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França e sua montanha-russa nas Copas do Mundo: 1990 e 1994

25 de junho de 2010 0

A eliminação de maneira ridícula, ainda na primeira fase, da Seleção Francesa manteve o histórico “eletrocardiograma” dos “Les Bleus” nos últimos 30 anos de Mundiais. Campeã em 1998, a França manteve a sina de ir muito bem ou ir muito mal nas Copas do Mundo. Vamos contar estas histórias aqui no Almanaque.

Os números são expressivos, para ambas as teses:

  • Campeã: 1998
  • Vice-campeã: 2006
  • Semifinalista: 1982 e 1986
  • Eliminada na 1º fase: 2002 e 2010
  • Nem se classificou: 1990 e 1994

Vamos começar a contar os fiascos de 1990 e 1994 e à noite os vexames de 2002 e 2006. No sábado, as semifinais de 1982 e 1986, o vice de 2006 e o título de 1998. O Brasil esteve envolvido em 86, 1998 e 2006…

1990:

A eliminação ainda na fase classificatória de 1990 foi comandada por um inexperiente técnico Michel Platini. Hoje presidente da UEFA, ex-dirigente da FFF, Platini engatinhava fora dos gramados quando assumiu no lugar do veterano técnico Henri Michel, comandante nas Copas de 1982 e 1986. Este foi demitido após uma vitória magra sobre a Noruega e um empate contra o Chipre.

Michel Platini, treinador da França nas Eliminatórias de 1990 - Foto: http://www.wikipedia.org

Em renovação, a França sofria sem Platini, Fernandez, Giresse e Six. Jovens como Papin e eficientes como Sauzée lideravam o time dentro de campo. Se a Iugoslávia mostrava um futebol espetacular da geração de ouro antes da Guerra Civil, ninguém imaginava que a Escócia seria páreo para a França. Mas pontos perdidos contra o Chipre e Noruega e uma derrota para a Escócia, todas fora de casa, custaram a classificação. A Espanha ficou atrás da Iugoslávia (16 pontos em 20 possíveis), e da Escócia, que fez 10 pontos contra 9 da França.

1994:

Esta não tem explicação. Depois do fiasco nas Eliminatórias de 1990, a França começou a ter Gerard Houlliér no comando do time em um grupo no qual despontavam ainda a Suécia e a Bulgária. Com um time renovado, os franceses tinham jogadores talentosos como Cantona e Ginola, jovens como Lizarazu e Desailly além de experientes como Papin e Deschamps. Começou mal, levando 2×0 da Bulgária (de Balakov, Stoichkov e Kostadinov) em Sofia. Ganhou seis em sete partidas, conseguiu um empate contra a fortíssima Suécia e só precisava vencer a lanterna Israel, que havia levado 4×0 em Tel-Aviv na rodada de ida.

Saiu perdendo com gol de Ronen Haraz, virou com dois golaços de Franck Sauzée e David Ginola ainda no primeiro tempo. Estava classificada até 38 do segundo tempo, quando Berkovitch empatou após rebote de Bernard Lama. Desesperada pelo gol da classificação antecipada, a França tomou um gol ridículo de contra-ataque aos 48 do segundo tempo, final Israel 3×2 em pleno Parc des Princes. Vejam o compacto do jogo na narração da TV israelense:

Nervosa, a França foi acusada de displicência no jogo anterior e não poderia perder para a Bulgária em casa. começou na frente com um gol de Eric Cantona no primeiro tempo. Cinco minutos depois, o eficiente búlgaro Kostadinov empatou para os búlgaros. Bizarramente, a França ficou o segundo tempo inteiro na defesa, ao invés de marcar o gol do desafogo.

Nos acréscimos, David Ginola cavou falta no ataque. Ao invés de segurar a bola, na cobrança ele fez um cruzamento errado, que gerou um contra-ataque. Kremenliev recuperou a bola, tocou para Balakov, que lançou Penev. Este abriu para Kostadinov que, sem ângulo, conseguiu o gol da vitória e classificação búlgara. Vejam o gol:

Desespero total na França, e o técnico Houlliér covardemente afirmou depois do jogo: “Ginola assassinou a nação francesa”, culpando um único jogador. Ginola e Cantona não mais jogaram pela França e o primeiro teve que se autoexilar na Inglaterra, aonde marcou época defendendo o Newcastle. Eles não estavam no grupo campeão Mundial de 1998. Irônico, o tradicional jornal Le Monde estampou no dia seguinte ao jogo no Parc des Princes: “França classificada para a Copa… de 1998“, aludindo o fato dos franceses serem anfitriões do Mundial seguinte.

França contra Israel: Lama; Desailly, Roche (Lizarazu) e Blanc; Petit, Deschamps, Le Guen e Sauzée; Papin, Cantona e Ginola (Djorkaeff). Técnico: Gerard Houllier

França contra Bulgária: Lama; Desailly, Roche e Blanc; Petit, Deschamps, Le Guen, Sauzée (Guérin) e Pedros; Papin (Ginola) e Cantona. Técnico: Gerard Houllier

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