Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Posts de junho 2008

O último lance mágico: Jordan decide em 1998 contra o Utah Jazz

20 de junho de 2008 2

Se em 1993, Michael Jordan foi coadjuvante no jogo 6 decisivo das finais da NBA contra o Phoenix Suns, em 1998 foi bem diferente. O mesmo Jordan, já veterano com 35 anos, foi o protagonista principal das finais. Seu adversário na decisão era o fortíssimo Utah Jazz, de Karl Malone e John Stockton. O Chicago Bulls havia sido tricampeão entre 1991 e 1993. Jordan se aposentou para tentar jogar baseball e o time tornou-se figurante nas duas temporadas seguintes.

Em 1995, MJ retornou e o time de Chicago, adivinhem, ganhou a Liga sobre o Seattle Supersonics. Repetiu a dose em 1997 contra o Utah Jazz, time contra o qual repetiu a decisão na temporada seguinte.

Era o décimo ano consecutivo que Jordan era o cestinha da temporada (ele só não foi cestinha entre 86 e 98 nos dois anos que ficou de fora, 94 e 95). Na temporada anterior, os Bulls obtiveram o recorde de 72-10 vitórias na temporada regular.

Depois de um fácil caminho até a decisão, a série estava 3-2 para os Bulls, o jogo era no Delta Center em Salt Lake City. No sexto jogo, Jordan detonou: fez 54 pontos. Na temporada que seria de sua despedida, no jogo que poderia decidir o tricampeonato da NBA, ele foi simplesmente mágico.

Fez obscenos 45 pontos, mais da metade dos Bulls naquele dia e foi a estrela dos minutos finais. Os Bulls perdiam por 86-83 faltando 41 segundos e sem tempos extras para nenhum dos dois times. Jordan fez uma cestaça de dois pontos contra toda a defesa do time da casa. O Utah foi para o ataque, perdeu a bola faltando 19 segundos (adivinhem quem roubou, Jordan claro…) e deu a chance para os Bulls ganharem a partida.

Jordan pegou a bola, ficou tocando a bola até que viu a oportunidade faltando 6s e… cesta! Inacreditável: em 35 segundos Jordan fez quatro pontos e roubou uma bola. Garantiu o título (EDITADO: seu sexto na carreira) com uma cesta decisiva no que seria seu último jogo na carreira. Mas não foi, afinal Jordan acabou voltando às quadras mais uma vez…

Sua majestade aérea Michael “Air” Jordan!


Postado por Perin, lembrando como secava inutilmente Jordan

Goleiro do Caxias vs. Rodolfo Rodríguez

20 de junho de 2008 2

Defender um pênalti e três rebotes seguidos na sua estréia? Nada mal para o garoto Sidivan, de 15 anos. Recebi este vídeo do colega Eduardo Cecconi, jogo oficial do Campeonato Gaúcho de Juvenis.

A partida foi Caxias 2×0 América, disputada na quarta-feira retrasada e o herói do jogo estava estreando naquele dia. Reserva de Eduardo, Sidivan só atuou porque o titular estava suspenso. Era sua estréia no time, e o goleiro simplesmente fez isto: pegou um pênalti e ainda três rebotes consecutivos:

De tão espetacular, seus companheiros e o Caxias querem que o vídeo seja publicado no Fantástico, no quadro “Bola Cheia”. Ele também foi matéria no Jornal Pioneiro de hoje. Encabulado, o garoto virou celebridade em Caxias do Sul

Sidivan fez uma sequência de defesas muito semelhante às cinco protagonizadas pelo grande goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez. Então no Santos, o titular da Seleção Uruguaia pegou CINCO chutes consecutivos em uma partida contra o América-SP na Vila Belmiro. O jogo foi no dia 14 de julho de 1984, válido pelo Campeonato Paulista daquele ano :

Postado por Perin, dizendo que fez isto na semana passada…

Dick Vigarista parte II: Jerez de la Frontera, ano de 1997

19 de junho de 2008 1

Se Michael Schumacher tinha sido roubado em 1994 fora das pistas e uma deliberada batida até de certa forma se justificava, em 1997 a questão foi bem diferente. A temporada foi normal dentro e fora das pistas e rapidamente se percebeu que o título seria decidido entre Schumacher, já na Ferrari, e o canadense Jacques Villeneuve, na Williams.

Na última prova, o GP da Europa no longínquo circuito de Jerez de La Fronteira, Schumacher de novo era o líder do campeonato por um ponto de vantagem. Nos treinos, algo inacreditável: Schumacher, Villeneuve e a outra Williams, de Heinz-Harald Frentzen fizeram o mesmo tempo: 1min21s072. Pelas regras, quem fez primeiro o tempo fica na frente, então a classificação foi: Villeneuve, Schumacher e Frentzen.

Na largada, Schumacher passou Villeneuve e abriu distância. Durante a corrida, o canadense passou a andar mais rápido e ficou em posição de ultrapassagem. Quando tentou a manobra, Schumacher deliberadamente jogou o carro em cima de Jacques. Ao contrário de três anos antes, desta vez o alemão se deu mal: saiu da prova e viu Villeneuve continuar na prova, chegar em terceiro lugar e se sagrar campeão mundial.

Após a corrida, o incidente considerado um “acidente normal” pelos comissários de prova (pura covardia). Obviamente a FIA recorreu e puniu o alemão com a desclassificação total da temporada 1997. Isto na prática não mudou nada, pois todas as vitórias, poles e pontos obtidos por Schumacher naquela temporada continuaram valendo.

Porém, desta vez, Dick Vigarista se deu mal.

Ele perdeu a “Corrida Maluca”…

Postado por Perin, mostrando o dedo pro Schummy

Copa do Brasil 1996: a noite do `assalto`

19 de junho de 2008 8

Desde criança, meu pai sempre lembra de jogos do Palmeiras contra o Grêmio, pelo Robertão nos anos 60 (65 e 67), quando o Tricolor foi muito roubado pelas arbitragens. Sei, pela história escrita, do escandaloso prejuízo de arbitragem do Internacional (protagonizado pelo hoje global Arnaldo Cézar Coelho), nas semifinais de 1973 contra o Palmeiras.

Então chegamos ao ponto deste post. Em 1996, nas semifinais (EDITADO: obrigado pela lembrança, Isa) da Copa do Brasil, Grêmio e Palmeiras protagonizaram um dos jogos mais polêmicos de todos os tempos. Já calejados de muita rivalidade no ano anteiror, quando o Grêmio eliminou o Palmeiras na Copa do Brasil e na Libertadores (os históricos 5×0 e 5×1 das quartas-de-final, da briga entre Dinho, Válber e Danrlei), gremistas e palmeirenses se odiavam.

Os times eram quase os mesmos do ano anterior, e a rivalidade se mantinha. O clima era tão tenso que, na primeira partida vencida pelo Palmeiras por 3×1, o então presidente gremista Fábio Koff, normalmente cordato, fez declarações iradas sobre jogadores do Palmeiras.

Na imprensa, Felipão e Wanderley Luxemburgo trocavam farpas que deixariam Alex Ferguson e Arséne Wenger encabulados. O clima de guerra era tamanho que ocorreu uma inversão de prioridades: míseros 16 mil gremistas compareceram na terça-feira na semifinal da Libertadores contra o América de Cali (uma vitória magra de 1×0 foi o reflexo disto).

Na sexta-feira, contra o Palmeiras, quase 50 mil tricolores entupiram o Olímpico. E o jogo? Ah, o jogo… O Palmeiras, de 100 gols no primeiro semestre e atual campeão paulista, era um timaço de Rivaldo, Muller, César Sampaio, Djalminha, Cafu, Luizão, Flávio Conceição. E o Grêmio? Era o atual Campeão da América, com Danrlei, Jardel, Paulo Nunes, Carlos Miguel, Arce, Adílson.

No primeiro tempo, nervoso, o Grêmio não jogou bem. Bem estruturado na defesa, o Palmeiras saía em contra-ataques e, em um deles, Luizão fez 1×0. No segundo tempo, o Grêmio começou a alçar bolas na área para tentar os certeiros cabeceios de Jardel. Depois dos 30 minutos da etapa complementar, precisando fazer três gols, o Grêmio enfim conseguiu reagir.

Primeiro o então jovem Rodrigo Mendes deu passe primoroso para Jardel (que voltara do Glasgow Rangers sem poder jogar) empatar, 1×1. Menos de dez minutos depois, Zé Alcino empata de cabeça: 2×1! Faltava só um gol e, quase no final da partida, Jardel vem de trás, apara cruzamento da direita e faz explodir a torcida, marcando o 3×1 na goleira da Cascatinha. Pandemônio no Olímpico até que…

O bandeirinha carioca Paulo Jorge Alves anula o gol, marcando um impedimento totalmente inexistente. Jardel está bem atrás da linha da defesa. Muita confusão, briga dos jogadores gremistas com o árbitro cearense Francisco Dacildo Mourão, e da torcida. Após alguns minutos, o jogo recomeça mas o Grêmio não tem mais forças para buscar o empate e levar para os pênaltis. Final, Grêmio 2×1 Palmeiras. E uma profunda sensação de derrota em campo. E impotência. 

A arbitragem ganhava novamente.  Confiram os lances dos dois jogos:

Viradas de Mesa - 2005 e o escândalo do STJD e os jogos anulados.

18 de junho de 2008 5

Em 2005, o árbitro Edílson Pereira de Carvalho assume estar envolvido em esquema de manipulação de jogos. Ele tinha apitado 11 jogos, mas só três estavam envolvidos no esquema.

Porém, inexplicavelmente e contra todas as recomendações e contra declarações dele mesmo, o presidente do STJD Luiz Zveiter anula todos os 11 jogos na manhã de domingo, 1° de outubro. Ao invés de líder, o Internacional acorda em terceiro lugar, atrás do Corinthians e do Goiás.

A decisão é claramente favorável ao Corinthians, que tinha perdido dois dos jogos anulados e que seriam remarcados. E iria contra o próprio código da Justiça Desportiva.

Em caso semelhante, o árbitro Paulo Danelon, que havia apitado na Série B e também estava envolvido no escândalo de jogos manipulados, inacreditavelmente não tem os seis jogos remarcados. A decisão é definitiva, e os jogos voltam a ocorrer. Somente um jogo tem seu vencedor mantido, a vitória do Inter sobre o Coritiba. O Corinthians, que havia perdido para Santos e São Paulo, vence o primeiro e empata com o segundo, recuperando quatro pontos.

O mais incrível ocorreu no jogo Juventude x Fluminense. Edílson tinha sido pago para beneficiar o Flu, mas o Juventude venceu. Porém como todos os 11 jogos foram anulados, o Flu teve a chance de jogar de novo e acabou ganhando a partida em Caxias do Sul. Ou seja, a remarcação acabou dando exatamente o resultado exigido pelos corruptores.

O impacto é imediato no ânimo dos torcedores: no mesmo dia, um confronto generalizado ocorre em Internacional 2×2 Fluminense, e no jogo remarcado Santos x Corinthians o time da capital goleia com vários santistas sendo expulsos e o estádio interditado. O Corinthians chega a estar 11 pontos na frente do Inter, que recupera terreno até a `decisão`, antepenúltima rodada no Pacaembu, dia 20 de novembro.

Neste jogo, depois de sair perdendo para o Timão com 1 gol de Carlos Tévez, o Inter empata com Rafael Sobis. No finalzinho da partida, Tinga sofre pênalti claro de Fábio Costa mas o árbitro Márcio Rezende de Freitas não marca e ainda expulsa Tinga, acusado de simular a infração. O jogo termina 1×1 e o Corinthians é campeão por três pontos. Caso os resultados originais tivessem sido mantidos, o Internacional seria campeão com um ponto de vantagem.

Depois disto, o presidente do STJD é afastado do cargo em decisão do Conselho Nacional de Justiça. O último capítulo desta história aconteceu no final do ano passado, quando o ex-presidente corinthiano Alberto Dualib afirmou, em escutas telefônicas, que o Corinthians foi campeão em 2005 por causa de um jogo roubado.

Um dos capítulos mais negros da história do futebol brasileiro. E um sentimento de revolta que marca até hoje os colorados, que secam o Corinthians tão ou mais que o eterno rival Grêmio.

De lá para cá, o Corinthians escapou do rebaixamento por pouco em 2006, caiu em 2007 e recentemente perdeu a final da Copa do Brasil para o Sport.

Postado por Perin, lamentando um momento negro do futebol

Dick Vigarista parte I: 1994

18 de junho de 2008 0

Lembram de Dick Vigarista? Aquele queixudo que tinha o ajudante Mutley no desenho “Corrida Maluca“, de imenso sucesso nos anos 60 e 70? Este foi o principal apelido que Michael Schumacher teve ao longo de sua longa e vitoriosa carreira na F-1. Isto por causa de dois incidentes marcantes, além de outras questões menores, como a vez que a Ferrari obrigou Rubens Barrichello a abrir mão da vitória em prol de Schumacher (GP da Áustria 2002), e a vez que Schumacher ficou parado na curva Rascasse, impedindo Fernando Alonso de completar a volta no treino classificatório e obter a pole (GP de Mônaco 2007).

Schumacher e seu alter-ego

Michael Schumacher foi um piloto que de imediato angariou antipatia dos brasileiros. Afinal, ele entrou na Benetton no lugar do simpático e talentoso brazuca Roberto Moreno, que infelizmente não estava aproveitando sua oportunidade na Benetton. O problema é que Schumacher, já na sua PRIMEIRA corrida, tinha mostrado que era um “fuoriclasse” pois conseguiu um belíssimo 7º lugar no grid com uma Jordan. Em 1992, veio sua primeira de 91 vitórias e em 1994 o primeiro dos sete títulos mundiais.

Pois é justamente em 1994 que começamos o assunto de hoje. Em uma temporada marcada por falcatruas nos pits (a Benetton tirou um filtro que acelerava o reabastecimento) e pela morte trágica do favorito absoluto Ayrton Senna, Schumacher saiu com 30 pontos na liderança do campeonato. Depois de Ímola, o coadjuvante Damon Hill ficou com a responsabilidade de comandar a Williams. Mas o campeonato estava praticamente decidido depois que Schummy venceu seis das primeiras sete provas

E então vieram as confusões fora das pistas.Primeiro se viu que a Benetton tinha um controle de largada camuflado. No GP da Inglaterra, Schumacher demorou para largar e foi ultrapassado na volta de apresentação, mas buscou recuperar posições ainda na mesma volta (na época era proibido). Como pena, foi desclassificado mas se recusou a ir para os boxes. Foi punido adicionalmente por duas corridas, um evidente exagero. 

Depois, foi descoberta a retirada do filtro de combustível da Benetton (provável causa do incêndio nos boxes de Jos Verstappen no GP da Alemanha), que acelerava os pit-stops da Benetton.

Porém no GP da Bélgica, o alemão foi desclassificado porque a prancha de madeira no assoalho (que teoricamente limitaria a aerodinâmica) estava com desgaste maior que o permitido. Aí foi injusto, pois claramente Schumacher rodou e passou em cima de uma zebra que deve ter lascado toda a prancha.

O resultado foi que na última corrida, em Adelaide, Schumacher estava somente um ponto à frente de Damon Hill. Largou na frente, abriu vantagem até que… errou e bateu! Com o carro danificado, voltou para a pista e literalmente jogou o carro em cima de Damon Hill, que também ficou danificado e teve de abandonar.

Postado por Perin, lembrando que amava Corrida Maluca

Fim do tabu: 12 anos sem vencer em Goiás

17 de junho de 2008 2

Ao vencer o Goiás sábado por 3×0, o Grêmio quebrou uma escrita que já durava mais de uma década: faziam 12 anos que o Tricolor não vencia um jogo oficial no estado de Goiás.

Pior, na maioria das vezes que saiu derrotado em gramados goianos (teve uma partida também em Anápolis) foi por placares nada recomendáveis com a grandeza do clube. Uma delas é particularmente vergonhosa, o 6×0 de 1997, simplesmente a pior derrota gremista na história do Campeonato Brasileiro.

Os dois gols de Marcel e o gol de Wiliam Thiego deixaram o Grêmio, do contestado Celso Roth, na vice-liderança por pontos e atrás do Flamengo somente no saldo de gols. Mas, mais do que isto, afastaram de vez a uruca tricolor lá nos plagos de Goiás.

Até meu irmão Daniel, que mora em Brasília e é gremista de carteirinha, foi no jogo e finalmente viu uma vitória. Ele mora na capital federal desde 1998 e ainda não tinha visto uma vitória no Serra Dourada. Pior é que nem só do Goiás viveu o tabu, pois ocorreram derrotas para o Vila Nova, Atlético-GO (algoz tricolor na Copa do Brasil 2008) e o infame 4×0 para a Anapolina, que quase custou o cargo de Mano Menezes na Série B de 2005.

Confira a sequência, contando a vitória de 1996 nas semifinais do Brasileirão (que o Grêmio se sagrou campeão) até a quebra do tabu:

Início do tabu – Goiás 1×3 Grêmio – Semifinais do Brasileirão 1996



1º) Goiás 6×0 Grêmio – Brasileirão 1997
2º) Goiás 0×0 Grêmio – Brasileirão 1998
3º) Vila Nova 2×1 Grêmio – Copa do Brasil 1999
4º) Goiás 2×2 Grêmio – Copa João Havelange 2000
5º) Goiás 4×1 Grêmio – Brasileirão 2002
6º) Goiás 1×1 Grêmio – Brasileirão 2003
7º) Goiás 4×0 Grêmio – Brasileirão 2004
8º) Vila Nova 1×1 Grêmio – Copa do Brasil 2005
9º) Anapolina 4×0 Grêmio – Segunda Divisão 2005
10º)Goiás 4×0 Grêmio – Brasileirão 2006

11º) Goiás 0×0 Grêmio – Brasileirão 2007
12º) Atlético-GO 2×1 Grêmio – Copa do Brasil 2008

Total do jejum: 12J, 5E, 7D, 7GP, 30GC, Saldo -23

Fim do tabu – Goiás 0×3 Grêmio – Brasileirão 2008

Postado por Perin, mandando abraços para seu irmão!

Euro`2008: Drama e glória da França em 2000, II

17 de junho de 2008 0

Depois de uma primeira fase bacana, vieram os jogos eliminatórios da Eurocopa 2000. Nas quartas-de-final da Eurocopa 2000, nada muito dramático: a Itália superou a Romênia, Portugueses mataram a Turquia enquanto a Holanda enfiava 6×1 na Iugoslávia com quatro gols de Patrick Kluivert.

O jogo mais emocionante foi quando a França eliminou a Espanha por 2×1. No final da partida, Raúl errou uma penalidade e definiu mais um fracasso espanhol. As semis seriam bem diferentes, com dois jogaços decididos na morte súbita e nos pênaltis.

Portugal começou bem e saiu na frente com Nuno Gomes aos 19 minutos. Em seu pior jogo na competição, os franceses não conseguiam atacar e tiveram chances esporádicas. Depois do intervalo, o time treinado por Roger Lemerre voltou melhor e empatou com Thierry Henry, 1×1 aos seis minutos.

Em um jogo eletrizante, ambos os times alternaram chances perdidas até o final do tempo normal e também na prorrogação. No finalzinho do segundo tempo da morte súbita, Abel Xavier cometeu pênalti que o juiz não viu, mas o assistente percebeu. Nuno Gomes foi expulso por reclamação, Abel Xavier empurrou o juiz, Figo jogou a camisa no chão na frente do juiz, mas Zidane não quis saber: bateu e classificou a França para a decisão. Portugal, repetindo 1966 e igualando 2006, caiu nas semifinais.

A outra partida seria a repetição do `Maracanazo` de 1950, versão laranja. Em Roterdã, a Holanda jogou 90 minutos com um jogador a mais, perdeu dois pênaltis no tempo normal e mais três na disputa de pênaltis, e foi eliminada em casa pela Itália. Depois de Bergkamp acertar a trave italiana, Zambrotta foi expulso aos 34 minutos, mas três minutos depois Frank de Boer cobrou muito mal penalidade duvidosa sobre Kluivert, e Francesco Toldo defendeu.

No segundo tempo, a história se repetiu: aos 19 minutos, Patrick Kluivert chutou na trave outro pênalti, desta vez indiscutível sobre Davids. Depois de massacrar os italianos, sem acertar o gol nos minutos finais e na prorrogação. Os italianos também tiveram uma chance clara, mas Edwin van der Sar salvou chute de Marco Delvecchio no segundo tempo da prorrogação e o jogo foi para os pênaltis.

E aí, imitando os ingleses que caíram em casa nas semifinais em uma disputa de pênaltis na Eurocopa anterior, Frank de Boer (de novo), Jaap Stam e Paul Bosvelt perderam seus pênaltis (com mais duas defesas de Toldo). A Itália estava na final e o time treinado por Frank Rijkaard e o mar laranja de torcedores entrava em desespero por mais uma chance de título desperdiçada.

A decisão foi tão boa quanto as semifinais. Italianos e franceses fizeram um jogaço em Roterdã, com a França tendo mais ações enquanto a Itália sofria na defesa e especulava contra-ataques. Foi assim que Albertini e Delvecchio perderam chances, enquanto Henry acertava o poste de Toldo. Entre o final do primeiro tempo e o início do segundo, a França perdeu três gols feitos e pagou caro por isto: aos dez minutos, depois de um espetacular passe de Francesco Totti de calcanhar, Marco Delvecchio fez 1×0 para a Itália.

E aí voltamos ao mais clássico futebol italiano, o secular “catenaccio”: a França atacava e atacava, enquanto a Itália se defendia e saía no contra-ataque. Em dois deles, o astro da Juventus Alessandro Del Piero perdeu dois gols feitos. Ainda irritado por 1998 e com sangue italiano nas veias, eu entrei em desespero e amaldiçoei o atacante bianconero pelo resto da vida. Na época, Del Piero só havia feito 2 gols de bola rolando em quase 30 meses, e tinha fracassado na Copa de 1998.

E eu xinguei ele mais ainda quando Silvain Wiltord, aos 48min50′ do segundo tempo, aproveitou erro italiano e empatou o jogo, 1×1. Na prorrogação, contra um time cansado, Robert Pires cruzou e David Trezeguet, de voleio, garantiu o título continental.


Pela primeira vez na história, um time era campeão do mundo e campeão europeu em sequência.

La Marseillaise” ecoava novamente nos gramados do planeta.

França, bicampeã da Europa!

Victor quebrando a maldição "Danrlei"?

16 de junho de 2008 3

Desde Danrlei, o Grêmio não tem um goleiro confiável, mas isto parece estar acabando com a afirmação indiscutível do arqueiro Victor. Hoje mesmo, dois colunistas da RBS, Wianey Carlet e Nando Gross, citaram a afirmação do goleiro, o melhor em campo na goleada de 3×0 sobre o Goiás que quebrou 12 anos sem vitórias no Serra Dourada. 

Danrlei foi a síntese do Grêmio no período áureo de títulos entre 1994 e 2001. Mas mesmo o ídolo máximo dos gremistas no final da década de 90 e início do século XXI alternou fases ruins como o período entre 97 e 99 e ainda o ano de 2003, seu último em dez anos como titular do Tricolor.

Eu, como sempre fui admirador da posição e tenho um bom conhecimento do assunto, considero que Danrlei sempre teve ótimos momentos quando teve um bom ou ótimo preparador de goleiros. Isto aliado a um talento natural poderia ter feito o arqueiro tricolor, de ótimos reflexos, boa saída de gol e agilidade, se tornar um goleiro de nível internacional.

Porém sua eventual displicência nos treinamentos, algo quase inconcebível no mundo dos goleiros (o primeiro a chegar, o último a sair), somado ao seu irascível temperamento (veja abaixo a lista de confusões nas quais Danrlei se envolveu), deixaram o arqueiro gremista com a fama de polêmico, temperamental e imprevisível.

O primeiro treinador de goleiros de Danrlei no profissional como titular foi Mazaroppi, que ficou até 1996. Para mim esta foi a melhor fase do goleiro gremista, diversas vezes convocado para a Seleção Principal, vice-campeão da Copa América 1995 e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996.

Em 1997, assumiu Ademir Maria e de lá até 1999 Danrlei passou por um péssimo momento. Em certo ponto de 1998 e 1999, a torcida pediu a volta de Émerson, que vinha de passagens muito boas em Bragantino, América-RN e Juventude, o que não foi possível por questões pessoais. Muito contestado, Danrlei só não foi barrado oficialmente porque o reserva Murilo também tinha problemas técnicos e não conseguiu se firmar nas oportunidades que teve.

Em 2000, Danrlei passou a ser treinado por Pedro Santilli, preparador de goleiros de confiança do treinador Émerson Leão. Este foi embora rapidamente, mas Santili ficou por muito tempo, só saindo no início de 2003. Novamente Danrlei passou por um grande momento com um dos três melhores preparadores de goleiros do Brasil, na minha opinião.

Coincidência ou não, o goleiro tricolor voltou a ter momentos bem ruins após a saída de Santilli, com o ápice ocorrendo contra o Independiente de Medellín, quando o ícone tricolor falhou nos dois gols que selaram a eliminação gremista na Libertadores do seu Centenário. A máxima de que “Danrlei nunca falha em momentos decisivos” já não tinha mais sentido.

Nos meses finais daquela temporada, Danrlei entrou em atrito com o então técnico Adílson Batista, capitão dentro de campo do time multicampeão dos tempos de Felipão. Desgastado, o goleiro saiu do clube após mais de 600 jogos e se criou uma espécie de “maldição“, já que nenhum dos sete goleiros seguintes se firmaram no Olímpico. Naquele ano, Danrlei foi substituído pelos prata-da-casa Eduardo Martini e Marcelo Pitol, com resultados altamente insatisfatórios.

Claramente insuficientes para o Tricolor, eles foram substituídos em 2004 pelo paraguaio Tavarelli, campeão da América pelo

Postado por Perin, relembrando a odisséia gremista por goleiro

Euro`2008: Drama e glória da França em 2000, I

16 de junho de 2008 0

A Eurocopa de 2000 foi a mais especial de todas para mim. Primeiro porque eu tive greve na faculdade, e aí dei sorte de poder ver a maioria dos jogos em uma das mais legais Eurocopas de todos os tempos (a melhor que eu vi). Segundo porque na época trabalhava em um site chamado FutBrasil.com, e sem falsa modéstia, fizemos a melhor cobertura daquela competição. E em terceiro porque estava do lado perdedor na decisão…

Na primeira competição sediada entre dois países, Bélgica e Holanda, o “Oranje Team” chegava com ares de favorito. Em seu favor, um futebol superior dos astros Dennis Bergkamp, Patrick Kluivert, Clarence Seedorf e Edgar Davids. A campeã mundial França e a Inglaterra chegavam com muita força na competição, e estavam entre os mais cotados.

A Itália corria por fora, com um treinador retranqueiro ao cubo (Dino Zoff) e a Alemanha vivia seu pior momento, com o péssimo técnico Erick Ribbeck e um time inacreditavelmente velho (Matthaus jogou com 40 anos!). Com um time maduro, Portugal retomava seu brilho em competições internacionais capitaneado por Luís Figo e Rui Costa.

Na primeira fase, os anfitriões holandeses e franceses passaram tranquilos, com a Holanda vencendo o confronto direto na última rodada por 3×2. A campeã mundial França bateu a Dinamarca por fáceis 3×0, e depois a República Tcheca por 2×1 em uma bela partida. Já a Itália penou contra a sempre brava Turquia por 2×1, mas depois ganhou da anfitriã Bélgica por 2×0 e da Suécia por 2×1, se classificando em primeiro lugar.

Dois jogos marcantes na primeira rodada. Um deles é Portugal virando sobre a Inglaterra por 3×2, depois de estar perdendo por 2×0. E a ainda reação da Iugoslávia, que perdia por 3×0 da Eslovênia (em seu primeiro jogo por competição majoritária internacional), mas buscou o empate no segundo tempo em 3×3. Já Alemanha 0×1 Inglaterra ficou marcado pela primeira vitória inglesa em mais de 30 anos, e por mais de 1000 hooligans ingleses detidos por distúrbios públicos, no pior momento da competição.

Se a então campeã Alemanha foi eliminada de maneira vexatória com 1 empate e duas derrotas, levando 3×0 dos reservas de Portugal na última rodada, outros times passaram de maneira dramática. Na última rodada, jogos dramáticos selaram as classificações da Romênia e da Espanha, eliminando respectivamente Inglaterra e Noruega. A Romênia empatava em 2×2 até 44 do 2° tempo, quando Phil Neville cometeu um pênalti infantil que Ionel Ganea converteu e selou a vitória por 3×2.

A classificação da Espanha foi ainda mais espetacular: empatava por 2×2 e estava classificada, com um jogador a mais. Aí, a “Fúria” amarelou: conseguiu levar um gol aos 30 minutos do segundo tempo e precisava marcar mais dois, senão estava fora. Mendieta, cobrando pênalti, fez 3×3 aos 45 do segundo tempo. Aos 48, o veterano centroavante Alfonso virou o jogo por 4×3, em uma vitória sensacional. Desesperado, os iugoslavos só acalmaram-se quando souberam do 0×0 entre Eslovênia e Noruega no outro jogo, que também classificava o time sérvio para a fase seguinte. Vejam os melhores momentos deste jogão:

Postado por Perin, com saudades daqueles tempos…