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Há 25 anos: Grêmio conquista a América!

28 de julho de 2008 12

No dia 28 de julho de 1983, o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense conquistou a sua maior conquista até então.

Em uma gélida noite de inverno em Porto Alegre, o Tricolor Gaúcho bateu o então campeão mundial Peñarol por 2×1 e se sagrou campeão da Libertadores de 1983. Detalhes sobre toda a campanha foram publicados aqui no ClicRBS no Especial: Libertadores 1983, a conquista da América. Então vou enfocar outros pontos daquela campanha que achei interessante.

César marca o gol do título/Banco de Dados/ZH

Foi a primeira conquista de um time gaúcho na competição. No ano seguinte, o time gremista seria vice-campeão, perdendo a decisão para o argentino Independiente, de Buenos Aires. O Grêmio ainda conquistaria o torneio novamente  em 1995, já sob comando do hoje incontestável técnico Luiz Felipe Scolari.

O Grêmio era o vice-campeão brasileiro (havia perdido a decisão para o Flamengo em 1982), e para a Libertadores montou um time experiente, aliado à juventude de Renato Portaluppi, Paulo Roberto. Jogadores como Mazaropi, Tarcísio, Tita e o capitão Hugo de León eram o esteio experiente, comandado pelo jovem técnico Valdir Espinosa. Na estréia, um 1×1 contra o Flamengo no qual o capitão Hugo de León foi o personagem do jogo: falhou no gol de Baltazar, mas empatou faltando dez minutos com um belo gol em cobrança de escanteio.

Depois, os brasileiros enfrentariam a dupla de adversários da Bolívia: o Blooming e o Bolívar. Naquela época, a altitude de La Paz era menos incensada pela mídia e o Grêmio não quis saber: vitória de 2×1 sobre o Bolívar. Antes, havia derrotado por 2×0 o Blooming em Santa Cruz de la Sierra. Vale ressaltar o gol da vitória contra o Bolívar: o volante China, famoso pela raça e pouca técnica, chutou quase do meio-campo no ângulo do goleiro Elso. Enquanto isto, o Flamengo empatou e perdeu seus dois jogos fora de casa, ficando em situação complicada.

Virtualmente classificado, o Tricolor venceu novamente os dois bolivianos (2×0 no Blooming e 3×1 no Bolívar), se classificando antecipadamente. Deu tempo ainda de sapecar 3×1 no Maracanã, um baile que chegou a ter três gols gremistas em menos de 30 minutos. As semifinais seriam disputadas em dois triangulares, e o Grêmio ficou no grupo de Estudiantes e América de Cali.

Depois de vencer o Estudiantes em casa por 2×1, o Grêmio tropeçou em Cáli: 1×0 para o América, na única derrota gremista na competição. Devolveu a derrota vencendo os colombianos por 2×1 (Mazaropi pegou um pênalti na metade do segundo tempo, garantindo a vitória), mas estava atrás no saldo de gols.


Então, na famosa “Batalha de La Plata“, o Estudiantes foi para o intervalo com dois expulsos e empatando em 1×1. Levou mais dois gols e teve ainda outros dois atletas expulsos no início do segundo tempo, Grêmio 3×1. Quando ninguém mais esperava uma reação dos argentinos, o Estudiantes teve muita raça e arrancou um inacreditável empate em 3×3.

Para os gremistas, tudo parecia perdido. Faltavam uma rodada, e o Estudiantes pegaria o já eliminado América de Cali, fora de casa. Uma magra vitória de 1×0 classificaria os argentinos no saldo de gols. Porém o América de Cáli foi brioso e segurou um 0×0, classificando o time gaúcho para a decisão da Libertadores.

Por ter um amistoso marcado, o Peñarol aceitou a inversão do mando de campo das finais, com o primeiro jogo no Uruguai e o segundo em Porto Alegre (no sorteio, havia saído o inverso).

No dia 22 de julho de 1983, três mil gremistas enfrentaram quase 60 mil uruguaios e toda a mística do temível estádio Centenário. O adversário era um time muito experiente, campeão da América no ano anterior. Além disto, o Peñarol tinha jogadores de alto nível como o meia Saralegui e o centroavante Fernando Morena.

Ao contrário do que se imaginava, o Grêmio começou marcando pressão e atacando. O time gaúcho foi para cima e criou duas boas chances antes de, aos 12 minutos, Tita aparar escanteio de Tarcísio e fazer Grêmio 1×0. Ainda no primeiro tempo, Caio chutaria de meia-bicicleta e Fernandez defendeu em cima da linha. O Grêmio recuou e levou o empate com um gol de Fernando Morena, aproveitando erro da defesa tricolor.Eram passados 35 minutos do primeiro tempo e um segundo tempo se avizinhava terrível para os gremistas.

E de fato, o time uruguaio martelou praticamente toda a etapa complementar, com o Grêmio se defendendo bravamente e lutando contra a extrema violência dos adversários. Aos poucos, o Peñarol foi cansando e deixou contra-ataques livres para o time gremista. Em um deles, Tita perdeu gol feito. No final, um 1×1 excelente, que deixava a decisão para o Olímpico. No fundo, os jogadores gremistas sabiam que faltava muito pouco para conquistar o título.

Com um discurso pragmático, o técnico Valdir Espinosa preparou sua equipe para a partida de volta. Sem se preocupar com a euforia da torcida, mas ciente que o time tinha jogado de igual para igual com os atuais campeões da América, Espinosa não inventou: escalou o mesmo time do jogo de ida.

E, no dia 28 de julho de 1983 (há exatos 25 anos), o Tricolor tinha a partida mais importante de sua história. E os jogadores estavam determinados a também não deixar barato as agressões de Montevidéo.

Além de atacar, os jogadores gremistas jogaram duro, às vezes até de maneira violenta, fazendo frente à habitual pressão uruguaia. Assim, sem se intimidar perante à “catimba” castelhana, o Grêmio saiu na frente do marcador aos 10 minutos do primeiro tempo. O meia Osvaldo cruzou rasteiro da esquerda e Caio, sem marcação, só desviou para as redes de Fernandez. Gol na “goleira da Cascatinha” e delírio no Olímpico.

Porém os uruguaios não se intimidaram. Aos 25 minutos da etapa complementar, o centroavante Morena subiu de cabeça e fuzilou Mazaropi, 1×1. O resultado levava a decisão para um terceiro jogo, em campo neutro (OBS: obrigado pela ajuda aos leitores que corrigiram).

Então, aos 32 minutos do segundo tempo, Paulo Roberto bateu lateral para Renato Portaluppi. O ponteiro gremista deu uma embaixadinha e deu um “balão” para a grande área. César, que havia substituído Caio, entrou no segundo pau para fazer o gol do título.

TODOS OS GOLS DA CAMPANHA

Grêmio 2×1, Campeão da América pela primeira vez!


A CAMPANHA GREMISTA

PRIMEIRA FASE
Grêmio 1×1 Flamengo – Gol: Hugo De León
Blooming 0×2 Grêmio – Gols: Tita e Renato
Bolívar 1×2 Grêmio – Gols: Osvaldo e China
Grêmio 2×0 Blooming – Gols: Caio e Osvaldo
Grêmio 3×1 Bolívar – Gols: Tita (2) e Tonho
Flamengo 1×3 Grêmio – Gols: Tita, Caio e Osvaldo

TRIANGULAR SEMIFINAL
Grêmio 2×1 Estudiantes – Gols: Osvaldo e Tarciso
América de Cali 1×0 Grêmio
Grêmio 2×1 América de Cali – Gols: Caio e Osvaldo
Estudiantes 3×3 Grêmio – Gols: Osvaldo, César e Renato

FINAIS
Peñarol 1×1 Grêmio – Gol: Tita
Grêmio 2×1 Peñarol – Gols: Caio e César

CAMPANHA: 12J, 8V,3E,1D,23GP, 12GC, Saldo: +11

Artilheiros: Osvaldo (6 gols); Tita (5 gols); Caio (4); César e Renato (2 gols); China, Tarciso, Tonho e De León (1 gol)
Melhor jogador: Osvaldo
Capitão: De León

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