de desenhos e de esportes. Na época ele não tabalhava por dinheiro nenhum, apenas por carteirinhas de acesso aos jogos. Em um dos volumes ele fala bastante coisa sobre o Lara,

  • Katherine.. diz: 21 de novembro de 2008

    Em um dos volumes ele relata um jogo de voley em que participaram os jogadores da época. só que como faltava 1 integrante, convidaram ele q era o desenhista do time.O grêmio ganhou e ele fotografou a medalha e tudo e o Lara estava no time, tem alguma fotos.isso foi em 29!já procurei na net e não tem nada a respeito, gostaria de saber se tu sabe de alguma coisa referente a isso.A copa essa levava o nome de um alemão.Os livros estão na casa da minha avó, mas se tu te interessar posso pegar e ver

    EDITADO: ISTO É LEGAL, DÁ PARA FAZER UMA BELA MATÉRIA… Vou entrar em contato contigo

  • borracho diz: 2 de maio de 2008

    esse é IMORTAL.

  • Rafael diz: 3 de maio de 2008

    Simplesmente FANTASTICO!

  • … diz: 2 de maio de 2008

    muito bom o texto
    parabens pela pesquisa

  • Fábio Marçal diz: 3 de maio de 2008

    Ótima a idéia de recvuperar a história do futebol, resdsaltando biografia de ídolos do passado.
    Nós, brasileiros, somos apaixonados por futebol, mas conhecemos muito pouco ele historicamente. Ainda são raras a spublicações de livros e as produções cinematográficas sobre o nosso futebol . Resgatando Lara, contribuir para sanar tal lacuna.

  • Daniel Krug diz: 2 de maio de 2008

    Bah, deu vontade de chorar com essa reportagem…
    Valeu!

  • Evandro diz: 2 de maio de 2008

    Grande e Imortal Lara. Tua história se confunde com a do próprio Grêmio. Pra mim o maior jogador da história do Clube, por tudo o que falam a respeito dele. Bonita homenagem, e não por ser Gremista, mas o blogueiro está de parabéns. Obrigado por lembrar desta legítima lenda do nosso Futebol Gaúcho.

  • Renato Lempek diz: 2 de maio de 2008

    Grande Lara, mas juntamente com Luiz Carvalho se curvaram ao SC São Paulo da Cidade do Rio Grande, quando em plena Baixada, em novembro de 1933 sagrou-se Campeão Gaúcho, vencendo o Grêmio por 2×1.

  • Daniel perin diz: 5 de maio de 2008

    Muito boa mano!!!
    POstei na Comunidade dos Gremista o link!
    Valeu pelo Post!

  • Viviane Linck Lara diz: 3 de maio de 2008

    Grande Lara. Depois que descobri as suas histórias, fiquei mais orgulhosa em ser Gremista.

  • Lucas Winckler diz: 2 de maio de 2008

    Ideal, é isso que falta pra esses dirigentes do meu amado tricolor, mas tenham calma que os sócios vão tomar conta do Grêmio, tremei elite fajuta, sigam comprando opiniões, plantando fatos, enquanto é tempo.

  • Fernando Kesnault diz: 13 de junho de 2008

    Cara, não conhecia a história do Eurico Lara. Tenho sobrenome Lara também em função da família de minha mãe, que orgulho…e olha, tenho uma princesinha de 3 anos com o nome de Lara Luísa…

  • Leandro Fogaca diz: 15 de setembro de 2010

    Fui 2 x as lagrimas lendo este post. A historia de Lara se confunde com a historia Gremista e a dualidade lenda mito e sensacional. Na minha infancia so via os vermelhos ganharem. Nasci em 1968 e vi o Inter ser octa Gaucho. Foi quando ouvi a lenda de Lara pegando um penalti ferozmente chutado e morrendo em seguida com a bola encaixada no peito. Aquilo seguiu sendo uma verdade para mim por muitos anos ate eu decobrir a verdadeira historia ja maior e vendo a sequencia de conquistas iniciada com um gol num Grenal onde o Gremio em 1977 quebra a hegemonia do Inter com o inesquecivel gol de Andre Catimba. O resto foi so alegria. Parabens ao post. Parabens a Katherine por dividir a historia de sua familia e ter a sensibilidade de ver que faz parte da historia do Gremio. Parabens ao Gremio por seus 107 anos e parabens a todos nos Gremistas que fizemos este clube tao unico e formidavel.

  • Madalena diz: 16 de setembro de 2010

    Valeu, Perin. Vc poderia contar a história do Mito Gabiru?

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