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A falência do futebol carioca, parte III

14 de janeiro de 2009 8

Três craques e um time horroroso em 95, sintetizando os últimos 15 anos do Flamengo...

Segunda-feira começamos uma análise sobre os problemas que o futebol carioca sofreu na última década, em última instância desde meados dos anos 90. Ontem analisamos Botafogo e Fluminense, hoje é a vez dos mais populares Vasco da Gama e Flamengo. Vamos a eles?

VASCO DA GAMA

Sem dúvida, o time mais vitorioso do futebol carioca nos últimos 20 anos. Conquistou três Brasileirões, um em cada década (89, 97 e 2000), uma Libertadores (1998), uma Copa Mercosul em uma histórica final contra o Palmeiras (2000) e se manteve sempre no grupo de elite do futebol nacional até 2001.

Desde então, o time de São Januário se afundou em uma forte crise financeira (é um dos clubes que mais devem no Brasil, ao lado de Flamengo, Corinthians, Grêmio e Atlético-MG), esqueceu as categorias de base, mantendo times fracos por anos consecutivos. Para completar, caiu para a Segunda Divisão em 2008, fechando um ciclo de cinco anos sem títulos desde o Estadual de 2003.

Depois de ser campeão brasileiro em 1997, da Libertadores em 1998 (sendo um dos poucos times a escapar da maldição do “CenteNADA“), e novamente do Brasileiro em 2000 (ganhando de brinde uma histórica Copa Mercosul no mesmo ano, com direito a virada antológica sobre o Palmeiras).

Sempre contando com estrelas do quilate de Romário, Edmundo, Evair, Viola, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Mauro Galvão, entre outros, o Vasco viu seus tempos de riqueza acabarem no ano seguinte.

O parceiro Bank of America, que assinou contrato em 1998 (‘estranhamente’ um contrato só apresentado ao Conselho em 1999), e que investiu R$ 193 milhões, rescindiu  alegando péssima gestão e desvios de verbas por parte dos dirigentes do time carioca. Eurico Miranda, no comando de fato do clube há quase 20 anos, também sofreu várias acusações na Justiça e foi ameaçado de cassação na Câmara de Deputados. Eventualmente, em 2006, ele e outros ex-dirigentes vascaínos foram condenados por apropriação indébita, processo que ainda corre na Justiça.

Desde então, uma realidade sem dinheiro e sem jogadores, já que perdeu várias estrelas por atrasos salariais ou de depósitos do FGTS. De lá para cá, as péssimas colocações no Brasileiro resumem tudo: 11°, 15°, 17°, 16° e 12° entre 2001 e 2005, com um ótimo 6° lugar em 2006 (mas que teria sido 5° se tivesse vencido na última rodada, se classificando para a Libertadores), recaindo para 10° em 2007 e culminando com o rebaixamento na temporada atual. Um título somente, o Carioca de 2003.

Com um time ridículo mais uma vez em 2008, o Vasco trocou de presidente no meio do campeonato e o que estava ruim, piorou. Depois de muita luta dentro e fora do clube, a Oposição comandada pelo ex-craque Roberto Dinamite venceu.

Ela pegou um time fraco, piorando ao contratar um treinador inexperiente e sem resultados (Tita), mantendo o mesmo por tempo demasiado. No final, apelou Renato Gaúcho, que até melhorou o time mas tarde demais para evitar um rebaixamento quase inexorável, diante de tamanha deficiência.

Sem dinheiro para 2009, o Vasco teve de renovar totalmente o elenco, apostando em muitos garotos e jogadores desconhecidos. É o time carioca em pior perspectiva, especialmente por já ter adiantado a verba de TV e ter a mesma reduzida devido ao rebaixamento.

Anos sombrios para o Clube de Regatas Vasco da Gama. Mas que podem marcar o renascimento do clube…

FLAMENGO

Nada mais rubro-negro que sua vida de ‘montanha russa’ nos últimos anos. O clube cercado pelos exageros (maior torcida do país, maior exposição de mídia, mais títulos brasileiros até 2000), viveu anos repletos de títulos menores mas fiascos estrondosos.

Empurrado por dinheiro a rodo da multinacional de marketing esportivo ISL, o clube manteve entre 2000 e 2001 a política de “galáticos” iniciada em 1995 quando o ex-radialista Kléber Leite contratou Sávio, Romário e Edmundo para o “melhor ataque do mundo”. Porém, de resultados pífios excetuando-se os Estaduais que completaram um tricampeonato com direito a três vices do arquirrival Vasco da Gama.

A falência da ISL no início de 2001 (que também afetou a história do Grêmio) foi seguida pela saída do presidente Edmundo Santos Silva, acusado de corrupção em 2002.

Sérios problemas na Justiça Trabalhista, salários atrasados, dívidas enormes com jogadores, clubes e administrações perdulárias por 20 anos deixaram o Flamengo com a maior dívida do país, em todos os aspectos (curto, longo prazo, trabalhista, previdenciária, etc). Sem dinheiro, o clube depende de vendas de atletas e das cotas de TV, contando com um quadro social ínfimo perto do patrimônio que tem de 30 milhões de torcedores.

Sendo assim, o Fla dos últimos anos conquistou inúmeros títulos: seis estaduais (incluindo um histórico tricampeonato entre 99 e 2001), uma Copa Mercosul em 1999, uma Copa dos Campeões em 2002 e uma Copa do Brasil em 2006.

Porém isto não faz jus aos investimentos e expectativas dos torcedores do “Mengão“: somente em 2007 o Fla ficou entre os 3 primeiros do Brasileirão (depois de ficar muito tempo na zona de rebaixamento), e fiascos estrondosos ainda abalam a memória da torcida.

Vexames do porte de perder uma Copa do Brasil em pleno Maraca para o inexpressivo Santo André (2004), ser eliminado da Libertadores na primeira fase (2003) ou dar adeus ao sonho do bi da América depois de tomar 3×0 do modestíssimo Defensor-URU (2007). Isto sem contar as ameaças de rebaixamento em 2001, 2002, 2004, 2005 e 2007 no Campeonato Brasileiro.

Sem uma definição de filosofia de futebol, com elencos reduzidos e muitas deficiências em outras posições, o Flamengo nunca conseguiu aliar seus craques (e não foram poucos, do porte de Petkovic, Alex, Júlio César, Juan, Adriano, Edílson e Denílson), a times multicampeões. 

Para piorar, muitos dirigentes sem comando no grupo, submissos à ‘guerra de vaidades’ e incompetentes sobretudo na manutenção dos salários e premiações em dia. Só que tropeços no futebol acontecem. Mesmo clubes estruturados e ricos acabam anos sem ganhar títulos, perdendo jogos inexplicáveis.

Porém no Flamengo, o clube de maior exposição de mídia no Brasil, tudo é superlativo. A influência de dirigentes, os erros em contratos, conexões nebulosas de alguns dirigentes com empresários. Um exemplo: em 2006 Ibson renovou, ganhou aumento mas o contrato que expirava naquele ano não aumentou, expliquem por favor….

Frases mal colocadas na imprensa, declarações bombásticas e acima de tudo: FALTA DE PROFISSIONALISMO. Está tudo muito bem e de repente acontece uma crise, a maionese desanda, a pressão aumenta e o caos é criado.

O clube evoluiu a partir de 2006, quando o veterano ex-presidente Márcio Braga foi eleito novamente, com Kléber Leite de dirigente no futebol, mas o Flamengo ainda deve muito. Continua formando craques, mas não consegue manter os mesmos, vendê-los por valores expressivos. Seus dirigentes usam mal a imprensa, exagerando nas provocações ou frases fora do contexto.

A diretoria perde tempo em tentativas contratações complexas, a maioria fracassadas, (depois de meses tentando Ronaldo, o Fla anunciou com estardalhaço que queria Adriano…). Isto atrasa a formação do time, cabendo no final buscar apenas jogadores de segundo nível e ‘sobras de mercado’. Para completar, cedem às pressões do ‘baixo clero’ e de líderes de organizadas, demitindo bons técnicos ou minando sua posição até que a mesma fique insustentável.

O ano de 2008 talvez sintetize o Flamengo desde 1995: ganhou o Estadual (30°, se igualando ao Fluminense) e dava show na Libertadores. O técnico Joel Santana(com ótimo retrospecto após levar o Fla da lanterna ao 3° posto em 2007) aceita um irrecusável convite para treinar a África do Sul no Mundial de 2010 e em seu antepenúltimo jogo enfia 4×2 no América do México. No México!

No jogo de volta, apresentação do novo técnico Caio Júnior e um clima de festa total no Maracanã, o clássico ‘já ganhou’. Pronto, tudo certinho para uma festa.

Que nada, um apático e desligado Flamengo leva dois gols, acorda para o jogo, fica nervoso, perde um zilhão de gols e acaba levando outro no 2° tempo. Fim de jogo, América 3×0 em pleno Maracanã e uma inexplicável eliminação, causando revolta e tumulto e uma crise sem precedentes depois de um fiasco histórico.Vejam o compacto do ‘Maracanazo’:


No Brasileiro o time se reequilibra e assume a liderança isolada. Mas, em uma tacada só, a diretoria vende os três atacantes e demora muito para repor (e em qualidade altamente discutível).

Quando o time se acha, o título ficou distante mas a Libertadores está próxima, e um jogo decisivo contra o fraco Atlético-MG no Maraca se avizinha. Dois dias antes, o presidente Márcio Braga (que em 2005 provocou Carlos Tévez e levou dois gols na labuta) dispara: “se ganharmos, seremos campeões“. Beleza, 81 mil torcedores assistem um passeio e 3×0 inapeláveis… Para o Galo Mineiro!

Novamente a crise assola a Gávea, dirigentes se explicam, Caio Júnior fica em posição ruim. Poréms os resultados paralelos são excelentes, o time humilha o concorrente Palmeiras por 5×2 em casa e até o título volta a ser palpável.

Então, a penúltima tragédia do ano: está vencendo o Goiás por 3×0 e cede o empate em casa. O último ato seria na rodada final, quando levo uma goleada em jogo que poderia ter classificado-se para a Libertadores se vencesse o Atlético-PR.
Este é o Flamengo, o time mais instável e imprevisível do país. Com potencial para se tornar uma potência continental do porte de Boca Juniors.

Mas dotado de uma capacidade de arrumar problemas que tem se mostrado maior que tudo isto…

SÉRIE COMPLETA:

A falência do futebol carioca, parte I

A falência do futebol carioca, parte II – Botafogo e Flu

A falência do futebol carioca, parte III – Flamengo e Vasco da Gama

A falência do futebol carioca, parte IV – Os erros

A falência do futebol carioca, final – O futuro

Comentários (8)

  • Marcelo T. Gedoz diz: 14 de janeiro de 2009

    Matérias excelentes sobre a crise no futebol carioca. Só uma ressalva: Tu afirmas que em 2007 o flamengo ficou em terceiro, e logo adiante dizes que sofreu ameaça de rebaixamento neste mesmo ano…

  • Samuel Sérgio Ritter diz: 14 de janeiro de 2009

    Quero que o futebol carioca leve ferro mesmo. Sempre recebem ajuda de arbitragem e a imprensa supervaloriza seus jogadores.

  • Guilherme diz: 15 de janeiro de 2009

    O Fluminense NÃO É AJUDADO pelas arbitragem.

    NUNCA VOU ESQUECER 1992!

    E o Hector Baldassi, este ano???

  • Marcelo Tiarajú Gedoz diz: 15 de janeiro de 2009

    Se, ser carioca (cosmopolita), é o que testemunhamos na TV diariamente, agradeço a Deus por ser caipira, e Ele permita que eu nunca mude!

  • Ednei diz: 14 de janeiro de 2009

    Mais uma vez, esses são os times saudados e aplaudidos pela imprensa do centro do país, que esconde com sua hipocrisia todas essas falcatruas e más administrações, escondendo assim dos seus próprios torcedores a verdade a respeito de seus clubes do coração e talvez criando muito do clima de guerra que se instala entre a torcida e o time… Por insinuar uma realidade que não existe. Tbm não dá direito a essas quadrilhas que acham que por torcerem tem o direito de cobrar com violência alguma coisa

  • Guilherme Ferreira diz: 14 de janeiro de 2009

    FALTA DE ASSUNTO É FODA!!!! FALÊNCIA DO FUTEBOL CARIOCA!!! ESTE SERÁ O PRIMEIRO COMENTÁRIO DESTE BLOG …. E JÁ ESTAMOS NA PARTE III….HAHAHAHA…..COMÉDIA…HAHAHA! O texto está bem escrito…..mas o assunto é uma bosta…..hahaha.

  • Bento Sollaris diz: 14 de janeiro de 2009

    Falta do q falar, mais uma imensa inveja da cidade maravilhosa e todo o seu fascínio, mais a falta de um chefe de redação competente aí neste site imitador do G1 – só q lido por 50 panacas caipiras – dão nisto. Uma série inútil e chupinhada do google, para agradar a uma dúzia de recalcados miseráveis q nunca tiveram meios para conhecer o Rio e suas belezas.

     

    EDITADO: removi as ofensas inúteis e supérfulas. Deixei espaço para o resto, pois democracia é algo que ainda não foi revogado. P.S. conheço o Rio, adoro a cidade e o povo, felizmente não representado por pessoas com a postura que demonstrastes…

  • José Marconi diz: 24 de janeiro de 2009

    Sou Carioca e moro em Floripa. Ví a geração de Zico e cia, transformar em campo o que todos já sabiam, o Flamengo era (e tem potencial pra voltar a ser) a maior potência das americas e um dos maiores do mundo. Porém, infelizmente, os nosso dirigentes pensam mto pequeno e apenas em seus ganhos pessoais.

    Nos anos 80, fui no Maraca assistir o nosso Banguzinho ser vice do brasileiro e o Ameriquinha ser 3 colocado. Já fizemos duas finais domésticas de brasileiro em 84 e 92.

    E de lá pra cá foi só.

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