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ENTREVISTA: Aimoré-RS - O amor e a dedicação a um dos pequenos do futebol brasileiro

09 de março de 2010 13

Há muito tempo eu, torcedor de um dos grandes times de futebol do Brasil, buscava entender como funciona a cabeça de um torcedor fanático de um time pequeno. Afinal, nem todos os simpatizantes de equipes modestas tem “um time no Brasileirão” e outro nos campeonatos regionais.

É claro que não falo de times de aluguel ou artificiais, casos de Barueri/Prudente-SP e Porto Alegre-RS, por exemplo. E sim de times vinculados às suas comunidades, que vivem e respiram o amor de abnegados torcedores. Existem pessoas que nascem torcedoras do Paulista de Jundiaí e morrem torcedores do mesmo Paulista, não importa em que divisão, se licenciado ou não. E isto vale para o Campinense-PB, Tupi-MG, Central-PE ou… o AIMORÉ-RS, que terá sua história contada agora.

Graças a uma indicação de minha esposa Mariane, consegui o contato de Sandro Cardoso, um dos três (!) presidentes do Clube Esportivo Aimoré, o famoso “Índio” de São Leopoldo. Ao lado dos entusiastas Sandro Borowski e Telmo Hoefel, cabe à eles guiar os destinos do simpático time de São Leopoldo. Aliás, lembro de ter ido uma vez ao Cristo Rei, em um dia de chuva histórica carregando bandeiras de torcida organizada. Um passado de paz, que hoje não tem mais espaço…

Vamos à entrevista do Sandro, um aimoresista autêntico? Vale a pena conferir!

ALMANAQUE ESPORTIVO: Como começou a paixão pelo Aimoré? Desde criança?

SANDRO CARDOSO: Sou aimoresista desde que me conheço por gente, praticamente nasci dentro do Cristo Rei. eu, meu pai e meu irmão nos orgulhamos em dizer que só entramos no Beira-Rio ou Olímpico só para ver o Aimoré jogar, somos aimoresistas autênticos e puros, e inclusive carrego o distintivo do clube tatuado no braço.

Obviamente foi influenciado pelo meu pai, que se tornou um aimoresista sem apoio dentro de casa e que desde muito jovem já batalha pelo Aimoré, primeiro indos aos jogos e depois com um Núcleo de apoio ao clube (década de 70).

Sandro Cardoso (dir) - Torcedor do Aimoré desde pequeno, hoje presidente

Deste Núcleo saíram 5 ex-presidentes do clube, sendo um deles meu pai em 1978, mas também passou por todas as funções diretivas existentes dentro do clube. Com o hiato de 9 anos que o clube ficou fechado 1996-2005, ficamos desamparados, sem ter o nosso clube para torcer. Com a volta em 2006 tudo se renovou, por coincidência meu filho nasceu em 2006 e não perde um jogo no Cristo Rei, segue o mesmo caminho da família.

Família Cardoso, toda torcedora do Aimoré

ALMANAQUE ESPORTIVO: Quando passastes a ter uma função efetiva no clube?

SANDRO CARDOSO: Em 2006 com a volta do clube ao futebol profissional, entrei para o Conselho Deliberativo, no mesmo fui eleito vice-presidente do Conselho e seguindo os passos do meu pai, fundei juntamente com meu irmão o NJA (Núcelo JOvem AImoresista) em 2007, que seria basicamente um grupo de apoio ao clube, reunimos muitos jovens torcedores e desde então passamos a trabalhar fazendo promoções (rifa, campanha de sócio, meio frango, jantares, ajudando na logística nos dias de jogos…).

Esse grupo criou seu espaço dentro clube, tanto que na renovação do Conselho em 2008, dos 50 membros titulares eleitos, 10 eram do NJA e no mesmo ano de 2008 já havíamos lançado a candidatura do Cláudio Schein para presidência do clube, na época fui convidado por ele a ser um dos seus vices-presidente, ganhamos a eleição. E mais tarde o Cláudio se afastou da presidência e os 3 vices eleitos assumiram o clube em forma de triunvirato, e temos administrado bem dessa forma, dividindo funções e responsabilidades. Na diretoria atual meu pai auxilia na parte financeira e meu irmão é o Diretor de Logística.

Aimoré até na pele! - Arquivo Pessoal

ALMANAQUE ESPORTIVO: Quais tem sido as principais ações da gestão atual? Os maiores sucessos e os grandes problemas?

SANDRO CARDOSO: Após o afastamento do Cláudio, assumimos com o discurso de dar credibilidade ao clube e transparência, conseguimos mudar muita coisa, posso citar como sucesso a parceria com os restaurantes da cidade, em que os atletas profissionais são espalhados pelo centro da cidade para fazer o almoço em troca o clube cede espaços publicitários aos estabelecimentos, ao todo são 12 restaurantes o que desonera o clube.

Criamos o site do clube (www.ceaimore.com.br) que não existia. Fizemos uma parceria com uma empresa que administra a nossa categoria sub-17. Depois de 12 anos terceirizada as escolinhas voltaram a ser do clube.

O grande problema é falta de apoio das empresas da cidade, São Leopoldo mudou muito, as famílias tradicionais que viveram os áureos do índio não são mais as mesmas e as grandes empresas hoje são administradas por pessoas que não são da comunidade, nosso trabalho é árduo, sem falar da proximidade com a Capital e a imprensa que praticamente obrigam as pessoas a serem coloradas ou gremistas.

ALMANAQUE ESPORTIVO: O Aimoré ficou muitos anos licenciado. Quais são os planos para agora, falando dentro de campo? O foco será a formação de atletas?

SANDRO CARDOSO: O plano é subir o mais rápido possível, mas a gente sabe que os times que tem subido ultimamente tem tido investimentos pesados, mas trabalhamos com os pés no chão, nenhuma loucura será cometida. Fizemos a parceria a GRA Sports para administrar a categoria sub-17, claro que o objetivo é formar jogadores, mas a GRA Sports e o Aimoré também tem olhos no mercado externo.

ALMANAQUE ESPORTIVO: Existe algum projeto de mudança do Cristo Rei, como ocorreu no rival Novo Hamburgo? Ou ele vai ser revitalizado, para evitar a perda da identidade do time de futebol com a comunidade de São Léo?

Estádio Monumental do Cristo Rei - João Corrêa da SilveiraSANDRO CARDOSO: Sabemos que o Bairro Cristo Rei é uma área valorizadíssima, mas sair dali não, temos é que aproveitar melhor os espaços, sempre conversamos entre nós que o nosso estádio é muito grande e às vezes se torna uma campo neutro, sem pressão, talvez poderíamos transformá-lo em uma espécie de arena, mas para isso necessitamos de recursos.

ALMANAQUE ESPORTIVO: E a situação financeira? Existem muitas dívidas do passado? As empresas da região estão ajudando?  Como está sendo esta captação de recursos com a comunidade?

SANDRO CARDOSO: Herdamos o clube com dívidas sim, e não é pouca coisa. Nosso investimento pesado vem do poder público municipal e do serviço municipal de água e esgoto (SEMAE), sem eles hoje NÃO estaríamos jogando a Segunda Divisão. T

emos muitas parcerias como a dos restaurantes e como esta temos com a academia, empresa de ônibus, empresa do ramo da saúde e assim outras. Outra fonte de renda são placas dentro do campo, sócios, rifas, e recentemente acertamos uma parceria para estampar a nossa camisa oficial da empresa Higra. Nossa tarefa não é nada fácil, só com muito amor e dedicação.

Fiéis torcedores do Aimoré de São Leopoldo em confraternização

Legal, né?

Na próxima semana, contarei a saga de um andarilho da bola… Que passou por mercados desconhecidos em busca de realizar seu sonho de ser atleta profissional, conheceu novas culturas, civilizações. Deu tempo até de ganhar um dinheirinho!

Do Grêmio, passando por Curitiba, Polônia, Israel e hoje em Hong Kong… Com vocês Tales Schultz!

Comentários (13)

  • Oduvaldo Garcia Junior diz: 9 de março de 2010

    Eu não consigo entender como alguém pode torcer para um time que não é da sua cidade, ao qual muitas vezes vê apenas pela TV. Entendo perfeitamente pessoas como o Sandro, que torcem para um clube do qual podem se considerar parte integrante, administrando, ajudando a administrar ou nas arquibancadas.
    Eu sou torcedor do Esporte Clube Pelotas, morei de 1992 à 2008 fora do estado, frequentei estádios em todos os lugares, até porque gosto de futebol, mas nem no Morumbi lotado em finais de Libertadores (São Paulo x Universidad do Chile e Santos x Boca Juniors), senti fração da emoção dos bons confrontos de Pelotas e Aimoré nos anos 80.
    Agora estou em Rio Grande, e vou à Pelotas em todos os jogos do meu Lobão.
    Conclamo os torcedores das diferentes cidades do interior ou da região de POA, larguem a dupla Gre-Nal, torçam para os times de suas cidades.

  • Mauro Gaúcho Colorado diz: 9 de março de 2010

    Alexandre, só passei para elogiar.

    De todos os blogs do ClicRBS, esse teu Almanaque Esportivo é o melhor de todos. Contém novidades, histórias, avaliações, imparcialidade, clareza de idéias, etc.

    Parabéns!

    Te esperamos na OKTOBERFEST DE IGREJINHA em 2010.

    Abraço.

  • Mariane Batista diz: 9 de março de 2010

    Parabéns pelo post, sou suspeita para falar, mas realmente não tinha como deixar de fora do blog esse fanático que é o Sandro.

    Ahhhh, gostei do convite do Mauro para a Oktober de Icrexinha !!!

  • sueli diz: 9 de março de 2010

    Emocionei-me ao ler esta reportagem sobre o Aimore, clube que aprendi a amar na minha infancia. Primeiro na Taba India no Bairro Rio dos Sinos e depois no Estadio Cristo Rei, no bairro de mesmo nome. Desde a inauguracao participavamos, meus irmaos e eu da torcida e nao perdiamos uma partida. Era so subir o morro e la estavamos, juntamente com outras criancas fazendo a maior gritaria para incentivar os jogadores. Um tempo tranquilo que podiamos ir ao estadio sem um adulto porque todos se conheciam e ninguem aprontava senao o castigo era nao ir no proximo jogo. Como escolhi o Ceara para morar uma reportagem como esta ameniza a grande saudade que sinto de Sao Leo. Um abraco carinhoso a familia Cardoso, amigos de longa data e muito obrigado ao Alexandre e equipe da Gaucha por esta reportagem maravilhosa. Acompanho as noticias de meu Rio Grande. amado atraves do site da RBS. Um beijo no coracao dos gauchos.

  • Alexandre Filho diz: 9 de março de 2010

    Alexandre,

    Gostaria de elogiar a iniciativa, pois devemos ressaltar o trabalho destas pessoas a frente do Aimoré, pois o mais difícil não é começar um trabalho e sim recomeçar. Joguei nas categorias de base do Aimoré, sou morador de São Leopoldo desde minha existência e meu bisavô João Correa da Silveira (in memorian), um dos maiores incentivadores da história do Aimoré, tinha um amor imenso pelo clube que até hoje carrega o seu nome no estádio.

    Obrigado por ressaltar está bonita história de um clube que resurge e que muitos o tem com grande carinho. Oh Indio Capilé!

  • lucas diz: 9 de março de 2010

    parabens ao sandro e ao alexandre .sou de caxias do sul torco pro ju e moro em poa assisto a todos os jogos na regiao metropolitana inclusive do aimore e vejo esse tipo de torcedor e me espelho neles so entro no beira rio ou olimpico quando meu verdao ta la.torco para todos os times do interior e gostaria de ver presidentes de clubes do interior que nao fossem torcedores de conselheiros da dupla da capital,interio tem que se unir ,olhem so o momento de esportivo de bento é lamentavel abraco a todos os torcedore fiéis aos times de suas cidades

  • João Eugenio diz: 9 de março de 2010

    Hoje moro em rio Negro PR mais sou simpatizando do Indio deste 1966 quando servi ao exército em São Leopoldo no 19. BTLINF, conheci o estádio inclusive joguei bola lá em algumas oportunidades com amigo. Este time não pode morrer, vamos amigos lutem par que ele volte a logo a primeira divisão. Ele vai aterrorizar a dupla grenal. um abç

  • Cesar Guéio diz: 9 de março de 2010

    Parabens Alexandre pela reportagem, e parabens a Familia Cardoso pela dedicação ao nosso Grande Aimoré. e Da lhe INDIO

  • Roninha diz: 9 de março de 2010

    Muito bom ver o meu Aimoré sendo notícia positivamente…
    Bom também me ver numa das fotos…
    Já rodamos todo o RS para torcer pro Índio…
    Nossa esperança é poder rodar o Brasil, disputando a Copa do Brasil, Brasileiro D, C, B e A.
    Minha tatuagem do AImoré também fará eu lembrar pra sempre dos bons momentos q passei em função do clube!!
    Vamo Índio Capilé!!!

  • DIGUE CARDOSO diz: 10 de março de 2010

    Sou mais um tatuado e apaixonado pelo Aimoré. Fiz o simbolo em 2006 no ano do retorno do índio! Parabens pela reportagem, e sucesso ao AImoré e ao meu irmão Sandro Cardoso

  • Carlos Henrique diz: 12 de março de 2010

    Eu que o diga, que sou um sofred… digo, torcedor do pequeno, mas bravo CRB-AL! Não importam a divisão, se na derrota, nas crises! Os verdadeiros apaixonados vestem a camisa dos seus times, pequenos ou não, com toda a paixão e alegria, o que é o meu caso.

  • Dílson Osório diz: 15 de março de 2010

    Venho aqui parabenizar o Alexandre pela reportagem e aos Cardoso, pela dedicação a este clube que levo no meu coração. Precisamos cada vez mais apoiar e conclamar a presença da comunidade, no Cristo Rei.

  • rodrigo diz: 18 de maio de 2013

    Eu achei o texto ótimo ,mas por tudo eu o Aimoré já conquistou chegando até a empatar com o Boca Juniors em plena LA BOMBONERA ,pelo placar de 1×1 mesmo resultado conquistado pelo Corinthians no ano passado, sendo vice-campeão gaúcho em 1959 (só não levou o troféu porque o juiz ajudou o Grêmio ),ganhando do Internacional diversas vezes, não pode ser chamado de clube pequeno como foi chamado no inicio do texto. A quem não concorde mas o Aimoré está entre os 5 melhores do estados.

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