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Posts do dia 30 maio 2008

FC Start: o time que desafiou o Nazismo

30 de maio de 2008 2

Quando Adolf Hitler desencadeou a Operação Barbarossa, na II Guerra Mundial, e aAlemanha conquistou a Ucrânia, abriu-se um dos mais  sinistros e brutais capítulos do conflito: 180 mil ucranianos foram executados pelas SS, e milhares deportados para campos de trabalhos forçados.

Kiev, a capital da Ucrânia, foi palco da talvez maior rendição em massa de todos os tempos: 665 mil soldados soviéticos depuseram as armas, surpreendidos pela  rapidez com que os exércitos alemães em alguns meses varreram as forças da URSS nos campos de batalha do Leste.

Cercada, invadida e esmagada pelo invasor, a capital ucraniana era a sede do Dínamo, talvez o melhor time de futebol da Europa antes da guerra. E foi com grande surpresa que, em um dia de 1942, Iosif Kordic, dono de uma fábrica local e fanático por esportes, reconheceu na rua Nikolai Trusevich, andando a esmo na cidade ocupada. 

Trusevich, que tinha sido goleiro do Dínamo Kiev antes da guerra, vestia trapos: capturado pelos alemães, acabara de ser libertado. Naquele momento, não tinha muitas alternativas: ou morreria de fome ou seria deportado para um campo de trabalhos forçados.

Mas Iosif Kordic tinha outros planos, e ofereceu comida e abrigo a Trusevich, pedindo-lhe em troca que formasse um time de futebol. Trusevich não queria, mas Kordic insistiu: os alemães tinham criado uma liga local, naturalmente na suposição de que seus times não teriam adversários. Quase não faziam segredo disso. 

Embora muitos dos antigos jogadores do Dínamo estivessem mortos ou fora do país, Trusevich acabou conseguindo pôr de pé um time – a que se chamou FC Start. A despeito do precário estado físico, da falta de condições e até de comida, o talento compensava. Logo o FC Start se impunha como um grande time. Começou a ganhar todas: venceu um conjunto de nacionalistas ucranianos,  representações húngaras e romenas.

Em pouco tempo, o FC Start personificava o espírito da Ucrânia. A população enchia o estádio, a moral e o orgulho nacionais subiam. Era, como diria o dramaturgo brasileiro Nélson Rodrigues muitos anos depois, a própria “pátria em chuteiras”. 

Os alemães logo se deram conta do problema de propaganda que se tinha criado. Tentaram manter os ucranianos longe dos estádios, aumentando exageradamente o preço dos ingressos, mas sem resultado: o povo ia assim mesmo.

Era preciso outra saída. Os ucranianos “tinham” que ser derrotados por um conjunto que representasse a “raça superior”. Um time combinado das Forças Armadas da Alemanha (a Wehrmacht) levou 9×1. Eles pediram revanche e o resultado foi ridículos 6×0

Não satisfeitos, os nazistas chamaram um time melhor qualificado e formado pelas Forças Armadas da Alemanha na Hungria. Não adiantou nada, 5×1 para o Start. Os húngaros pediram revanche e foi 3×2. Para os ucranianos, claro.

Enfim, os nazistas achavam que poderiam bater o Start. Mandou-se vir da Alemanha a nata do esporte da época: o time da Luftwaffe, o Flakelf, bem treinado e alimentado. Apesar de alguns ucranianos não terem nem chuteiras, o resultado que se viu em campo foi emocionante: FC Start 5 x 1 Flakelf.

Na próxima segunda-feira, o epílogo desta história trágica do futebol mundial

Créditos:


1 – Kiev em ruínas, 1942- Anisimov, Aleksandr (2002). Kiev and Kievans. Kurch. ISBN 9669612012.

2 – FC Start perfilado para jogo contra o Exército da Wehrmacht (1942) – autor desconhecido – Museu do Dínamo Kiev (reprodução)

3 – Nikolai Trusevich, goleiro, mentor e capitão do FC Start – Domínio público ucraniano

Os anos dourados da NBA: finais de 1993 entre Bulls e Suns

30 de maio de 2008 5

Quem vê hoje a globalizada NBA pode não ter estimativa do impacto que ela teve no Brasil do início dos anos 90. Era umaa vez a NBA dos tempos dourados, de Jordan, Johnson, Bird, Barkley, Ewing, Petrovic & Cia ilimitada.

Quando era criança, só uma coisa eu gostava mais que ver a NBA: corridas de Fórmula-1. Afinal, em tempos de baixa no futebol brasileiro, um adolescente criado em uma cidade com times fracos (morava em Juiz de Fora-MG e não tinha muitas perspectivas com o Tupi…), seguia a moda do momento.

Bonés de times de basquete eram moda entre nós e cada um tinha seu time. Eram muito populares os jogos de videogame Lakers vs. Celtics e Bulls vs. Lakers, representando as finais da NBA de 87 e 91.

Como era de se imaginar, a maioria da molecada era Chicago Bulls, do inigualável Michael “Air” Jordan. Eu era.. New York Knicks! Era tão mais fácil torcer para o time que estava ganhando, e é claro que eu tinha que complicar.

Meu irmão Daniel Perin era Bulls, e nossos melhores amigos torciam para o Knicks (André Carvalho Felício) e Bulls (Diogo Carvalho Felício). Ou seja, os irmãos mais velhos torciam para o time azarão e os mais novos para o favorito. Dois momentos marcaram esta época: os play-offs finais de conferência em 1993 e as finais daquele mesmo ano.

Em 1993, no auge da popularidade da NBA, os Knicks pegaram os Bulls na final da Conferência Leste. De um lado, MJ, Scottie Pippen, John Paxson e Horace Grant. Do outro, Pat Ewing, John Starks, Mark Jackson e Anthony Mason. Os Knicks ganharam os dois primeiros jogos em Nova Iorque e se criou um clima de oba-oba. Enfurecido, Jordan comandou seu time em uma histórica reação. Os Bulls ganharam os dois jogos seguintes de lavada, com direito a recordes 54 pontos de Jordan no jogo 4, Bulls 105 x 95 Knicks:


Então, o quinto jogo, a série empatada 2-2. No Madison Square Garden milhares torcendo pelo time de Nova Iorque. Na TV, milhões. E em Juiz de Fora o quarteto: eu e André, Dani e Diogo aos berros e xingamentos.

Em um jogo fabuloso (tem ele inteiro no You Tube), os Knicks perderam por 3 pontos. Ou melhor, Jordan ganhou o jogo. E isto que o time da casa errou arremesso, rebote e rebote quando perdia por 1 ponto e faltando 10 segundos. Inacreditável, Bulls 97 x 94 Knicks…Vejam:



Depois, o Bulls acabou ganhando fácil o jogo seguinte, 96 a 88 e fechando a série por 4-2 e garantindo-se na final pelo terceiro ano seguido, buscando o tricampeonato:

Na final, outro timaço chamado Phoenix Suns, do maluco genial Charles Barkley, dos ótimos Kevin Johnson e Dan Marjele. (EDITADO: obrigado Marcos pela correção) – Em Phoenix, os Bulls ganharam fácil o 1° jogo (100 a 92), apertado o 2° (101 a 98), com Jordan em uma média superior a 40 pontos por jogo, .

Os Suns venceram o terceiro jogo fora de casa, mesmo com 44 pontos de Jordan, 129 a 121 na prorrogação. Aí no quarto jogo, sua majestade “Air” Jordan chutou o balde: 55 pontos e uma surra em plena Phoenix Arena, 3-1 para o Bulls, 111 x 105. Confiram os melhores momentos:

Então, quando tudo parecia encerrado, outra vitória do Suns em Chicago e a decisão ficou 3-2. No sexto jogo, depois de jogar fora uma larga vantagem, o Bulls perdia por 98 a 96. A iminência de um sétimo jogo, fora de casa, era apavorante para o time de Chicago.

Aí, faltando 3.9 segundos, o reserva John Paxson acerta uma cesta de três e vira para o time da casa, comandado pelo excepcional técnico Phill Jackson. Então, o titular Horace Grant, em péssima fase (fez um ponto no 5° jogo e repetiu a dose naquele dia) acabou com o jogo ao conseguir um toco fenomenal em cima de uma bandeja de Kevin Johnson, garantindo a vitória e o tricampeonato para os Bulls, 99 a 98!!!

Mas este seria apenas mais um passo na história quase mitológica de Michael Jordan.

Outro capítulo estrondoso seria escrito em 1998 contra o Utah em Salt Lake City