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Superação Olímpica: pai ampara filho em Barcelona'92

29 de agosto de 2008 3

“Derek Redmond não chegou em primeiro na prova de 400m rasos nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Ele também não ficou em segundo lugar. Aliás, sequer foi o terceiro. Honestamente, Redmond foi o último colocado disparado em sua bateria na prova. Porém ele chegou”. Estas são as palavras de um comercial da VISA sobre um fato ocorrido há 16 anos, e é esta história que iremos contar.

Redmond foi um ótimo atleta da Grã-Bretanha, o melhor de seu tempo. Campeão europeu e mundial no revezamento 4x400m, era um dos favoritos à medalha de ouro nos 400m rasos.

Favorito na Olimpíada de Seul-1988, Redmond sofreu uma lesão no aquecimento da prova de 400m, dez minutos antes da prova. Ficou fora da Olimpíada e sofreu cinco cirurgias no tendão de aquiles. O sonho olímpico foi adiado em quatro anos…

Em 1992, Redmond era novamente um dos favoritos à medalha de ouro. O britânico fez o melhor tempo nas duas primeiras baterias. “Estava eufórico sobre minhas possibilidades naquele dia. Achava que ganharia mesmo se tivesse disputando a Maratona“, declarou posteriormente Raymond.

Na semifinal, ele largou bem e estava entre os primeiros nos 150m iniciais quando sofreu uma distensão muscular na coxa direita. Redmond parou, mancou e então caiu ao chão. Em lágrimas, só pensava que havia sofrido outra lesão, e de novo não teria chances de disputar uma medalha olímpica.

Quando ia ser atendido pelos médicos e retirado na maca, resolveu levantar-se e recusou ajuda. Todos imaginavam que ele sairia da pista e se arrastaria para a grama. Mas Derek seguiu adiante. Pulando em uma só perna, com dores lancinantes, o atleta faz um esforço supremo para completar a etapa.

Quando já estava quase desistindo, um velho gordo, de bermuda e camiseta, dribla a segurança e invade a pista. Era seu pai, Jim Redmond,  que disse: “Você não precisa fazer isto“. “Eu preciso completar a corrida“, replicou Derek. “Se você vai completar a prova, então vamos fazer isto juntos“, respondeu Jim.

O velocista declarou: “Eu odiei o mundo. Tudo que havia feito, trabalhado, tinha sido em vão. Odiava distensões. Odiava tudo. Estava tão furioso por ter me machucado de novo. Mas eu tinha que terminar a prova. Continuei mancando até faltarem 100m, e então senti uma mão em meu ombro. Era meu pai“.

Derek Raymond e seu pai Jim - Barcelona, 1992/The Philadelphia Inquirer

Na reta final, quase sem forças, o velocista se apoia no ombro de Jim, chorando muito. De dor e frustração por mais um objetivo não alcançado por causa de uma inesperada lesão.

Ambos chegam abraçados à linha de chegada, ovacionados pelos quase 70 mil espectadores no estádio Olímpico de Montjuich. Em lágrimas, Jim declarou após a corrida: “Sou o pai mais orgulhoso do mundo. Nem se ele tivesse ganho a medalha de ouro eu estaria tão honrado“.

Depois da prova, Derek afirmou: “Podiam me achar um herói ou um idiota. Não estava nem aí. Não fiz pela ovação. Fiz por mim. Seria eu que teria que conviver com o fato de não ter terminado a corrida pelo resto de minha vida“.

Derek e Jim Raymond. Filho e pai. Campeões da superação. E do esporte.

Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da era moderna, ficaria orgulhoso do mais puro e absoluto lema do espírito olímpico.

Aquele que diz: “O Importante é competir

Comentários (3)

  • Josias Pimentel diz: 7 de novembro de 2009

    Ainda é surpreendente vermos acontecimentos tão agradáveis como este. O ser humano se supera em todos sentidos, provando que não existe barreiras pra quem deseja a vitória.

  • Jose Bernardino diz: 29 de novembro de 2009

    Sempre existiram pais e superpais, na hora da maior dificuldade é que podemos ver os verdadeiros pais herois, parabens, esta atitude enobreza a nossa classe de pais.

  • Nil Kahn diz: 28 de agosto de 2011

    Ele não precisou ficar em 1º lugar para ser eternizado na história. Só precisou ter força, honra e resiliência.

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