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Posts do dia 14 janeiro 2009

Melhores aproveitamentos em Brasileiro, parte II

14 de janeiro de 2009 5

Guarani de 1978, um dos melhores da história. Também, com Careca...
Semana passada mostramos as melhores campanhas dos times campeões em Campeonatos Brasileiros, considerando-se um critério único de aproveitamento. Hoje a idéia é mostrar um critério que valorize as diferentes formas de regulamento.

Isto porque evidentemente é mais interessante hoje em dia uma vitória e uma derrota que dois empates, o que não acontecia até 1994. Além disto, entre 1975 e 1978, times que obtinham vitórias por dois ou mais gols de diferença, ganhavam pontos extras de aproveitamento.

Finalizando, na confusão chamada Copa União de 1988, o regulamento era uma baderna. Vitória no tempo normal somavam 3 pontos para o vencedor, zero para o derrotado. Em caso de empates, uma disputa de pênaltis com 2 pontos para o vencedor e um para o derotado.

Porém o mais estranho é que isto só valia para a primeira fase. Na segunda fase, também de grupos, os critérios eram os normais da época: dois pontos por vitória, 1 por empate e zero para derrota.

O mesmo valia para os mata-matas, nos quais os times de melhor campanha tinham a vantagem de jogar pelo empate na prorrogaçãoem caso de igualdade de resultados após os jogos de ida e volta. Exemplo: 1×1 e 3×3, o time que jogava em casa o segundo jogo podia empatar na prorrogação para se sagrar campeão.

Feitas estas considerações, vamos aos dados. Vale ressaltar que o mesmo time tem o melhor aproveitamento nos dois critérios que usei aqui. De fato, o Internacional de 1976 era especial: venceu 19 de 23 jogos, com 15 vitórias ganhando ponto-extra. Fez tantos pontos extras que fez mais do que 100% de aproveitamento, mostrando o quanto aquele time era superior aos demais.

Foi o melhor ataque, a segunda melhor defesa (mesmo com quatro jogos a mais que a melhor), e o melhor saldo. Teve o melhor jogador (Figueroa), o artilheiro (Dario), e quatro jogadores na seleção do torneio (o goleiro Manga, o zagueiro Figueroa e os ponteiros Valdomiro e Lula).

Vejam os dados do novo critério:

Vejam os dados do novo critério:

# Ano Campeão P J V E D PE % Relativo
1976 Internacional 54 23 19 1 3 15 117%
1978 Guarani 54 32 20 8 4 14 97%
1975 Internacional 58 30 19 8 3 12 97%
1977 São Paulo 39 21 13 4 4 9 93%
1979 Internacional 39 23 17 6 0 N/A 87%
1993 Palmeiras 36 22 16 4 2 N/A 82%
1982 Flamengo 36 23 15 6 2 N/A 78%
1973 Palmeiras 65 40 25 12 3 N/A 78%
1980 Flamengo 34 22 14 6 2 N/A 77%
10° 1984 Fluminense 39 26 15 9 2 N/A 75%
11° 2003 Cruzeiro 100 46 31 7 8 N/A 72%
12° 1994 Palmeiras 46 31 20 6 5 N/A 71%
13° 1997 Vasco da Gama 70 33 21 7 5 N/A 71%
14° 1972 Palmeiras 42 30 16 10 4 N/A 70%
15° 1986 São Paulo 47 34 17 13 4 N/A 69%
16° 1989 Vasco da Gama 26 19 9 8 2 N/A 68%
17° 2006 São Paulo 78 38 22 12 4 N/A 68%
18° 1999 Corinthians 59 29 18 5 6 N/A 68%
19° 1988 Bahia 52 29 13 11 5 4 68%
20° 2001 Atlético-PR 63 31 19 6 6 N/A 68%
21° 2007 São Paulo 77 38 23 8 7 N/A 67%
22° 1991 São Paulo 31 23 12 7 4 N/A 67%
23° 1983 Flamengo 35 26 14 7 5 N/A 67%
24° 2008 São Paulo 75 38 21 12 5 N/A 66%
25° 1981 Grêmio 28 23 14 2 7 N/A 65%
26° 2004 Santos 89 46 27 8 11 N/A 64%
27° 1974 Vasco da Gama 36 28 12 12 4 N/A 64%
28° 2005 Corinthians 81 42 24 9 9 N/A 64%
29° 1990 Corinthians 32 25 12 8 5 N/A 64%
30° 1998 Corinthians 61 32 18 7 7 N/A 63%
31° 1987 Flamengo 24 19 9 6 4 N/A 63%
32° 1971 Atlético-MG 34 27 12 10 5 N/A 63%
33° 1995 Botafogo 51 27 14 9 4 N/A 63%
34° 1992 Flamengo 32 27 12 8 7 N/A 59%
35° 2002 Santos 54 31 16 6 9 N/A 58%
36° 2000 Vasco da Gama 54 32 15 9 8 N/A 56%
37° 1996 Grêmio 48 29 14 6 9 N/A 55%
38° 1985 Coritiba 31 29 12 7 10 N/A 53%

A falência do futebol carioca, parte III

14 de janeiro de 2009 8

Três craques e um time horroroso em 95, sintetizando os últimos 15 anos do Flamengo...

Segunda-feira começamos uma análise sobre os problemas que o futebol carioca sofreu na última década, em última instância desde meados dos anos 90. Ontem analisamos Botafogo e Fluminense, hoje é a vez dos mais populares Vasco da Gama e Flamengo. Vamos a eles?

VASCO DA GAMA

Sem dúvida, o time mais vitorioso do futebol carioca nos últimos 20 anos. Conquistou três Brasileirões, um em cada década (89, 97 e 2000), uma Libertadores (1998), uma Copa Mercosul em uma histórica final contra o Palmeiras (2000) e se manteve sempre no grupo de elite do futebol nacional até 2001.

Desde então, o time de São Januário se afundou em uma forte crise financeira (é um dos clubes que mais devem no Brasil, ao lado de Flamengo, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG), esqueceu as categorias de base, mantendo times fracos por anos consecutivos. Para completar, caiu para a Segunda Divisão em 2008, fechando um ciclo de cinco anos sem títulos desde o Estadual de 2003.

Depois de ser campeão brasileiro em 1997, da Libertadores em 1998 (sendo um dos poucos times a escapar da maldição do “CenteNADA“), e novamente do Brasileiro em 2000 (ganhando de brinde uma histórica Copa Mercosul no mesmo ano, com direito a virada antológica sobre o Palmeiras).

Sempre contando com estrelas do quilate de Romário, Edmundo, Evair, Viola, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Mauro Galvão, entre outros, o Vasco viu seus tempos de riqueza acabarem no ano seguinte.

O parceiro Bank of America, que assinou contrato em 1998 (‘estranhamente’ um contrato só apresentado ao Conselho em 1999), e que investiu R$ 193 milhões, rescindiu  alegando péssima gestão e desvios de verbas por parte dos dirigentes do time carioca. Eurico Miranda, no comando de fato do clube há quase 20 anos, também sofreu várias acusações na Justiça e foi ameaçado de cassação na Câmara de Deputados. Eventualmente, em 2006, ele e outros ex-dirigentes vascaínos foram condenados por apropriação indébita, processo que ainda corre na Justiça.

Desde então, uma realidade sem dinheiro e sem jogadores, já que perdeu várias estrelas por atrasos salariais ou de depósitos do FGTS. De lá para cá, as péssimas colocações no Brasileiro resumem tudo: 11°, 15°, 17°, 16° e 12° entre 2001 e 2005, com um ótimo 6° lugar em 2006 (mas que teria sido 5° se tivesse vencido na última rodada, se classificando para a Libertadores), recaindo para 10° em 2007 e culminando com o rebaixamento na temporada atual. Um título somente, o Carioca de 2003.

Com um time ridículo mais uma vez em 2008, o Vasco trocou de presidente no meio do campeonato e o que estava ruim, piorou. Depois de muita luta dentro e fora do clube, a Oposição comandada pelo ex-craque Roberto Dinamite venceu.

Ela pegou um time fraco, piorando ao contratar um treinador inexperiente e sem resultados (Tita), mantendo o mesmo por tempo demasiado. No final, apelou Renato Gaúcho, que até melhorou o time mas tarde demais para evitar um rebaixamento quase inexorável, diante de tamanha deficiência.

Sem dinheiro para 2009, o Vasco teve de renovar totalmente o elenco, apostando em muitos garotos e jogadores desconhecidos. É o time carioca em pior perspectiva, especialmente por já ter adiantado a verba de TV e ter a mesma reduzida devido ao rebaixamento.

Anos sombrios para o Clube de Regatas Vasco da Gama. Mas que podem marcar o renascimento do clube…

FLAMENGO

Nada mais rubro-negro que sua vida de ‘montanha russa’ nos últimos anos. O clube cercado pelos exageros (maior torcida do país, maior exposição de mídia, mais títulos brasileiros até 2000), viveu anos repletos de títulos menores mas fiascos estrondosos.

Empurrado por dinheiro a rodo da multinacional de marketing esportivo ISL, o clube manteve entre 2000 e 2001 a política de “galáticos” iniciada em 1995 quando o ex-radialista Kléber Leite contratou Sávio, Romário e Edmundo para o “melhor ataque do mundo”. Porém, de resultados pífios excetuando-se os Estaduais que completaram um tricampeonato com direito a três vices do arquirrival Vasco da Gama.

A falência da ISL no início de 2001 (que também afetou a história do Grêmio) foi seguida pela saída do presidente Edmundo Santos Silva, acusado de corrupção em 2002.

Sérios problemas na Justiça Trabalhista, salários atrasados, dívidas enormes com jogadores, clubes e administrações perdulárias por 20 anos deixaram o Flamengo com a maior dívida do país, em todos os aspectos (curto, longo prazo, trabalhista, previdenciária, etc). Sem dinheiro, o clube depende de vendas de atletas e das cotas de TV, contando com um quadro social ínfimo perto do patrimônio que tem de 30 milhões de torcedores.

Sendo assim, o Fla dos últimos anos conquistou inúmeros títulos: seis estaduais (incluindo um histórico tricampeonato entre 99 e 2001), uma Copa Mercosul em 1999, uma Copa dos Campeões em 2002 e uma Copa do Brasil em 2006.

Porém isto não faz jus aos investimentos e expectativas dos torcedores do “Mengão“: somente em 2007 o Fla ficou entre os 3 primeiros do Brasileirão (depois de ficar muito tempo na zona de rebaixamento), e fiascos estrondosos ainda abalam a memória da torcida.

Vexames do porte de perder uma Copa do Brasil em pleno Maraca para o inexpressivo Santo André (2004), ser eliminado da Libertadores na primeira fase (2003) ou dar adeus ao sonho do bi da América depois de tomar 3×0 do modestíssimo Defensor-URU (2007). Isto sem contar as ameaças de rebaixamento em 2001, 2002, 2004, 2005 e 2007 no Campeonato Brasileiro.

Sem uma definição de filosofia de futebol, com elencos reduzidos e muitas deficiências em outras posições, o Flamengo nunca conseguiu aliar seus craques (e não foram poucos, do porte de Petkovic, Alex, Júlio César, Juan, Adriano, Edílson e Denílson), a times multicampeões. 

Para piorar, muitos dirigentes sem comando no grupo, submissos à ‘guerra de vaidades’ e incompetentes sobretudo na manutenção dos salários e premiações em dia. Só que tropeços no futebol acontecem. Mesmo clubes estruturados e ricos acabam anos sem ganhar títulos, perdendo jogos inexplicáveis.

Porém no Flamengo, o clube de maior exposição de mídia no Brasil, tudo é superlativo. A influência de dirigentes, os erros em contratos, conexões nebulosas de alguns dirigentes com empresários. Um exemplo: em 2006 Ibson renovou, ganhou aumento mas o contrato que expirava naquele ano não aumentou, expliquem por favor….

Frases mal colocadas na imprensa, declarações bombásticas e acima de tudo: FALTA DE PROFISSIONALISMO. Está tudo muito bem e de repente acontece uma crise, a maionese desanda, a pressão aumenta e o caos é criado.

O clube evoluiu a partir de 2006, quando o veterano ex-presidente Márcio Braga foi eleito novamente, com Kléber Leite de dirigente no futebol, mas o Flamengo ainda deve muito. Continua formando craques, mas não consegue manter os mesmos, vendê-los por valores expressivos. Seus dirigentes usam mal a imprensa, exagerando nas provocações ou frases fora do contexto.

A diretoria perde tempo em tentativas contratações complexas, a maioria fracassadas, (depois de meses tentando Ronaldo, o Fla anunciou com estardalhaço que queria Adriano…). Isto atrasa a formação do time, cabendo no final buscar apenas jogadores de segundo nível e ‘sobras de mercado’. Para completar, cedem às pressões do ‘baixo clero’ e de líderes de organizadas, demitindo bons técnicos ou minando sua posição até que a mesma fique insustentável.

O ano de 2008 talvez sintetize o Flamengo desde 1995: ganhou o Estadual (30°, se igualando ao Fluminense) e dava show na Libertadores. O técnico Joel Santana(com ótimo retrospecto após levar o Fla da lanterna ao 3° posto em 2007) aceita um irrecusável convite para treinar a África do Sul no Mundial de 2010 e em seu antepenúltimo jogo enfia 4×2 no América do México. No México!

No jogo de volta, apresentação do novo técnico Caio Júnior e um clima de festa total no Maracanã, o clássico ‘já ganhou’. Pronto, tudo certinho para uma festa.

Que nada, um apático e desligado Flamengo leva dois gols, acorda para o jogo, fica nervoso, perde um zilhão de gols e acaba levando outro no 2° tempo. Fim de jogo, América 3×0 em pleno Maracanã e uma inexplicável eliminação, causando revolta e tumulto e uma crise sem precedentes depois de um fiasco histórico.Vejam o compacto do ‘Maracanazo’:


No Brasileiro o time se reequilibra e assume a liderança isolada. Mas, em uma tacada só, a diretoria vende os três atacantes e demora muito para repor (e em qualidade altamente discutível).

Quando o time se acha, o título ficou distante mas a Libertadores está próxima, e um jogo decisivo contra o fraco Atlético-MG no Maraca se avizinha. Dois dias antes, o presidente Márcio Braga (que em 2005 provocou Carlos Tévez e levou dois gols na labuta) dispara: “se ganharmos, seremos campeões“. Beleza, 81 mil torcedores assistem um passeio e 3×0 inapeláveis… Para o Galo Mineiro!

Novamente a crise assola a Gávea, dirigentes se explicam, Caio Júnior fica em posição ruim. Poréms os resultados paralelos são excelentes, o time humilha o concorrente Palmeiras por 5×2 em casa e até o título volta a ser palpável.

Então, a penúltima tragédia do ano: está vencendo o Goiás por 3×0 e cede o empate em casa. O último ato seria na rodada final, quando levo uma goleada em jogo que poderia ter classificado-se para a Libertadores se vencesse o Atlético-PR.
Este é o Flamengo, o time mais instável e imprevisível do país. Com potencial para se tornar uma potência continental do porte de Boca Juniors.

Mas dotado de uma capacidade de arrumar problemas que tem se mostrado maior que tudo isto…

SÉRIE COMPLETA:

A falência do futebol carioca, parte I

A falência do futebol carioca, parte II – Botafogo e Flu

A falência do futebol carioca, parte III – Flamengo e Vasco da Gama

A falência do futebol carioca, parte IV – Os erros

A falência do futebol carioca, final – O futuro