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Posts do dia 30 agosto 2008

Superação(?) Olímpica: o maior rabudo do século!

30 de agosto de 2008 3

Sem dúvida, agora contarei a história do maior sortudo olímpico de todos os tempos. Depois de três eventos inacreditáveis, Steven Bradbury foi o primeiro campeão olímpico de inverno da Austrália e de todo o hemisfério sul do planeta Terra.

Ele conquistou a medalha de ouro nos 1000m de patinação no gelo, pista curta, nos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City, 2002. Da maneira mais absurda e improvável de qualquer tempo, contando com incidentes inesperados. Algo como um time do Chipre vencer a Liga dos Campeões da Europa.

Bradbury era favorito nos Jogos de Inverno de Lillehammer em 1994, mas sofreu um tombo e perdeu a medalha, ganhando somente um bronze no revezamento 4x1250m.

Naquele mesmo ano, sofreu um corte profundo na perna em uma corrida, perdeu quatro litros de sangue e 111 pontos como brinde. Seis anos depois, outro acidente, um pescoço quebrado e mais quatro litros de sangue e dezenas de pontos após um novo corte. Escapando duas vezes assim, estava claro: a sorte estava com Steven…

Em 2002, já com 29 anos e mais pesado que no passado, seu objetivo era apenas uma colocação honrosa na sua despedida dos Jogos Olímpicos em sua quarta participação. Em sua primeira bateria Bradbury passou tranquilo. Mas quartas-de-final, Steven Bradbury chegou em um medíocre terceiro lugar e foi eliminado.

EVENTO IMPROVÁVEL NÚMERO 1: O francês Marc Gagnon, um dos favoritos ao título, foi desclassificado da mesma bateria. De lambuja, Bradbury ficou com a segunda vaga e se classificou.

Nas semifinais, o australiano era “carta fora do baralho” e não tinha chances. Estava muito atrás dos quatro primeiros colocados nas voltas finais.

EVENTO IMPROVÁVEL NÚMERO 2Um competidor caiu sozinho na última volta, primeira curva e caiu. Na sequência, outros dois bateram entre si e caíram. Bradbury se aproveitou, chegou em segundo lugar e garantiu vaga na final. Incrível, mas a sorte do atleta não havia terminado…

Antes da decisão, Bradbury foi profético: “eu já era lento, e agora serei mais ainda em minha quarta corrida seguida. Não tenho mais gasolina no tanque, então não faz sentido ficar no bolo se no final eu vou ficar em último de qualquer jeito. Então a idéia é aproveitar que alguém trombe ali na frente“. Sábias palavras, Nostradamus do século XXI…

Na finalíssima, cinco competidores disputavam três medalhas. Após cinco voltas, o australiano seguia em quinto lugar e bem longe dos demais, que se revezavam na disputa do título. Então chegamos à última volta.

EVENTO IMPROVÁVEL NÚMERO 3: Na última curva, o chinês Li Jiajun toca no coreano Ahn Hyun-Soo e cai. Hyun-Soo também perde o equilíbrio e derruba o norte-americano Apolo Ohno e o canadense Mathieu Turcotte. Um belíssimo “strike” no qual os três remanescentes caem, deixando o caminho livre para Bradbury.

Ele vinha sozinho, lá atrás e só de “butuca“, e ganhou de brinde o ouro olímpico. De tão inesperado, a sua primeira exclamação foi “Oh, fucking God!!!” que eu nem vou traduzir…Vejam a saga de Bradbury:

E assim o veterano Steven Bradbury recebeu a medalha de ouro nos Jogos de Inverno em Salt Lake City 2002. A primeira de ouro da Austrália em qualquer competição olímpica de inverno.

E isto só veio aproveitando uma desclassificação, depois um tombo de três concorrentes na última volta da semifinal, e novamente aproveitando uma queda espetacular dos quatro primeiros colocados, deixando o então último colocado com a medalha de ouro.

De lambuja. De bandeja. Sorte. Muita sorte.