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Posts do dia 19 agosto 2008

Olimpíadas de 2000 - Fiasco contra Camarões em Sydney

19 de agosto de 2008 0

Em 2000, sob comando de Wanderley Luxemburgo (então líder das Eliminatórias Sul-Americanas mas abalado por escândalos fora dos gramados), o Brasil foi para os Jogos de Sydney como favorito no torneio masculino de futebol.

Afinal, o time tinha estrelas do porte de Ronaldinho e Alex, então em grande fase por Grêmio e Palmeiras. Em contra-partida, Luxemburgo foi muito criticado por não aproveitar a chance de levar os três jogadores com idades acima de 23 anos, além de levar jogadores extremamente questionados como Mozart, Fábio Bilica e Lucas.

Muitos jogadores que se destacaram na última década nos gramados do planeta disputaram aquela edição. Pela Austrália, Mark Viduka, Brett Emerton e Mark Bresciano. A Itália teve os campeões mundiais Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Gianluca Zambrotta e Massimo Ambrosini.

O Chile tinha David Pizarro, Claudio Maldonado e Iván Zamorano, uma das maiores estrelas dos Jogos. A Espanha tinha Carles Puyol, Carlos Marchena e Xavi. Camarões levou Geremi, Patrick M’Boma e Samuel Eto’o. Os EUA tinham Brad Friedel e Landon Donovan enquanto os japoneses vieram com grandes reforços: Nakamura, Nakata e Inamoto.

Na primeira rodada, os brasileiros viraram sobre a Eslováquia por 3×1, gols de Edu, Cisovsky (contra) e Alex. Na rodada seguinte, mostrando muita fragilidade defensiva, o Brasil perdeu para a África do Sul por 3×1 (gol de Edu), com muitos erros de Fábio Bilica, que se repetiram no 1×0 sobre o Japão (Alex).

Nas quartas-de-final, Camarões saiu na frente com Patrick Mboma, golaço de falta aos 11 minutos. Geremi foi expulso aos 30 da etapa complementar, deixando os camaroneses com 10 atletas. Aos 48 do segundo tempo, Ronaldinho cobrou falta com categoria e empatou, 1×1. Camarões perdeu mais um jogador (Aaron Nguimbat expulso também) na prorrogação mas mesmo assim saiu com a vitória, gol de Mbami aos 11 minutos.

Um fiasco absoluto: o Brasil só empatou quando já tinha um jogador a mais. E conseguiu ser eliminado contando com dois atletas a mais em campo!

O sonho olímpico se esvaneceu. Ficaríamos sem nenhuma medalha de ouro naqueles Jogos Olímpicos, e o futebol mantinha sua rotina de fracassos, quase sempre como favorito. Pior: desta vez sem medalha no peito e com um pavoroso futebol apresentado durante todo o torneio.

Wanderley Luxemburgo, acossado por denúncias fora de campo e pelo fiasco olímpico, seria demitido logo depois.

Time-base: Hélton, Baiano, Álvaro, Fábio Bilica e Athirson; Marcos Paulo, Fabiano Costa, Fábio Aurélio e Alex; Ronaldinho e Edu.

Na decisão do bronze, os chilenos venceram os norte-americanos e levaram a medalha. O curioso é que o Chile só disputou a Olimpíada porque na última rodada da primeira fase do Pré-Olímpico de Londrina (ou seja: antes de eliminarem os favoritos argentinos), os chilenos se beneficiaram de uma humilhante goleada do Brasil de 9×0 sobre a Colômbia. Eles precisavam de pelo menos 7×0 para garantirem a vaga no saldo de gols, e isto acabou ocorrendo.

A final foi espetacular. A Espanha começou arrasadora e fez 2×0 ainda no primeiro tempo. Xavi fez 1×0 com menos de 80 segundos de jogo, e Mas os camaroneses, que até então não haviam conquistado medalha alguma em Olimpíadas, reagiram com gols de Amaya (contra) e Eto’o. A Espanha teve Gabri e José Mari expulsos ainda no tempo normal, mas segurou até os pênaltis.

Na decisão por penalidades máximas, com mais de 104 mil torcedores no estádio Olímpico de Sydney apoiando em sua maioria o time camaronês, Amaya completou sua desgraça final ao desperdiçar uma cobrança na trave. Então Pierre Wome converteu e Camarões conquistou a medalha de ouro, algo sensacional para uma paupérrima nação africana com uma mísera prata e outro bronze no boxe, em 1968 e 1984!

1996 - A incrível derrota de virada para a Nigéria

19 de agosto de 2008 4

O primeiro pesadelo africano aconteceu em Atlanta, 1996, Depois de perder para a Venezuela e ser eliminado ainda no Pré-Olímpico de 1992 (a CBF inventou Ernesto Paulo como treinador, erro que repetiria em 2004 com Ricardo Gomes e resultados igualmente ridículos), o Brasil enfim voltava aos Jogos Olímpicos para sua derrota mais dramática.

Com um time que contava jogadores do quilate de Bebeto, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, o time treinado por Zagallo mostrou muita fragilidade defensiva e já havia vacilado na primeira fase, perdendo por 1×0 para o Japão, em uma trapalhada antológica de Aldair e Dida.

Depois de vitórias complicadas contra Hungria e Nigéria, o Brasil goleou Gana nas quartas-de-final por 4×2. Parecia que o caminho estava retomado. Calouro na faculdade (fazia Ciência da Computação), eu saí correndo de casa para assistir este jogo. Cheguei em casa no intervalo…

Nas semis, o ótimo time nigeriano era novamente nosso adversário, em um time no qual brilhavam jogadores como Sunday Oliseh, Celestine Babayaro, Jay Okocha e Nwankwo Kanu. E foi o centroavante, que logo depois sofreu uma cirurgia no coração e quase não voltou aos gramados, nosso algoz naquela partida.

O Brasil saiu na frente com Flávio Conceição logo a um minuto, mas levou o empate com um gol contra de Roberto Carlos. Esta seria a primeira de suas três falhas em jogos decisivos, que se repetiriam na final do Mundial de 1998 e nas quartas-de-final da Copa de 2006).

Porém surpreendentemente, o time de Zagallo jogava muito bem e gols de Bebeto e Flávio Conceição (de novo!) abriram a vantagem e colocaram o Brasil praticamente classificado com 3×1 ainda no primeiro tempo. A Seleção empilhou chances perdidas na etapa complementar, enquanto a Nigéria ainda perdeu um pênalti quando Okocha chutou nas mãos de Dida.

Um jogador, entretanto, destoava depois de um fabuloso primeiro semestre pelo Palmeiras. Em jogo horroroso, Rivaldo perdeu a bola e cedeu o contra-ataque no qual saiu o gol de Vicktor Ikpeba, faltando 12 minutos. Nos acréscimos, uma falha bisonha de Dida deu a chance de Kanu selar o empate em 3×3 no tempo normal. Logo aos quatro minutos da “morte súbita”, o mesmo Kanu marcou e o Brasil deu adeus à medalha de ouro.


Bebeto, Rivaldo e Aldair (os “veteranos” acima de 23 anos) foram execrados pela imprensa e torcida. Zagallo balançou no cargo, mas não caiu. Ainda tivemos que “engolí-lo” até Zidane dar fim a “Era Zagallo” no comando do Brasil.

O time-base naquele torneio foi: Dida, Zé Maria, Aldair, Ronaldo Guiaro e Roberto Carlos; Zé Elias, Flávio Conceição, Juninho Paulista e Rivaldo; Bebeto e Ronaldo.

A zebra não tinha parado por aí. Na decisão, os nigerianos venceram a Argentina com um gol de Amunike no último minuto, conquistando a medalha de ouro ao vencer por 3×2. O time da Argentina tinha jogadores de quilate como Javier Zanetti, Nestor Sensini, Cláudio López e Hernán Crespo, mas foi igualmente batido pelo futebol rápido e técnico dos nigerianos. Vejam as escalações da final:

Nigéria: Dosu, Obaraku (61′ Oruma), West, Okechukwu, Babayaro, Oliseh, Ikpeba (74′ Amunike), Okocha (59′ Lawal), Babangida, Kanu, Amokachi.

Argentina: Cavallero, Zanetti, Ayala, Sensini, Chamot, Bassedas, Almeyda, Ortega, Morales (58′ Simeone), López, Crespo.

E assistam o compacto:

Os brasileiros se contentaram com o bronze, goleando Portugal por 5×0 e subindo ao pódio pela terceira vez em três competições. Como lembraram dois leitores, o Brasil se recusou a subir no pódio da decisão. Como o bronze saiu no dia anterior da final, os brasileiros receberam as medalhas em separado dos nigerianos e argentinos.

Mais um vexame para esta seleção arrogante que mereceu o resultado que teve…

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