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Posts do dia 25 junho 2010

França e sua montanha-russa nas Copas do Mundo: 2002 e 2010

25 de junho de 2010 0

Continuando a contar a irregular trajetória da Seleção Francesa de Futebol. Depois de contar dos vexames de 1990 e 1994, quando ficou de fora da Copa do Mundo, os momentos trágicos continuam: as eliminações de 2002 e 2010 ainda na primeira fase.

2002

Depois do título mundial de 1998 e da conquista da Eurocopa em 2000, a França era apontada como a favorita para a conquista do Mundial ao lado da Argentina. E tal qual nossos vizinhos de continente, protagonizou um fiasco histórico. Caiu na primeira fase com duas derrotas e  um empate, e sem marcar um golzinho sequer.

Os problemas começaram nos amistosos finais antes do Mundial. Zidane, em grande fase técnica, sofreu lesão e ficou fora dos dois primeiros jogos da Copa contra Senegal e Uruguai. Já Cissé quebrou a perna antes de um amistoso contra a China e foi cortado. Na partida inaugural, o estreante Senegal marcou 1×0 com Papa Bouba Diop, e segurou o resultado até o final. Trezeguet e Henry acertaram a trave de Tony Sylva, enquanto El-Hadji Diouf também acertou o travessão de Barthez. Zebraça na abertura do Mundial do Japão e Coréia do Sul:

No segundo jogo, contra o Uruguai, outro show de gols desperdiçados. Para piorar, Henry foi expulso ainda no primeiro tempo, deixando a França com 1 jogador a menos. No finalzinho, o Uruguai ainda perdeu o gol que daria a eliminação imediata dos atuais campeões. Vejam o compacto:

Na última partida, mesmo totalmente descontado, Zidane foi chamado. A França precisava vencer a Dinamarca, ou estaria eliminada. Mais uma vez, Trezeguet acertou o travessão e Zidane teve boa atuação. Mas gols de Rommedahl no primeiro tempo, e Dahl-Tomasson no segundo tempo encerraram o sonho francês. Final, Dinamarca 2×0 e França se tornava o segundo time campeão do mundo a ser eliminado ainda na primeira fase. O primeiro foi o Brasil em 1966.

2010:

Atual vice-campeã mundial, a França chegou na Copa totalmente desacreditada. Em crise técnica e institucional, tinha o treinador Raymond Domenech criticado pelos atletas há mais de dois anos, após o fiasco na Euro 2008 (eliminada na 1º fase). Nas Eliminatórias, ganhou apertadinho da Lituânia duas vezes, as duas com gols nos quinze minutos finais do Franck Ribery.

Sem estas vitórias apertadas, não teria sequer ido à repescagem. Nesta ganhou da Irlanda com o célebre gol de Gallas na prorrogação, aproveitando mão dupla de Henry. Um dos lances mais roubados da história das Eliminatórias Européias. Henry não foi punido, o árbitro também não. Vejam:

Uma várzea, punida nesta Copa.

Como todos vocês já sabem.

VEJA TAMBÉM:

França e sua montanha-russa nas Copas do Mundo: 1990 e 1994

França e sua montanha-russa nas Copas do Mundo: 1990 e 1994

25 de junho de 2010 0

A eliminação de maneira ridícula, ainda na primeira fase, da Seleção Francesa manteve o histórico “eletrocardiograma” dos “Les Bleus” nos últimos 30 anos de Mundiais. Campeã em 1998, a França manteve a sina de ir muito bem ou ir muito mal nas Copas do Mundo. Vamos contar estas histórias aqui no Almanaque.

Os números são expressivos, para ambas as teses:

  • Campeã: 1998
  • Vice-campeã: 2006
  • Semifinalista: 1982 e 1986
  • Eliminada na 1º fase: 2002 e 2010
  • Nem se classificou: 1990 e 1994

Vamos começar a contar os fiascos de 1990 e 1994 e à noite os vexames de 2002 e 2006. No sábado, as semifinais de 1982 e 1986, o vice de 2006 e o título de 1998. O Brasil esteve envolvido em 86, 1998 e 2006…

1990:

A eliminação ainda na fase classificatória de 1990 foi comandada por um inexperiente técnico Michel Platini. Hoje presidente da UEFA, ex-dirigente da FFF, Platini engatinhava fora dos gramados quando assumiu no lugar do veterano técnico Henri Michel, comandante nas Copas de 1982 e 1986. Este foi demitido após uma vitória magra sobre a Noruega e um empate contra o Chipre.

Michel Platini, treinador da França nas Eliminatórias de 1990 - Foto: http://www.wikipedia.org

Em renovação, a França sofria sem Platini, Fernandez, Giresse e Six. Jovens como Papin e eficientes como Sauzée lideravam o time dentro de campo. Se a Iugoslávia mostrava um futebol espetacular da geração de ouro antes da Guerra Civil, ninguém imaginava que a Escócia seria páreo para a França. Mas pontos perdidos contra o Chipre e Noruega e uma derrota para a Escócia, todas fora de casa, custaram a classificação. A Espanha ficou atrás da Iugoslávia (16 pontos em 20 possíveis), e da Escócia, que fez 10 pontos contra 9 da França.

1994:

Esta não tem explicação. Depois do fiasco nas Eliminatórias de 1990, a França começou a ter Gerard Houlliér no comando do time em um grupo no qual despontavam ainda a Suécia e a Bulgária. Com um time renovado, os franceses tinham jogadores talentosos como Cantona e Ginola, jovens como Lizarazu e Desailly além de experientes como Papin e Deschamps. Começou mal, levando 2×0 da Bulgária (de Balakov, Stoichkov e Kostadinov) em Sofia. Ganhou seis em sete partidas, conseguiu um empate contra a fortíssima Suécia e só precisava vencer a lanterna Israel, que havia levado 4×0 em Tel-Aviv na rodada de ida.

Saiu perdendo com gol de Ronen Haraz, virou com dois golaços de Franck Sauzée e David Ginola ainda no primeiro tempo. Estava classificada até 38 do segundo tempo, quando Berkovitch empatou após rebote de Bernard Lama. Desesperada pelo gol da classificação antecipada, a França tomou um gol ridículo de contra-ataque aos 48 do segundo tempo, final Israel 3×2 em pleno Parc des Princes. Vejam o compacto do jogo na narração da TV israelense:

Nervosa, a França foi acusada de displicência no jogo anterior e não poderia perder para a Bulgária em casa. começou na frente com um gol de Eric Cantona no primeiro tempo. Cinco minutos depois, o eficiente búlgaro Kostadinov empatou para os búlgaros. Bizarramente, a França ficou o segundo tempo inteiro na defesa, ao invés de marcar o gol do desafogo.

Nos acréscimos, David Ginola cavou falta no ataque. Ao invés de segurar a bola, na cobrança ele fez um cruzamento errado, que gerou um contra-ataque. Kremenliev recuperou a bola, tocou para Balakov, que lançou Penev. Este abriu para Kostadinov que, sem ângulo, conseguiu o gol da vitória e classificação búlgara. Vejam o gol:

Desespero total na França, e o técnico Houlliér covardemente afirmou depois do jogo: “Ginola assassinou a nação francesa”, culpando um único jogador. Ginola e Cantona não mais jogaram pela França e o primeiro teve que se autoexilar na Inglaterra, aonde marcou época defendendo o Newcastle. Eles não estavam no grupo campeão Mundial de 1998. Irônico, o tradicional jornal Le Monde estampou no dia seguinte ao jogo no Parc des Princes: “França classificada para a Copa… de 1998“, aludindo o fato dos franceses serem anfitriões do Mundial seguinte.

França contra Israel: Lama; Desailly, Roche (Lizarazu) e Blanc; Petit, Deschamps, Le Guen e Sauzée; Papin, Cantona e Ginola (Djorkaeff). Técnico: Gerard Houllier

França contra Bulgária: Lama; Desailly, Roche e Blanc; Petit, Deschamps, Le Guen, Sauzée (Guérin) e Pedros; Papin (Ginola) e Cantona. Técnico: Gerard Houllier