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Superação Olímpica: Amor além da vida

26 de agosto de 2008 2

Em memória do amor de sua vida, a conquista do ouro olímpico. No ponto máximo de sua carreira como esportista, no pódio de uma Olimpíada recebendo a medalha de ouro, um gigante com uma singela foto de sua falecida esposa. Do luto, um atleta conseguiu reunir forças e obteve um resultado que todos consideravam impossível.

Matthias Steiner é um levantador de peso austríaco naturalizado alemão. Mais do que isto, é um super-pesado de 148kgs campeão olímpico após levantar 461kgs na prova combinada de arranque e arremesso.

Steiner e sua amada esposa Susann

Ele também é um homem de um coração. Sua história tocante comoveu todos que souberam dela nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Um conto de amor e superação. E será isto que iremos contar nesta história…

Steiner surgiu com sucesso no levantamento de peso competindo pela Áustria aos 18 anos. Ficou em 7° lugar nos Jogos de Atenas em 2004 na categoria até 105kgs, mas divergências com a federação local lhe deixaram fora do Mundial da categoria.

Certo dia, o halterofilista participava de um torneio televisionado por uma emissora alemã. Uma moça chamada Susann mudou de canal na sua TV, aleatoriamente. Sua atenção parou em Steiner, que competia naquele momento. Paixão fulminante.

Susann conseguiu informações sobre o halterofilista e mandou e-mails, esperando uma resposta que acabou chegando. Depois de alguns contatos pela internet, ela se encontrou com ele em Viena. Desta vez foi Steiner que caiu perdidamente apaixonado. Amor à primeira vista. Recíproco.

Em dezembro de 2005, Matthias e Susann se declaravam marido e mulher. Isto também era bom para a carreira do halterofilista, pois ele passaria a ter direito à cidadania alemã após três anos de residência no país.

Steiner ficou treinando sozinho com uma equipe local, enquanto aguardava a naturalização. A Federação Internacional de Levantamento de Peso suspendeu ele por três anos, e o atleta só poderia voltar a disputar uma competição oficial em fevereiro de 2008, o Campeonato Europeu.

Então a tragédia aconteceu: no dia 16 de julho de 2007, Susann sofreu um grave acidente de trânsito e ficou em coma profundo. Passou alguns dias internada, mas não resistiu e morreu antes de completar 23 anos. Profundamente abalado, Steiner prometeu a esposa, em seu leito de morte, que iria realizar o sonho olímpico de ambos, de conseguir a tão sonhada medalha.

Enlutado, o gigante austríaco retomou os treinos. Ganhou força e, totalmente focado em homenagear a esposa falecida, superou seus limites. Ao disputar o Campeonato Europeu, Steiner já tinha subido de peso para disputar na faixa de peso dos superpesados, ganhando cerca de 30kgs em 1 ano. Conquistou a medalha de prata, e mais importante: se garantiu na Olimpíada.

Nos Jogos de Pequim e disputando a prova máxima, de arranque e arremesso, Steiner estava em terceiro após a etapa de arranque, quando havia levantado somente 203kgs. O letão Viktors Scerbatihs tinha 206kgs e o favorito russo Evgeny Chigishev levantara 210kgs.

Nesta modalidade, os halterofilistas normalmente sobem suas tentativas entre dois e quatro quilos. Steiner não estava bem, depois de um arremesso com somente 248kgs que lhe deixaria em quarto ou quinto lugar, e uma falha na segunda tentativa. Dez quilos a mais, algo quase improvável, lhe daria o ouro. Tudo ou nada.

Mostrando determinação e uma força interna impressionante, Steiner conseguiu superar suas próprias expectativas. Levantou incríveis 258kgs, totalizando 461kgs. Seu recorde pessoal e muito próximo do recorde absoluto em todos os tempos (463,5kgs).

Assim, o alemão se sagrou campeão olímpico com 1kg de vantagem sobre Chigishev, vice-campeão olímpico pela segunda vez consecutiva, e atual campeão mundial; e 13kgs a mais que Scerbatihs, deputado nacional na Letônia.

No pódio, Steiner subiu no lugar mais alto, recebendo flores e a medalha de ouro. Então, ao ouvir o hino da Alemanha, o país que lhe adotou e de sua amada esposa, Steiner chorou.

Com uma foto de Susann Steiner nas mãos.

O gigante de 145kg, mas de um coração de ouro:

Em seu leito de morte, Mathias pediu à Susann que ficasse sempre ao seu lado.

Ganhei isto por ela, por meus amigos e por minha família. Mas principalmente por ela“, disse Steiner em uma emotiva coletiva de imprensa.

Não sou do tipo supersticioso, não acredito em forças do além. Mas eu espero que ela tenha me visto“, completou o medalhista olímpico.

Confesso que me emocionei ao saber de tudo isto, por causar lembranças de um passado já distante, mas ainda vivo na minha lembrança…

Parabéns Matthias e Susann Steiner!
Um amor para toda a vida
Um amor além da vida

Obrigado ao Vinícius Santos, que pautou este post aqui no Almanaque Esportivo.

Comentários (2)

  • Michelle diz: 27 de agosto de 2008

    Realmente emocionante. É bom saber que ainda existe amor verdadeiro. É raro, mas existe.

  • Julio Cesar diz: 27 de agosto de 2008

    Lindo, nao conhecia essa historia nao havia visto nada tao bonito ainda na midia referente as olimpiadas parabens pelo post

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