Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts de agosto 2008

Os atletas amadores: Jamaica Abaixo de Zero

24 de agosto de 2008 1

Sim, este é exatamente o nome do filme da Disney sobre um bando de jamaicanos malucos que resolveram disputar competições na neve. Em “Jamaica Abaixo de Zero”, estrelado pelo finado John Candy, o roteiro se baseia levemente no primeiro time jamaicano de bobsled (o trenó na neve em alta velocidade). “Cool Runnings” (“Correndo no Frio”, tradução livre) se tornaram parte da história do esporte mundial ao disputar os Jogos de Inverno em Calgary, 1988. Mas o que é lenda e o que é verdade?

Buenas, dois norte-americanos, com relações na Jamaica, resolveram formar um time de bobsled da ilha caribenha. Neste esporte, que necessita de muita velocidade, primeiramente eles procuraram a equipe nacional de atletismo, e foram sumariamente dispensados. Os dois malucos, que se chamam George Fitch e William Malone, apresentaram então sua idéia ao coronel Ken Barnes, que apoiou a idéia. E aí obrigou os melhores atletas do exército jamaicano a participarem da idéia. O resto é história…

O primeiro time formado foi:

  • Devon Harris, um tenente do Exército;
  • Dudley Stokes, um capitão da Força Aérea;
  • Michael White, dos reservistas da Guarda Nacional;
  • Samuel Clayton, um engenheiro ferroviário

Obviamente nenhum deles já tinha treinado no esporte. Aliás, nenhum deles sequer havia visto a neve. Do início de setembro de 1987 até outubro, o time treinou intensamente com… bobsleighs, que a rigor eram carrinhos de rolimã empurrados morro abaixo. A primeira competição foi em outubro de 1987, a “Tirol Cup” em Salzburgo (Áustria). Os resultados não foram ruins, e os atletas conseguiram a classificação para os Jogos Olímpicos, que aconteceriam somente três meses depois.

Devon Harris, capitão e pioneiro

Devon Harris, capitão e pioneiro

Em fevereiro, já em Calgary, os atletas já eram `estrelas` dos Jogos de Inverno, certamente pelas razões errada. Na primeira descida, o time fez o pior tempo. Na segunda, o time jamaicano de quatro pessoas foi muito bem no início, e tinha o sétimo melhor tempo até um erro do piloto Devon Harris causar um acidente. Miraculosamente ninguém se machucou gravemente. Os jamaicanos completaram a pé, com o trenó sendo empurrado pelas equipes de apoio. Vejam as imagens reais:

Em 1992, novamente os jamaicanos foram para os Jogos de Inverno, desta vez em Albertville na França. Os resultados não foram muito animadores

Mas isto mudou em 1994 nos Jogos de Inverno em Lillehammer, na Noruega.De maneira sensacional, os jamaicanos chegaram em um excepcional 14° lugar, à frente de países tradicionalíssimos como Estados Unidos, Rússia, França e Itália!

Confiram os resultados de 1988 até 2002 (última classificação jamaicana no bobsled):

Jamaica Bobsled National Team

1988 – Jogos Olímpicos de Inverno – Calgary (Canadá)

  • Duplas: não completaram
  • Quarteto: não completaram

1992 – Jogos Olímpicos de Inverno – Albertville (França)

  • Duplas: 35º e 36º de 49 competidores
  • Quarteto: não disputaram

1994 – Jogos Olímpicos de Inverno – Lillehammer (Noruega)

  • Duplas: não se qualificaram
  • Quarteto: 14º de 30 competidores

1998 – Jogos Olímpicos de Inverno – Sapporo (Japão)

  • Duplas: 29º de 39 competidores
  • Quarteto: 21º de 32 competidores

2002 – Jogos Olímpicos de Inverno – Salt Lake City (Estados Unidos)

  • Duplas: 28º de 38 competidores
  • Quarteto: não competiram

ATLETAS BIZARROS EM OLIMPÍADAS :

Os atletas amadores: Eddie "Mr. Magoo" Edwards

21 de agosto de 2008 2

Mr. Magoo/Capture

Ontem contamos a saga de Eric “A Enguia” Moussambani, que entrou para a história introduzindo o estilo de nado “cachorrinho” nos Jogos Olímpicos de Sydney.

Ele talvez tenha sido inspirado (porém acredito que nunca tenha ouvido falar) na história de Eddie “A Águia” Edwards. Número 55 no ranking de salto de esqui mundial (esporte que tem aproximadamente 60 competidores na época), Edwards foi o único solicitante e por isto indicado pela Grã-Bretanha para os Jogos Olímpicos de Calgary, 1988.

Sem nenhum dinheiro, patrocínio e sequer equipamentos, cada salto era uma aventura para Edwards, que usava seis meias para encaixar seus pés nas botas. Além de muito gordo para o esporte (12 kgs a mais que o mais pesado concorrente), o inglês maluco era extremamente míope e precisava usar óculos grossos mesmo com uniforme de proteção. Resumindo, uma versão britânica do Mr. Magoo“…

Seus resultados evidentemente foram patéticos: em um esporte que os melhores saltaram mais de 150m, Eddie teve como melhor marca 73.5m e um dos saltos foi de ridículos 55m. Ainda assim, recorde nacional na Grã-Bretanha, esporte com tradição zero no salto de esqui (EDITADO: em inglês ski jumping e obrigado para as correções de meus leitores abnegados e sempre atentos).

Confiram abaixo as imagens de Eddie:

Para evitar fiascos assim, o Comitê Olímpico Internacional criou a chamada Regra Eddie `A Águia`, na qual um interessado em disputar uma Olimpíada precisa disputar eventos internacionais e ficar entre os 50 primeiros colocados nestes eventos.

Obviamente com restrições assim Eddie Edwards jamais disputou novamente uma edição de Jogos Olímpicos. Porém teve seu nome cantado por 85 mil torcedores em Calgary. Mas isto seria espantoso e a cena mais inusitada daqueles Jogos de Inverno se não fosse de certa forma ofuscado por um quarteto de atletas.

Negros
Da Jamaica
De Trenó
NA NEVE

Isto vemos no domingo…

Postado por Perin, que enxerga melhor que o gordinho ae…

ATLETAS BIZARROS EM OLIMPÍADAS :

Atletas amadores: nado 100m estilo `cachorrinho`!

20 de agosto de 2008 2

Eric `A Enguia` Moussambani

Quando vemos nos Jogos Olímpicos de Pequim estrelas fenomenais como o mítico Michael Phelps e o quase invencível Roger Federer, os estelares Ronaldinho, Lionel Messi e Kobe Bryant, as multicampeãs Yelena Isinbayeva e Venus Williams, ou os brazucas Robert Scheidt e da seleção brasileira de vôlei masculino, às vezes esquecemos do lema principal do Barão de Coubertin.

Aquele nobre francês, idealizador da retomada dos Jogos Olímpicos no final do século XIX e que definiu como lema olímpico: “O importante é competir“. É evidente que todos querem ganhar, mas o que muda é o conceito de “vitória”. E o que falar de Eric “Enguia” Moussambani e de Eddie “Águia” Edwards, que viraram lendas nos Jogos de Sydney em 2000, e nos Jogos de Inverno de Calgary em 1988.

Se para o futebol masculino brasileiro ou para a ginástica masculina chinesa um segundo lugar é fracasso, para um corredor de Trinidad & Tobago nos 100m rasos é a glória. Se para um boxeador cubano cair nas quartas-de-final é vexame, para um lutador da Armênia é sucesso.

Se para o handebol masculino brasileiro chegar a segunda fase já está bacana, para o pólo aquático tupiniquim estar nas Olimpíadas já vale festa. Cada esporte em cada país tem um nível diferente. Todos se complementam. Todos possuem suas oportunidades

Em 2000, o Comitê Olímpico Internacional aprovou os “wildcards” para atletas de países sem estrutura, como incentivo ao esporte. Assim, o nadador Eric Moussambani, de Guiné Equatorial, disputou os 100m livres nos Jogos Olímpicos de Sydney. “A Enguia” disputou sua pré-eliminatória lado de Karim Bare, do Níger, e Farkhod Oripov, do Tadjiquistão. Os dois foram eliminados por queimarem a largada de maneira bizarra, deixando Eric nadando sozinho.

Coooorta. Volta lá atrás e explica: quando Eric começou a nadar? Oito meses antes, em uma piscina de hotel com 22m em sua terra natal.
Eric não tinha treinador e nunca havia visto uma piscina de 50m.

Após a largada, ele nadou estabanadamente, e quase tocou na raia (o que causaria sua desclassificação). Ele virou bem mas aos poucos foi cansando. Nos últimos 15 minutos, Eric nadou “cachorrinho” antes de completar a prova em astronômicos 1min53s, mais que o dobro do recorde mundial de Pieter van Hoogenband, 47s.

Mas isto não significava nada, e para a mídia e o público Eric já era uma estrela internacional. Consegiu até contratos de patrocínio, ao menos por um ano. Em 2004, não conseguiu visto para competir em Atenas, porém seu tempo já era de 56s, quase um minuto melhor que o anterior.

Jacques Rougge, o atual presidente do COI, queria eliminar estes convites. “Os Jogos são uma mistura de qualidade: os melhores ao lado de outros tão competitivos quanto eles. O público pode ter adorado o que vimos na piscina de Sydney, mas eu não gostei“.

Porém na política interna de votos, Rougge perdeu: outros atletas nestes Jogos Olímpicos se classificaram assim. Desta vez em Pequim, um garoto de 14 anos das Ilhas Seychelles (Dwayne Benjamin Dido) e um veterano de 36 anos da República Democrática do Congo (Stany Kempompo Ngangola).Postado por Perin, que ficou com pena do tiozinho acima…

ATLETAS BIZARROS EM OLIMPÍADAS :

 

Olimpíadas: Futebol feminino dá show em Pequim e quer vingança de Atenas

20 de agosto de 2008 0

Nos Jogos Olímpicos de 2004, o Brasil foi derrotado na decisão da medalha de ouro do futebol feminino pelos Estados Unidos por 2×1. Nesta quinta-feira, a chance da vingança brasileira está próxima: os dois países repetem a final olímpica nos Jogos de Pequim.

Há quatro anos, em um jogo dramático, as brasileiras saíram perdendo no primeiro tempo com um gol de Lindsay Tarpey em erro brasileiro. As gurias reagiram e empilharam chances antes de Pretinha empatar no segundo tempo. Cristiane e novamente Pretinha acertaram a trave nos minutos derradeiros, mas Abby Wambach acabou com o sonho brasileiro ao fazer 2×1 na prorrogação, garantindo o ouro para as norte-americanas. Para as orgulhosas brazucas, uma belíssima medalha de prata.

Esta foi a primeira vez que a Seleção Feminina de Futebol chegou a uma decisão de Olimpíada ou Copa do Mundo. Algo extraordinário para um país que dá o habitual “apoio zero” para o esporte, que não tem sequer um Campeonato Brasileiro definido (a CBF gasta os milhões arrecadados em salários nababescos para seus dirigentes). Ainda mais considerando que o badalado futebol masculino sequer competiu em Atenas, sendo eliminado ainda no Pré-Olímpico.

Em sua primeira competição sem a craque Sissi, as brasileiras jogaram muito bem ao longo de toda a Olimpíada de Atenas e mereceram chegar ao pódio, que havia escapado por pouco outras vezes. Uma jovem Marta começava a brilhar nos gramados do planeta…

Antes dos Jogos de 1996, o Brasil havia brilhado em 1999, quando ficou em terceiro lugar na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Em 1996, nos Jogos de Atlanta, e em 2000, na Olimpíada de Sydney, o time ficou em quarto lugar, a um passo do bronze…

Porém o Brasil gostou da idéia de ser protagonista e em 2007 chegou à decisão da Copa do Mundo da China. Foi vice-campeã, quando foi derrotada por 2×0 pela Alemanha.

Mas antes surrou por 4×0 a anfitriã e favorita China (na primeira fase) e também a “nêmesisEstados Unidos, por iguais 4×0 na semifinal. Foi a primeira vitória brasileira em uma competição importante sobre as norte-americanas, com direito a um show espetacular de Marta.

Na final, a experiência alemã superou a técnica brasileira (que jogou poucas vezes na temporada). A artilheira Prinz e a zagueira Laudehr marcaram os gols do título, enquanto Marta errou um pênalti quando o jogo estava 1×0 para as alemãs. De novo, um segundo lugar, este mais amargo que o primeiro.

Este ano, nos Jogos Olímpicos de Pequim, o Brasil pegou um grupo dificílimo. Após empatar na estréia com a Alemanha por 0×0, o time de Jorge Barcellos superou a vice-campeã mundial sub-20 Coréia do Norte e ainda a campeã africana Nigéria. Nas quartas-de-final, bateu a Noruega por um 2×1 que parecia fácil mas terminou suado.

Então, novamente a chance de quebrar um tabu: nas semifinais, a campeã mundial Alemanha. Sem levar nenhum gol no torneio, as alemãs jamais haviam perdido para as brasileiras e saíram na frente mais uma vez, gol de Prinz logo no início do jogo.

Depois de se acalmarem, as brasileiras foram arrasadoras e em 10 minutos (os últimos 5 do primeiro tempo e os primeiros 10 da etapa final) empilharam chances e fizeram três gols, abrindo 3×1 com Formiga, Cristiane e Marta. No final, Cristiane ampliou, se tornando a maior artilheira em Olimpíadas.

A decisão é novamente contra os Estados Unidos. Revanche de Atenas.

Mas, desta vez, as brasileiras não temem ninguém…

FORÇA GURIAS!

VEJA TAMBÉM

Olimpíadas de 2000 - Fiasco contra Camarões em Sydney

19 de agosto de 2008 0

Em 2000, sob comando de Wanderley Luxemburgo (então líder das Eliminatórias Sul-Americanas mas abalado por escândalos fora dos gramados), o Brasil foi para os Jogos de Sydney como favorito no torneio masculino de futebol.

Afinal, o time tinha estrelas do porte de Ronaldinho e Alex, então em grande fase por Grêmio e Palmeiras. Em contra-partida, Luxemburgo foi muito criticado por não aproveitar a chance de levar os três jogadores com idades acima de 23 anos, além de levar jogadores extremamente questionados como Mozart, Fábio Bilica e Lucas.

Muitos jogadores que se destacaram na última década nos gramados do planeta disputaram aquela edição. Pela Austrália, Mark Viduka, Brett Emerton e Mark Bresciano. A Itália teve os campeões mundiais Alessandro Nesta, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Gianluca Zambrotta e Massimo Ambrosini.

O Chile tinha David Pizarro, Claudio Maldonado e Iván Zamorano, uma das maiores estrelas dos Jogos. A Espanha tinha Carles Puyol, Carlos Marchena e Xavi. Camarões levou Geremi, Patrick M’Boma e Samuel Eto’o. Os EUA tinham Brad Friedel e Landon Donovan enquanto os japoneses vieram com grandes reforços: Nakamura, Nakata e Inamoto.

Na primeira rodada, os brasileiros viraram sobre a Eslováquia por 3×1, gols de Edu, Cisovsky (contra) e Alex. Na rodada seguinte, mostrando muita fragilidade defensiva, o Brasil perdeu para a África do Sul por 3×1 (gol de Edu), com muitos erros de Fábio Bilica, que se repetiram no 1×0 sobre o Japão (Alex).

Nas quartas-de-final, Camarões saiu na frente com Patrick Mboma, golaço de falta aos 11 minutos. Geremi foi expulso aos 30 da etapa complementar, deixando os camaroneses com 10 atletas. Aos 48 do segundo tempo, Ronaldinho cobrou falta com categoria e empatou, 1×1. Camarões perdeu mais um jogador (Aaron Nguimbat expulso também) na prorrogação mas mesmo assim saiu com a vitória, gol de Mbami aos 11 minutos.

Um fiasco absoluto: o Brasil só empatou quando já tinha um jogador a mais. E conseguiu ser eliminado contando com dois atletas a mais em campo!

O sonho olímpico se esvaneceu. Ficaríamos sem nenhuma medalha de ouro naqueles Jogos Olímpicos, e o futebol mantinha sua rotina de fracassos, quase sempre como favorito. Pior: desta vez sem medalha no peito e com um pavoroso futebol apresentado durante todo o torneio.

Wanderley Luxemburgo, acossado por denúncias fora de campo e pelo fiasco olímpico, seria demitido logo depois.

Time-base: Hélton, Baiano, Álvaro, Fábio Bilica e Athirson; Marcos Paulo, Fabiano Costa, Fábio Aurélio e Alex; Ronaldinho e Edu.

Na decisão do bronze, os chilenos venceram os norte-americanos e levaram a medalha. O curioso é que o Chile só disputou a Olimpíada porque na última rodada da primeira fase do Pré-Olímpico de Londrina (ou seja: antes de eliminarem os favoritos argentinos), os chilenos se beneficiaram de uma humilhante goleada do Brasil de 9×0 sobre a Colômbia. Eles precisavam de pelo menos 7×0 para garantirem a vaga no saldo de gols, e isto acabou ocorrendo.

A final foi espetacular. A Espanha começou arrasadora e fez 2×0 ainda no primeiro tempo. Xavi fez 1×0 com menos de 80 segundos de jogo, e Mas os camaroneses, que até então não haviam conquistado medalha alguma em Olimpíadas, reagiram com gols de Amaya (contra) e Eto’o. A Espanha teve Gabri e José Mari expulsos ainda no tempo normal, mas segurou até os pênaltis.

Na decisão por penalidades máximas, com mais de 104 mil torcedores no estádio Olímpico de Sydney apoiando em sua maioria o time camaronês, Amaya completou sua desgraça final ao desperdiçar uma cobrança na trave. Então Pierre Wome converteu e Camarões conquistou a medalha de ouro, algo sensacional para uma paupérrima nação africana com uma mísera prata e outro bronze no boxe, em 1968 e 1984!

1996 - A incrível derrota de virada para a Nigéria

19 de agosto de 2008 4

O primeiro pesadelo africano aconteceu em Atlanta, 1996, Depois de perder para a Venezuela e ser eliminado ainda no Pré-Olímpico de 1992 (a CBF inventou Ernesto Paulo como treinador, erro que repetiria em 2004 com Ricardo Gomes e resultados igualmente ridículos), o Brasil enfim voltava aos Jogos Olímpicos para sua derrota mais dramática.

Com um time que contava jogadores do quilate de Bebeto, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, o time treinado por Zagallo mostrou muita fragilidade defensiva e já havia vacilado na primeira fase, perdendo por 1×0 para o Japão, em uma trapalhada antológica de Aldair e Dida.

Depois de vitórias complicadas contra Hungria e Nigéria, o Brasil goleou Gana nas quartas-de-final por 4×2. Parecia que o caminho estava retomado. Calouro na faculdade (fazia Ciência da Computação), eu saí correndo de casa para assistir este jogo. Cheguei em casa no intervalo…

Nas semis, o ótimo time nigeriano era novamente nosso adversário, em um time no qual brilhavam jogadores como Sunday Oliseh, Celestine Babayaro, Jay Okocha e Nwankwo Kanu. E foi o centroavante, que logo depois sofreu uma cirurgia no coração e quase não voltou aos gramados, nosso algoz naquela partida.

O Brasil saiu na frente com Flávio Conceição logo a um minuto, mas levou o empate com um gol contra de Roberto Carlos. Esta seria a primeira de suas três falhas em jogos decisivos, que se repetiriam na final do Mundial de 1998 e nas quartas-de-final da Copa de 2006).

Porém surpreendentemente, o time de Zagallo jogava muito bem e gols de Bebeto e Flávio Conceição (de novo!) abriram a vantagem e colocaram o Brasil praticamente classificado com 3×1 ainda no primeiro tempo. A Seleção empilhou chances perdidas na etapa complementar, enquanto a Nigéria ainda perdeu um pênalti quando Okocha chutou nas mãos de Dida.

Um jogador, entretanto, destoava depois de um fabuloso primeiro semestre pelo Palmeiras. Em jogo horroroso, Rivaldo perdeu a bola e cedeu o contra-ataque no qual saiu o gol de Vicktor Ikpeba, faltando 12 minutos. Nos acréscimos, uma falha bisonha de Dida deu a chance de Kanu selar o empate em 3×3 no tempo normal. Logo aos quatro minutos da “morte súbita”, o mesmo Kanu marcou e o Brasil deu adeus à medalha de ouro.


Bebeto, Rivaldo e Aldair (os “veteranos” acima de 23 anos) foram execrados pela imprensa e torcida. Zagallo balançou no cargo, mas não caiu. Ainda tivemos que “engolí-lo” até Zidane dar fim a “Era Zagallo” no comando do Brasil.

O time-base naquele torneio foi: Dida, Zé Maria, Aldair, Ronaldo Guiaro e Roberto Carlos; Zé Elias, Flávio Conceição, Juninho Paulista e Rivaldo; Bebeto e Ronaldo.

A zebra não tinha parado por aí. Na decisão, os nigerianos venceram a Argentina com um gol de Amunike no último minuto, conquistando a medalha de ouro ao vencer por 3×2. O time da Argentina tinha jogadores de quilate como Javier Zanetti, Nestor Sensini, Cláudio López e Hernán Crespo, mas foi igualmente batido pelo futebol rápido e técnico dos nigerianos. Vejam as escalações da final:

Nigéria: Dosu, Obaraku (61′ Oruma), West, Okechukwu, Babayaro, Oliseh, Ikpeba (74′ Amunike), Okocha (59′ Lawal), Babangida, Kanu, Amokachi.

Argentina: Cavallero, Zanetti, Ayala, Sensini, Chamot, Bassedas, Almeyda, Ortega, Morales (58′ Simeone), López, Crespo.

E assistam o compacto:

Os brasileiros se contentaram com o bronze, goleando Portugal por 5×0 e subindo ao pódio pela terceira vez em três competições. Como lembraram dois leitores, o Brasil se recusou a subir no pódio da decisão. Como o bronze saiu no dia anterior da final, os brasileiros receberam as medalhas em separado dos nigerianos e argentinos.

Mais um vexame para esta seleção arrogante que mereceu o resultado que teve…

VEJA TAMBÉM

Olimpíada de 1988 - A prata de Taffarel e Romário

18 de agosto de 2008 0

Na minha opinião, nossa melhor equipe e campanha olímpica em todos os tempos aconteceu há 20 anos. Em 1988 as regras para o futebol nos Jogos Olímpicos de Seul seguiam as mesmas de 1984: jogadores profissionais podiam jogar, mas somente se jamais tivessem disputado uma Copa do Mundo.

Medalha de Prata em Seul, 1988

Com um time veterano no Mundial de 1986, o Brasil chegou para a Olimpíada de Seul com uma equipe jovem, particularmente repleta de craques que se tornariam lendas em alguns anos. Três nomes despontavam: Romário, Bebeto e Taffarel, futuros heróis do tetracampeonato mundial em 1994. Na Alemanha Ocidental, um ‘tal’ Jurgen Klinsmann brilhou ao lado de Thomas Haessler e Karl-Heinz Rieddle.

A Itália tinha Mauro Tassotti, Andrea Carnevale e Gianluca Pagliuca, a União Soviética tinha Igor Dobrovolski e Alexei Mikhailichenko, enquanto a então unida Iugoslávia era dotada do futebol de Srecko Katanec, Davor Suker e Dragan Stojkovic, seu maior astro em todos os tempos. Os suecos Anders Limpar e Martin Dahlin, o nigeriano Rachid Yekini, o australiano Frank Farina (hoje treinador), o zambiano Kalusha Bwalya, o norte-americano Tab Ramos e o argentino Alfaro completavam os destaques individuais do torneio.

Como curiosidade trágica, seis dos 18 jogadores de Zâmbia mortos em um acidente aéreo no Gabão em 1993 jogaram nesta Olimpíada. A estrela Bwalya escapou pois chegaria em um vôo fretado para uma partida das Eliminatórias do Mundial de 1994. Esta história eu ainda não contei aqui

E o Brasil, que time estava escalado por Carlos Alberto Silva? O time brasileiro titular era mais ou menos este: Taffarel; Jorginho, André Cruz, Aloísio e Luís Carlos Winck (improvisado na esquerda). Ademir, Milton e Geovanni (Vasco); Romário, Careca Bianchesi (não confundir com o do Nápoli) e Edmar (depois Bebeto). Durante a competição, o técnico Carlos Alberto Silva firmou Andrade como titular, liberando os laterais para atacar e retirando o meia-atacante Careca (que jogou no Palmeiras e Cruzeiro).

Na primeira rodada, uma goleada na Nigéria com dois gols de Romário, um de Edmar e outro de Bebeto, 4×0. No segundo jogo, outra goleada sobre a Austrália com três gols de Romário. Na terceira partida, já classificado, o Brasil bateu a Iugoslávia por um 2×1 apertado, com direito a um golaço de falta de André Cruz.
Nas quartas-de-final, o Brasil superou a arquirrival Argentina por 1×0, com um gol do vascaíno Geovanni aos 31 do segundo tempo.
Até o momento, Taffarel só havia tomado um gol e era um dos destaques do time, ele que havia sido eleito o atleta do ano de 1987 e já era titular também da Seleção Brasileira principal. Na semifinal, contra a Alemanha Ocidental, o goleiro colorado começaria sua fama de pegador de pênaltis.
O Brasil saiu atrás do marcador com um gol de Holger Fach. Romário, faltando 10 minutos, empatou o jogo e levou para a prorrogação. Faltando 10 minutos, Taffarel defendeu um pênalti de Wolfgang, após falta de Geovanni em Klinsmann.
Naqueles tempos idos, eu morava em Normandia, Roraima, e minha mãe me ameaçou se não fosse para a aula. Obviamente os pais não sabem que nestes momentos as crianças não se concentram em nada. Eu só imaginava como estava o jogo, e lembro da professora da 4° série (Ivanilde, Ivonete?)passar berrando: “o Taffarel pegou dois, o Taffarel pegou dois e estamos na final!!!!”
Buenas, algazarra total entre os curumins macuxis, caboclos, um mineiro e dois gaúchos na Escola Municipal Castro Alves. Um deles, gaúcho fã do goleiro, loiro de olhos azuis como ele. No caso, eu.
A medalha de prata estava no bolso, mas o ouro era possível. Faltavam os temíveis soviéticos, daquela atemorizante CCCP bem grandona na camisa. Eu, bem abobado, disse pro pai que quando tivesse um filho ele se chamaria Mikhailichenko, o ucraniano que era a estrela do time deles. Meu pai olhou com uma cara abismada, afinal eu tinha 9 anos recém feitos e queria ter filhos com nome originado de sobrenome ucraniano? Tenha dó…
Ah, e o jogo: foi muito complicado, o Brasil saiu na frente com mais um gol de Romário mas não superou a forte marcação soviética, que jogava com velocidade e empatou com Dobrovolski, de pênalti. Na prorrogação, Savichev aproveitou err de André Cruz e fez 2×1 para a União Soviética, e não tivemos forças para reagir. Os soviéticos ficaram com o ouro pela terceira e última vez. E os brasileiros repetiam a prata de quatro anos antes.

Momento especial para Ademir Kaefer e Winck, únicos atletas brasileiros a ter duas medalhas de prata no futebol de campo (Bebeto tem uma prata e outro bronze). Taffarel e Romário saíram daqueles Jogos Olímpicos cientes que seu futuro era brilhante, e o ouro chegaria, de um jeito ou de outro…

E ele veio, no mesmo estádio que o Brasil foi prata em Los Angeles: o Rose Bowl no dia 17 de julho de 1994, nas mãos do então vice-presidente e hoje Prêmio Nobel da Paz, Al Gore. Mas isto é assunto para outro dia…

VEJA TAMBÉM

1984 - Inter representa Brasil e leva a prata!

18 de agosto de 2008 7

Em 1984, o Internacional havia conquistado o Torneio Heleno Nunes, organizado pela CBF. Porém pagou mico no Brasileirão e foi eliminado muito cedo, com um péssimo desempenho. O então novato técnico Jair Picerni, escalado pela CBF para comandar o time olímpico para os Jogos de Los Angeles, estava com dificuldades de acertar a equipe, repleta de jogadores isolados de outros times.

Medalha de Prata em Los Angeles

Um contato de Picerni e um “OK” da direção do Inter (depois da negativa do Fluminense, focado nas finais do Brasileiro), levaram 11 atletas colorados para os Jogos Olímpicos: o goleiro Gilmar, o lateral-esquerdo André Luís, os zagueiros Pinga e Mauro Galvão, os meias Tonho, Ademir Kaefer, Mílton Cruz, Paulo Santos e Dunga, e os atacantes Kita e Silvinho.

A chamada “Sele-Inter” partiu totalmente desacreditada. O curioso é que o time colorado tinha jogadores de alto nível. Atletas como Gilmar Rinaldi e Dunga foram campeões mundiais, enquanto outros como Mauro Galvão, Luís Carlos Winck e Aloísio conquistaram muitos títulos pelo Brasil e pelo Mundo. A eles, foi somado Gilmar Popoca, então destaque no Flamengo de Zico e que seria o melhor jogador da competição.

O Brasil começou bem, goleando a Arábia Saudita por 3×1 com gols de Gilmar, Silvinho e Dunga. Depois bateu Marrocos por 2×0, gols de Dunga e Kita. Contra a Alemanha Oriental, um duríssimo 1×0 que só saiu no finalzinho do jogo, através de Gilmar Popoca. Nas quartas-de-final, um 1×1 heróico diante do Canadá no tempo normal, gol salvador de Gilmar Popoca depois de Dale Mitchell abrir o marcador. Nos pênaltis, seu homônimo Gilmar Rinaldi pegaria duas cobranças e o Brasil estava nas semifinais!

Então o duríssimo adversário, a Itália campeã mundial e com jogadores do quilate de Walter Zenga, Aldo Serena, Franco Baresi e Franco Tancredi. Novamente Gilmar Popoca marcou o gol brasileiro aos oito minutos da etapa complementar, mas Pietro Fanna empatou dez minutos depois. Na prorrogação, o lateral-direito Ronaldo (então do Corinthians e que jogou no Grêmio), fez o gol da vitória. O Brasil conquistou assim sua primeira medalha olímpica no futebol!

Restava saber se seria de ouro ou prata, e o adversário na decisão seria a França, campeã européia dois meses antes. Na decisão, o time de Picerni não foi páreo para os franceses, que eram comandados por Henri Michel e tinha seis jogadores campeões da Eurocopa daquele ano. François Brisso e Daniel Xuereb marcaram os gols da vitória francesa para impressionantes 102 mil torcedores no Rose Bowl.

Medalha de Prata, o Brasil voltaria ao pódio na Olimpíada seguinte: em Seul. E novamente, um jogador do Internacional seria o protagonista disto…

VEJA TAMBÉM

Futebol Olímpico do Brasil: Los Angeles-84 até Sydney-2000

18 de agosto de 2008 0

Hoje e amanhã iremos contar a história da Seleção Brasileira de Futebol Masculino nas últimas quatro Olimpíadas. Das medalhas de prata de 1984 e 1988 em Los Angeles e Seul, passando pelas derrotas na morte-súbita contra Nigéria e Camarões, a saga do futebol olímpico brasileiro.

Craques como Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho, Taffarel entre outros obtiveram alegrias e tristezas mas nenhum foi capaz de levar o Brasil para a Medalha de Ouro inédita. Agora Dunga (ele mesmo medalhista de prata há 24 anos) está com a missão de liderar o time brasileiro para esta conquista. Se perder, deve deixar o comando da Seleção Brasileira.

Vencendo Camarões no último sábado por 2×0, o Brasil superou um trauma que já perdurava 12 anos em Jogos Olímpicos. Desde 1996, a Seleção Brasileira não conseguia vencer times africanos em uma Olimpíada. Foram três derrotas consecutivas para Nigéria, África do Sul e Camarões, e duas delas custaram o fim do sonho da medalha de ouro olímpica em 1996, nos Jogos de Atlanta, e 2000, nos Jogos de Sydney. A derrota contra a África do Sul foi na primeira fase da competição de oito anos atrás.

Amanhã vocês verão como estes desastres ocorreram, primeiro a derrota para os nigerianos em Atlanta em um jogo absolutamente ganho, e depois o fiasco contra os camaroneses em Sydney.

Hoje é dia dos melhores resultados brasileiros: as medalhas de prata em 1984 e 1988.

Confira ainda o que foi escrito sobre a Seleção Olímpica na “Era Dunga”:

Seleção Olímpica: em busca do ouro em Beijing – 28/11/2007

VEJA TAMBÉM

OPINIÃO: Os equívocos do Inter em 2007 e 2008

18 de agosto de 2008 4

2006 – Internacional campeão da América e do Mundo indiscutível.

Em 2007 a filosofia de futebol do Internacional ficou marcada por um erro grosseiro de avaliação do Fernando Carvalho, vitorioso presidente entre 2002 e 2006. Ele acreditava que apenas manter o time campeão do mundo era suficiente para manter o time no topo e deixou isto claro para Vittorio Piffero, seu sucessor. Ambos não identificaram deficiências críticas como a zaga para a Libertadores (perdeu Fabiano Eller e inscreveu Wílson, Ediglê, Rafael Santos e o lesionado Índio na Libertadores), tampouco reservas acomodados, como Rubens Cardoso, Michel, Adriano Gabiru, Perdigão, Élder Granja, entre outros.

Para piorar, o fato do Internacional não ter tido as férias adequadas somado ao erro de colocar titulares em jogos desgastantes do Gauchão (nos quais tivemos várias lesões), custou muito no primeiro semestre. 

Com Abel de soberano do vestiário e sem contestações internas, ninguém da diretoria questionou suas absurdas decisões de Adriano Gabiru e Michel como titulares do meio-campo em um jogo decisivo contra o Vélez Sarsfield em Buenos Aires, um esquema que tinha sido usado em 3 jogos e obtido dois resultados muito ruins. Sem contar Christian no ataque nos dois jogos contra o mesmo Vélez. Alexandre Pato ficou no banco e Christian conseguiu a proeza de ser expulso no segundo jogo, em pleno Beira-Rio. O Inter foi eliminado da Libertadores ainda na primeira fase, e repetiu o fiasco no Gauchão.

Para o segundo semestre, veio Gallo e um time novo, repleto de pernas-de-pau do porte de Mineiro, Douglão, Luciano Henrique e Magal. Isto somado a um vestiário minado por velhas lideranças e uma instabilidade tática e emocional incrível do treinador novato deixou o time em uma posição ruim. Gallo foi demitido na penúltima rodada do turno, o Inter estava na “zona da marola”, perto do inferno e do céu mas sem ter nada na prática.

Abel voltou, vários reforços de mais qualidade vieram (Nilmar, Sorondo, Guiñazu, Magrão vieram neste lote) mas seu discurso cansado não surtiu efeito a longo prazo. O Colorado continuou fiasquento fora de casa e a Libertadores ficou muito longe. O resultado óbvio foi um medíocre 11° lugar, seu pior em 5 anos.

Em 2008, os erros se repetiram com novamente Abel totalmente no comando do vestiário. O que é pior, pois a diretoria simplesmente repetiu os mesmos erros de 2007.

Treinos eram um elemento raro e o resultado físico dos atletas segue ridículo até o meio do ano. O novo preparador físico só poderá colocar o time em um nível minimamente aceitável em setembro. Já se foi um turno, e a terceira folha salarial do futebol brasileiro não fica no G-4 há exatas 58 rodadas. Ou seja: desde que foi vice-campeão em 2006.

Times com folhas salariais irrisórias como Coritiba, Sport e Vitória estão obtendo resultados muito superiores ao Colorado. Isto sem contar o Grêmio, também com um time bem menos “estelar” e que apostou em uma filosofia de futebol coerente com os atletas que tinha, sem grandes desequilíbrios no elenco. Está obtendo resultados excepcionais, a melhor campanha de pontos corridos de todos os tempos. E abissais 18

Postado por Perin, externando suas opiniões sobre o Inter…