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Posts do dia 19 dezembro 2008

Livros sobre futebol: "Febre de Bola", parte II

19 de dezembro de 2008 3

Um trecho que eu acho sensacional no livro “Febre de Bola” do autor inglês Nick Hornby será citado abaixo. Me identifico muito com ele, no capítulo: “ADEUS ÀQUILO TUDO – Arsenal vs. Manchester City -04/10/1975″.

Nesta época, com 18 anos, Hornby via um time fraco do Arsenal, sem seus ídolos de infância e com futuras estrelas no início de carreira. Sua desilusão era grande, poucos jogos no estádio e um mundo novo pré-universidade: amigos intelectuais, novas leituras, uma música diferente. No jogo citado acima, ele levou seu primo Michael, de 13 anos, sofrer em uma derrota de 3×2 para o time visitante.

“ADEUS ÀQUILO TUDO – Arsenal vs. Manchester City -04/10/1975″.

“(…)Sentado ali, percebi que para mim tudo aquilo, o lance todo de Highbury, já era. Eu não precisava mais daquilo. É claro que foi triste, porque aqueles seis ou sete anos haviam sido muito importantes para mim, haviam salvo a minha vida de várias maneiras; mas chegara a hora de ir em frente, de realizar meu potencial acadêmico e romântico, de deixar o futebol para quem tivesse um gosto menos sofisticado ou menos desenvolvido (…)

Não mencionei nada para meu tio nem para Michael(…), mas quando saímos do estádio fiz uma despedida particular e sentimental. (…)Minha infância estava morrendo, de form limpa e decende, e se você não consegue lamentar direito uma perda de tal ressonância, o que é que consegue lamentar? Aos 18 anos de idade, eu finalmente crescera. A vida adulta não podia comportar o tipo de obsessão com o qual eu vinha convivendo, e se tivesse que sacrificar Terry Mancini ou Peter Simpson para poder comprender Camus adequadamente e dormir com um monte de alunas de arte nervosas, neuróticas e vorazes, que assim fossse. A vida estava prestes a começar, de modo que o Arsenal tinha que partir(…)

FIM DE CAPÍTULO

MINHA SEGUNDA INFÂNCIA – Arsenal vs. Bristol City – 21/08/1976″ -

“Acabou que minha frieza em relação a tudo que dizia respeito ao Arsenal não tinha nada a ver com ritos de passagem, garotas, Jean-Paul Sartre ou Van Morrison, e muito a ver com a incompetência da dupla de ataque Kidd/Stapleton. Quando Mertie Mee pediu demissão em 1976 e seu substituto Terry Neill trouxe Malcolm MacDonald do Newcastle por £ 333.333, minha devoção ressucitou misteriosamente, e no começo da nova temporada lá estava eu de volta a Highbury, tão estupidamente otimista com o clube e tão faminto para ver um jogo quanto no começo dos anos 70, quando minha obsessão antigira um pique febril. Se eu estivesse certo ao presumir anteriormente que minha indiferença demarcava a chegada da maturidade, então esta maturidade durara apenas dez meses, e à idade de 19 anos eu já estava na minha segunda infância…”

Ao longo da infância e da adolescência, todo o torcedor fanático passa por estas fases. Quer se desligar do futebol. Mas isto é uma droga, da qual não podemos nos separar. Relacionamentos passam, alguns ficam. Mas a paixão por seu time vem desde criança, e não muda.

Eu sou assim. Futebol está no meu sangue. As pessoas me entendem, ou não. Me compram assim mesmo.

É um vício. Eterno. Sem cura.

Postado por Perin, fechando a seção literária no Almanaque