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O maior atleta olímpico da história, dotado de Q.I. 140: o russo Alexander Karelin, invicto por 12 anos

31 de agosto de 2008 6

Vamos contar agora uma história sobre, talvez, o maior atleta de todos os tempos. Muitos vão argumentar que ninguém é mais conhecido que Pelé, que nenhum teve mais ouros que Michael Phelps, indiscutível que Michael Jordan.

Quem ninguém levou mais do que as 18 medalhas da soviética Larissa Latynina conquistou. Ou então que ninguém ganhou corridas e ficou mais rico que Michael Schumacher na Fórmula-1.

Mas nenhum deles, absolutamente nenhum, ficou 13 anos invicto ou algo sequer parecido com isto. Em um esporte absolutamente impopular e desconhecido no Brasil, a Luta Greco-Romana, o russo Alexander Karelin se tornou o maior lutador de todos os tempos. E um mito esportivo.

Dotado de uma força inacreditável, ele foi o esportista mais estudado e temido em qualquer esporte. Permaneceu imbatível por praticamente toda a sua carreira, até sua derradeira disputa, nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000.

Conhecido por apelidos da estirpe de “O Experimento“, “O General“, “O Urso Russo” ou simplesmente “O Rei“, Karelin trilhou uma carreira internacional espetacular ao longo de treze anos. Sua última derrota foi no Campeonato Soviético de 1987, e desde então permaneceu invicto até a decisão da medalha de ouro nas Olímpíadas, absurdos 13 anos depois.

Nos últimos dez anos de carreira, não sofreu um mísero ponto. Karelin foi dodecampeão europeu (12 vezes), eneacampeão mundial (9 vezes) e tricampeão olímpico (1988, 1992 e 1996).

O gigantesco russo nasceu com quase 7kgs em Novossibirsk, coração da gélida Sibéria. Pesava menos de 100kgs, mase só tinha 7% de gordura na massa corporal, puro músculo e geneticamente privilegiado. Karelin  jamais tinha sido derrotado em uma competição internacional.

Sua força era descomunal, treinava diariamente na Sibéria, correndo na neve, carregando toras de madeira e fazendo musculação, cenas idênticas ao filme “Rocky IV”. Karelin inventou uma manobra, chamada “Levantamento Karelin”(em inglês, ‘Karelin Lift‘), absolutamente arrasador.

Era uma adaptação de um movimento comum nas categorias leves da Luta Greco-Romana, mas totalmente impensável em atletas da sua categoria, com até 130kgs. Até Karelin existir. O movimento se tornou tão lendário que o fictício lutador russo Zangief, do jogo de videogame Street Fighter, reproduziu o golpe

Dotado de uma força inacreditável, o russo enganchava os braços no peito do adversário e levantava seu oponente sobre seus ombros. Então arremessava com toda a força, como um saco de batatas, o rival no chão, largando todo o peso no pescoço ou sobre o peito. Desesperados, os atletas buscavam uma defesa que resumia em ficavar esticado no chão, se debatendo inutilmente tentando evitar serem jogados ao ar. Não sair do solo era sua única chance. A maioria dos adversários desistia das lutas de tanto apanhar de Karelin nos nove minutos dos combates.

Dois vice-campeões olímpicos capitularam antes de continuar apanhando, vergonhosamente saindo da arena no meio da luta, mas com a saúde em dia. Vejam as imagens:

Karelin era absolutamente imbatível. Até a sua última luta.

No dia que se tornaria o primeiro atleta a se sagrar tetracampeão olímpico em uma mesma competição, Karelin perdeu. O autor da façanha foi o então ilustre desconhecido Rulon Gardner, dos Estados Unidos.

Atleta universitário apenas mediano, sem títulos expressivos e resultados médios no circuito internacional, Rulon já havia sido derrotado por 5 a 0 por Karelin três anos antes (algo como um 3×0 no futebol).

Sob os olhares do então presidente do COI, o espanhol Juan Antonio Samaranch, que estava no ginásio para entregar a medalha mais certa das Olimpíadas, o impensável ocorreu. Atônito, Samaranch e o mundo viram algo incompreensível.

Depois de três minutos sem pontuação, Gardner conseguiu desmanchar a chave de braço de Karelin, o que constitui pontuação neste esporte. Os juízes debateram mas afinal concordaram e deixaram Gardner com vantagem de 1 a 0. Desesperado, mas já cansado, Karelin não conseguiu reverter a vantagem na prorrogação.

Os minutos finais são de euforia no ginásio. Uma cena quase surreal. O narrador vai perdendo a compostura e no final sapeca: “Você acredita em milagres???”, indiscutivelmente tão espantados quanto Karelin, Gardner, Samaranch e o mundo esportivo.

Karelin desolado perde para a zebra Gardner/AP

Vejam as imagens:


Depois de 13 anos, Alexander Karelin perdeu uma luta. E esta seria a sua primeira e última derrota internacional. Naquele mesmo instante, o russo encerrou sua carreira profissional.

A zebra Gardner, que era cotado em 2000-1 nas casas de apostas, ganhou uma inesperada medalha de ouro. Ele ainda levou o bronze em Atenas quatro anos depois e já escapou de quatro acidentes graves em sua vida, incluindo uma queda de avião em um rio congelado. Ficou milionário dando palestras motivacionais nos EUA.

Já Alexander Karelin foi eleito três vezes consecutivas deputado pela Sibéria. Extremamente popular, já recebeu a ordem de “Herói da Federação Russa“, e é famoso por sua extrema inteligência, com um Q.I de 140. O ex-lutador  é P.H.D. em Engenharia Elétrica, possui profundos conhecimentos de música, poesia, história e literatura, além de ser apreciador de ópera, teatro e balé.

Karelin é um dos mais influentes deputados russos na Duma, a câmara de representantes de seu país, e participa da ilustre comissão de assuntos internacionais como um de seus principais líderes.

Quem disse que os lutadores são um bando de trogloditas, com cérebros atrofiados de tanta porrada?

O russo, afinal, é genial. Literalmente.

Mas, um dia, ele perdeu.

Mais uma história extraordinária do esporte.

Comentários (6)

  • Luís Felipe diz: 8 de setembro de 2008

    fantástico!

  • Leonardo diz: 30 de julho de 2012

    Fantástico mesmo.

    O ser humano está evoluindo sempre, daqui a algumas gerações todos serão poderosos como esse camarada aí.

  • Daniel Falkoski diz: 30 de julho de 2012

    Grande post revivido…história fantástica.

  • Daniel Machado diz: 9 de agosto de 2012

    História fantástica! Post extraordinário!
    Muito bom, mas muito bom mesmo.

  • Érico Ferreira diz: 21 de agosto de 2012

    Não foi nesse dia, após a luta, que no estádio ou Arena, tocou a musica Unbelivebale?

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