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Gauchão 2000: a glória eterna do Caxias

21 de junho de 2008 7

Caxias, campeão gaúcho de 2000/Reprodução ZH - 22/06/2000

Hoje, exatamente neste 21 de junho, completam-se oito anos da maior façanha da Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias. Com um time consistente, comandado pelo então jovem técnico Tite e com destaques dentro de campo como Gil Baiano, Gilmar, Paulo Turra, Jajá e Ivair, o Caxias venceu o primeiro turno e se classificou para a final. No primeiro jogo no Centenário, enfiou 3×0 no milionário Grêmio-ISL, de Ronaldinho, Astrada, Paulo Nunes e Zinho, segurou um empate em 0×0 no jogo de volta no Olímpico e foi o justo campeão gaúcho da temporada de 2000.

Se 1985 foi o ano no qual o Brasil de Pelotas entrou para o cenário do futebol gaúcho com uma histórica campanha no Brasileirão, 2000 foi o ano da maior glória do Caxias em sua história. Atormentado pelos sucessos do arquirrival Juventude, há muitos anos na Primeira Divisão do Brasileiro,campeão da Copa do Brasil 1999 e que havia sido o primeiro time do interior a ganhar o Gauchão em 50 anos, o time grená precisava dar a volta por cima. E conseguiu!

Naquele ano o estadual foi disputado em um octogonal em ida e volta, com os campeões de cada turno fazendo a decisão. Era a clássica “Fórmula Fraga“, muito utilizada nos anos 70. Mas para chegar lá, o Caxias precisou se classificar em uma fase inicial somente com times do Inter, enquanto a dupla Gre-Nal e o Juventude disputavam a Copa Sul-Minas. O time grená ficou em segundo, atrás somente do Esportivo.

Em Março começou o Gauchão em sua fase quente. No primeiro turno o Caxias começou vencendo o Passo Fundo por 4×0, depois o clássico “Ca-Ju contra o Juventude em pleno Alfredo Jaconi por 1×0 e empatou o “Clássico da Polenta” em 0×0 com o Esportivo na antiga Montanha. A campanha crescente ganhou força após bater, ao natural, o Internacional por 2×0 no Centenário. O único tropeço viria a seguir, um 2×0 para o 15 de Novembro em Campo Bom.

Na penúltima rodada, um 4×3 contra o Santa Cruz aliado a um 1×1 no Gre-Nal deixava o Caxias com uma vantagem de um ponto sobre o Grêmio. Com remotíssimas possibilidades, o Inter precisaria vencer o Juventude em Caxias por dois gols de diferença e torcer por um empate entre Caxias e Grêmio na última rodada.

Porém o jogo final daquele turno era no Olímpico. Com um estádio lotado, repleto de estrelas como Danrlei, Zinho, Ronaldinho e os argentinos Astrada e Amato, o Grêmio era favoritaço. Uma vitória simples já deixava o Tricolor, então treinado por Antônio Lopes, classificado para a final.

Só que o Caxias não quis nem saber e saiu na frente com um golaço de Ivair, sem chances para Danrlei. O Grêmio empatou ainda no primeiro tempo, com um gol de Amato, mas logo depois Jajá fez 2×1 para o Caxias. O time de Tite estava na final!

No segundo turno, já na decisão, desmobilizado e preservando jogadores para a fase final, o Caxias novamente foi protagonista. Na última rodada, ao levar 1×0 do Grêmio com um gol de Itaqui, o Caxias viu a equipe gremista se classificar para a decisão.

Então a finalíssima, o jogo mais importante da história do clube. Na primeira partida, em uma gelada noite de inverno no Centenário, muita confusão antes do jogo entre dirigentes e também na torcida. Dentro de campo, um nada humilde Grêmio não viu a cor da bola e foi dominado amplamente, do início ao fim. O Caxias empilhou chances, mas errava no nervosismo e na falta de pontaria do ataque. Somente aos 44 minutos, Gil Baiano fez 1×0 para o Caxias e colocou justiça no placar.

Logo a três minutos do segundo tempo, Ivair cobrando falta ampliou: 2×0. O veterano goleiro Sílvio (Danrlei fora barrado pelas más atuações naquele Gauchão), ainda buscaria a bola outra vez dentro do gol gremista, através de Márcio aos 22 minutos. E isto que o tosco centroavante Adão, que depois jogou no Grêmio, ainda perdeu ótimas oportunidades de ampliar o marcador. O escore final era de 3×0, e o Grêmio teria que fazer uma “epopéia” para reverter tão amplo marcador em uma decisão de campeonato.

O clima fora de campo já começou tenso, com os dirigentes gremistas anunciando um “Kosovo” em Porto Alegre (cidade então sitiada pelos sérvios na Iugoslávia), tentando intimidar o time de Caxias. Sem dúvida, uma expressão profundamente lamentável.

O jogo final foi adiado do dia 18 para o dia 21 por causa das chuvas, o que beneficiou o Grêmio, que esperava mais público. Ingressos populares levaram quase 30 mil torcedores ao Olímpico para a final. O clima era de esperança, que o clube do interior “amarelasse” e desse o título para o Grêmio.

Dentro de campo a partida começou com uma blitz gremista sobre o gol de Gilmar. Segura, a zaga de Émerson e Paulo Turra foi aos poucos controlando o ataque gremista, que enfim via uma boa atuação do centroavante argentino Gabriel Omar Amato, criando e desperdiçando algumas oportunidades.


Depois disto, o jogo foi extremamente truncado, com o Caxias se defendendo com segurança e o Grêmio só tendo chances nos instantes finais, com Amato perdendo ótima chance ao parar nas mãos de Gilmar.

No segundo tempo, aos poucos o Tricolor foi esmorecendo e a torcida do Caxias se animando nas arquibancadas. O grito de título estava próximo. No finalzinho da partida, pênalti para o Grêmio que Ronaldinho se preparou para bater. A estrela máxima do Tricolor e da Seleção Brasileira bateu mal, Gilmar pegou e o árbitro Carlos Simon aproveitou a deixa para encerrar o jogo:


CAXIAS CAMPEÃO GAÚCHO DE 2000!!!!

FINAIS:

14 de junho
Caxias 3 x 0 Grêmio – Centenário, Caxias do Sul (RS)

Gols: Gil Baiano (44′/1ºT), Ivair (03′/2ºT) e Márcio (22′/2ºT).
Arbitragem: Carlos Eugênio Simon, auxiliado por Altemir Haussmann e Júlio César Santos.
Público: 13.369 pagantes. Renda: R$102.951,00.
Cartões amarelos: Jairo Santos, Sandro Neves e Ivair (C); Ânderson Lima, Marinho, Ânderson Polga e Jê (G).

CAXIAS:
Gilmar; Jairo Santos, Émerson, Paulo Turra e Sandro Neves; Ivair (Cláudio), Titi, Gil Baiano e Maurício (Márcio); Jajá (Moreno) e Adão. Técnico: Tite.

GRÊMIO:
Sílvio; Marinho, Alex Xavier e Nenê; Ânderson Lima, Ânderson Polga, Gavião (Guilherme), Zinho e Roger (Jê); Ronaldinho Gaúcho e Adriano (Amato). Técnico: Antônio Lopes.

21 de junho
Grêmio 0 x 0 Caxias – Olímpico, Porto Alegre (RS)

Arbitragem: Carlos Eugênio Simon, auxiliado por José Carlos Oliveira e André Veras.
Público: 24.326 pagantes. Renda: R$193.174,00.
Cartões amarelos: Ânderson Lima, Ronaldinho Gaúcho, Alex Xavier, Zinho, Marinho e Roger(G); Paulo Turra, Gilmar, Sandro Neves, Titi e Adão(C).

GRÊMIO:
Sílvio; Ânderson Lima, Marinho, Alex Xavier e Roger; Ânderson Polga (Eduardo Costa), Itaqui (Beto), Zinho e Ronaldinho Gaúcho; Cláudio Pit-Bull e Amato. Técnico: Antônio Lopes.

CAXIAS:
Gilmar; Jairo Santos, Émerson, Paulo Turra e Sandro Neves; Ivair, Titi (Cláudio), Gil Baiano e Márcio; Jajá (Delmer) e Adão (Luciano Araújo). Técnico: Tite.

Curiosidades do título:

- o Caxias foi o último campeão gaúcho do século XX
– Daquele time, Gilmar, Paulo Turra jogaram em Portugal, o segundo sendo campeão português em 2003.
Gil Baiano e Márcio tiveram apagadíssimas passagens pelo Inter em 2000 e 2002, respectivamente
Sandro Neves e Adão fizeram o mesmo no Grêmio, em 2000 e 2002
– O técnico Tite treinou o Grêmio entre 2001 e 2003, se sagrando campeão gaúcho e da Copa do Brasil em 2001.
– Ele também foi o único treinador campeão gaúcho por dois times diferentes em anos consecutivos nos últimos 30 anos. Hoje treina o arquirrival Internacional
Gilmar hoje é treinador.
Delmer é um dos maiores goleadores do Caxias em todos os tempos
– O goleiro reserva André foi o herói do Caxias no ano passado, sendo o protagonista principal da conquista da Copa Amoretty ao fechar o gol e pegar pênaltis na decisão contra o Brasil, em Pelotas.

EDITADO: Pedro, não aprovei teu comentário por considerar descabido. Só neste final de semana, assisti cinco jogos completos (dois da Eurocopa, e quatro do Brasileirão). 

Se tu acha que o post é muito ruim para ti, como gremista, o que colorados irão dizer na próxima semana quando falar do título de 1999 do Juventude na Copa do Brasil? Só fiz isto de maneira organizada, na ordem crescente de importância das façanhas: Brasil de Pelotas em 1985, Caxias em 2000 e Juventude em 1999. Simples assim.}

AS MAIORES FAÇANHAS DO FUTEBOL GAÚCHO

Comentários (7)

  • LUCAS diz: 24 de junho de 2008

    SAUDADES DESSA MAQUINA….
    MAS EU DIGO, ESSE ANO NÓS GRENA TEREMOS MUITAS ALEGRIAs ainda……

    RUMO A B!!!

  • jo diz: 21 de junho de 2008

    tomar goleada de time do interior em final de campeonato…só pode ser o gremixo!NUNCA UM COLORADO FOI GOLEADO POR TIME DE INTERIOR EM FINAL DE CAMPEONATO!

  • Fernando diz: 23 de junho de 2008

    Valeu pela lembrança. Esperamos que daqui alguns anos tenhamos novos feitos para serem recordados.

    Sds. Grenás.

  • Henrique diz: 21 de junho de 2008

    Valeu a lembrança, Perin. Parabéns pelo blog. Se tudo der certo, voltaremos a incomodar!!Saudações grenás!!!

  • Samuel diz: 23 de junho de 2008

    O goleiro reserva do Caxias era o Dida, e nao André !

  • David diz: 24 de junho de 2008

    Parabens pelo post! Esse time era uma máquina, deixou muita saudade.

  • Gustavo diz: 22 de junho de 2008

    Valeu Perin!
    A lembrança desse título para nós grenás sempre será motivo de orgulho, foi a luta da garra, do amor à camisa e de uma união incrivel entre time e torcida.

    Saudações Grenás!

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