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2008 = 1982? Esperamos que não, parte II

09 de julho de 2008 4

Ontem contamos os incidentes do GP de San Marino de 1982. Depois da corrida, a célebre frase: “De agora em diante vai ser guerra. Guerra total”, disse Villeneuve em Ímola, após o desentendimento com Didier Pironi dentro da pista no GP de San Marino de 1982.

Nas duas semanas seguintes, os ex-amigos não mais se falaram. Nos treinos do GP da Bélgica em Zolder, Gilles não estava conseguindo superar o tempo de Pironi no último treino classificatório.

Em uma última tentativa desesperada, já com pneus de classificação em frangalhos, Villeneuve não conseguiu desviar e tocou na traseira da lenta March de Jochem Mass. Ele decolou, bateu no guard-rail, seu carro se despedaçou e Gilles foi jogado para fora do carro sem o capacete, morrendo pouco depois do acidente.

Pironi foi indiretamente “culpado” pela opinião pública, por toda a imprensa italiana, e principalmente pelos torcedores, em dor pela perda de seu ícone nas pistas.

Para piorar, na corrida seguinte o francês se envolveu no acidente que matou o jovem italiano Ricardo Paletti no GP do Canadá. Terra de quem? Villeneuve, reverenciado como um mártir… Pironi era o pole-position e sua Ferrari apagou na largada. Todos desviaram, menos o jovem italiano, último colocado no grid, que bateu violentamente na traseira de Pironi.

O francês foi um dos primeiros a chegar ao piloto da Osella, e ajudou a apagar o incêndio que irrompeu instantes após o impacto. Porém Paletti morreu de múltiplas fraturas no peito e asfixia causada pela fumaça dos extintores, aos 23 anos em seu segundo GP. Sua família, em choque, assistiu a tudo das arquibancadas do circuito de Montreal.

Um simpático e bem-humorado Pironi agora dava lugar a um piloto instável, excessivamente arrogante e que não imaginava mais perder o título de 1982. Somado às críticas da imprensa e torcida, Didier era o “inimigo público número um” na Fórmula 1 em 1982.

Mesmo assim foi liderando o campeonato com folga até o GP da Alemanha, naquela mesma temporada. Com nove pontos de vantagem sobre o britânico John Watson, Pironi já havia assegurado a pole e foi dar uma volta em alta velocidade em um treino livre, sob uma torrencial chuva nas longas retas de Hockenheim.

Ao desviar da lenta Williams de Derek Daly, o francês acertou em cheio a traseira da Renault de Alain Prost, seu compatriota, que também estava lento. A Ferrari de Pironi decolou e literalmente “quicou” no chão, causando múltiplas fraturas nos membros inferiores e na bacia.

O brasileiro Nélson Piquet foi um dos primeiros a chegar ao acidente e ficou desesperado ao ver o estado lastimável de Pironi. O médico Sid Watkins ia amputar as pernas de Pironi, mas o piloto implorou que isto não fosse feito. Com dificuldades, o francês foi retirado das ferragens e foi para um hospital em Heidelberg, próximo ao circuito.

O acidente marcaria, para sempre, a carreira de Alain Prost. “Toda vez que corro em pistas molhadas, olho no espelho retrovisor e vejo a Ferrari de Didier voando”, revelou Prost anos depois, justificando como deixara de ser um piloto excelente na chuva para um péssimo piloto. Sua péssima performance nessas condições. Era só chover que os erros aconteciam em profusão para o genial piloto francês.

Após o resgate, Pironi fez mais de 50 cirurgias mas nunca mais voltou a correr competitivamente em um Fórmula-1. Chegou a fazer um teste com a AGS e se mostrou incrivelmente rápido para um piloto há tanto tempo em inatividade.

Porém resolveu correr de motonáutica. Em 1987, o piloto obcecado por velocidade morreu em uma corrida do Campeonato Europeu de Motonáutica, quando sua lancha capotou e ficou de cabeça para baixo. Didier Pironi e os outros dois tripulantes morreram no acidente.

Nesta época, sua ex-esposa Catherine, que havia reatado o relacionamento, estava grávida. Ela teve gêmeos.

… os quais carinhosamente chamou de “Gilles” e “Didier“…

Comentários (4)

  • Érico Ferreira diz: 10 de julho de 2008

    Depois da aula de F-1, ainda tive oportunidade de aprender que a palavra “estória” seuqer existe…Que beleza!

    Abraço

  • Érico Ferreira diz: 8 de julho de 2008

    Bela e trágica estória. Gosto muito das tuas retrospectivas na F1, sempre bem explicadas e ainda “ilustradas” com os vídeos do Youtube. Queremos mais estórias! Tem tanta coisa que fica pra trás, não são lembradas e confesso que algumas eu tb não sabia. Abraço.

  • Leandro Koppe diz: 2 de agosto de 2008

    Genial… Gostaria de ver um post sobre o drama do piloto inglês Roger Williamson, e a tentativa brava e desesperada de David Purley ao tentar salvá-lo. Parabéns

    EDITADO: esta história está na minha lista, eu me emocionei dia destes escrevendo e dei um tempo…Vai este mês ainda, prometo

  • Felipe Portes diz: 18 de julho de 2012

    Interessante mesmo é saber que o Pironi havia se casado dois dias antes do GP de Imola. Ele considerou a vitória como um presente de lua de mel.

    Também é bem verdade que o Prost ficou abalado com o acontecido no acidente. No Senna Versus Prost, que terminei de ler mês passado ele detalha isso e como ficou durante o período de recuperação do Pironi, que vivia de muletas, reclamando de dor e mostrando os machucados na perna. Disse ter jurado a si mesmo que dali em diante só correria com 97% do seu potencial, mais do que isso seria loucura. E foi tetracampeão…

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