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Posts do dia 28 outubro 2010

Eleição no Inter - 1998: quando o clube voltou a ser democrático

28 de outubro de 2010 6

Em 1998, ocorreu a mais importante eleição da história do Internacional. Apesar de ‘teoricamente’ ser pouco importante (renovação de 1/3 do Conselho Deliberativo) , na prática o impacto do resultado era enorme, pois mudaria o panorama de forças dentro do Conselho do Inter. Isto seria crucial para mudanças que imperavam no clube, em péssima fase dentro e fora dos gramados há praticamente uma década.

O Conselho, que elegia sempre 100% da chapa com mais votos, era visto como um órgão alheio ao resto do clube no qual os conselheiros participavam somente para estreitar contratos comerciais fora do clube, ou por relação de status e amizade. Sua influência no dia-à-dia do clube era nula.

Naquele tempo, uma vitória da situação garantiria mais um tempo de comando do Conselho do Clube sob a imagem de Pedro Paulo Záchia, José Asmuz e Paulo Rogério Amoretty. Entretanto, uma vitória da Oposição, que para aquele pleito uniu Fernando Carvalho e Fernando Miranda (inclusive o nome da chapa era “União das Oposições“), inverteria o poder dentro do Conselho. A Oposição, mesmo com divergências profundas, estaria em condições de efetuar as tão sonhadas reformas estatutárias.

Duas propostas eram cruciais: eleições diretas para a Presidência e eleições proporcionais para o Conselho Deliberativo.

Na época, com um número pequeno de votantes (menos de 3 mil aptos), os fatores sempre pesavam para a então situação em cada pleito: ocorriam ‘anistias‘ que liberavam de pagamentos os sócios atrasados (um verdadeiro absurdo, já que punia os que pagavam em dia e ainda permitia ‘votos fantasmas’), e a utilização de ‘currais eleitorais‘, pois o número diminuto de sócios e o pouco interesse facilitava a manutenção da chapa de situação.

Foi um pleito tumultuado, com brigas, agressões, discussões públicas nos meios de imprensa e até polícia acionada no dia da votação. O resultado foi apertadíssimo, com direito a liminares na justiça e tudo o mais: 1.346 votos para a Oposição e 1.046 para a Situação. Foram aceleradas as votações que permitiram a eleição direta no clube e também eleição proporcional no Conselho Deliberativo, desde que obtidos pelo menos 15% dos votos.

O Inter nunca mais foi o mesmo. A própria chapa de Oposição deixou claro que, após o pleito, estariam em caminhos separados. Seus líderes disputaram a eleição presidencial de 1999, a última indireta dentro do Internacional, em lados opostos: Jarbas Lima (escolhido por ter menos rejeição do que seu 1º vice-eleito Fernando Miranda) pelo Inter 2000/InterAção, e Fernando Carvalho pelo Inter Grande, Ação Independente entre outros.

Venceu Jarbas Lima, por apenas 12 votos. Ele se afastou do cargo por ‘motivos de saúde’, entrando seu primeiro vice-eleito, Fernando Miranda, para os últimos meses de mandato.