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Posts do dia 16 maio 2008

"Barras", parte I - Um novo jeito de torcer

16 de maio de 2008 11

Antes de mais nada: o objetivo não é criar uma disputa entre colorados, gremistas, ou coisa que o valha, e sim apresentar uma tese. Já estava pensando no assunto após umas discussões nas listas de distribuição que eu participo há algum tempo, e quando li o texto Torcidas com Raça do colorado Carlos Balaika, achei que era o momento de expor minhas idéias.

Nos anos 90, passei a ir regularmente aos estádios, em uma época de gigantismo das organizadas em Porto Alegre. Além de milhares de membros, as T.O. tinham outro objetivo: cantar o máximo de canções em um menor intervalo de tempo.

Obviamente só elas cantavam, e como é natural em tamanho exagero, muitas eram pavorosas, sem ritmo e com melodias péssimas. Além disto, uma grande quantidade era de apologia à violência. Nunca gostei disto, e percebia a diferença com os demais torcedores, que também não gostavam…

EDITADO: o amigo Pablo Rodrigo lembrou que no final dos anos 90, a torcida do Atlético-PR já tinha uma tentativa de barra, inclusive com direito a faixa “Los Bombaixados”, se referindo ao Boca Juniors e La Bombonera. Mas isto não pegou na época…Pois bem, lá por 2004 (EDITADO: de acordo com os integrantes a Alma Castelhana existe desde 2001, mas insisto que era inexpressivo até 2004), começaram os núcleos da Alma Castelhana (hoje Geral do Grêmio), Guarda Colorada e Popular do Inter (hoje unificadas). São as “barras“, as torcidas que passam o jogo inteiro cantando, com músicas melodiosas e de incentivo ao time. Canções e comportamento de apoio incondicional, ao estilo ‘castelhano‘ viraram norma e não exceção.

Se criou um estilo diferente, ritmado e a mesma música era cantada por muitos minutos. Com o tempo, elas se organizaram internamente, e modificaram a maneira de pensar. Se antes, pegar uma música brasileira e alterar a letra era exceção (a gremista “Bebendo Vinho“, do Wander Wildner (EDITADO: nada sei de música, errei dizendo que é do Ira!), é um ótimo exemplo), hoje é regra.

Corinthians – “Aqui tem um bando de louco” – 2007

Músicas enaltecendo seus times hoje são muito mais populares que as xingando alguém. Isto também é exemplar, tendo em vista o grande número de famílias que estão regularmente indo aos estádios e músicas grosseiras simplesmente não %22pegam%22.

É claro que isso também gerou problemas, especialmente com a violência. Mas não vou considerar como regra e sim como exceção ao espetáculo bonito nos estádios.

Grêmio – “Eu sou do Sul” – 2006

Asseguro, com experiência de causa, que é infinitamente mais seguro ver um clássico Gre-Nal hoje do que há dez anos. A diferença é que hoje todo mundo tem celular com câmera, e a penetração de mídia é muito maior, então incidentes graves de antigamente nem chegavam na imprensa (eu vi tiro dado para cima por torcedores e quebra-quebra generalizado e nem uma linha nas rádios e jornais).

Internacional – “Colorado, Colorado: Nada vai nos separar” – 2006


SÉRIE COMPLETA – ‘AS BARRAS: UM NOVO JEITO DE TORCER’

Dia 15: “Barras”, parte I – Um novo jeito de torcer

Dia 22: “Barras”, parte II – O resto do Brasil se rende

Dia 23: “Barras”, parte III – A globalização via internet

Dia 23: “Barras”, parte IV – Música pop no futebol baiano

1985: o ano que não terminou para os Xavantes

16 de maio de 2008 42

Iniciando a série de %22grandes feitos do futebol do interior gaúcho%22, a inesquecível campanha do Brasil de Pelotas no Brasileirão de 1985. Na próxima semana, o assunto será o título gaúcho do Caxias, de Tite, na temporada de 2000. E ainda na semana que vem, a vez da histórica conquista da Copa do Brasil pelo Juventude em 1999.Brasil de Pelotas - 1985 - 3º lugar no Brasileirão

Porém hoje o assunto é Pelotas, ou melhor: seu arquirrival Grêmio Esportivo Brasil. Então comandado por Walmir Louruz (que seria campeão com o Juventude da Copa do Brasil), o Brasil terminou em um incrível terceiro lugar na então Taça de Ouro do Campeonato Brasileiro. É a maior conquista da mais fanática torcida do Rio Grande do Sul desde o longínquo Gauchão de 1919 (o primeiro da história).

O Brasil, que tinha o centroavante Bira (EDITADO: não é o %22Bira Burro%22, ex-Inter, obrigado aos que apontaram o erro) e os zagueiros Hélio (Vieira) e Silva como principais destaques, foi passando de fase na complicada fórmula da competição.

A antepenúltima fase era um quadrangular e se classificaram: Bahia (melhor campanha até então), Ceará, Brasil de Pelotas e o mítico Flamengo de Zico, Andrade, Adílio, Mozer, Leandro e Fillol. O curioso é que no ano anterior, o Brasil já havia vencido o Flamengo por 1×0 no Bento Freitas, também pelo Brasileiro.

O Brasil começou vencendo o Bahia, enquanto o Fla tropeçou contra o Ceará. Depois, 0×0 entre Ceará e Brasil, Bahia e Flamengo. Na terceira rodada, goleada tricolor sobre o Ceará e o Fla bateu o Brasil no Maracanã, gol de Bebeto (iniciando a carreira).

No final do primeiro turno, o Flamengo tinha quatro pontos, o Brasil e o Bahia três e o Ceará só dois. No início do returno, o Fla e o Brasil golearam Bahia e Ceará, respectivamente. Então, o jogo da história do Brasil.

Com 25 mil pessoas na Baixada, o Brasil bateu o Flamengo por 2×0. Um gol em uma trombada de Fillol e Mozer, deixando livre para Bira fazer. E o outro em um erro da zaga rubro-negra, que Júnior Brasília não desperdiçou. Veja os melhores momentos deste jogo:


Carnaval em pleno inverno na cidade de Pelotas. Porém em nada adiantava se na última rodada, o Brasil caísse para o Bahia em Salvador e o Fla vencesse o Ceará no Rio. Porém o time cearense arrancou um empate, e o Brasil virou sobre os baianos com dois gols de Bira Burro e um de Júnior Brasília

Nas semifinais, os Xavantes foram eliminados pelo então %22milionário%22 Bangu (patrocinado pelo dinheiro do %22Jogo do Bicho%22 do finado bicheiro Castor de Andrade). Superior tecnicamente, o time carioca venceu no Olímpico (o estádio do Brasil não tinha a capacidade mínima) e no Maracanã

Jogo de ida, Brasil 0×1 Bangu no Olímpico, Porto Alegre em 24 de julho de 1985

Jogo de volta, Bangu 3×1 Brasil no Maracanã, Rio de Janeiro em 28 de julho de 1985

O time base do Brasil era: João Luís; Valdoir, Silva, Hélio e Jorge Batata; Doraci, Lívio e Andrezinho; Júnior Brasília, Bira e Zezinho. Técnico Walmir Louruz. Bira foi o artilheiro com 15 gols.

Semana que vem, a dupla Ca-Ju!

AS MAIORES FAÇANHAS DO FUTEBOL GAÚCHO