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Posts de agosto 2008

O maior atleta olímpico da história, dotado de Q.I. 140: o russo Alexander Karelin, invicto por 12 anos

31 de agosto de 2008 6

Vamos contar agora uma história sobre, talvez, o maior atleta de todos os tempos. Muitos vão argumentar que ninguém é mais conhecido que Pelé, que nenhum teve mais ouros que Michael Phelps, indiscutível que Michael Jordan.

Quem ninguém levou mais do que as 18 medalhas da soviética Larissa Latynina conquistou. Ou então que ninguém ganhou corridas e ficou mais rico que Michael Schumacher na Fórmula-1.

Mas nenhum deles, absolutamente nenhum, ficou 13 anos invicto ou algo sequer parecido com isto. Em um esporte absolutamente impopular e desconhecido no Brasil, a Luta Greco-Romana, o russo Alexander Karelin se tornou o maior lutador de todos os tempos. E um mito esportivo.

Dotado de uma força inacreditável, ele foi o esportista mais estudado e temido em qualquer esporte. Permaneceu imbatível por praticamente toda a sua carreira, até sua derradeira disputa, nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000.

Conhecido por apelidos da estirpe de “O Experimento“, “O General“, “O Urso Russo” ou simplesmente “O Rei“, Karelin trilhou uma carreira internacional espetacular ao longo de treze anos. Sua última derrota foi no Campeonato Soviético de 1987, e desde então permaneceu invicto até a decisão da medalha de ouro nas Olímpíadas, absurdos 13 anos depois.

Nos últimos dez anos de carreira, não sofreu um mísero ponto. Karelin foi dodecampeão europeu (12 vezes), eneacampeão mundial (9 vezes) e tricampeão olímpico (1988, 1992 e 1996).

O gigantesco russo nasceu com quase 7kgs em Novossibirsk, coração da gélida Sibéria. Pesava menos de 100kgs, mase só tinha 7% de gordura na massa corporal, puro músculo e geneticamente privilegiado. Karelin  jamais tinha sido derrotado em uma competição internacional.

Sua força era descomunal, treinava diariamente na Sibéria, correndo na neve, carregando toras de madeira e fazendo musculação, cenas idênticas ao filme “Rocky IV”. Karelin inventou uma manobra, chamada “Levantamento Karelin”(em inglês, ‘Karelin Lift‘), absolutamente arrasador.

Era uma adaptação de um movimento comum nas categorias leves da Luta Greco-Romana, mas totalmente impensável em atletas da sua categoria, com até 130kgs. Até Karelin existir. O movimento se tornou tão lendário que o fictício lutador russo Zangief, do jogo de videogame Street Fighter, reproduziu o golpe

Dotado de uma força inacreditável, o russo enganchava os braços no peito do adversário e levantava seu oponente sobre seus ombros. Então arremessava com toda a força, como um saco de batatas, o rival no chão, largando todo o peso no pescoço ou sobre o peito. Desesperados, os atletas buscavam uma defesa que resumia em ficavar esticado no chão, se debatendo inutilmente tentando evitar serem jogados ao ar. Não sair do solo era sua única chance. A maioria dos adversários desistia das lutas de tanto apanhar de Karelin nos nove minutos dos combates.

Dois vice-campeões olímpicos capitularam antes de continuar apanhando, vergonhosamente saindo da arena no meio da luta, mas com a saúde em dia. Vejam as imagens:

Karelin era absolutamente imbatível. Até a sua última luta.

No dia que se tornaria o primeiro atleta a se sagrar tetracampeão olímpico em uma mesma competição, Karelin perdeu. O autor da façanha foi o então ilustre desconhecido Rulon Gardner, dos Estados Unidos.

Atleta universitário apenas mediano, sem títulos expressivos e resultados médios no circuito internacional, Rulon já havia sido derrotado por 5 a 0 por Karelin três anos antes (algo como um 3×0 no futebol).

Sob os olhares do então presidente do COI, o espanhol Juan Antonio Samaranch, que estava no ginásio para entregar a medalha mais certa das Olimpíadas, o impensável ocorreu. Atônito, Samaranch e o mundo viram algo incompreensível.

Depois de três minutos sem pontuação, Gardner conseguiu desmanchar a chave de braço de Karelin, o que constitui pontuação neste esporte. Os juízes debateram mas afinal concordaram e deixaram Gardner com vantagem de 1 a 0. Desesperado, mas já cansado, Karelin não conseguiu reverter a vantagem na prorrogação.

Os minutos finais são de euforia no ginásio. Uma cena quase surreal. O narrador vai perdendo a compostura e no final sapeca: “Você acredita em milagres???”, indiscutivelmente tão espantados quanto Karelin, Gardner, Samaranch e o mundo esportivo.

Karelin desolado perde para a zebra Gardner/AP

Vejam as imagens:


Depois de 13 anos, Alexander Karelin perdeu uma luta. E esta seria a sua primeira e última derrota internacional. Naquele mesmo instante, o russo encerrou sua carreira profissional.

A zebra Gardner, que era cotado em 2000-1 nas casas de apostas, ganhou uma inesperada medalha de ouro. Ele ainda levou o bronze em Atenas quatro anos depois e já escapou de quatro acidentes graves em sua vida, incluindo uma queda de avião em um rio congelado. Ficou milionário dando palestras motivacionais nos EUA.

Já Alexander Karelin foi eleito três vezes consecutivas deputado pela Sibéria. Extremamente popular, já recebeu a ordem de “Herói da Federação Russa“, e é famoso por sua extrema inteligência, com um Q.I de 140. O ex-lutador  é P.H.D. em Engenharia Elétrica, possui profundos conhecimentos de música, poesia, história e literatura, além de ser apreciador de ópera, teatro e balé.

Karelin é um dos mais influentes deputados russos na Duma, a câmara de representantes de seu país, e participa da ilustre comissão de assuntos internacionais como um de seus principais líderes.

Quem disse que os lutadores são um bando de trogloditas, com cérebros atrofiados de tanta porrada?

O russo, afinal, é genial. Literalmente.

Mas, um dia, ele perdeu.

Mais uma história extraordinária do esporte.

Superação(?) Olímpica: o maior rabudo do século!

30 de agosto de 2008 3

Sem dúvida, agora contarei a história do maior sortudo olímpico de todos os tempos. Depois de três eventos inacreditáveis, Steven Bradbury foi o primeiro campeão olímpico de inverno da Austrália e de todo o hemisfério sul do planeta Terra.

Ele conquistou a medalha de ouro nos 1000m de patinação no gelo, pista curta, nos Jogos Olímpicos de Inverno em Salt Lake City, 2002. Da maneira mais absurda e improvável de qualquer tempo, contando com incidentes inesperados. Algo como um time do Chipre vencer a Liga dos Campeões da Europa.

Bradbury era favorito nos Jogos de Inverno de Lillehammer em 1994, mas sofreu um tombo e perdeu a medalha, ganhando somente um bronze no revezamento 4x1250m.

Naquele mesmo ano, sofreu um corte profundo na perna em uma corrida, perdeu quatro litros de sangue e 111 pontos como brinde. Seis anos depois, outro acidente, um pescoço quebrado e mais quatro litros de sangue e dezenas de pontos após um novo corte. Escapando duas vezes assim, estava claro: a sorte estava com Steven…

Em 2002, já com 29 anos e mais pesado que no passado, seu objetivo era apenas uma colocação honrosa na sua despedida dos Jogos Olímpicos em sua quarta participação. Em sua primeira bateria Bradbury passou tranquilo. Mas quartas-de-final, Steven Bradbury chegou em um medíocre terceiro lugar e foi eliminado.

EVENTO IMPROVÁVEL NÚMERO 1: O francês Marc Gagnon, um dos favoritos ao título, foi desclassificado da mesma bateria. De lambuja, Bradbury ficou com a segunda vaga e se classificou.

Nas semifinais, o australiano era “carta fora do baralho” e não tinha chances. Estava muito atrás dos quatro primeiros colocados nas voltas finais.

EVENTO IMPROVÁVEL NÚMERO 2Um competidor caiu sozinho na última volta, primeira curva e caiu. Na sequência, outros dois bateram entre si e caíram. Bradbury se aproveitou, chegou em segundo lugar e garantiu vaga na final. Incrível, mas a sorte do atleta não havia terminado…

Antes da decisão, Bradbury foi profético: “eu já era lento, e agora serei mais ainda em minha quarta corrida seguida. Não tenho mais gasolina no tanque, então não faz sentido ficar no bolo se no final eu vou ficar em último de qualquer jeito. Então a idéia é aproveitar que alguém trombe ali na frente“. Sábias palavras, Nostradamus do século XXI…

Na finalíssima, cinco competidores disputavam três medalhas. Após cinco voltas, o australiano seguia em quinto lugar e bem longe dos demais, que se revezavam na disputa do título. Então chegamos à última volta.

EVENTO IMPROVÁVEL NÚMERO 3: Na última curva, o chinês Li Jiajun toca no coreano Ahn Hyun-Soo e cai. Hyun-Soo também perde o equilíbrio e derruba o norte-americano Apolo Ohno e o canadense Mathieu Turcotte. Um belíssimo “strike” no qual os três remanescentes caem, deixando o caminho livre para Bradbury.

Ele vinha sozinho, lá atrás e só de “butuca“, e ganhou de brinde o ouro olímpico. De tão inesperado, a sua primeira exclamação foi “Oh, fucking God!!!” que eu nem vou traduzir…Vejam a saga de Bradbury:

E assim o veterano Steven Bradbury recebeu a medalha de ouro nos Jogos de Inverno em Salt Lake City 2002. A primeira de ouro da Austrália em qualquer competição olímpica de inverno.

E isto só veio aproveitando uma desclassificação, depois um tombo de três concorrentes na última volta da semifinal, e novamente aproveitando uma queda espetacular dos quatro primeiros colocados, deixando o então último colocado com a medalha de ouro.

De lambuja. De bandeja. Sorte. Muita sorte.

Superação Olímpica: pai ampara filho em Barcelona'92

29 de agosto de 2008 3

“Derek Redmond não chegou em primeiro na prova de 400m rasos nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992. Ele também não ficou em segundo lugar. Aliás, sequer foi o terceiro. Honestamente, Redmond foi o último colocado disparado em sua bateria na prova. Porém ele chegou”. Estas são as palavras de um comercial da VISA sobre um fato ocorrido há 16 anos, e é esta história que iremos contar.

Redmond foi um ótimo atleta da Grã-Bretanha, o melhor de seu tempo. Campeão europeu e mundial no revezamento 4x400m, era um dos favoritos à medalha de ouro nos 400m rasos.

Favorito na Olimpíada de Seul-1988, Redmond sofreu uma lesão no aquecimento da prova de 400m, dez minutos antes da prova. Ficou fora da Olimpíada e sofreu cinco cirurgias no tendão de aquiles. O sonho olímpico foi adiado em quatro anos…

Em 1992, Redmond era novamente um dos favoritos à medalha de ouro. O britânico fez o melhor tempo nas duas primeiras baterias. “Estava eufórico sobre minhas possibilidades naquele dia. Achava que ganharia mesmo se tivesse disputando a Maratona“, declarou posteriormente Raymond.

Na semifinal, ele largou bem e estava entre os primeiros nos 150m iniciais quando sofreu uma distensão muscular na coxa direita. Redmond parou, mancou e então caiu ao chão. Em lágrimas, só pensava que havia sofrido outra lesão, e de novo não teria chances de disputar uma medalha olímpica.

Quando ia ser atendido pelos médicos e retirado na maca, resolveu levantar-se e recusou ajuda. Todos imaginavam que ele sairia da pista e se arrastaria para a grama. Mas Derek seguiu adiante. Pulando em uma só perna, com dores lancinantes, o atleta faz um esforço supremo para completar a etapa.

Quando já estava quase desistindo, um velho gordo, de bermuda e camiseta, dribla a segurança e invade a pista. Era seu pai, Jim Redmond,  que disse: “Você não precisa fazer isto“. “Eu preciso completar a corrida“, replicou Derek. “Se você vai completar a prova, então vamos fazer isto juntos“, respondeu Jim.

O velocista declarou: “Eu odiei o mundo. Tudo que havia feito, trabalhado, tinha sido em vão. Odiava distensões. Odiava tudo. Estava tão furioso por ter me machucado de novo. Mas eu tinha que terminar a prova. Continuei mancando até faltarem 100m, e então senti uma mão em meu ombro. Era meu pai“.

Derek Raymond e seu pai Jim - Barcelona, 1992/The Philadelphia Inquirer

Na reta final, quase sem forças, o velocista se apoia no ombro de Jim, chorando muito. De dor e frustração por mais um objetivo não alcançado por causa de uma inesperada lesão.

Ambos chegam abraçados à linha de chegada, ovacionados pelos quase 70 mil espectadores no estádio Olímpico de Montjuich. Em lágrimas, Jim declarou após a corrida: “Sou o pai mais orgulhoso do mundo. Nem se ele tivesse ganho a medalha de ouro eu estaria tão honrado“.

Depois da prova, Derek afirmou: “Podiam me achar um herói ou um idiota. Não estava nem aí. Não fiz pela ovação. Fiz por mim. Seria eu que teria que conviver com o fato de não ter terminado a corrida pelo resto de minha vida“.

Derek e Jim Raymond. Filho e pai. Campeões da superação. E do esporte.

Pierre de Coubertin, idealizador dos Jogos Olímpicos da era moderna, ficaria orgulhoso do mais puro e absoluto lema do espírito olímpico.

Aquele que diz: “O Importante é competir

Participação no PodCast Escanteio

29 de agosto de 2008 2

O colega Márcio Luiz me convidou para fazer a análise do sorteio dos grupos da primeira fase da Liga dos Campeões da Europa, ocorrido hoje em Mônaco.

Então pela primeira vez aqui na RBS, participei de um PodCast. Experiência bacana, apesar de não ter muito o “traquejo” neste tipo de atividade…

Minhas opiniões estão aqui na edição #84 do PodCast: Análise dos grupos na Liga dos Campeões da Europa

Postado por Perin, que achou a voz melhor que o normal…

Superação Olímpica: Hermann Maier, inquebrável

28 de agosto de 2008 1

Em 1988, o austríaco Hermann Maier era um dos favoritos ao título do slalom gigante nos Jogos Olímpicos de Inverno de Calgary, Canadá. Em um treinamento de rotina, Maier se desequilibrou e sofreu uma catastrófica queda.

No final da semana seguinte, Maier tinha duas medalhas de ouro no peito: slalom gigante e esqui alpino, provando ser capaz de uma incrível recuperação. E sorte de sobreviver a um acidente gravíssimo. E não se amendrontar, continuando a competir e mostrando superar seus próprios limites.

Três anos depois, o esquiador austríaco sofreu um grave acidente automobilístico e correu o risco de amputar as duas pernas. Maier reagiu após diversas cirurgias e voltou a competir em 2003.

Depois do acidente, levou um Mundial de Esqui em 2005 e um vice-campeonato em 2003, além de uma Copa do Mundo em 2004. Há dois anos, Maier conquistou uma medalha de prata e outra de bronze nos Jogos de Inverno em Turim, 2006

Hermann Maier, é considerado um dos maiores esquiadores de todos os tempos. E um homem de fibra. Um atleta de talento e superação.

Postado por Perin, que já sonhou que fazia ski jumping…

Superação Olímpica 2008: a ginasta/mãe de 33 anos e a leucemia

27 de agosto de 2008 0

A ginasta soviética/uzbeque/alemã Oksana Chusovitina é uma das mais especiais atletas destes Jogos Olímpicos de Pequim, que se encerraram ontem na China.

Aos 33 anos, a mais velha ginasta de alto nível em atividade conquistou a medalha de prata individual no salto sobre o cavalo. Ela tem dez medalhas em campeonatos mundiais de Ginástica, detendo o recorde de ter oito em um só aparelho.

Oksana Chusovitina e seu filho Alisher

Mais do que isto, Chusovitina foi a primeira ginasta feminina a disputar cinco Olimpíadas. Ela se tornou ainda a terceira ginasta a voltar a disputar uma Olimpíada depois de se tornar mãe. E foi com esta história que ela conquistou mais uma vez resultados brilhantes, e a simpatia de todos que torceram por ela nos Jogos de Pequim.

Era uma vez uma tímida garota de 13 anos que virou ginasta da equipe principal da extinta União Soviética. Medalhista de ouro por equipes pela C.E.I. (Comunidade dos Estados Independentes, que reuniu 11 das 16 repúblicas soviéticas) nos Jogos de Barcelona, em 1992.

Valeri Lukin, ginasta campeão olímpico pela União Soviética e pai da campeã individual em Pequim Natasja Lukin, disse que Oksana fazia exercícios mais difíceis que os feitos pelo time masculino na mesma época. Vejam imagens da jovem atleta soviética:


Feitos que em nada diminuíram a força de vontade da atleta que voltou ao Uzbequistão e disputou por seu país, uma das antigas repúblicas soviéticas, todas as competições e Jogos Olímpicos entre 1993 e 2002.

Com dificuldades, sem apoio governamental pela pobre república da Ásia Central, Oksana seguiu atuando em nível elevado, se classificando para três Olimpiadas consecutivas: 1996, 2000 e 2004. Porém nada disto importaria.

O fato é que, além de ser uma monumental atleta de alto nível na ginástica internacional, Chusovitina é uma lenda na ginástica, no esporte e na vida pelo simples fato de ser mãe. E de ter feito sacrifícios para manter o filho vivo.

Praticamente aposentada, a atleta teve que voltar aos treinamentos duros em 2002 aos 27 anos, quando seu filho Alisher teve diagnosticado leucemia aos dois anos de idade. Sem condições de tratamento adequado em Tashkent e com remédios caríssimos em Moscou, na Rússia, Chusovitina aceitou se transferir para a Alemanha para um tratamento mais adequado para Alisher. “Se eu não voltasse a competir, ele não sobreviveria. Simples assim, não tinha escolha”, disse certa vez Oksana.

O drama do menino comoveu a comunidade internacional de ginástica, e muito dinheiro foi arrecadado em doações por todo o planeta, totalizando os 120 mil dólares necessários.
De 2003 a 2005 ela continuou disputando competições oficiais (incluindo dois mundiais e os Jogos de Atenas) pelo Uzbequistão, mas em 2006 passou a defender as cores da Alemanha.

A cidadania foi necessária para que a atleta continuasse recebendo tratamento especial na Alemanha, de acompanhamento oncológico para a doença de seu filho. Oksana recebeu cidadania alemã, mas viaja seguidamente para o amado Uzbequistão.

Aos 33 anos, uma idade absurda para uma ginasta (que normalmente são consideradas “velhas” aos 22, 23 anos), Oksana é uma lenda para suas pretensas adversárias, que acabam por idolatrar a ginasta. A maioria delas sequer era nascida quando Oksana já tinha um ouro olímpico.

Eu tenho 20 anos, tenho dores nas costas, nos joelhos e acho que tenho atrite. Eu não sei como ela consegue, é um modelo para nós todas“, disse Alicia Sacramore, da equipe dos Estados Unidos.

Para delírio do público em Pequim, Oksana Chusovitina conquistou a medalha de prata no salto sobre o cavalo, superando inclusive a brasileira Jade Barbosa, uma das favoritas na competição. Ela ficou atrás somente da sul-coreana

O garoto suportou duramente os dois anos de tratamento, com um transplante de medula e sessões de quimioterapia. Hoje ele tem oito anos e vive uma vida saudável, enquanto Oksana, já com cidadania alemã, segue competindo pelo novo país.

Títulos de Chusovitina:

  • Jogos Olímpicos: 1 medalha de ouro por equipes em 1992 (C.E.I.) e outra de prata pela Alemanha no salto sobre o cavalo em 2008.
  • Mundiais de Ginástica Artística: três de ouro, duas de prata e quatro de bronze (pela União Soviética, Uzbequistão e Alemanha).

Com vocês, Oksana Chusovitina quinze anos depois, nos Jogos Olímpicos de Beijing em 2008:

Parabéns, Oksana! Exemplo de atleta, mãe e ser humano!

Superação Olímpica: Amor além da vida

26 de agosto de 2008 2

Em memória do amor de sua vida, a conquista do ouro olímpico. No ponto máximo de sua carreira como esportista, no pódio de uma Olimpíada recebendo a medalha de ouro, um gigante com uma singela foto de sua falecida esposa. Do luto, um atleta conseguiu reunir forças e obteve um resultado que todos consideravam impossível.

Matthias Steiner é um levantador de peso austríaco naturalizado alemão. Mais do que isto, é um super-pesado de 148kgs campeão olímpico após levantar 461kgs na prova combinada de arranque e arremesso.

Steiner e sua amada esposa Susann

Ele também é um homem de um coração. Sua história tocante comoveu todos que souberam dela nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008. Um conto de amor e superação. E será isto que iremos contar nesta história…

Steiner surgiu com sucesso no levantamento de peso competindo pela Áustria aos 18 anos. Ficou em 7° lugar nos Jogos de Atenas em 2004 na categoria até 105kgs, mas divergências com a federação local lhe deixaram fora do Mundial da categoria.

Certo dia, o halterofilista participava de um torneio televisionado por uma emissora alemã. Uma moça chamada Susann mudou de canal na sua TV, aleatoriamente. Sua atenção parou em Steiner, que competia naquele momento. Paixão fulminante.

Susann conseguiu informações sobre o halterofilista e mandou e-mails, esperando uma resposta que acabou chegando. Depois de alguns contatos pela internet, ela se encontrou com ele em Viena. Desta vez foi Steiner que caiu perdidamente apaixonado. Amor à primeira vista. Recíproco.

Em dezembro de 2005, Matthias e Susann se declaravam marido e mulher. Isto também era bom para a carreira do halterofilista, pois ele passaria a ter direito à cidadania alemã após três anos de residência no país.

Steiner ficou treinando sozinho com uma equipe local, enquanto aguardava a naturalização. A Federação Internacional de Levantamento de Peso suspendeu ele por três anos, e o atleta só poderia voltar a disputar uma competição oficial em fevereiro de 2008, o Campeonato Europeu.

Então a tragédia aconteceu: no dia 16 de julho de 2007, Susann sofreu um grave acidente de trânsito e ficou em coma profundo. Passou alguns dias internada, mas não resistiu e morreu antes de completar 23 anos. Profundamente abalado, Steiner prometeu a esposa, em seu leito de morte, que iria realizar o sonho olímpico de ambos, de conseguir a tão sonhada medalha.

Enlutado, o gigante austríaco retomou os treinos. Ganhou força e, totalmente focado em homenagear a esposa falecida, superou seus limites. Ao disputar o Campeonato Europeu, Steiner já tinha subido de peso para disputar na faixa de peso dos superpesados, ganhando cerca de 30kgs em 1 ano. Conquistou a medalha de prata, e mais importante: se garantiu na Olimpíada.

Nos Jogos de Pequim e disputando a prova máxima, de arranque e arremesso, Steiner estava em terceiro após a etapa de arranque, quando havia levantado somente 203kgs. O letão Viktors Scerbatihs tinha 206kgs e o favorito russo Evgeny Chigishev levantara 210kgs.

Nesta modalidade, os halterofilistas normalmente sobem suas tentativas entre dois e quatro quilos. Steiner não estava bem, depois de um arremesso com somente 248kgs que lhe deixaria em quarto ou quinto lugar, e uma falha na segunda tentativa. Dez quilos a mais, algo quase improvável, lhe daria o ouro. Tudo ou nada.

Mostrando determinação e uma força interna impressionante, Steiner conseguiu superar suas próprias expectativas. Levantou incríveis 258kgs, totalizando 461kgs. Seu recorde pessoal e muito próximo do recorde absoluto em todos os tempos (463,5kgs).

Assim, o alemão se sagrou campeão olímpico com 1kg de vantagem sobre Chigishev, vice-campeão olímpico pela segunda vez consecutiva, e atual campeão mundial; e 13kgs a mais que Scerbatihs, deputado nacional na Letônia.

No pódio, Steiner subiu no lugar mais alto, recebendo flores e a medalha de ouro. Então, ao ouvir o hino da Alemanha, o país que lhe adotou e de sua amada esposa, Steiner chorou.

Com uma foto de Susann Steiner nas mãos.

O gigante de 145kg, mas de um coração de ouro:

Em seu leito de morte, Mathias pediu à Susann que ficasse sempre ao seu lado.

Ganhei isto por ela, por meus amigos e por minha família. Mas principalmente por ela“, disse Steiner em uma emotiva coletiva de imprensa.

Não sou do tipo supersticioso, não acredito em forças do além. Mas eu espero que ela tenha me visto“, completou o medalhista olímpico.

Confesso que me emocionei ao saber de tudo isto, por causar lembranças de um passado já distante, mas ainda vivo na minha lembrança…

Parabéns Matthias e Susann Steiner!
Um amor para toda a vida
Um amor além da vida

Obrigado ao Vinícius Santos, que pautou este post aqui no Almanaque Esportivo.

Pequim 2008: a maior final de todos os tempos

25 de agosto de 2008 1

Vamos falar da maior disputa da história da natação mundial em TODOS OS TEMPOS! O auge técnico e esportivo desta Olimpíada!

O 4×100 estilo livre masculino foi mais uma das medalhas de ouro dos Estados Unidos na natação dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008.

Além disto, esta competição foi integrante da lista de oito ouros que Michael Phelps conquistou nesta Olimpíada, recorde em qualquer esporte olímpico. Para completar, foi mais uma prova que um recorde mundial foi batido no monumental, espetacular e hoje inigualável “Cubo d`água” na capital chinesa.

Ops, corrigindo a informação anterior: recorde mundial PULVERIZADO!

Afinal, nenhuma outra expressão fica adequada depois de saber que os EUA conquistaram o ouro e baixaram em quase quatro segundos o recorde anterior, que era do DIA ANTERIOR. E nada menos que os seis primeiros colocados bateram o recorde mundial na final. Os dois últimos (África do Sul e Grã-Bretanha) ficaram muito próximos de igualmente superar aquela marca. Já nas preliminares, o recorde mundial anterior tinha sido batido pela maioria dos finalistas.

A final já começou com show: o australiano Eamon Sullivan, que abriu o revezamento, bateu o recorde mundial dos 100m com 47s24 na primeira passagem. 

Isto seria fichinha perto do que aconteceu durante a prova: Frederic Bousquet, o terceiro francês, fez seus 100m em impressionantes 46s63. Na última troca de nadadores, a França vencia os EUA por 0s59 e a bola estava com o norte-americano Jason Lezak.

O sonho do ouro estava distante. Parecia impossível que o ouro escapasse dos favoritos franceses. E assim, Phelps só conseguiria igualar-se à Mark Spitz e suas sete medalhas de ouro em uma única edição de Jogos Olímpicos (no caso de Spitz, os Jogos de Munique em 1972).

De 32 anos, ele disputaria os 100m finais e a medalha de ouro com o francês Allain Bernard, justamente o mais rápido na prova e que fechava o revezamento francês (futuro vencedor da medalha de ouro na prova individual dos 100m livre).

Mas Lezak conseguiu o inimaginável. O veterano nadador fez seus 100m em assombrosos 46s06, mais de meio segundo melhor que a melhor marca até então (que era de Bousquet, menos de dois minutos antes).

Mesmo que somente o primeiro tempo em um revezamento 4×100 possa ser homologado, a façanha de Lezak marcará época na natação mundial. Daquelas de serem repetidas em toda escolinha de natação ao redor do planeta.

Compreensível o desespero de Bernard após o final da prova. Justo ele, que havia desdenhado os norte-americanos dois dias antes. “Os americanos? Viemos aqui para acabar com eles. Por isso estamos aqui “, disse arrogantemente Bernard. Quando viu seu tempo no 4x100m ser 0s67 pior que o de Jason Lezak, Bernard deve ter se perguntado: “porquê não fiquei com minha boca fechada…”

O berro gutural, selvagem e absolutamente verdadeiro do mítico Phelps ao ver no placar a certeza da vitória espetacular dos Estados Unidos deixou claro que algo havia si

Postado por Perin, que achou sensacional esta prova

Superação Olímpica 2008: o holandês imortal

25 de agosto de 2008 0

Nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, dois exemplos de superação individual merecem ser citados. O primeiro vai hoje, e fala do nadador holandês Maarten van der Weijden.

Ele venceu os 10km da Maratona Aquática Masculina, competição que estreou nesta Olimpíada. van der Weijden bateu o britânico David Davies nos metros finais, depois de ficar quase a prova inteira embolado no bloco de elite.

O que parece simples se torna especial sabendo que Weijden estava desenganado pelos médicos há pouco mais de sete anos. Multicampeão na Holanda e em competições de piscina e mar aberto, Weijden quase morreu quando teve diagnosticado leucemia, o câncer do sangue.

A doença só foi curada graças a um transplante de medula e dezenas de sessões de quimioterapia. Weijden voltou às piscinas e aos mares abertos em 2003, conquistou vice-campeonato mundial de maratona aquática de 10km em 2006, além de várias vitórias em etapas da Copa do Mundo.

Este ano se sagrou campeão mundial dos 25km em Sevilla, sendo terceiro colocado nos 5km e quarto nos 10km. Agora, é campeão olímpico!


Com vocês, as palavras do medalhista de prata, David Davies sobre seu adversário, e exemplo de vida:”Ele é um completo cavalheiro, um grande embaixador para o esporte e agora um campeão olímpico. Falei para ele após a prova como estava orgulhoso dele. É um competidor muito difícil, sua história é incrível e pode inspirar as pessoas. O que ele conseguiu é fenomenal

Postado por Perin, saudando os amigos de Amsterdã!

Atletas amadores - A série

25 de agosto de 2008 0

Três exemplos de atletas amadores em Jogos Olímpicos.

Três exemplos de micos olímpicos.

Três exemplos de determinação, nem que seja em pagar vexame.

Postado por Perin, que procurou bastante informações…